rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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quinta-feira, setembro 18, 2008

O famosa operação «Noite Branca»!

Rui Costa, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica

Fernanda Câncio, a jornalista do D.N. que entrevistou Manuel Alegre antes da sua prisão

Naquele dia 20 de Maio de 2016 os galos capricharam na sua tarefa matinal de acordar o sol. E este apareceu sorridente, bem disposto, cobrindo com os seus braços generosos uma Lisboa cada vz mais bela, cada vez mais apaixonada. O dia era de festa. O Benfica iria receber na Luz os merengues para a segunda mão da meia-final da liga dos Campeões. Depois do brilhante empate (aquele 0-0 soube a pouco pois invalidaram um golo limpo ao negrinho Yaúca...) era crível que o colosso espanhol fosse derrubado por este Benfica vestindo a pele do seu novo presidente, Rui Costa, e só com jogadores nascidos em Portugal. Yaúca nascera na Cova da Moura, embora seus pais fossem angolanos.

Emílio Butragueño, o presidente do Real Madrid, estava apreensivo. No dia anterior fora ciceronado por Rui Costa e João Malheiro pelas ruas da capital e ficara impressionado com a loucura popular. O regime, este regime que tinha no presidente da República, Valentim Loureiro um ícone, levava o desporto muito a sério, quase de forma alienante para o gosto da maioria. Era ele a chama propulsora do regime. O veículo alienatório do zé povinho como diria em tom magoado o poeta Manuel Alegre ao saír da prisão... ele gostava muito de futebol, mas não daquela forma alienatória e servindo de trampolim ao regime.

Este era o pano de fundo mais visível. A euforia era notória. As condições eram propícias ao êxito da operação «Noite Branca».

Rouxino de Bernardim vivia junto à fronteira, e Olivença era o seu paradeiro mais frequente. Ali, junto dos indefectíveis patriotas de Olivença, aqueles que nunca deixaram que a chama da pátria lusa se apagasse de vez, criou um núcleo duro destinado a arrebatar Manuel Alegre das garras do regime vigente. O «diabo abrilista» __como diziam alguns líderes em tom depreciativo __ tinha sido preso injustamente. Houve de facto uma tentativa de golpe de Estado, contudo as únicas provas do envolvimento de Manuel Alegre foram uma entrevista que dera a Fernanda Câncio (no D.N.), em que verberava o novo regime, dizendo textualmente :«isto não é regeneração é nazificação. Os jornais censurados, os tribunais sob o domínio do partido único, as polícias fazendo papéis sujos espiando ao serviço do poder...». Enfim, nesse dia os americanos através do sistema Echellon descobriram uma conspiração liderada por um tal Manuel Alegre para derrubar o regime. Deram conhecimento da situação ao primeiro ministro, e este, face à evidência, mandou «agasalhar» o poeta. Foi feita uma justiça demasiado célere e pouco ética. Foram inventados à pressa uns cúmplices e todos foram metidos numa prisão de alta segurança em Lisboa.

João Malheiro sabia que Manuel Alegre estava inocente. Ia-o visitar com frequência. Foi ele o estratega da operação «Noite Branca».

Com os seus conhecimentos na capital, procurou criar uma rede de cumplicidades que culminou na libertação do poeta nesse dia 20 de
Maio de 2016. Rouxinol de Bernardim fazia anos e veio de Olivença ver o Benfica Real Madrid vestindo o folclórico trajo do Manolo, o tocador de bombo, com o sombrero mexicano enfiado na cabeça, que lhe tapava o rosto e dissimulava muito bem. Passeou-se pela capital no meio do numeroso cortejo de apoiantes do Real sem ser reconhecido. Com barba postiça assemelhava-se a Manuel Alegre. Contactou João Malheiro para se ultimarem os detalhes da operação minuciosamente preparada em Espanha. Malheiro cumpriu à risca o plano. Foi à Rádio Regeneração (ex-rádio Renascença) e falou sobre o jogo. Disse que seria um adeus famoso. O adeus do Real Madrid à competição. Pediu em tom irónico para ouvir a canção «Coimbra tem mais encanto na hora da despedida»! Mas frisou:

__Quero que fiquem cientes que o nome Coimbra deve ser substituído por Lisboa.

É esta canção que devem todos fazer ecoar por essa Lisboa fora no final do jogo, para humilhar os madrilistas... após a sua derrota!

Tudo tretas. A canção era a senha para o avanço da operação «Noite Branca», a tal que libertaria Manuel Alegre. Asim foi, de facto.

Nas proximidades da hora do jogo foi desencadeado um plano estilo manobra de diversão para distraír as atenções das autoridades. Bancos a serem apedrejados, estabelecimentos de joalharia, farmácias, tudo para dispersar as forças policiais. Os «adeptos espanhóis» (de facto os Amigos de Olivença) cumpriram o plano à risca. Depois foi assaltar a prisão onde um guarda já tinha adormecido alguns camaradas. Com sprays paralizantes tudo foi fácil. Alarmes, câmaras de vigilância e energia totalmente cortadas foi muito fácil retirar Manuel Alegre e todos os prisioneiros. As ruas desertas . Toda a gente a ver o jogo pela TV. Daquela prisão de alta segurança Manuel Alegre, envergando o trajo do Manolo, cedido por rouxinol de Bernardim, com sombrero na cabeça e cachecol do Real, lá saíu e, em plena avenida da Liberdade comemorou a vitória dos merengues (que desilusão para ele, benfiquista ferrenho...)! João Malheiro, o verdadeiro cérebro da operação, impávido e sereno ao lado de Rui Costa e de Butragueño, no camarote VIP do estádio da Luz!

Todos os presos com cachecol, camisola e bandeiras do Real em plena avenida da Liberdade! Que liberdade total! A grande evasão! O golpe mestre na Regeneração! Que punhalada no Estado Novo!

Pela madrugada, já em Olivença, Manuel Alegre e seus amigos comemorava o feito e declamava poemas contra a Regeneração!...

«Há sempre alguém que resiste!...»

Portugal só teve conhecimento oficial da evasão passada uma semana. Através de uma declaração ao país, o presidente Valentim Loureiro comentava:
Os regimes são como as pessoas, também têm coração. Manuel Alegre, o símbolo do abrilismo, foi indultado por mim, a pedido do governo. O poeta sofreu um problema cardíaco após a derrota do seu Benfica perante o Real Madrid. Foi demasiado para ele. Foi indultado e restituído à liberdade. Contudo, assinou um documento em que declara renunciar ao combate político e deseja que a Revolução Regeneradora atinja em plenitude as suas metas para bem de todo o povo português!
Toda a comunicação social repetiu até à exaustão esta tese. Todo o país ignorou o que de facto se passou...

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