rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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terça-feira, agosto 19, 2008

Questão de infalibilidades...


Meu caro Bento XVI:

Não acredito no dogma da infalibilidade papal. Mesmo sabendo os seus condicionalismos, as suas restrições, não posso aceitar que um homem, por mais inteligente e clarividente que seja, possa ser considerado infalível. Porquê?

Basta olhar para o passado e analisar friamente os atestados de nonsense dados por alguns dos seus antecessores nos domínios da fé e da doutrina. Alguns emitiram decretos aberrantes, ditatoriais, tomaram partido por ditadores sem escrúpulos, ameaçaram com o inferno a quem não seguisse essas directrizes eivadas de preconceitos idiotas.

Gregorio XVI chegou ao ponto de proibir a construção de caminhos de ferro, sob o pretexto de serem um malefício para a religião! Enfim, ultrapassaram-se os limites de forma doentia, aberrante mesmo.

No entanto acredito na influência do papa no tocante aos comportamentos, alguns comportamentos, entenda-se.
Quanto ao cardápio dos pecados (catecismo) acho que ele deve estar sempre actualizado sob pena de acontecer como os códigos penais: as omissões são um convite ao crime! Logo as omissões nos catecismos são um incentivo ao pecar!

Se não for pecado a pedofilia então ela prolifera! Se não for pecado o tráfico de droga então há quem se julgue no direito de o exercer!

Vem este introito a propósito de certos modos de vida ou certas práticas políticas que deveriam ser considerados pecados : delapidação de recursos públicos, o tráfico de influências, o nepotismo, o eleitoralismo, o sectarismo, o assédio sexual, a chantagem política, a perseguição de adversários, a mentira ao eleitorado, o esbanjamento de recursos naturais, o clientelismo. A ocultação de dados da administração pública, o cambalacho com amizades promíscuas, a não protecção da Natureza...

Era bom que os doutores da Igreja se debruçassem sobre o tema pois as omissões são uma porta aberta ao vício, ao pecado, à alienação. Os cristãos agradecem esta vigilância e este zelo apostólico, pois caso contrário, não havendo a explicitação no catecismo, a própria Igreja Católica pode pactuar ( e da facto eu sei que pactua e tira proveito até...) com este esquema diabólico gerador de tremendas injustiças sociais e a causa mor de desigualdades sociais.

Que assim seja.

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