rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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domingo, setembro 14, 2008

Por amor de Deus!...

Bento XVI em França: «Não há contradição entre a Razão e a Fé!»
Meu caro e reverendíssimo servo da vinha do Senhor, como é possível esconder a realidade de forma tão imprudente? Claro que há contradição. As verdades da Fé entram em contradição frequente com as da Razão e são fonte de conflitos, de belicismos até.
A História, essa mestra da vida, ensina-nos a olhar de frente as coisas e a não meter a cabeça no limbo do obscurantismo. Galilei Galilei foi vítima dessa contradição. A Inquisição, o monstruoso Santo Ofício com as suas criminosas intervenções (até o padre António Vieira foi vítima...) foi uma prova dessa contradição.
Nos tempos modernos temos essa incrível proibição do uso do preservativo quando ele não só devia ser tolerado mas até aconselhado. Milhares de mortos estão sendo vítimas desse obsoleto conceito de fé que não remove montanhas mas lança no abismo os crentes crédulos e tementes. A sida propaga-se a velocidade incrível! Perante o lavar de mãos, à Pôncio Pilatos, de Bento XVI e sua Cúria.
Santo Deus, tende piedade desta Igreja que segue os caminhos de um dogmatismo senil, sem ter em conta os malefícios que provoca. Vede a postura de João Paulo II dizendo que o inferno não era um lugar objectivo, mas sim um estado de ausência total de Deus! Agora, o seu imediato sucessor, alicerçado na mesma Fé, vem dizer precisamente o contrário: que há inferno algures no universo! O limbo, que existiu durante milhares de anos, deixou de existir por um decreto seu! Que irracionalidades meu Deus! Oh sacrossanta Fé que sofres tantos tratos de polé!!!
Sou o mais humilde dos servos de Deus. Convivo com os mais humildes, vivo de forma humilde, mas tenho o privilégio de ter sido tocado pelo Espírito Santo e Ele faz com que eu assuma o risco da coragem nos momentos mais críticos, quando todos se acobardam e ficam de rastos perante os abusos. Fi-lo em plena guerra colonial invocando a convenção de Genebra e verberando o modus actuandi de alguns militares bárbaros e mentecaptos. Denunciei alguns abusos e até massacres ocorridos em Moçambique.Sofri pesadas conseqências por isso. Fi-lo aquando do 11 de Março , essa tentativa de mergulhar Portugal num banho de sangue e que teve no então embaixador americano (Frank Carlluci) um dos cérebros da intentonba radical. Fi-lo perante os abusos do poder local, fi-lo perante os atropelos aos direitos do homem na Rússia e na Polónia.Defendi os timorenses perante as bárbaras atrocidades cometidas pelos indonésios mas condenei também as próprias violências dos timorenses para com os portugueses.
O papa não pode negar o óbvio. Não basta pedir desculpa (muito a posteriori) pelos danos causados. É preciso actuar na hora e reconhecer os erros. Os casos de pedofilia de Boston não teriam ido tão longe se tivesse havido frontalidade, transparência, coragem na assunção das responsabilidades logo de início.
A Igreja anda a reboque da realidade. Há bispos a desautorizar o papa na questão do preservativo. Quão ridículo isto é para a credibilidade da Igreja. Já o poeta Horácio na antiguidade falava na importância do preservativo para evitar doenças sexualmente transmissíveis! Faziam-se preservativos com intestinos de animais... e o azeite era usado como lubrificante!...
A Razão e a Fé entram em conflito e provocam danos colaterais de repercussões gravíssimas. Há guerras e conflitos desnecessários. Há perseguições, arbítrios sem conta por causa da Fé. Nos muçulmanos a situação é bem mais grave, reconheça-se.
Bento XVI me perdoe a frontalidade, a sinceridade, mas sinto que seria cobardia não referir isto. Seria ficar acomodado ao ouvir esta frase tão pouco verdadeira e tão recheada de segundas intenções.
Rezo a Deus, meu bom papa, para que lhe abra as persianas da alma e derrame sobre si o sol da racionalidade, o sol da eloquência, o sol da lucidez. A bem da humanidade. Que bem precisa disso, com urgência.
Amén.

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