rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

terça-feira, maio 06, 2008

O Senhor do Bom Repasto!

«Ai rouxinol, não me faças rir! Eu cada vez mais anafado e tu, mirrado, tísico, quase anorético! Que país de contrastes este!»


Ele não se fez rogado. Era uma honra, disse ele, entroncar na galeria de notáveis Senhores que vão passando por esta montra nacional. Assim, aqui vai a entrevista.
R. de B. - Senhor do Bom Repasto, como vai este país?
S. do B. R.- Olha rouxinol isto está mau, sabes. Há cada vez mais precariedade, mais insegurança, mais fome encapotada...
RB- Fome?! Mas, Vós estais com bom aspecto, nada vos falta!..
SBR - Olha amigo, eu sou apenas a excepção a confirmar a regra. Este é um país de aparências, já vem na nossa História tanta coisa...
RB- Como? Será que somos um país de hipocrisias?
SBR- A quem tu o dizes rouxinol. Lembras-te da Deu-la-Deu Martins, aquela que atirou pães aos castelhanos quando estava tudo a morrer de fome dentro da fortaleza? Olha o resultadão que teve: os castelhanos levantaram logo o cerco espantados com tanta fartura...
RB- Mas essa arma continua ainda nos nossos dias?
SBR- Pudera! com a crise que por aí vai só eu podia dar uma imagem de fartura. O mundo fica convencido, ao ver o meu comportamento e a minha imagem, que somos um país de abundância, de satisfação, de alegria contagiante. Tudo tretas meu caro!
RB- Então és uma espécie de «sinal exterior de riqueza»?
SBR- Eu sou aquilo que faz falta: alegria, pão, desafogo económico, fartura...
RB- Vós exibis um largo sorriso e uma boa disposição permanente, então isso é só para impressionar a estranja?
SBR- Com o défice elevado, a economia estagnada, era preciso cativar o investimento estrangeiro: quem melhor do que eu para dar a imagem de um país em desafogo? Marketing, meu caro!
RB- Mas... não compreendo, temos um presidente da República tão magro, tão mirrado, isso não será contraproducente?
SBR - Nada disso rouxinol. Ele é a elegância portuguesa, é o modelo ideal para que a moda olhe para nós com respeito. O português não passa fome: é elegante, sabe alimentar-se, sabe vestir-se... enfim, o marketing elevado ao máximo expoente!

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