rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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quinta-feira, agosto 21, 2008

Imagine-se que o populismo...

Esta, a famosa Ciciolina, era o paradigma que os populistas sonhavam... e queriam transformar a dra Manuela F. Leite numa Ciciolina à portuguesa, uma espécie de «Jardim de saias»... À custa de um hipnotizador, lá o conseguiram...

Imagine-se que o braço de ferro entre populistas e anti-populistas se extremava no PSD. Pedia-se a cabeça de Manuela Ferreira Leite. Ou então a sua «transformação» à sua imagem e sememlhança.

Jardim e seus acólitos iam fazendo fervilhar a panelinha da contestação a ponto de entrar em ebulição. «Ela não tem garra, não tem graça, não sabe dizer umas piadas brejeiras como eu, não sabe cantar, dizer uns palavrões com chiste para amesquinhar os adversários. O Sócrates, esse animal selvagem, vai devorá-la em três tempos...»

Era este o diapasão. Até que Jardim se socorreu de Valentim e ... pensaram numa estratégia...

__Eu é que sei como se domina o povo. Lá na Guiné dava uns óculos escuros aos negros e tinha todos na mão. Aqui em Gondomar dou uns electrodomésticos e está tudo nas minhas mãos...
__Em Gondomar também há muitos negros?__Inquiriu Jardim, meio incrédulo...
__Dezenas de milhar! _exclamou o major, com uma sonora gargalhada...

Dito e feito. Combinaram entre si e pagaram as férias à doutora Ferreira Leite. Ela quis recusar mas eles tanto insistiram que ela lá foi. À custa de um hipnotizador fizeram um trabalho perfeito. Mudaram-lhe a maneira de ser, de falar, até de vestir. Fizeram dela uma «populista pura e dura»...Pronta a entrar na arena e... derrotar Sócrates, como se impunha!

Depois, convocaram um grande comício nacional. No estádio de Alvalade. A casa estava à pinha. Falava-se que a Dra Ferreira Leite até iria cantar, como fazia o Jardim na Madeira. O seu discurso estava diferente, dizia-se. Mais brejeiro, mais afoito, mais popular, mais «à Jardim»!

Apareceu com um vestido vermelho, o cabelo loiro, plumas, toda catita, sorrindo com glamour!

Fez um discuros extraordinário! O povo vibrou, saltou, foi às lágrimas!...

Dois cartazes trazidos de Gondomar rezavam assim:


«O povo vota em quem eu disser! O povo vota nesta mulher!»

Por cima a foto gigante do major, sorrindo, com um charuto na boca e fazendo o V da vitória. Parecia Saddam!

«Com ela Portugal vai mudar será o Portugal-Gondomar!»

A encerrar, o fado tão aguardado e pacientemente encenado na Madeira sob a supervisão do Dr Jardim...

Sorriu a todos , fez um gesto largo, e, acompanhada à guitarra por Ângelo Correia e à viola por Luís Filipe Menezes, ela empolgou aquela mole humana que encheu Alvalade, como um ovo.
Antes de começar, Santana Lopes, com todo o seu charme foi fazer as pazes, dando-lhe um efusivo beijo na boca. «Este é o meu doping!» disse ele, rendido à renovada diva...
Dias Ferreira, cofiando a barba grisalha, nem queria acreditar naquela metamorfose. Mas também aprovou aquela entourage, a encenação `a La Féria!



O estádio mudo e quedo, assistiu ao seu canto, de efeitos espectaculares. Então, quando falou no Sócrates, a multidão parecia num clímax!!! Era o culminar de uma ascensão meteórica!



Ao populismo rendida
Mudei o meu visual
Pareço mulher da vida
Assim me quer Portugal!


Portugal é populista
E jamais há-de mudar
Sou Manela, a benquista
Sou... a alma popular!


Aderi ao populismo
Sinto-me tão bem assim
O povo entra em histerismo
De saias... sou um Jardim...


Agora tenho atracção
Sou popular, eu não nego,
Tenho Portugal na mão
Até... o Jacinto... Rego!...


Vou bebendo um copo aqui
Trincando um bolo acolá
Uma sardinhada ali
Queijinhos... na Covilhã!


Percorri todas as feiras
Beijei crianças nas praças
Uso palavras brejeiras
Dizem que ... sou do caraças!!!


Bebo poncha na Madeira
Até apanhar... piela
Sou popular cantadeira
Faço inveja.... à Floribela!...


Os homens gostam de mim
Sonham comigo na cama
Onde vou há frenesim
O povo me adora e ama.


Vá de roda, vá de roda,
Já sinto que vou ganhar
E o Sócrates... que se foda
A gente o vai enterrar!


Vou ganhar as eleições
Já sinto o cheiro a vitória
Cantem a plenos pulmões:
«NOSSA SENHORA DA GLÓRIA!»


Ali pertinho o major gritava meio fora de si: «Quem salta é porque é da malta!

«Dai poncha à malta, sem falta!», berrava Jardim...

O estádio foi abaixo com tantas palmas! nunca se vira coisa tal!

Ela ganhou! a primeira-ministra de Portugal conquistou o país! O populismo mais uma vez subiu ao poder!

Todos gritavam no final:

O POVO ESTÁ, COM A MANUELA, PÁ!!!

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