rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

terça-feira, setembro 30, 2008

Quereis saber? Perguntai ao Camões!!!

  • Não é ao popular Afonso Camões, integérrimo jornalista e hoje administrador na área da comunicação social. Refiro-me mesmo ao próprio Luís Vaz de Camões. Só ele poderá explicar como é que uma casa pertencente a um particular passou a ser considerada do município alfacinha. Será que Camões no seu legítimo direito, irá invocar motivações de ordem ética?!

    No Público de hoje, mais um intrigante mistério que ombreia com outros também surpreendentes que campeiam neste não menos surpreendente país de brandos costumes!!!

NEPOTISMO CAMARÁRIO?

As casas atribuídas pela CML segundo critérios pouco ortodoxos estão na baila. No DN fala-se num comandante da polícia municipal e em duas pessoas que nem sequer usaram as casas!!!

Tantas carências, gente realmente a precisar, e o manto diáfano do nepotismo a cobrir criaturas que nem sequer tinham necessidade delas... Imagine-se o que isto configura!!!

É este o país que temos, santo Deus! É um fartar vilanagem!!! E o que andará para aí oculto, os jornais estão amordaçados pela «benemerência» (passe o eufemismo...) instalada, ninguém tenha dúvidas!

Para se saber quem são os felizes contemplados há que pedir parecer à Comissão de Protecção de Dados... será que nessa Comissão também haverá contemplados?!
A ver vamos, se ela deferir a pretensão de divulgar tais dados. Talvez não tenha coragem de o fazer...

A miséria continua...

O rapto de crianças continua a fazer correr rios de tinta e a fazer rolar lágrimas de desespero na face de quem se vê privado do convívio com elas. De forma chocante, os raptos parentais também estão na ordem do dia. As crianças é que pagam as desavenças familiares.

Estas três crianças podem andar por aí a pedir por esse Portugal fora. Se as vir não perca a calma e avise a PJ.

No centro do furacão!


A famosa operação Furacão é assaz complicada e tem teias (tentáculos?) de envergadura nunca sonhada. Logo à partida houve violações de segredo de justiça que complicaram ainda mais a situação. É óbvio que o efeito surpresa é muito importante e, quando foi dado o alerta já toda a «caça» tinha sido espantada...
Agora, a braços com os off-shores e demais adamastores que se vislumbram no horizonte, a Dra Cândida Almeida lamenta-se publicamente das dificuldades do mega-processo. Será que estará na calha mais uma prescrição por impossibilidade de cumprimento de prazos?
Por vezes, até parece que há poderes ocultos a lançarem um ferrete sobre pessoas idóneas e corajosas mas completamente manietadas por burocracias e formalismos que poderão ser, também eles, tentáculos do polvo que se quer investigar...
Recordo aqui um «desabafo»do Sr Alto Comissário Contra a Corrupção, que, quando confrontado por mim devido a uma fuga de documento sob a sua jurisdição se lamentou desta forma: «Não fui eu, foi uma entidade que solicitou o documento sob reserva de sigilo e não cumpriu!»
Quando quis saber quem era o culpado para o processar (era meu direito legítimo) recusou-se a fazê-lo...
Quanto à alegada corrupção, que eu pedi para investigar, a AACC entregou o assunto nas mãos da IGAT. Contudo, os srs inspectores, quando abordaram a questão da corrupção, passaram ao lado justificando que o assunto estava a ser investigado pelo Tribunal da comarca. Ora, isso não era verdade. O tribunal não investigava nada. O que julgava era os termos usados por mim na carta que dirigi ao ACCC. Não investigava a câmara, mas analisava se os termos usados por mim eram injuriosos ou não!!!
Enfim, a AACC foi mero verbo de encher, passou totalmente ao lado da eventual corrupção. Os inspectores idem aspas. Eu fui condenado (pois não consegui obter dados que estavam fechados a sete chaves na câmara... e esta se recusou a divulgar ao tribunal alegando que eu não justificava interesse neles...); o juiz nada fez para os obter. Os termos considerados ofensivos foram: «onde pára o dinheiro?», «há repressão sindical fascizante», «há crimes de lesa-economia», enfim, tapou-se o sol com a peneira de estranhas cumplicidades...
Será que o sol da verdade irá ser tapado pela peneira da prescrição, na operação Furacão?
Perguntar não ofende. Isso pensava eu, mas aquele juiz provou-me o contrário. «Onde pára o dinheiro?» foi considerado insulto...

Jornalistas e... sinecuras!


Mário Crespo hoje no J.N. dá conta de várias situações que envolvem pessoas importantes da comunicação social e a câmara de Lisboa. Trata-se de apartamentos de elevado valor («gama alta»...) cedidos pela autarquia a certos «opinion makers» em circunstâncias pouco transparentes.
Depois queixam-se as pessoas que os jornais só falam de fofocas e coisinhas sem interesse esquecendo o mais importante. Enfim, os pilha-galinhas aparecem sempre, mas os outros, os de colarinho branco, os das sinecuras doiradas, fecham os olhos e... é a tristeza que se sabe. Os jornais estão ao serviço de quem manda, nas câmaras, nos governos, nas universidades, nas grandes empresas públicas... Tal como antigamente, no tempo da outra senhora! lá vamos sinecurando e rindo...
A nível local é o que se sabe, lambebotismo e mais lambebotismo, salamaleques e mais salamaleques a troco de algum tacho nas rádios, alguma sinecura nalgum jornal ou TV.
O povo só terá acesso a informação plural quando tiver acesso à blogosfera. Terá que filtrar a mediocridade que para aí pulula também, é certo. Mas os jornais metem dó de tanta subserviência ao poder.
A denúncia corajosa de Mário Crespo é algo que toda a gente já intuíra há muito. Elas andam por aí, as sinecuras que marionetam os jornalistas. Depois é artigos laudatórios (encomendados, talvez...) aos tenentes do poder e catilinárias avinhadas e feitas por encomenda aos que criticam os excessos do poder. Há tanto algoz julgando ser Eça de Queiroz!
Conheço um sujeito que denunciou uma câmara. A coisa soube-se, e o que mais lhe doeu, foi a homilia dominical. O padre, muito íntimo e confidente do presidente, atacou na homilia todos os denunciantes como se fora uma casta de bandoleiros. E, imagine-se, enalteceu a figura de S. José!!!
Perguntar-se-á porquê! é lógico...
Segundo ele (pároco comissário político) S. José não denunciou Nossa Senhora embora sabendo que não era o «pai biológico»de Jesus!!!
Até que ponto chega o lambebotismo, meu Deus! Até S. José serve para defender esta gente com montanhas de fé!!!
Eles, párocos, que deveriam ser os primeiros a denunciar as prepotências, os abusos, os nepotismos, as sinecuras, são os primeiros a atacar quem cumpre o dever de cidadania, quem os substitui no múnus evangelizador, quem é apóstolo na defesa dos fracos e oprimidos contra os donos do poder que se julgam donos da verdade!

segunda-feira, setembro 29, 2008

H5N1 - «Patos bravos» contaminam banca! Pânico geral!!!

A comunidade científica anda alarmada! O famoso vírus H5N1 (vulgo gripe das aves) fez mais uma das suas!

Consta que os «patos bravos» (há-os em todos os domínios, sobretudo na selva económica...) foram atacados por estranho vírus (variante do H5N1) e ao entrarem nos domínios da banca foi pandemia geral...

O DN de hoje explica exaustivamente toda esta problemática que não pára de surpreender a comunidade científica que se prepara para injectar no mercado doses mecissas de vacina anti-gripal. Espirram por todo o mundo, sobretudo nos EUA, dando a ideia a toda a comunidade internacional que o chamado efeito domínó (também nesta estirpe viral muito vulgar) poderá causar mortandades fora do comum!... Talvez pior que a famosa «peste negra»!...

O papa ainda não se pronunciou mas o sempre atento bin Laden diz categoricamente que foi castigo de Alá!

