rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

domingo, julho 30, 2017

MAR PORTUGUES
        O INFANTE



 


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,





E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa

quinta-feira, julho 27, 2017

Polémicas antigas na Junqueira


Recorte do Junqueira Antiga onde se pode vislumbrar as guerras de alecrim e manjerona com uma Festa ao Santíssimo Sacramento.
Será que o Santíssimo Sacramento sempre foi um pretexto para vaidades mundanas, para exibicionismos de um certo elitismo, ou caprichos de alguns ressabiados? 
Onde se vislumbra religiosidade intrínseca? Onde está o império da devoção, o magistério da fé, a espiritualidade pura?
Não se descortina nada disso. Apenas vaidade, presunção e água benta, até desonestidade intelectual. Aqui o meu Pai (Manuel Domingues Leite de Sá ) é a vítima de um Correspondente de um jornal (José Lopes da Costa). Já nessa altura se gastava muita tinta, tinta de mais para nada. Agora, o JVC acusando a atual presidente de câmara de não nomear vereadores que não lhe são afetos (ou que não nutrem por ela o respeito e a lealdade devida) navega nas águas da polémica, olvidando a religiosidade intrínseca. Apenas a espuma da banalidade salta à tona...
28 DE AGOSTO DE 1950 Uma Carta Junqueira, 18 de Agosto de 1950
Senhor Redactor do Jornal “Renovação”
“Num dos últimos números deste Jornal, publicou o Senhor Correspondente da freguesia da Junqueira uma notícia que, para quem não estiver ao corrente dos factos, pode dar motivo a suspeitas sobre a honestidade das pessoas nela indirectamente visadas. A nós não nos admira isso, pois de há muito conhecemos no Senhor Correspondente o arreigado costume de, nas colunas dos jornais, escrever sobre tudo e sobre todos…
Dá a entender o Senhor Correspondente que a festa ao SS. Sacramento podia ter sido melhor do que foi. É natural. Podia até suplantar as Sanjoaninas ou Gualterianas. Diz também que a festa não agradou a todos. É naturalíssimo. Fosse como fosse, por mais grandiosa que fosse, nunca agradaria a todos. Mas isso dá-se com tudo. Tiveram o aplauso unânime do povo algumas das obras que, por iniciativa do Sr. Correspondente, se realizaram nesta freguesia?
Cumpriu-se o programa. A festa foi modesta? Sem dúvida. O dinheiro não deu para mais. E para ser como foi, necessário se tornou a alguns membros da Comissão desembolsarem algumas centenas de escudos. No Arquivo da Residência Paroquial pode, quem quiser, verificar a veracidade destas afirmações.
Para as pessoas desta freguesia que conhecem de sobejo do quanto é capaz o Sr. Correspondente, pelo muito que ele já tem dito, não só no jornal “Renovação” como também num diário do Porto, sobre variadíssimos assuntos e sobre pessoas da maior honestidade, não são por certo estes esclarecimentos, pois deles não precisam para nos fazer justiça. Eles são para os descontentes, para os que navegam nas mesmas águas, aos quais aconselhamos também uma boa dose de paciência, até ao ano, para assistirem a uma festa de arromba…
E agora, permita-nos o Senhor Correspondente que nos aproveitemos duma linhazinha da sua notícia com um brevíssimo acrescento nosso para ultimarmos esta carta: “Mas há quem pense que, desde que uma criatura assuma, embora temporariamente, a direcção de qualquer serviço, pode fazer e escrever tudo, mesmo sem ouvir a voz da melhor razão, que a sua cabeça elabore”.
De V. Ex-ª, etc, Manuel Domingues Leite de Sá
2 DE SETEMBRO DE 1950 Carta à Redacção Junqueira, 28 de Agosto de 1950,
Ex.mo Sr. Redactor
Venho, como com certeza já contava, responder à carta, aos enxovalhos que “Renovação” inseriu no último número, só porque eu ousei, no uso de um direito e aliás nos termos correctos, fazer umas referências à festa do SS: Sacramento que não soaram bem ao respectivo tesoureiro.
Eu bem sei que aquilo não é obra do Sá, a quem eu, desde criancinha sempre tratei com as devidas atenções, mas dos oportunistas a quem ele se encostou e que não deixam perder a ocasião de, na sombra traiçoeira, arremessar a sua seta perigosa.
Por isso, eu perdoava-lhe, se ele, signatário daquele pobre escrito, espelho miserável da alma dos seus autores, não revelasse na sua antipática atitude somente ignorância; mas o Sá, que é de maior idade, no seu procedimento comigo foi também grosseiro, insultuoso e até calunioso, subscrevendo afirmações tendenciosas, que deverá provar.
Assim, que é que tu queres dizer naquela expressão: – Para as pessoas festa freguesia, que conhecem de sobejo do quanto so sr. Correspondente é capaz…? De que é que eu sou capaz? De assaltar o teu cofre? De infamar alguém? De faltar a compromissos?
Pobre intelecto o teu!… São as leituras de Zola e de Victor Hugo, naturalmente, que te tem levado a esse estado de alma…
