rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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sexta-feira, agosto 22, 2008

Criminalidade à solta....

O país vive uma onda de criminalidade sem precedentes. Juizes soltam larápios e desmotivam polícias. Há uma sensação de permanente passa-culpas. Juizes alegam que a legislação é permissiva. Deputados invocam a defesa de direitos, liberdades e garantias.

Enfim, o PGR vai falar ao país. Imaginamos o que dirá.
A dra Amália Morgado ao constatar diversas anomalias no seu serviço deu uma entrevista ao Jn denunciando situações anómalas. Fê-lo, presumo, para corrigir abusos (tentar) e alertar saudavelmente a opinião pública.
Foi punida, não por mentir ou faltar à verdade, mas por não respeitar o «dever de reserva», por não ser solidária com colegas...
Enfim, a transparência a ser punida, a «lei da rolha» a ser o garrote, a mordaça, o raspanete. A corporação falou mais alto. A transparência foi subalternizada para o perpetuar da paz podre.

Há ministros que já usaram o estratagema da «obra de arte» para se furtarem ao concurso público numa ponte. Outros fazem-no despudoradamente e nada acontece. Se calhar quando saírem do cargo vão ocupar o lugar de administração de alguma empresa contemplada. Gratidão com gratidão se paga... A lógica da «pasta» e da «posta» como se dizia no ante-25 de Abril e agora plenamente em vigor e a respirar felicidade!!!
Se algum vereador nalguma câmara for mais incisivo procurando transparência e o respeito pela legalidade corre o risco de levar com um processo por linguagem excessiva ou injúrias. O prevaricador escusa de ter receio que nada acontece.O crime de colarinho branco prolifera. Esbulhos ao erário público são perpetrados a olho nu, sem qualquer sanção. Quem tiver a coragem de denunciar é logo apodado de «bufo» e até alvo de censura pública!

É este o retrato deste pobre país cheio de sanguessugas de todos os matizes. Há um caldo de cultura propício ao proliferar da corrupção e, paralelamente, um clima de intimidação a quem o quiser alterar. Criam-se organismos para combater a corrupção mas não são mais que paliativos destinados a saber se a corrupção é «nossa» (logo, deve ser encoberta e considerada mero vício processual) ou «alheia» (e talvez sancionada para amesquinhar opositores...).
A governamentalização da justiça existe e sente-se no reflexo de certas opções. Não é uma crítica a este governo mas a todos. O défice democrático é um facto a quase todos os níveis. A justiça está em falência progressiva e se calhar não é «fraudulenta», é a própria legalidade vigente que dá azo a isso. No fim, ninguém é culpado. Os juizes responsabilizam deputados, estes a inoperacionalidade das polícias, estas dizem que o mal é dos juízes.

Enfim, pobre país que se vai afundando no atoleiro da irresponsabilidade. Pobre país que de democracia só tem o nome...

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