BENFICA 2 VS SPORTING O

Grande espectáculo entre duas grandes equipas. A entrada de Katsouranis na segunda parte, colmatando carências defensivas e servindo de tampão numa zona sensível foi o leitmotiv de uma vitória justa e merecida para os encarnados.
Paulo Bento foi literalmente atropelado por Quique Flores. Miguel Veloso e João Moutinho foram apagados por Katsouranis, talvez o mais completo jogador benfiquista do momento. Yanick Djaló ao falhar aquele primeiro golo, por falta de serenidade e sofreguidão (muito embora haja que reconhecer mérito ao guardião Quim) deu azo a que na segunda parte tudo se invertesse. Reyes mostrou que a trivela também pode ser uma arma nos seus pés de bailarino. Sidney compensou em fulgor e sentido de oportunidade a falta de rodagem mas pode vir a ser uma revelação ainda esta época. Os três grandes mais juntos dá um ambiente de sã competitividade à Liga, o que se saúda. Contudo, é óbvio que ainda a procissão vai no adro...

domingo, setembro 28, 2008

ESTRANHAS COBARDIAS...

O P. R. quer que se respeitem mais os juízes
O bastonário da ordem dos advogados quer que os juízes respeitem mais os cidadãos e os agentes da justiça.


Quem tem razão? De que lado está a verdade?
Será que o PR, simultaneamente superior magistrado da nação estará a usar de egoísmo corporativo, defendendo um grupo, o «sistema», em detrimento dos cidadãos em geral?
Será que o bastonário da ordem dos advogados está a ser porta-voz da corporação (advogados) contra a corporação juízes?
Estas interrogações que coloco como intróito, são pertinentes.
Há dias ouvi um responsável da PSP queixar-se de um juiz que libertou um cidadão ucraniano que fora apanhado com explosivos e armas de grande envergadura, podendo em liberdade retaliar contra a PSP que o deteve, e/ou continuar diversas actividades delituosas.
Sabemos de alguns casos de prescrição de processos em que aparentemente há laxismo ou falta de prudência de juízes pactuando (por acção ou omissão) com manobras dilatórias alicerçadas num «garantismo» que ultrapassa as raias do mais elementar senso comum.
Eu próprio, já vi um caso caricato que não abona a favor da isenção do juiz.
Um presidente de câmara, por causa de um membro da assembleia municipal ter escrito uma carta-exposição a determinada entidade de supervisão denunciando abusos e irregularidades, moveu-lhe uma acção por calúnia e injúrias. Enfim, aquelas «ofensas à honra e bom nome» que não são mais que salto em frente para tapar os olhos à populaça e fazer-se passar por vítima...
O réu (membro da AM) pediu à câmara os documentos indispensáveis para justificar as acusações que lhe fazia. Esta, estribada em douto parecer de um advogado, e contra toda a expectativa (pois sempre se afirmara paladina da coragem e da transparência...) recusou os documentos necessários à prova de certas acusações. O advogado que dentro da câmara recusara os documentos, por mero acaso, era filho do outro advogado que no tribunal defendia a dita câmara!...
O juiz, perante este notório abuso e falta de transparência (os documentos não eram segredos de Estado, eram documentos vulgares de Lineu, sem nada de transcendente... a não ser para ele, pois poderiam ser altamente incriminatórios!...), não mandou apresentar no processo aquilo que era solicitado pelo réu. Ou seja, pactuou com a parte mais forte, a câmara, impedindo, de facto, o réu de se defender das acusações de calúnia que lhe estavam a ser feitas!!!
Sem fotocópias autenticadas dos tais documentos (tinha fotocópias não autenticadas que provavam as irregularidades, mas não tinham valor jurídico...) o réu foi impedido de se defender. O juiz que deveria ser apologista da transparência, da frontalidade, da lisura de processos, pactuou com a manobra obstrucionista da câmara «legitimada» pelo parecer de um dvogado que era filho do defensor oficioso da própria câmara, no tribunal!!!
O advogado da câmara alegou que o réu não justificou o porquê da requisição dos documentos. O advogado do réu alegou precisamente o contrário: que os documentos eram necessários para justificar no tribunal as alegadas irregularidades e abusos da câmara...
Que se dizer deste juiz?!!! que nome chamar a quem assim impede um cidadão responsável de se defender?!
Qualquer pessoa no seu perfeito juizo sabe que só havia uma atitude digna a tomar: mandar apresentar em juizo os tais documentos. Só na presença deles se poderia aquilatar da sua utilidade ou não para a causa. Mas, estranhamente (ou talvez não...) o juiz não se dignou a esse trabalho!
É óbvio que não se podem medir todos os juizes por esta medíocre bitola. Há honrosas excepções.
A par de uma casta velhaca, servil, timorata e gordurosa, há uma elite vertical, honesta, culta e corajosa. Honra lhe seja feita.
Respeito o PR e o bastonário da ordem dos advogados. Contudo, devo dizer que o PR tem que se lembrar mais vezes do que disse no dia do acto eleitoral:«Serei o presidente de todos os portugueses!»
Ora, de facto, e na minha modesta opinião, aquando da sua infeliz passagem pela Madeira não o foi! Há que dizê-lo sem tibiezas, com coragem e desassombro, para que ele sinta o quão mau serviço prestou aos portugueses em geral e aos madeirenses em particular. Silenciar certos factos, por cobardia, calculista omissão, ou por outra razão qualquer é abastardar a democracia e o conceito nobre que dela devemos ter. Há gestos (e omissões) que marcam indelevelmente o carácter das pessoas e quiçá das próprias instituições.
Defender os juizes sim, contra eventuais generalizações abusivas, mas criticá-los também, sempre que a sua postura seja digna de censura pública.
Imaginem-se os prejuizos causados (toda a vida) ao membro da assembleia municipal que se viu impedido de defesa perante a conivência servil do juiz! Imaginem-se outros casos de pendor similar por esse país fora, causando objectivamente prejuizos a uns e benefícios incalculáveis a outros!
O país precisa de juizes corajosos, íntegros, sem tibiezas e não de criaturas balofas, acocoradas servilmente aos poderes económico e/ou político, ou, eventualmente, a cliques mafiosas que nos hão-de afundar no belicismo anarquizante.
Precisa também de um presidente da República que seja de facto presidente de todos os portugueses. Que tenha coragem, isenção, verticalidade!


Os «capturados»... segundo Saldanha Sanches!...

Eu falei metaforicamente, nunca imaginei que se chegasse a este ponto! O Poder Local tem razões que a razão desconhece!
Capturada ou não, eis a questão!

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sábado, setembro 27, 2008

Pensando com os seus botões!...


Foto in Voz da Póvoa

De mãos cruzadas, José Sócrates diz com os seus botões:
__É o que acontece aos fracos, aos que não se apetrecharam com as ferramentas indispensáveis para triunfar na vida. O ensino é o local próprio para criar as garras da sobrevivência! Quem se mete com os fortes, leva! Não é Jorge Coelho?!
Macedo Vieira, pensativo e meditabundo:
__Será que isto é um prenúncio para a próxima campanha eleitoral? Aquela águia de olhar feroz e garras impiedosas... que terror... sinto-me tão deprimido... vou já tomar um Prozac!
A ministra da educação, realista:
__É a natureza . É a selecção natural. Os incompetentes são devorados pelos mais aptos...Eu sei do que falo, tantos palermossáurios a atacar-me e sempre os devorei a todos!...
A Directora Regional da Educação, com a mão esquerda junto ao coração, não tão abstracta como os seus antecessores:
__Mas... isto não tem nada a ver com o que estes para aqui vão cogitando. Isto é uma antevisão do Benfica - Sporting de logo à noite! Pobre lagarto, vai levar duas bicadas e fica ainda mais verde!...


O ESTADO FINAL!...


Eu sou o Estado. Melhor dizendo: o Estado no estado a que chegará se der ouvidos às teorias hiperprivatizadoras de alguns «génios» cá do burgo. Emagrecer, emagrecer, privatizar, privatizar...
Despedimentos, evasões fiscais, orgiais de auto-benemerência, e depois... olhem para a América (USA) e digam-me se tenho razão ou não! quem vai pagar a factura?!

Fernando Nobre, a nobreza sem fronteiras!

O médico altruísta que faz da nobreza de carácter uma forma de vida.


O QUE DIZ FERNANDO NOBRE


Milhões a chamar por mim
Não resisto ao meu fadário
Apóstolo serei, sim,
Apóstolo e missionário.


Há milhões desesperados
Neste mundo sem justiça
Na morte lenta lançados
Subprodutos da cobiça...


Capitalismo selvagem
Ferida dilacerando
Na sua iníqua voragem
A morte vai semeando.