Mas, mais: quais foram as pessoas honestas, ou mesmo desonestas, que eu maltratei? Que obras desta freguesia, por mim sugeridas, é que não lograram o aplauso geral – reparação de fontes, lavadouros, asseio do cemitério, plantação de árvores, aformoseamento de largos, etc.? Quem não aplaude isto? E quais foram as tuas obras e as dos teus secretários e ajudantes? Só estes é que não aplaudiram, porque nunca fizeram nada de útil e também, invejosamente, não querem que os outros façam.
Se, pois, não provares as tuas insidiosas afirmações, terei o direito de te chamar caluniador. Aqui não se tratava, homem, de uma festa feitas com mais ou menos pompa: há até festas que não têm música e em que ninguém repara nem censura. A tua festa, porém, tem carácter vincadamente acintoso, e sabes bem os desgostos que isso te acarretou, em virtude da tua atitude desconcertante e autoritária até para com os teus colegas da Mesa.
– Se os pobres quiserem uma festa melhor, que a façam, disseste tu. Isto são frases infelizes, meu caro… Os pobres, sendo honrados, valem tanto ou mais do que alguns ricos, mas tu lembras-te de que só quem tem dinheiro é que marca… Tu viste como eles te responderam, – com brio, com dignidade. Além de outras coisas desagradáveis, no fim da missa, quando a música se preparava para entoar os seus primeiros acordes, o povo, esse povo honrado e bom que tu desprezas, retirou-se em massa, no local apenas ficando tu e alguns mesários. Terrível resposta para quem souber interpretar bem a alma popular.
Quanto às insolências que perfilhaste, oxalá vós tivesses os mesmos altos e nobres sentimentos daqueles que dizes navegarem nas mesmas águas… E prepara-te para concretizares as aleixosias que insinuaste.
Desculpe, sr. Redactor, o precioso espaço que lhe tomei e que foi preciso para sanear o ambiente.
De V. Ex.ª, etc.
José Lopes da Costa
(Correspondente da Junqueira)
23 DE SETEMBRO DE 1950  Carta à Redacção
Junqueira, 20 de Setembro de 1950.
Ex.mo Sr. Redactor de “Renovação”
“Mais uma vez quis o Senhor Correspondente da Junqueira mostrar a sua verbosidade com o arrozoado que “Renovação” inseriu no penúltimo número. Mais uma vez quis o Senhor Correspondente mostrar quem é, julgando erradamente mostrar ser o que pretende ser. Metendo os pés pelas mãos, vem agora dizer que não se pretendia uma festa pomposa, quando na sua correspondência, que motivou a minha primeira carta, focou a pompa das festas passadas, as quais tinham atingido “proporções grandiosas, que pela decoração da nossa melhor artéria, quer pelas afamadas Bandas de Música, quer pelo concurso de distintos pirotécnicos”, etc., etc., e “que a generosidade do nosso povo é garantia segura para se fazer uma festa sem sacrifícios grandes para ninguém”.
Agora já não é da falta de pompa que se acusa a minha festa. Agora é acintosa. Coitada dela. Que nome tão feio V. Ex.ª lhe deu. Mas ela não se zanga, senhor correspondente, com a afronta. Como a queria, então? Com pompa ou sem ela? Pena foi que C. Ex.ª não aceitasse o encargo de a fazer para o ano, para nós lhe tirarmos o modelo.
Lamento que V. Ex.ª não quisesse compreender o que eu disse ao escrever que nem todas as obras sugeridas por V. Ex.ª tiveram o aplauso geral. Eu lho explico: qualquer obra, por muito importante que seja, tem sempre alguém que a critique. Há sempre qualquer coisa a dizer dela, embora os seus benefícios sejam bem palpáveis. Uns fazem-no por espírito crítico, outros por maldade, outros ainda por inimizade com os seus autores. Não admira, pois, que a minha festa, sendo uma obra, tivesse também quem a criticasse, estando à frente V. Ex.ª e os seus satélites.
Partiu de V. Ex.ª a ideia da construção dos bancos em frente à escola, onde V. Ex.ª se senta nas horas de recreio. Não seria mais útil que o dinheiro nosso gasto fosse dispendido na limpeza do poço que há na Escola donde V. Ex.ª tirava água para consumo, quando nela habitava? Acha bonito que as crianças, para matar a sede, andem em bicha, atravessando a estrada, em correrias, com perigo até de ser atropeladas, a incomodar constantemente a vizinhança para lá beberem, indo por vezes pedir água a uma loja onde se vende vinho, de onde um professor as deve constantemente afastar?
Não sabe V. Ex.ª do que é capaz? Esquece-se da maldade dos seus escritos para os jornais? Ou julga que não há quem veja neles o que neles há de encoberto? Se não se lembra já, que lho lembrem os seus amigos, apostando-lhe este o aquele caso, esta ou aquela pessoa atingida. E veja V. Ex.ª, se a sua obra é tão boa como diz, se os benefícios que por sua iniciativa vieram para a nossa terra são de tal importância, se o seu trato é cavalheiresco, porque razão não encontra V. Ex.ª um amigo em cada habitante da freguesia? E em amigos é V. Ex.ª muito pobre. Não lho diz a consciência? Não lho diz a recordação dos muitos dissabores por que tem passado?
Não sou caluniador, senhor correspondente. Com a minha carta quis apenas dar uma explicação ao povo da minha terra, se bem que tal não fosse preciso, por ser bem conhecido o autor do enxovalho.
E saiba V. Ex.º que, não me merecendo a mínima consideração, dou o caso por arrumado.
De V., etc.,
Manuel Domingues Leite de Sá~

