rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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sábado, julho 04, 2009

CACIQUISMO: clerical e mediático!







O estudo do antigo regime mostrou uma profunda ligação (dir-se-ia umbilical) entre a Igreja e o Estado Novo. Desde o cardeal Cerejeira a Salazar havia todo um culto de personalidades e de sujeições calculadas que foram plasmando os contornos de um fascismo lusitano que, diferente do italiano, tinha similitudes inquestionáveis. O «modus faciendi» era diferente, apenas...
O uso da imprensa, e dos media em geral, de forma obsessiva, para inculcar no povo as virtudes da «ordem», da «obediência», da «sujeição», foi notório. Quem fosse denunciante de injustiças corria o risco de ir para o Tarrafal, só eram aceites (quiçá premiadas, as denúncias que visassem os detractores do regime...), quem criticasse publicamente (e até em privado) o governo tinha que ir a tribunal defender-se de acusações pícaras...
E AGORA, O QUE SE PASSA?
A situação em termos políticos mudou mas as mentalidades estão aí, cultivando fanaticamente valores de contornos fascizantes. Vimos o falecido cónego Melo, em Braga e no país inteiro a cultuar o poder local de forma exacerbada, não se coibindo de ir a um banquete homenagear um homem acusado publicamente de corrupção (Domingos Névoa) discursando num autêntico exercício de pressão sobre a justiça. Sem que os seus superiores o verberassem (talvez o fizessem em privado, há que dar o benefício da dúvida...). Triste figura isso foi, sem sombra de dúvidas.
O que vemos por aí fora? Padres de várias paróquias fomentando nas homilias dominicais o culto ao poder de forma descarada, inibindo as críticas, dizendo abertamente que é preciso dizer bem das autoridades. Há casos aberrantes. Claro que esse discurso laudatório tem contrapartidas. Há autênticos «excessos de generosidade» que são uma forma de «capturar» (como diria Saldanha Sanches... ao conúbio poder local-justiça!) o «poder clerical»... Isto passa-se à direita e também à esquerda.
Enfim, o tema é escaldante e sei que é «carapuça» que enfia em muitas cabeças.
Mas ninguém pense que o fascismo foi erradicado de vez. Os tenentes do poder procuram sob os mais hábeis artifícios usar a propensão laudatória e a pastorícia do servilismo ao poder como trunfos eleitoralistas!
E, honra lhes seja feita, conseguem resultados extraordinários!!!
Povo não deve dizer mal
Dizia o padre no sermão
Pastor de um povo serviçal
E castrado... «a Bem da Nação»!
Resignado, carácter fraco,
O povo era domesticado
Metido lá no seu buraco
Quiçá... auto-amordaçado!...
Dizer mal, não!, era «pecado»!
Coisa feia, maledicência...
Lá ia o povo escravizado
Sempre curvado à prepotência!
Fascismo nunca mais!, não quero!
Mas anda por aí, bem vemos
Padre-cacique não venero
Cultua o poder... bem sabemos.
Faz apelo à «resignação»
Não denuncia a injustiça
Trela que o poder tem na mão
Trela-homilia... lá na missa...

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