Gente faminta de pão
De saúde tão carente
Bolsas de miséria são
Há que salvar esta gente.


Não posso ficar parado
Quando a dor abre os seus braços
Lá vou, guardião-soldado
Sem saudades nem cansaços.

AMOR À TERRA

A Terra tão maltratada
Pelas ruas d'amargura
Precisa de ser amada
Temos que lhe dar a cura!


Rios gemendo de dor
Já não suporto seus ais
Na agonia, no estertor
São doentes terminais.


Natureza-mar também
Flora nossa decepada,
Gritam, chamam por alguém
Vêem morte anunciada.


Terra Nostra vai chorando
O Homem não tem afectos
Aos poucos lá vai matando
Mar e rios com dejectos...


Os sinos dobram por ti
Terra!, morres sem clemência!
Já não há mais alibi
Há que inverter a tendência!

Pedro, a pedra angular...à camara de Lisboa!


__Tu és Pedro e é sobre esta pedra que eu edificarei o meu edifício social-democrata. Mas não dês aquele habitual tiro no pé !!!
_Qual tiro?!
__Aquilo de dizeres que os outros preferem outros colinhos! Ao meu colo só os meus netos! Tu és demasiado canastrão!...

__Esta pedra, já gasta com tantos uisques, já não é a tal «pedra viva» de que falam os evangelhos! é mais uma pedra lascada! ou pedra pomes...cheia de buracos!

Amor à pátria!

Sim, eu amava a pátria à minha maneira, não à maneira que eles (os fundamentalistas da tropa...) queriam!

À pátria até fiz um HINO!

sexta-feira, setembro 26, 2008

O que dizia Américo Tomás




O Senhor Presidente da República falou ao país. E advertiu para os próximos trinta anos. Interrogou-se se caminharíamos na senda do progresso ou do retrocesso.


As interrogações eram legítimas e pertinentes. Era o dia 1 de Janeiro de 1971! dizia ele: «Como utilizarão os homens os prodígios da ciência e da técnica que os anos vindouros porão ainda mais profusamente ao seu alcance? Caminharão no sentido do seu cauteloso progresso ou do seu aniquilamento?»
Ao vermos agora os fundamentalismos (de todos os matizes), as sofisticadas formas de matar, as tecnologias ao serviço dos corruptos e dos trapaceiros, gerando mais miséria, mais pauperismo, mais injustiça social - e tantas vezes esses responsáveis arvorando-se em «regeneradores» - lícito é que nos interroguemos sobre a qualidade do progresso que estamos auferindo.
Nalguns aspectos retrocedemos à Idade Média (aos fanatismos das «cruzadas», aos «martírios», às teocracias inflamadas de ódio e de violência sem limites).
Será que valeu a pena? Penso que se melhorou bastante. Mas isso não deverá conduzir-nos à resignação e não deverá tolher-nos a ânsia de auscultarmos o futuro.
Devemos caminhar com os pés assentes na terra mas com os olhos sempre apontados ao futuro!

O CÉU É PLURAL!!!

Está iminente uma nova revolução na teodiceia! João Paulo II afirmou que o inferno não era um local concreto mas sim um estado de ausência total de Deus!
Bento XVI, imbuído daquela santidade que lhe reconhecemos, impregnado de uma carga de infalibilidade que lhe advém do augusto cargo que ocupa (Sua Santidade o Papa!), conclui urbi et orbi que o inferno é um local objectivo algures no universo!

Eu, rouxinol de Bernardim, estudioso das coisas da vinha do Senhor, cheguei a uma conclusão importante. Queria partilhá-lha urbi et orbi: o paraíso é uma realidade plural!

Admitindo uma margem de erro de 0.003xpi , dadas certas variáveis poderem estar a ser afectadas por turbulência adveniente de variações magnéticas provocadas por tempestades solares (e outros parâmetros técnico-científicos cuja exaustiva explicitação saturaria o âmbito restrito desta investigação), mas confiando na veracidade das notícias que a nossa imprensa sempre digna de fiabilidade (até prova em contrário, como é óbvio) vai quotidianamente lançando, justo será concluír o atrás explicitado. Será que é mesmo plural o paraíso?

Os que lá têm ido garantem que sim. Quem sou eu, simples mortal, para duvidar?!!!

PENSAMENTOS

General Eanes introduziu a Ética como motivação no «seu» PRD


«O coração tem razões que a razão desconhece
Blaise Pascal

«A Ética dá lições que a Corrupção logo esquece
rouxinol de Bernardim


Quando hoje em dia se fala na necessidade de intervenção, vem à baila a postura interventiva do General Ramalho Eanes quando foi Presidente da República. Houve quem criticasse o excesso de intervencionismo. Contudo, por vezes, o laissez faire laissez passer degenera em laxismo e arbítrio.
O que se passa agora na América não terá sido provocado por ausência de intervenção do Estado? A filosofia de liberdade total ao mercado com os abusos que lhe estão subjacentes não terá sido o leitmotiv da actual situação?
Há todo um conglomerado de causas (remotas e próximas) que estão no cerne da questão. Contudo, o que vimos por cá com o Millenium (que só foi descoberto após denúncia) e com os contornos da operação Furacão, talvez sejam a parte visível do icebergue.
O lavar as mãos como Pilatos, fomenta o laxismo e potencia fenómenos de corrupção larvar. O que se passa agora com o Poder Local já há muito que foi detectado por quem olhava com atenção para a estranha fenomenologia reinante. Um estranho conúbio entre os magistrados e os autarcas deu no que deu. «Capturados» foi o termo usado pelo fiscalista Saldanha Sanches. Será que foi apenas um eufemismo para sucedâneo de «corrompidos»?
É triste constatar que tudo continua a navegar nas mesmas águas. A ética continua arredia pois não ganha eleições. A honra e o respeito às leis perderam-se completamente. Os pilha-galinhas são engavetados com estardalhaço, mas os pilha-galinhas de colarinho branco são protegidos e endeusados!
Por atalhos mil se vai perdendo Abril!

A entrevista que se impunha!


Fomos encontrá-lo numa esplanada. Fumava um charuto. Olhava o mar com especial apetência!...
_-Então meu caro, o mar fascina-vos?
__ Sim, tal como fascinou Fernando Pessoa e o Infante Henrique, The Navigator...
__Tendes algum político português a quem considerar vosso discípulo?!
__Há tantos, que seria injustiça e poder ferir susceptibilidades eleger algum como preferencial. Sinto que todos me leram com aproveitamento. O seu grau de eficácia é soberbo!
__Vós elogiais a eficácia, mas que achais da ética?
__Coitada, é uma parente pobre do escrúpulo e da honra. Não lhe auguro grandes hipóteses de sucesso na política portuguesa actual!
_-Que achais do Dr Marinho Pinto?
_-Um pobre diabo, com a mania da frontalidade, da honra, tem escrúpulos a mais para o meu gosto. Falta-lhe aquele pragmatismo que define os veros triunfadores.
_Que pensais de Jardim?
_-Qual? O apreciador de ponchas ou o apreciador de missas e ladainhas?
__Já agora, de ambos!
__Direi que têm um perfil muito similar, mas há, algo que os diferencia: o das missas procura ser mais discreto, mais furtivo, enquanto que o outro é mais para o descasca pessegueiro como vocês dizem...
__Acha que Sócrates tem futuro no governo?
__Depende. Se optar por um certo pragmatismo e afastar de vez alguns escrúpulos democráticos talvez se mantenha por uma década. Se optar pela transparência, pela ética, pela cordialidade, está condenado. Tem que ser animal feroz em plenitude e não só em part time!
__Que mensagem quer transmitir às gerações vindouras?
__Que desconfiem sempre do que lhes ensinam nas escolas. O triunfo por vezes está precisamente no contrário do que aí se aprende. As virtudes muitas vezes são graves defeitos que na prática conduzem à derrota e ao insucesso. Há que ser narciso e vaidoso e rodear-se sempre de uma matilha de aduladores que, nos jornais, nas rádios, nas TV's nos cultuem e nos promovam. Sem eles não se vai a lado nenhum...

A Ética é quem mais ordena!

Ele vem a público defender a Ética. Será que vai ser crucificado como fizeram ao Nazareno?