segunda-feira, julho 24, 2017

O NOVÍSSIMO PRINCIPE!!!

 
 
Príncipe de Gondomar
Tem o povo hipnotizado
Na arte de trambicar
Já tem um longo mestrado.
 
Na Guiné se orientou
Tinha talento às carradas
Bifes  sobrefaturou
Batatas... às toneladas.
 
Tem  coração generoso
Dourado? Sim, acredito.
Não palpita, é ocioso,
Da mesma cor... do apito!
 
Usava um elevador
P'ra fugir numa emergência
É Frei Tomás, pregador,
Peca... e não faz penitência...
 

Trambicou o BCP
Comeu por lorpa o Jardim
Usou má fé, já se vê,
Ficou a rir-se no fim!
 
 
E por lorpa quer comer
O Povo de Gondomar
É demais!, então vai ver
O Povo inteiro... a acordar!!!

sábado, julho 22, 2017

SARDINHA, O ALARME...

Dizem que para se recuperarem os stocks de sardinha vai ser preciso estar 15 anos sem pescar! Tocam as campainhas e o povo fica alarmado! então o negócio da sardinha, que atinge o seu apogeu com os santos populares e movimenta quase três dezenas de milhões de euros vai terminar?

Julgo que se trata de uma alarme, saudável é certo, mas não de uma coisa definitiva. Que há que cuidar da espécie, que moderar o consumo, isso sim. Talvez a solução seja limitar os períodos de pesca (aumentar o chamado defeso...) a fim de preservar os stocks... Prevenir sim, mas com moderação...

Até lá há que  ir consumindo e degustando este espécime que tão galhardamente dá asas à nossa gastronomia...

quarta-feira, julho 12, 2017

RACISMO E VERDADE!!!

Hoje o país ficou a saber que um inquérito mandado instaurar pelo MAI sobre incidentes numa esquadra de Alfragide em Lisboa, envolvendo torturas e racismo e que fora mandado arquivar,  afinal tinha fundamento. Houve de facto agressões violentas, episódios que configuram racismo e tortura. Foi a polícia judiciária a investigar a fundo e a concluir de forma diferente. VER AQUI

Será que se pode confiar no Estado? Será o Estado pessoa de bem?
 
Em tempos pedi uma investigação sobre uma autarquia à Alta Autoridade Contra a Corrupção. Ela deveria investigar e actuar em consonância com o que era pedido objetivamente: saber se houve benefícios e/ou contrapartidas pela violação sistemática da lei (ausência de concurso público).

O legislador entendia, e muito bem, que acima de determinados montantes pode haver a tentação de o decisor político se conluiar com o agente económico e se criarem mecanismos de sobrefacturação de forma artificial.

O que fez a AACC? Mandou investigar,  mas por interposta pessoa: Inspeção Geral da Administração do Território e Inspeção Geral  de Finanças...
 O que fizeram estas entidades?
A primeira detectou e classificou as graves violações em diversos domínios, contudo, no tocante a eventual corrupção, entendeu que era da esfera específica de actuação da IGF...

