rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

sábado, setembro 20, 2008

INTERREGNO

Esta série ficcionada, «MEMÓRIAS DO FUTURO», vai ser interrompida e prosseguirá no próximo verão, se houver disponibilidade para tal.

Quero manifestar o meu apreço a figuras como o Dr Jardim, Dr Santana Lopes, Dr Macedo Vieira, Dra Fátima Felgueiras, Dr Isaltino Morais, Sr Ferreira Torres. Ao Dr Jardim coloquei-o no rol dos falecidos, por força de um artifício estético, não quis «matar», mas tão somente ocultar temporariamente do meu universo.
É uma figura controversa, questionável, mas imensamente rica pelas facetas humanas e políticas que ostenta. Não creio que haja pessoas totalmente «boas» e outras totalmente «más», não há o «trigo» e o «joio», todos somos uma mistura, em que predomina este ou aquele aspecto, temos um «saldo» no comportamento final. Às vezes critico e/ou elogio as personagens com a maior das naturalidades pois a riqueza de cada um de nós é tão grande que nem damos por isso .

Tenho criticado certas personagens com maior ênfase mas não quero ser maniqueu (embora às vezes me sinta um pouco...), pois temos facetas muito comuns. Sinto que se estivesse no lugar de Valentim Loureiro e sentindo as pressões que ele tem tido (admiro a sua resistência, coragem e combatividade! muito embora reconheça os erros, os excessos também...), era capaz de dizer as mesmas coisas, com o mesmo afã. A mesma emotividade. Todos somos fruto de contextos (culturais, genéticos, geográficos, demográficos), nunca fruto de um acaso cósmico, não podemos desligar-nos de tantas raízes que nos condicionam, agigantam ou diminuem consoante as circunstâncias. Também me sinto um pequeno «soba», mas procuro evitar situações que critico nos outros; embora nem sempre o consiga.

Não me sinto «bom» nem «mau», não me sinto «inteligente» nem «culto», sou apenas fruto de vários contextos, aprimorei determinadas capacidades (outras ter-se-ão estiolado...) e procuro compreender os outros mesmo quando hiperbolicamente os caricaturizo, sinto que me estou a ridicularizar também a mim próprio, sou digno de tanta censura como aqueles que censuro! Procuro ser sério mas não me levar muito a sério.

Espero não ofender de forma aligeirada. As hipérboles são distorções da realidade, são «pecados» de análise que todos cometemos. Já fui insultado de forma baixa, vil, sem nível. Mas aprecio e aceito as caricaturas e as sátiras desde que elas possam revestir algo de «artístico», ou de carácter mais «elevado». Todos temos um pouco da genialidade desses «Gatos Fedorentos» que contribuem para amenizar o fardo existencial... sinto que tenho um pouco do seu ADN mental e psicológico!...

Quando abordo este contexto do «novo regime» baseado nos "Regeneradores" quero alertar para os perigos do surgimento de ditaduras sob capas apelativas e de agrado popular. Contudo, depois de aprofundados determinados pressupostos, verificámos que isso degenerou em situações contrárias ao previsto. As aparências iludem, em tudo na vida.


O nazismo, o peronismo, o salazarismo, nasceram com o avale das populações (ainda que condicionadas por mecanismos de coacção bastante intensos: como a comunicação social, a justiça, a religião dominante), julgando seguir o caminho justo, a solução mais feliz, mais capaz de resolver os anseios das colectividades. Contudo, resvalou-se posteriormente para o abismo, por força de se não respeitarem determinados princípios que devem ser a espinha dorsal, o alicerce de democracias autênticas. Quantas «democracias» só o são de nome, podendo ser consideradas ferozes ditaduras?Mesmo as existentes no nosso poder Local?!

Todos devemos aprender com os erros de análise. Todos devemos meter a mão na nossa consciência e sermos capazes de vislumbrarmos o quão ridículos poderemos ser.

Talvez para o ano, ao dar continuidade a este pequena «novela» sinta algo de diferente...

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