Em Portugal a Ética foi «lançada» por Ramalho Eanes com o PRD. Depois, finou-se! Será que vai ressuscitar?!

quinta-feira, setembro 25, 2008

A CORRUPÇÃO É QUEM MAIS ORDENA!

Ó rouxinol, a transparência em excesso também não é bom. É preciso dar algum espaço à imaginação! A nudez não é tão artística, às vezes!
Em verdade em verdade te digo, ó meu caro rouxinol, tu estás no caminho recto, mas lembra-te de que as curvas também existem, as derrapagens são próprias da natureza humana! Cultiva mais a tolerância e então o reino dos céus será teu!!!


Sempre procurei fazer introspecção para aprofundar a minha intervenção cívica. Sempre olhei com olhos de ver para dentro de mim. E sempre ouvi a voz da consciência. Sempre procurei dar-lhe ouvidos... na medida do possível.
Esse o meu azar. Nos tempos do liceu, era considerado um «urso» (daqueles alunos do chamado «Quadro de Honra» que os outros invejavam...) e para meu mal tinha um olfacto apurado para as coisas corruptas. Num regime corrupto, como era o de ante-25 de Abril eu estava sempre a respirar putrefacção. Veio Abril e a coisa piorou, nalguns casos. Fui vítima de algumas putrefactas criaturas que se julgavam acima de tudo e de todos por se dizerem de Abril!
Um dia, fui até interpelado pela minha própria Mãe (talvez discurso encomendado...) que me perguntou: «que ganhas tu com isso?»
Disse-lhe que não me norteava pelo lucro, só pela defesa do bem comum, pela cidadania. Afirmei-lhe que só tinha prejuízos com a minha conduta. «Vais ter problemas toda a vida», garantiu-me ela. E tinha razão.
No dia 11 de Março de 1975, aquando da tentativa do golpe de Estado spinolista, presenciei uma cena que me revoltou. O brigadeiro Lemos Ferreira (depois general CEMGFA) foi a Tancos e falou com os revoltosos. Não os mandou prender nem tomou medidas para isso. Assistiu a factos deveras pouco lisonjeiros. Sabe-se que Spínola procurou contactar Salgueiro Maia então na Escola Prática de Cavalaria (que nunca atendeu o telefone) e face à sua não adesão ao golpe abandonou a BA 3 (Base Aérea nº 3) em helicópteros da própria Força Aérea e foi para Espanha (Talavera La Real) aparentemente sem que ninguém na referida unidade lhe estorvasse os movimentos. Antes pelo contrário!
Como oficial miliciano confrontei o brigadeiro com a sua omissão grave neste caso. Ele nunca mais esqueceu esta minha atitude. Sei que lhe foi instaurado um processo mas ele tinha ligações importantes e protecção americana. Lá se safou. Mas sei que nunca me esqueceu.
Nunca obtive lucros com os meus actos de cidadania, mas muitos dissabores, muitas perseguições.
A minha santa Mãe tinha razão: «toda a vida terás problemas!»
Mas prefiro viver «com problemas» do que assistir impávido e sereno ao derrube da vinha por quem só quer lucros, ambições desmedidas, encher-se de vil metal. «O povo é quem mais ordena», que mentira tão pouco original. Hoje em dia «a corrupção é quem mais ordena!»
Continuarei a ser um simples servo sem direito a vindima, mas contribuindo para a poda e tratamento cívico geral dela...Que ganho com isso? Nada!!!
O povo simples e ingénuo limita-se às «vinhas da ira!» enquanto lhe derem esse direito, pois qualquer dia nem isso!

PENSAMENTOS

«Nunca tantos deveram tanto a tão poucos!»
Sir Winston Churchil homenageando os pilotos da RAF no dia D, aquando do desembarque na Normandia, na II guerra Mundial
.
«Nunca tantos sorriram tanto por tão pouco!»
O engº José Sócrates, aquando da entrega dos computadores «Magalhães» às crianças das escolas, pensando lá com os seus botões...

Similitudes!...

Ó rouxinol estamos num país tão atrasado, tão atrasado, esquecem que o humor é uma mais-valia e não uma arma de destruição macissa, como eles pensam!
Tens razão rouxinol! A imaginação ainda é a melhor arma para nos defendermos da justiça persecutória!

__Ó Sr Dr Juíz então eu roubei o carro? Acusam-me disso esses energúmenos?

Eu explico: o carro estava ali, tristinho, abandonado, com cara de solitário sem eira nem beira; então eu, com aquele coração generoso que me é tão peculiar, dirigi-me a ele e perguntei-lhe se queria dar uma voltinha comigo? Ele não disse que não!...


Cai o pano e entra em cena nova personagem...
__Ó senhor jornalista, então não vê que estou a ser perseguido por aquele procurador, o tal que me tem feito a vida negra, que só procura desacreditar-me aos olhos das pessoas de bem? Eu contribuo para as paróquias, eu sou generoso, dou electrodomésticos às pessoas, eu sou tão bom e querem destruír essa imagem benemérita, fazendo de mim como se fora um saqueador ou algo parecido!
Então o campo estava ali, tristinho da Silva, abandonado, a senhora não lhe dava os carinhos que ele merecia, e até veio ter comigo para se desfazer dele. Eu tive pena do campo, lá apareceram não sei de onde, alguns compradores, deram-lhe os carinhos que ele precisava (Assembleia Municipal, CCRN, governo, enfim, os carinhos normais...) e o campo sorriu, ganhou outro dimensão anímica, dilatou o seu ego, passou a valer mais, muito mais como é óbvio!
Se foram criadas mais-valias muito rapidamente? E qual é o mal? O trabalho tem que ser recompensado ou não, alguém trabalha para aquecer? O Estado foi quem mais lucrou! Eu é que sou o vilão! Ora bolas, senhor jornalista!...


O público grita, eufórico: Encore! Encore! Encore!
O mundo inteiro ri de espanto. Portugal sempre à frente, sempre na linha do sucesso!

Estou sendo vítima de assédio!



Já é um pesadelo! a toda a hora e momento o telefone não pára de tocar! elas não me largam! que fazer?! Elas são como vampiras!...

forte assédio vou sofrendo

a toda a hora e momento

ao telefone correndo

é maldição, é tormento!

vozes doces, sedutoras,

vozes-iscos ou engodos

são tantas, tantas senhoras,

resisto aos assédios todos!!!

nunca se viu coisa tal

tanta cobiça por mim

não sou nada especial

porquê um assédio assim?!!!

beleza, não tenho, não,

dinheiro também não há

porquê tanto assédio então

pensarão que sou maná?!

mas como hei-de erradicar

este maldito fadário

já estou farto de aturar

farto de assédio... bancário!!!


quarta-feira, setembro 24, 2008

Ouvindo a voz do vento!...

_E tu, ó vento que passas, diz-me lá se vem borrasca económica nos próximos tempos?

_ Se vem, a quem o dizes. Soltaram-se os ventos da crise, as caixas de Pândora resultantes de muito descontrolo, muita anarquia nos mercados...

- Mas dizem que os mercados se auto-regulam, não é verdade?
- Tretas, meu caro, tudo tretas. Eles alegam ter fé nisso quando lhes dá jeito. Mas quando a coisa fica preta eles perdem a fé e vão ao médico...
- Mas, quem é o médico? Será de ter fé nele?
- Remédio e médicos são muitos mas chamam-se terapias de choque e controlo efectivo sobre as empresas e não o «laissez faire e laisser passer» como se pensava antigamente! a liberdade tem limites! quando não se cumprem regras minimamente aceitáveis vai tudo para o maneta!...
- Mas, meu caro vento, hoje acordastes mal disposto ou quê?!
- Pensam que o problema é de Estado a mais, líricos que julgam uma panaceia universal a privatização. E enganam-se redondamente. O problema está na racionalidade, no controlo, no respeito por regras de supervisão eficazes.
- Mas há quem não respeite as regras?
- Olha meu caro, economistas são cada vez mais pintores do que economistas. Eles pintam quadros cor-de-rosa para enganar todo o mundo e depois dá no que dá. Terão que pintar quadros negros, quadros dantescos!...
- Mas as supervisões são subornadas, não funcionam porquê?
- Elas actuam por amostragem e só quando surgem denúncias é que se vai ao cerne da questão. Depois há as cumplicidades políticas. Fazem lembrar aquela gravação do apito dourado: «Lembra-se do que fizemos por si no verão passado?», como arengava uma conhecida figura desportiva a um árbitro. Os empresários usam a mesma cassete aos políticos:« Lembra-se do que fizémos por si na última campanha eleitoral?! Veja lá se quer ir para a valeta! aborte-me já esse «Furacão» idiota que se soltou sem nossa autorização!»

