
Ele não se fez rogado. Era uma honra, disse ele, entroncar na galeria de notáveis Senhores que vão passando por esta montra nacional. Assim, aqui vai a entrevista.
R. de B. - Senhor do Bom Repasto, como vai este país?
S. do B. R.- Olha rouxinol isto está mau, sabes. Há cada vez mais precariedade, mais insegurança, mais fome encapotada...
RB- Fome?! Mas, Vós estais com bom aspecto, nada vos falta!..
SBR - Olha amigo, eu sou apenas a excepção a confirmar a regra. Este é um país de aparências, já vem na nossa História tanta coisa...
RB- Como? Será que somos um país de hipocrisias?
SBR- A quem tu o dizes rouxinol. Lembras-te da Deu-la-Deu Martins, aquela que atirou pães aos castelhanos quando estava tudo a morrer de fome dentro da fortaleza? Olha o resultadão que teve: os castelhanos levantaram logo o cerco espantados com tanta fartura...
RB- Mas essa arma continua ainda nos nossos dias?
SBR- Pudera! com a crise que por aí vai só eu podia dar uma imagem de fartura. O mundo fica convencido, ao ver o meu comportamento e a minha imagem, que somos um país de abundância, de satisfação, de alegria contagiante. Tudo tretas meu caro!
RB- Então és uma espécie de «sinal exterior de riqueza»?
SBR- Eu sou aquilo que faz falta: alegria, pão, desafogo económico, fartura...
RB- Vós exibis um largo sorriso e uma boa disposição permanente, então isso é só para impressionar a estranja?
SBR- Com o défice elevado, a economia estagnada, era preciso cativar o investimento estrangeiro: quem melhor do que eu para dar a imagem de um país em desafogo? Marketing, meu caro!
RB- Mas... não compreendo, temos um presidente da República tão magro, tão mirrado, isso não será contraproducente?
SBR - Nada disso rouxinol. Ele é a elegância portuguesa, é o modelo ideal para que a moda olhe para nós com respeito. O português não passa fome: é elegante, sabe alimentar-se, sabe vestir-se... enfim, o marketing elevado ao máximo expoente!
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