E o que fez a IGF no tocante a este domínio específico?
Entendeu que «por limitações de ordem funcional» não lhe caberia tal tarefa mas que o Tribunal estaria já a tratar de tal assunto...

Enfim, o Tribunal cuja função é julgar e não investigar, não investigou nada.  O Tribunal tratava de saber se alguns termos eram ofensivos da honra e bom nome de um responsável camarário. A IGF nada fez neste domínio específico e a AACC nada fez para suprir esta lacuna...

Depois vieram alguns dizer: «investigaram tudo e nada encontraram»...

Pobre país que tais instituições de supervisão (não) tem!

Nas tragédia de Entre-os-Rios o ministro assumiu com coragem a responsabilidade política e demitiu-se. Agora, depois da tragédia d e Pedrógão Grande, a ministra diz que demitir-se seria falta de coragem. Vá lá saber-se qual o lugar da dita cuja...
Corajoso foi o ministro que se demitiu, assumindo responsabilidades políticas. Corajosa é a ministra que se se demitisse abandonaria a sua função de responsável...

Marcelo Amigo, a interrogação está contigo!

segunda-feira, julho 10, 2017

Mossul o fim da tragédia?

O DAESH ESTÁ POR UM FIO

Três anos depois  o famoso califado está derrubado! A miséria, a destruição, um rasto de mortandade sem fim. A ambição desmedida, o desejo de utilizar a religião como instrumento de poder, enfim, uma nova paranoia hitleriana, como pano de fundo.

Como é possível no seculo vinte e um isto acontecer?

Tal como os incêndios que precisam de ser atacados logo à nascença senão tornam-se incontroláveis, também estas pragas devem ter cortadas pela raiz. A ONU e as organizações especializadas devem actuar em consonância para que isto não possa continuar. É a Humanidade que está em causa!

O pretexto religioso é ridículo e fantasioso. Há que por cobro a todos estes belicismos teocráticos.

sábado, julho 08, 2017

CÃO MULTIFUNÇÕES




O salva-vidas na praia

Os seres humanos devem-lhes muito. Às vezes parecem quase-humanos, enquanto certos homens...

E há o Frei Bigode, um cachorro adsoptado pelos franciscanos... VER AQUI

sexta-feira, julho 07, 2017

Isabel stilwell, o preconceito e o ódio aos ricos!

VER AQUI

Não sei como se pode ter tanto ódio aos ricos e tanto preconceito acumulado?!

Esta senhora que diz ser católica ataca um direito legal e uma opção tão louvável como outras de ter filhos e lança-los ao mundo criando condições para serem felizes e  saudáveis.

Quando o mundo inteiro assiste a um fenómeno de mortalidade infantil calamitoso em África) esta criatura gasta o seu tempo a atacar o rico, que compara aos reis que faziam filhos nas barregãs.

O Rei que usou a freira Paula Silva para fazer filhos e que os assumiu e patrocinou na vida é digno de censura?  Mais digna de censura foi a madre superiora que encobriu tudo sabe-se lá a troco de quê? Essa, não merece a censura da sua parte! Você,cara Isabel, não passa de um triste e hipócrita FREI TOMÁS!!!

A criança ainda não saber quem é a progenitora é tão mau assim? Se a mã morrese na altura do parto não seria pior guardar  (a criança) essa "culpa"?, abra os olhos e liberte-se das baias que a impedem de ver em todas as direções.
 Seja adulta, responsável, não use o preconceito e o ódio ao que é novo (ou ao ódio ao rico, a inveja  é doença, minha querida),  como instrumento de agressão!

Use o seu tempo para  outras coisas, ara Isabel. Deixe os preconceitos para trás das costas. O uso do preservativo - que ainda hoje não sabemos se é banido pela Igreja católica ou não, a pílula, que demorou anos a ser aceite, são coisas que deveriam preocupá-la mais.

Acha que o que fez aquele goleiro do Flamengo mandando matar a amante por fazer chantagem com o filho! Com este método ele evita situações constrangedoras. Só o ter de pagar uma fortuna é digno de registo. A cobiça de quem o faz também é censurável...

Olhe para aquelas criancinha de África vindas ao mundo sem condições financeiras, e olhe para os desperdícios desta Igreja Católica apostólica e romana com faustosas procissões, festas megalómanas,  cultuando santos e santa Senhores e Senhoras em profusão (que se fossem chamados a pronunciar-se sobre elas diriam o piorio..) e veja se não seria mais útil alocar esse dinheiro perdido na salvação dessas crianças! Ou nas crianças de cá tantas vezes com pas sem condições para as sustentar por incapacidade financeira ou por doenças?