- Muito me conta meu caro Dr Ventanias, você é um génio. Vou propor o seu nome para ministro da economia, já!

A verdade nua e crua!


Ai rouxinol, tu saíste-me cá um filósofo de alto gabarito! tu és Sócrates, Platão e Aristóteles
num compact disk!



Rouxinol, serei a verdade, como tu dizes, mas não nua e crua, pois tenho o pudor por companheiro e o manto diáfano do humor para me cobrir nas noites de tédio!








A verdade por vezes, pode ser um somatório de mentiras! Enfim, e de muitas operações plásticas, também!
Rouxinol de Bernardim

Cícero cada vez mais actual!

Pensamento:
Todos os homens podem caír no erro; mas só os idiotas perseveram nele!

terça-feira, setembro 23, 2008

O génio chegou à Póvoa!



A escritora Margarida Rebelo Pinto descobriu uma multiplicidade de relações homossexuais na Póvoa de Varzim!!!












Ele aí está! Junto ao casino, erecto, hirto, firme, contemplando os horizontes com atenção e perspicácia.

Veio para ficar. É um honra para a Póvoa de Varzim tê-lo e poder contemplá-lo. Um homem de convicções, um visionário. Sendo demasiado complexo, não é contraditório tal a riqueza da sua personalidade multiforme, policromática, multifacetada.

É (ou deve ser) uma honra enorme. Traz um lastro de sabedoria, de graça, de ironia. Não, não é Eça de Queiroz, essa figura emblemática que sorri para os desvarios camarários ali mesmo defronte, na Praça do Almada. Não, é Fernando Pessoa, o poeta dos heterónimos, o genial escritor que honra a língua portuguesa. Enfim, um ícone imorredoiro que a todos nos orgulha.

A entrevista impunha-se. O momento é solene. A sua figura é refulgente e de impacto iniludível.

R. de B. __Então Mestre, aqui mesmo em frente ao casino, porquê?
F.P. __ Não fui eu que impus esta condição, eles lá sabem por que o fizeram. Talvez eu seja um apelo ao sonho, à concretização de anseios profundos, sei lá...
R. B. - Estais de costas para o casino e virado para o mar. Quererá significar algo?
F.P._Talvez indicando que à saída do casino é que se poderá saber se se poderá navegar nos mares da ambição. Se se ganhar é um mar de possibilidades, um horizonte de perspectivas novas... que se abre.
R.B.__ O casino às vezes é acusado de servir para branquear capitais. Que dizeis a isto?
F.P. -Olha rouxinol, dizem tanta coisa. Dizem que o presidente da câmara se aproveita das procissões para tomar banhos, banhos de multidão, claro. Ora, sendo a cidade da Póvoa tão emblemática por causa dos banhos, por que não? E os banhos não ajudam a limpar algo que não esteja imaculado, limpar o que possa estar sujo?...
R.B _Estais a referir-vos às consciências?
F.P. __ Eu sempre usei uma linguagem ampla e abrangente. É preciso que as pessoas saibam interpretar-me. O meu fascínio está na multiplicidade... até de interpretações...

O largo fronteiro ao casino estava repleto de curiosos. Turistas, estetas, apreciadores da escultura. A meu lado, sem eu me aperceber, estava a escritora Margarida Rebelo Pinto, a famosa escritora de literatura light (ou pimba como dizem alguns invejosos...), trazia a tiracolo uns cadernos de apontamentos. Dirigi-me a ela com curiosidade:

__Dra Margarida, então o que a traz por cá?
__Olá rouxinol, é um grande prazer ver-te aqui neste local tão emblemático. Sabes, ando a escrever um novo livro e inspirei-me na Póvoa e em ti!...
__Em mim?!
__Sim, em ti. Sei que és um meu leitor assíduo e até me interpelas naquele espaço blogosférico do semanário Sol. Li o teu blogue e chamou-me a atenção um capítulo intitulado «Será que a banca tem ponto G?», a partir daí nasceu a curiosidade e vim cá para saber quem és, o que fazes, quais as tuas musas inspiradoras..

__Mas, que honra. E eu julguei que era por causa do Fernando Pessoa!
__Também é. Vocês têm similitudes que quero aprofundar. Ambos com formação contabilística mas enveredando por rumos mais vastos, menos cinzentos que a contabilidade. Talvez vocês odeiem a contabilidade e sintam na escrita o refúgio para o sonho, o navegar por mares mais exóticos!...
__Minha cara, nunca tinha pensado nisso, sinceramente. Mas já agora qual é o título da obra que tem em mãos?
__ A obra chamar-se-á «O clítoris(1) das câmaras» e aborda a temática do prazer. O prazer de dar e o prazer de receber num amplexo afrodisíaco ímpar. A corrupção no estilo mais escaldante, a capacidade de criar benefícios a partir de engenharias financeiras magistralmente acicatadas pelo desejo sexual. Enfim, o poder do sexo como catalizador da corrupção e até de abusos de poder.
__Não me diga que é mais uma «maledicência» como gosta de dizer o Dr Macedo Vieira em relação à oposição?!
__Qual maledicência, qual carapuça! Eu aprofundarei o ego das personagens procurando sentir os seus eflúvios mais íntimos, as suas capacidades afectivas, os seus clímaxes, as suas potencialidades genuinamente criativas...
__Mas haverá prazer na corrupção? Terá conotações sexuais tal prazer? Será que Freud também está metido nessa análise profunda?

__É claro que sim! Freud, com a teoria dos recalcamentos, explica muitas frustrações. Muitas mulheres frígidas são-no por causa de homens incompetentes e não por malformação intrínseca! Os corruptos, são-no, para compensar frustrações na área sexual! Há um desvio do prazer da líbido para o prazer da corrupção!...

__Dizei-me só para terminar: os políticos no poder actualmente são competentes?
__Sim, muitíssimo! Mas têm uma tendência homossexual iniludível!...

__Como assim?!

__É que o objecto do seu desejo é frequentemente seres do sexo masculino, tal como os vereadores... e o presidente...

__Mas como é possível tal anomalia em gente tão viril e aparentemente tão firme e recta nas suas posturas cívicas ?


__ É que a grande perdição dos autarcas são... os empreiteiros!!!

__ E eu a julgar que havia uma relação heterossexual perfeita: eles eram amantes da Lei e da Honra!... que surpresa a minha, cara Dra Margarida!...
(1) - Clítoris: excrescência carnuda existente na vulva. Em África algumas comunidades fanáticas procedem à sua ablação pois julgam-na fonte de possíveis infidelidades... Tolices!

O direito à autoestima!

Pensamentos:
Julgo ser de facto o melhor jogador de mundo, neste momento...
Cristiano Ronaldo
Sou o melhor treinador do mundo!
José Mourinho

Haverá algum mal em ter autoestima? Há prejuízo para alguém?!

Pessoalmente já fui acusado de ter baixa autoestima. Anda com gente baixa, frequenta locais baixos, anda com carro de baixa cilindrada... e outros mimos bacocos!

Sempre fui assim, não vou mudar. Não gosto de me pôr em bicos de pés pois o meu 1:80 é suficientemente convincente. Quando fiz testes psicotécnicos em várias ocasiões sempre patentearam um grau muito acima da média e um Q.I. também superior à média geral. Aos dezassete anos já andava na universidade (tive notas para dispensar no chamado «exame de aptidão» como se chamava na altura).

Na tropa fui o primeiro classificado (entre mais de três dezenas de oficiais) no curso de controlador de tráfego aéreo e o segundo no curso de piloto aviador.


Sempre me recusei a chamar «besuntas» àqueles que não eram pilotos, como era usal alguns (elitistas) fazerem. Achava uma grosseria e uma petulância.

Mas acho bem que Mourinho e Cristiano Ronaldo assumam as suas convicções íntimas (não concordo totalmente com elas, mas admito que o façam).


