rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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segunda-feira, abril 21, 2008

A Pega-Benfica. A dor da perda...




A pega «Benfica» fez-me sentir pela primeira vez o que é perder um ente querido...
Devia ter cerca de dez anos. Deram-me uma pega bebé para eu criar. Com todo o carinho fui-a alimentado o melhor que soube e pude até crescer saudável e bonita. Era o meu orgulho.
Pus-lhe o nome «Benfica». Um vizinho tinha um corvo, o «Vicente», em homenagem ao homem que marcara o Pelé de forma sublime. Vicente, o irmão do Matateu, essa glória belenense.
A pega afeiçoara-se-me de tal modo que andava sempre no meu ombro. Dava-lhe grilos e gafanhotos. Mas gostava mais de sopas de pão mergulhado no café com leite. Era uma pega catita, civilizada, sem peneiras. Quando voava para cima do telhado da capela, só de lá saía quando ouvia o meu grito estridente: «Benfica!, Benfica!, Benfica!»
Às vezes ia comigo à tasquinha da D. Carolina, uma velhinha simpática que lhe dava sardinhas fritas. Que petisco!
Tudo numa boa, até que veio o tempo das aulas. Aí sim, ela começou a ter a nostalgia da vida selvagem. Arranjou um companheiro e lá foi... eu fiquei a ver navios...
Às vezes aproximava-se da casa de meus pais, pousava nas cerejeiras e parecia ter vontade de regressar até ao meu braço, mas algo, mais forte, chamava por ela... eu bem gritava: «Benfica!, Benfica!...»
Enfim, perdi um ente querido de uma forma dolorosa. Nunca a quis aprisionar numa gaiola. Parecia-me uma violência para um ente querido. Nunca lhe cortei os voos. Deu no que deu...
Agora, quando vejo o Benfica a voar desesperadamente para bem longe, para o fundo da tabela classificativa, também tenho uma sensação de perda, de tristeza. Mas não tanta como a que me apoquentou aos dez anos. Aquela sensação foi marcante. Jamais a esquecerei.
Mas uma coisa é certa. Eu, quando a via nas cerejeiras, acompanhada pelo seu par, berrava alto, gritava, falava-lhe ao sentimento, enfim, queria ver se ela ressuscitava para mim...
Agora, quando vejo o Chalana, sentado no banco, com ar macambúzio, sem garra, sem chama, sem pundonor, eu pergunto a mim próprio o que eu faria para que a águia voltasse aos seus velhos tempos, quando a paixão e a alegria ainda a faziam vibrar!!!
Que saudades deixou aquele Trapatoni, ou o vibrante Toni,esses , não eram múmias paralíticas, esses berravam, gritavam, chamavam: «Benfica!, Benfica!, Benfica!... volta a ser o que eras!»
Ai Benfica!, Benfica!, regressa, estás perdoada!

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