rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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sábado, outubro 11, 2008

Pânicos nas bolsas e não só!...


Um Chipmunk, avião de treino. Na Força Aérea fui «largado» no nº 1362, em Sintra, em 26.11.1969.
Ao falar-se em pânico nas bolsas, não posso deixar de recordar algo que protagonizei e pôs à prova a minha capacidade para resistir ao pânico. Era o ano de 1969 e estava na Base Aérea nº 1 em Sintra (Granja do Marquês). Comandava a esquadra de «Chips» o saudoso capitão Orvalho (o Zé Voador , da revista «Mais Alto»...). Ainda voava com instrutor (só fui largado com dez horas de voo). Era o tenente Mónica, um piloto muito experiente e com capacidade técnica e perícia fora do comum.
Fomos praticar acrobacia para uma zona próxima do mar. Ele queria-me «fazer vomitar»! dizia que nunca nenhum aluno seu tinha resistido. Eu jurava que não vomitava, e, após muitos loopings e tonneaux lá me fui aguentando, aquilo dava-me um prazer enorme. Voar em voo invertido, mergulhar e voltar a subir (para testar a capacidade de resistência aos G's...), para mim era «canja»...E aguentei firme sem nenhum problema.
O certo é que não vomitei. Mas o avião ficou «de rastos» com o trato que levou naquela hora de malabarismos acrobáticos... E, pasme-se ,começou a lançar óleo sobre o cockpit!!! O hélice projectava o óleo escuro e pegajoso sobre a nossa cabeça! A visibilidade era quase nula. O que iria dificultar a aterragem... Eu não vomitei, mas o motor, esse, não resistiu, e começou a bolçar óleo com fartura!...
Devia ter rebentado um tubo e começou a perder altitude. Foi alertada a torre de controlo e começámos a regressar à base. A altitude era baixa e já não dava sequer para saltarmos em pára-quedas. Era imperioso atingir a pista ou aterrar em qualquer campo. Recordo que nem chegámos a fazer o circuito normal (entrada em «vento de cauda»...) foi logo uma aterragem directa para a pista em uso. Azar dos azares, com o cockpit todo embaciado de óleo, quase sem visibilidade, ainda fomos surpreendidos por uma coisa inesperada: saltaram os flaps! houve uma aterragem cheia de dificuldades e os camiões de bombeiros na pista, prontos para o que desse e viesse, davam um ar sinistro àquilo!... Felizmente aterrámos em perfeitas condições!
Eu, com uma frieza inesperada para mim, mantive uma calma olímpica. O instrutor reconheceu a minha frieza e, passados alguns dias, «largou-me» (primeiro voo a solo...). Depois segui-se o mergulho na piscina com fato de voo, botas e tudo. Atravessei-a de um só fôlego, debaixo de água!...Era a praxe!
Agora uma coisa que nunca mais esquecerei na vida foi uma ida a um ninho de pega. Tinha cerca de dez -onze anos. Trepei a um pinheiro enorme, e já perto da copa, surgiu a fêmea-pega, com um piar estridente e ameaçando picar-me os olhos. Estava tão cansado que mal podia olhar para baixo. Olhava só para cima e mantinha firme o alvo. Não desisti, apesar de ter as mãos a sangrar. Depois de muito esforço não ia desistir da caçada. E lá fui, sempre pinheiro acima.
E assim foi. Afastei a fêmea, desesperada, e lá fui ao ninho, na copa do pinheiro, buscar aquela que seria minha companheira durante uns tempos... A «Benfica»!
Aí sim, tive uma aproximação ao pânico! Mas não desisti, levei o esforço até ao topo. Mas daí para a frente sempre tive muito cuidado com as «pegas»! aquilo serviu-me de lição...

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