Agora o que não posso aceitar é que o treinador do Sporting fique enxofrado com um guarda-redes que se considera «o melhor da Europa»! ele tem o direito democrático de manifestar a sua autoestima!

Estar a ostracizá-lo , por ter autoestima, é mau, é pouco ético, pouco democrático. Dar-lhe um banho de humildade no banco, muito bem. Agora marginalizá-lo ostensivamente é mau. Se o Sporting o quiser vender como vai justificar o valor da mercadoria se tem vergonha de a pôr na montra?

Nós temos tantos emigrantes por esse mundo espalhados devemos respeitá-los também. Imaginem que chamavam vaidoso e utópico ao Ronaldo e punham-no no banco sem poder mostrar os seus talentos?


Tenho certa simpatia pelo Paulo Bento, um tipo humilde, trabalhador, responsável. Mas neste caso concreto acho que está a ser casmurro, prepotente, rígido. Parece o Scolari em relação ao Vítor Baía!

Como trabalhador que fui não gostaria de ser marginalizado assim. Se algum jogador português lá fora disser que «é bom!» será que vão ostracizá-lo? O que é nacional é bom, dzemos nós no slogan publicitário, mas, na prática, sobretudo no futebol, estamos a desacreditar esse slogan, pois contratamos estrangeiros às carradas.


Há que dar oportunidade a quem quer mostrar serviço! Onde está a chamada motivação? Não aprendeu isso na psicologia, ó Paulo Bento?!

Dê-lhe uma oportunidade num jogo difícil, a ver como ele reage... Crie motivação. Rui Patrício é bom, mas assim, com este proteccionismo do treinador, corre o risco de estagnar!... há que dar oportunidades a todos! Há que ser democrata!

O futebol precisa de ar puro e liberdade de expressão! Tal como a democracia!

EANES, um político de qualidades!

Segundo o blogue ca-70, obtive uma informação que destoa do panorama dominante. Quando toda a gente se norteia por motivações egoístas, Eanes, ex-Presidente da República, abdicou livremente de um valor de 1.300.000 euros a que tinha direito. Tratava-se de uma reforma que lhe deveria ter sido paga e não o foi. Ele, num gesto de altruísmo sem par, abdicou dela.

Não é qualquer um que faz algo parecido. Já Cavaco Silva e Manuel Alegre (honra lhes seja feita também) devolveram os dinheiros excedentes da sua campanha eleitoral. São estes pequenos gestos que cativam e dão dignidade à política.

POLÍTICOS DE QUALIDADE, sim. Estes, que renunciam a verbas a que têm direito, podendo eventualmente lesar o património de filhos ou netos é que merecem a nossa admiração e respeito.

Pelo contrário, os que se aproveitam de tudo e mais alguma coisa para rechearem o seu já vasto património, não se contentando com isso mas também procurando alimentar as bolsas de amigalhaços e compagnons de route, a esses, a nossa comiseração... o nosso escárnio.

A uns, há que tirar o chapéu! Aos outros, tirar as rédeas do poder!...

segunda-feira, setembro 22, 2008

A CORAGEM DA AUTOCRÍTICA!

O grande mal deste país é a falta de qualidade dos políticos!

Assim, sim! A coragem da autocritica, depois da necessária introspecção clarificadora, vem, frontal, desassombrada e lúcida, a confissão . É de facto a falta de qualidade a causa-mor dos nossos males.

A Dra Ferreira Leite sabe que tem em Jardim o maior aliado de Sócrates na sua luta pela melhoria das condições de vida dos portugueses. Mas não só...

Como observador imparcial da cena política não posso deixar de enaltecer esta confissão pública de incapacidade, de impotência, de pauperismo qualitativo!
Mas para haver coerência total só falta um passo: a demissão dos cargos que ocupa e dar lugar a outros com mais qualidade!...

Mas, longe vá o agoiro, será que ele só vê o cisco no olho do vizinho e não é capaz de enxergar a trave que tem mesmo em frente?!

Não é só ele, coitado. Também o czar de Gaia anda a ser aliado objectivo do maior «adversário»: José Sócrates. Abandonou o barco da forma caricata e ridícula como o fez (não tolerava o terrorismo robespierreano de alguns compadres...), mas está ansioso por regressar ao barco. Os que abandonam têm um nome feio! Não é crível que no regresso sejam aplaudidos pela marinhagem...

Mas o Dr Jardim, ao assumir a falta de qualidade como o busílis da questão, deu um pequeno passo rumo à coerência total. Só se aguarda o passo seguinte...

Pacem in Terris!

Jesus, fazei com que o Mal se renda ao Bem!
Ordem no universo !
Não há ordem no universo. A ganância desmedida impera. Daí surgem os belicismos correctores.
Nada resolvem, apenas adiam. A solução final está no amor, na pacificação universal, na concórdia.
Os grandes potentados não querem ouvir falar dela. Os seres humanos estão em degenerescência total. A discórdia impera. Uns veneram Marte, outros Baco, outros o Bezerro de Ouro.
Senhor, fazei com que a Beleza, o Bem, a Verdade se impomham à face da terra!
Afastai os fariseus que continuam a usar o templo do poder para lançar as suas hipócritas ladainhas que se destinam a garantir a perpetuação desse mesmo poder ad aeternum!
Garanti a alternância e afastai os vendilhões, os mentirosos, os perseguidores! Eles odeiam o império da lei e querem apenas o império do seu despotismo de czares sem nível, acocorados no templo, beneficiando da ridícula protecção dos fariseus!
Usai, Senhor, o chicote da clarividência e iluminai as gentes ! Lançai línguas de fogo para queimar a serpente do despotismo que impera, triunfante, nos media, nos púlpitos, nos areópagos do poder!
Bani, Senhor, os sobas daninhos que infestam a Vossa Vinha mas querem fazer-se passar por anjinhos imaculados na procissão do mundanismo. Usai o chicote da sátira para os denunciar aos olhos entontecidos de uma populaça embriagada por festarolas que mais não são que cortinas de fumo ocultando os atentados à boa gestão em que são pródigos.
Senhor, eu confio em Vós. O povo faminto de Verdade, também!
Para mim, não quero o poder. Resta-me a consolação de o ver entregue em boas mãos.
O Servo da Vinha do Senhor
rouxinol de Bernadim

domingo, setembro 21, 2008

Meu Deus, ouvi-me!

Eu fiz a terapia e gostei! Agora não quero pão com pão! Converti-me!...




No íman, a atracção pelos opostos é uma constante. O que falhou na carga magnética que originou gays e lésbicas?! Será que Deus falhou?






Respeito todas as opções . Como democrata aceito o pluralismo sadio. Mas como cristão, convicto de que Deus é um ser perfeito e só faz coisas perfeitas (dizem até, talvez falaciosamente, que o ser humano foi feito à Sua imagem e semelhança!...), interrogo-me sobre a moda homossexual. Não, não sou homofóbico, longe disso, não sou perseguidor desta gente, mas pergunto a Deus : o que falhou?




A carga magnética lançada nos cromossomos foi pouco intensa? A líbido ficou distorcida (invertida?).




Perguntar não ofende, penso eu, nem a Deus Pai Todo Poderoso. Por que não fazer terapia? Não com aquela ânsia de pastor que quer conduzir as ovelhas tresmalhadas ao redil, ou de político que quer tudo no «partido único», mas sim com o afã regenerador (o autêntico) que deve ser apanágio de todo o cidadão bem formado.




Se houver para aí alguma lésbica que queira experimentar e saborear outra refeição, por que não facultar-lhe essa oportunidade? É uma obra de misericórdia, um acto de caridade, um acto de cidadania pura, enfim, um apostolado!




Aqui vão sob a forma de oração/poesia estas singelas quadras (que enviarei a Bento XVI a fim de o sensibilizar para esta candente problemática que a humanidade enfrenta, ou deve enfrentar com transparência e frontalidade, não enfiando a cabeça na areia...) que mais não são que o clamor de um cidadão que respeita os outros mas que embora sem partido gosta de tomar partido, por boas causas...






Senhor, mudai-lhes a opção


Mudai-lhes até os gostos


O íman da sedução


Que atraia pólos opostos!...






Meu Deus, será que falhastes?


Ao ver a gay-pandemia


Eu pergunto: onde é que errastes?!


Há que fazer terapia!...