Não importa se é rico ou pobre,  a utilização da chamada barriga de aluguer é  algo que deveria ser legal em Portugal há muito tempo. Só preconceitos idiotas, só falsos puritanismos é que mantêm ao longo dos anos, aberrações continuadas. Você, pobre criatura, é uma escrava de tradições e de preconceitos. Liberte-se, porra! Assuma  os seus erros e retracte-se. Mas Deus é grande e a Sua Misericórdia infinita!!!

Joe Manuel figueiredo leite de sá

(Às vezes sinto-me como padre António Veira pregando no sertão...)

quarta-feira, julho 05, 2017

DESLEIXO, LAXISMO, IMPRUDÊNCIA!

Já em 1971 havia sido feita uma operação desencadeada pela ARA que deu origem a uma sabotagem a vários aviões e helicópteros cuja dimensão nunca foi publicamente divulgada para não alarmar. VER TUDO AQUI NNO EXPRE SSO

Agora o roubo de armamento em Tancos (que não na BA3 mas noutro quartel) mostra o mesmo quadro de irresponsabilidade. VER AQUI

Causa?
Não, não pode ser só o desinvestimento nas Forças Armadas. Há também muita irresponsabilidade. Está em causa a segurança nacional, pode estar em risco a segurança de instituições bancárias, de escolas, de seguradoras, da assembleia da república ou do governo.
É preciso saber como se deixou chegar a este ponto!

Não pode ficar impune uma organização que  violou vários procedimentos. Que rolem cabeças,  que se saiba tudo pois poderá haver conluio interno (como houve na sabotagem de 1971).

Pessoalmente eu conheci o jovem piloto (ainda aluno piloto)  que esteve na génese do acto de sabotagem. Ângelo de Sousa chegou a viajar comigo de comboio do Entroncamento para Espinho (onde morava a mãe)-Era um tipo sociável, comunicativo, mas nunca me chegou a revelar pormenores sobre o seu envolvimento político com a ARA Acção Revolucionária Armada).

Aconte3ce que, quando se deu a explosão estava eu na BA9 em Luanda e a notícia surgiu nos jornais locais. A princípio nem acreditei que ele pudesse estar envolvido. Disse-o a várias pessoas e manifestei total repúdio pelo teor da notícia.

Mais tarde, quando tudo foi confirmado, fiquei em maus lençóis e passei a engrossar o rol dos suspeitos.

Era poeta como um tal Manuel Alegre que já fora corrido de Luanda, do Exército, pois tentara uma intentona que abortara. Enfim, peripécias que jamais sairão da minha memória e que me causaram danos gravíssimos . A minha imagem ficou gravemente perturbada e passei a ser olhado com desconfiança. Enfim, episódios que não esquecem e que servirão de lição...

sábado, julho 01, 2017

Até Salazar sorriu...

ESTE POEMA FOI ESCRITO EM 1934.
Conta-se que este poema foi dirigido ao Ministro da Agricultura do governo
de Salazar, como forma de pedir adubos. Por mais estranho que pareça, o
senhor que o escreveu não foi preso e Salazar até se fartou de rir (??!!)
quando o leu:



E X P O S I Ç Ã O


Porque julgamos digna de registo
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.
Senhor: Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Falta a matéria orgânica precisa
na terra, que é delgada e sempre fraca!
- A matéria, em questão, chama-se caca.
Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.
Se os membros desse ilustre ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.
E mijem-nos, também, por caridade!
O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
venha até nós solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo com sossego,
ajeite o cú bem apontado ao rego,
e? como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!
A Nação confiou-lhe os seus destinos?...
Então, comprima, aperte os intestinos;
se lhe escapar um traque, não se importe,
quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?
Quantos porão as suas esperanças
n'um traque do Ministro das Finanças?...
E quem vier aflito, sem recursos,
Já não distingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos n'elas.
Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.
Adubos de potassa?... Cal?... Azoto?...
Tragam-nos merda pura, do bispote!
E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!
Terras alentejanas, terras nuas;
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda?
Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.
Ah!... Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!...
Como é triste saber que todos vós
Andais cagando sem pensar em nós!
Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.
Venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.
Precisamos de merda, senhor Soisa!...
E nunca precisámos de outra coisa.
Pela Junta Corporativa dos Sindicatos Reunidos, do Norte, Centro e Sul do
Alentejo Évora, 13 de Fevereiro de 1934

Nota: Hoje em dia, o humor está quase banido da praça pública. Políticos cinzentos e ressabiados, não sabem sorrir, não têm espírito de humor, tudo o que cheira a crítica ou humor é considerado "insulto", "atentado à honra e bom nome", "maliciosa campanha difamatória"...