Tanta gente a pão-com-pão


Por favor, parai com isso!


Mudai o clic, a opção


Dai-lhes o pão-com-chourico!...






Não, não é homofobia


Eu respeito aquela gente...


Por que não a terapia?


Estarei na linha da frente!...






Ó menina pão-com-pão


Com sorriso tão castiço


Já provou a refeição


Do belo pão com chouriço?




Bento XVI, perdoai-me se errei. Mas sou um apóstolo inveterado, quero transmitir urbi et orbi a mensagem heterossexual, como o paradigma do bem, do savoire-faire, da ternura, da bem-aventurança!
ao cuidado do Osservatore Romano: info@ossrom.va









Bush «aderiu» ao socialismo! «Traíu» o liberalismo selvagem!!!

Bush ao ver a casa em ruínas mandou às malvas os princípios e foi pragmático: começou a intervir na economia para evitar o caos!

A filosofia que dá primazia ao mercado, a fé cega no mercado, deu no que deu!

Mas ele ainda não é nada! o futuro é a globalização, a moeda única (o global...), a criação de uma só país :a Terra!

Não, não é utopia, é o futuro na forma mais realista e sensata. Abolição das guerras (na medida do possível, claro), implantação de mecanismos correctores para fazer face aos desequilíbrios inter-regiões. O Humanismo Global a filosofia do futuro!

O futuro está aí . Veja : «O 25 de Abril de 2.100! Odisseia no Vaticano

Não, não sorria. O futuro é tão natural como a sua sede! Sede de conhecimentos, claro...

sábado, setembro 20, 2008

INTERREGNO

Esta série ficcionada, «MEMÓRIAS DO FUTURO», vai ser interrompida e prosseguirá no próximo verão, se houver disponibilidade para tal.

Quero manifestar o meu apreço a figuras como o Dr Jardim, Dr Santana Lopes, Dr Macedo Vieira, Dra Fátima Felgueiras, Dr Isaltino Morais, Sr Ferreira Torres. Ao Dr Jardim coloquei-o no rol dos falecidos, por força de um artifício estético, não quis «matar», mas tão somente ocultar temporariamente do meu universo.
É uma figura controversa, questionável, mas imensamente rica pelas facetas humanas e políticas que ostenta. Não creio que haja pessoas totalmente «boas» e outras totalmente «más», não há o «trigo» e o «joio», todos somos uma mistura, em que predomina este ou aquele aspecto, temos um «saldo» no comportamento final. Às vezes critico e/ou elogio as personagens com a maior das naturalidades pois a riqueza de cada um de nós é tão grande que nem damos por isso .

Tenho criticado certas personagens com maior ênfase mas não quero ser maniqueu (embora às vezes me sinta um pouco...), pois temos facetas muito comuns. Sinto que se estivesse no lugar de Valentim Loureiro e sentindo as pressões que ele tem tido (admiro a sua resistência, coragem e combatividade! muito embora reconheça os erros, os excessos também...), era capaz de dizer as mesmas coisas, com o mesmo afã. A mesma emotividade. Todos somos fruto de contextos (culturais, genéticos, geográficos, demográficos), nunca fruto de um acaso cósmico, não podemos desligar-nos de tantas raízes que nos condicionam, agigantam ou diminuem consoante as circunstâncias. Também me sinto um pequeno «soba», mas procuro evitar situações que critico nos outros; embora nem sempre o consiga.

Não me sinto «bom» nem «mau», não me sinto «inteligente» nem «culto», sou apenas fruto de vários contextos, aprimorei determinadas capacidades (outras ter-se-ão estiolado...) e procuro compreender os outros mesmo quando hiperbolicamente os caricaturizo, sinto que me estou a ridicularizar também a mim próprio, sou digno de tanta censura como aqueles que censuro! Procuro ser sério mas não me levar muito a sério.

Espero não ofender de forma aligeirada. As hipérboles são distorções da realidade, são «pecados» de análise que todos cometemos. Já fui insultado de forma baixa, vil, sem nível. Mas aprecio e aceito as caricaturas e as sátiras desde que elas possam revestir algo de «artístico», ou de carácter mais «elevado». Todos temos um pouco da genialidade desses «Gatos Fedorentos» que contribuem para amenizar o fardo existencial... sinto que tenho um pouco do seu ADN mental e psicológico!...

Quando abordo este contexto do «novo regime» baseado nos "Regeneradores" quero alertar para os perigos do surgimento de ditaduras sob capas apelativas e de agrado popular. Contudo, depois de aprofundados determinados pressupostos, verificámos que isso degenerou em situações contrárias ao previsto. As aparências iludem, em tudo na vida.


O nazismo, o peronismo, o salazarismo, nasceram com o avale das populações (ainda que condicionadas por mecanismos de coacção bastante intensos: como a comunicação social, a justiça, a religião dominante), julgando seguir o caminho justo, a solução mais feliz, mais capaz de resolver os anseios das colectividades. Contudo, resvalou-se posteriormente para o abismo, por força de se não respeitarem determinados princípios que devem ser a espinha dorsal, o alicerce de democracias autênticas. Quantas «democracias» só o são de nome, podendo ser consideradas ferozes ditaduras?Mesmo as existentes no nosso poder Local?!

Todos devemos aprender com os erros de análise. Todos devemos meter a mão na nossa consciência e sermos capazes de vislumbrarmos o quão ridículos poderemos ser.

Talvez para o ano, ao dar continuidade a este pequena «novela» sinta algo de diferente...

quinta-feira, setembro 18, 2008

O famosa operação «Noite Branca»!

Rui Costa, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica

Fernanda Câncio, a jornalista do D.N. que entrevistou Manuel Alegre antes da sua prisão

Naquele dia 20 de Maio de 2016 os galos capricharam na sua tarefa matinal de acordar o sol. E este apareceu sorridente, bem disposto, cobrindo com os seus braços generosos uma Lisboa cada vz mais bela, cada vez mais apaixonada. O dia era de festa. O Benfica iria receber na Luz os merengues para a segunda mão da meia-final da liga dos Campeões. Depois do brilhante empate (aquele 0-0 soube a pouco pois invalidaram um golo limpo ao negrinho Yaúca...) era crível que o colosso espanhol fosse derrubado por este Benfica vestindo a pele do seu novo presidente, Rui Costa, e só com jogadores nascidos em Portugal. Yaúca nascera na Cova da Moura, embora seus pais fossem angolanos.

Emílio Butragueño, o presidente do Real Madrid, estava apreensivo. No dia anterior fora ciceronado por Rui Costa e João Malheiro pelas ruas da capital e ficara impressionado com a loucura popular. O regime, este regime que tinha no presidente da República, Valentim Loureiro um ícone, levava o desporto muito a sério, quase de forma alienante para o gosto da maioria. Era ele a chama propulsora do regime. O veículo alienatório do zé povinho como diria em tom magoado o poeta Manuel Alegre ao saír da prisão... ele gostava muito de futebol, mas não daquela forma alienatória e servindo de trampolim ao regime.

Este era o pano de fundo mais visível. A euforia era notória. As condições eram propícias ao êxito da operação «Noite Branca».

Rouxino de Bernardim vivia junto à fronteira, e Olivença era o seu paradeiro mais frequente. Ali, junto dos indefectíveis patriotas de Olivença, aqueles que nunca deixaram que a chama da pátria lusa se apagasse de vez, criou um núcleo duro destinado a arrebatar Manuel Alegre das garras do regime vigente. O «diabo abrilista» __como diziam alguns líderes em tom depreciativo __ tinha sido preso injustamente. Houve de facto uma tentativa de golpe de Estado, contudo as únicas provas do envolvimento de Manuel Alegre foram uma entrevista que dera a Fernanda Câncio (no D.N.), em que verberava o novo regime, dizendo textualmente :«isto não é regeneração é nazificação. Os jornais censurados, os tribunais sob o domínio do partido único, as polícias fazendo papéis sujos espiando ao serviço do poder...». Enfim, nesse dia os americanos através do sistema Echellon descobriram uma conspiração liderada por um tal Manuel Alegre para derrubar o regime. Deram conhecimento da situação ao primeiro ministro, e este, face à evidência, mandou «agasalhar» o poeta. Foi feita uma justiça demasiado célere e pouco ética. Foram inventados à pressa uns cúmplices e todos foram metidos numa prisão de alta segurança em Lisboa.

João Malheiro sabia que Manuel Alegre estava inocente. Ia-o visitar com frequência. Foi ele o estratega da operação «Noite Branca».

Com os seus conhecimentos na capital, procurou criar uma rede de cumplicidades que culminou na libertação do poeta nesse dia 20 de
Maio de 2016. Rouxinol de Bernardim fazia anos e veio de Olivença ver o Benfica Real Madrid vestindo o folclórico trajo do Manolo, o tocador de bombo, com o sombrero mexicano enfiado na cabeça, que lhe tapava o rosto e dissimulava muito bem. Passeou-se pela capital no meio do numeroso cortejo de apoiantes do Real sem ser reconhecido. Com barba postiça assemelhava-se a Manuel Alegre. Contactou João Malheiro para se ultimarem os detalhes da operação minuciosamente preparada em Espanha. Malheiro cumpriu à risca o plano. Foi à Rádio Regeneração (ex-rádio Renascença) e falou sobre o jogo. Disse que seria um adeus famoso. O adeus do Real Madrid à competição. Pediu em tom irónico para ouvir a canção «Coimbra tem mais encanto na hora da despedida»! Mas frisou:

__Quero que fiquem cientes que o nome Coimbra deve ser substituído por Lisboa.

É esta canção que devem todos fazer ecoar por essa Lisboa fora no final do jogo, para humilhar os madrilistas... após a sua derrota!

Tudo tretas. A canção era a senha para o avanço da operação «Noite Branca», a tal que libertaria Manuel Alegre. Asim foi, de facto.

Nas proximidades da hora do jogo foi desencadeado um plano estilo manobra de diversão para distraír as atenções das autoridades. Bancos a serem apedrejados, estabelecimentos de joalharia, farmácias, tudo para dispersar as forças policiais. Os «adeptos espanhóis» (de facto os Amigos de Olivença) cumpriram o plano à risca. Depois foi assaltar a prisão onde um guarda já tinha adormecido alguns camaradas. Com sprays paralizantes tudo foi fácil. Alarmes, câmaras de vigilância e energia totalmente cortadas foi muito fácil retirar Manuel Alegre e todos os prisioneiros. As ruas desertas . Toda a gente a ver o jogo pela TV. Daquela prisão de alta segurança Manuel Alegre, envergando o trajo do Manolo, cedido por rouxinol de Bernardim, com sombrero na cabeça e cachecol do Real, lá saíu e, em plena avenida da Liberdade comemorou a vitória dos merengues (que desilusão para ele, benfiquista ferrenho...)! João Malheiro, o verdadeiro cérebro da operação, impávido e sereno ao lado de Rui Costa e de Butragueño, no camarote VIP do estádio da Luz!

Todos os presos com cachecol, camisola e bandeiras do Real em plena avenida da Liberdade! Que liberdade total! A grande evasão! O golpe mestre na Regeneração! Que punhalada no Estado Novo!

Pela madrugada, já em Olivença, Manuel Alegre e seus amigos comemorava o feito e declamava poemas contra a Regeneração!...

«Há sempre alguém que resiste!...»

Portugal só teve conhecimento oficial da evasão passada uma semana. Através de uma declaração ao país, o presidente Valentim Loureiro comentava:
Os regimes são como as pessoas, também têm coração. Manuel Alegre, o símbolo do abrilismo, foi indultado por mim, a pedido do governo. O poeta sofreu um problema cardíaco após a derrota do seu Benfica perante o Real Madrid. Foi demasiado para ele. Foi indultado e restituído à liberdade. Contudo, assinou um documento em que declara renunciar ao combate político e deseja que a Revolução Regeneradora atinja em plenitude as suas metas para bem de todo o povo português!
Toda a comunicação social repetiu até à exaustão esta tese. Todo o país ignorou o que de facto se passou...

O Querido Líder!

O Senhor Presidente da República, esteve na Madeira em 10 de Junho de 2016
O governador Geral da Madeira, o «Querido líder»...
As alcunhas surgem, por vezes, de forma inesperada. Luís Albuquerque sempre primou pelo respeito e veneração ao líder Alberto João Jardim. Mesmo depois da morte deste, honra lhe seja feita. L Albuquerque sempre usou do máximo respeito e veneração para com o seu antecessor, a ponto de se referir a ele como «O Querido Líder». Tal era o ênfase, tal o ânimo venerador, que a populaça, em tom irónico, o catalogou também a ele, «Querido Líder». Ele sorria e gostava da alcunha. É o meu cognome, chalaceava com bom humor a propósito da alcunha...

A 10 de Junho de 2016, na Quinta da Vigia, apresentou o seu livro «O Meu Combate», em que procurou refinar o partido regenerador e o próprio regime que nele entroncava. Um livro eminentemente doutrinário, mas concomitantemente eivado de uma intelectualidade profunda. Própria de um verdadeiro líder.
Ouçamos o discurso proferido por sua Excelência o presidente da República, Valentim Loureiro.

Caros concidadãos:

Como costuma dizer aquele rebelde que anda fugido à justiça, lá nos Montes Herminios, esse rouxinol de Bernardim de triste memória, eu também sou um simples e humilde servo na Vinha do Senhor. A minha Vinha é a vinha regeneradora, é o novo regime que emergiu depois da implosão natural da utopia abrilista, em que a notória falta de qualidade dos políticos deu azo ao descalabro eleitoral. Ganhámos por meio de leições livres, não por golpes de Estado, como foi feito pelos abrilistas de má memória.

Antigamente o 10 de Junho, dia da Raça como eles diziam, era aproveitado para aquela hipocrisia das condecorações. Tanto ladrão e tanto assassino foi condecorado, meu Deus! acabou essa beata hipocrisia. Agora publicam-se livros e divulga-se a cultura, a cultura sadia que o partido regenerador permite que seja divulgada. A ausência de censura era uma porta aberta à promiscuidade, ao aviltamento, à proliferação de ideários pouco conformes à dignidade humana e aos bons costumes. Aplicamos conscientemente a censura, pois é a vacina contra os abrilismos de má memória que tiveram o fim que mereciam...

O Dr Luís Albuquerque é uma flor vistosa e perfumada no jardim da sabedoria. No seu livro original e cheio de talento, eu identifico-me plenamente. Quando ele defende o partido único eu pergunto a mim próprio, o despesismo inútil aqui na Madeira nos tempos de Abril, se valeu a pena. Gente com certa categoria intelectual, reconheço-o sem rebuço, como Jacinto Serrão, José Manuel Rodrigues, nunca tiveram oportunidades de intervir na esfera do poder por serem de partidos diferentes do partido maioritário. Se estivessem integrados no partido do poder, embora assumindo diferente sensibilidade interna, poderiam actuar e fazer algo de positivo. Assim, não, foram sempre párias na sociedade abrilista.

O que defende, e muito bem, Luís Albuquerque nesta obra prima de sabor cultural e de perfume político autêntico, é a existência de um partido único que englobe diversas sensibilidades.Quando alguma dessas sensibilidades derrubar a outra, poderá ascender naturalmente ao poder executivo. Tão natural como a minha sede, agora.

Aproveita para beber um copo de água, perante o aplauso frenético do público presente.

Prossegue:

E esta coisa das assembleias regionais, assembleias municipais, assembleias de freguesia, são tudo verbos de encher. Basta o executivo. O povo nas eleições decidirá soberanamente. O povo fiscalizará com naturalidade os órgãos executivos. Linear, simples, transparente. Para quê este clima de desconfiança criando-se órgãos fiscalizadores por tudo e por nada?
Há que dar credibilidade aos eleitos do povo. Eles emegem do povo. Será que o povo é corrupto? Será que o povo não sabe eleger? Se errar, terá oportunidade de corrigir em próximos actos eleitorais!

Este livro, «O Meu Combate», não é um livro! É uma bíblia política. Vai afastar aquele despesismo louco, com órgãos fiscalizadores a torto e a direito; enfim a democracia abrilista que sabemos no que deu!

Por isso, com a minha presença aqui, quero honrar Luís Albuquerque o «Querido Líder» como vocês carinhosamente o tratam, mas em simultâneo, o partido regenerador e todos os que foram os cabouqueiros deste edifício moderno e ultra-democrático que é o novo regime, o Estado Novo!