rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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quinta-feira, maio 22, 2008

2º ANIVERSÁRIO!



A 22 de Maio de 2006 nasceu o rouxinol. D. António Ferreira Gomes foi o primeiro a entrar neste cardápio que viria a causar tantos engulhos a alguns pobres diabos. Ele foi um resistente na verdadeira acepção da palavra. Ainda me recordo, estava em Angola a cumprir o serviço militar e ouvi da boca de um capelão do exército estas «pérolas»: «Coitado, dizem que apoia os terroristas e os comunistas. Depois daquela carta a insultar o Salazar ficou com a mente transtornada!»

Eu não conhecia a carta. Só conhecia a sua postura cívica e moral perante aquela sociedade. Penitencio-me por não o ter defendido como devia. Eu próprio andava sob suspeita. Dei uns elogios ao poeta Manuel Alegre (não ao político então comunista) e tive logo um ambiente de intriga e desconfiança em meu redor. Tive o azar de terem ocorrido umas explosões no continente e o responsável pertencia à LUAR (ramo do partido comunista) tendo eu também defendido a pessoa em si, ignorando de facto a sua actividade política...

Mas D. António Ferreira Gomes foi (e é) das figuras mais clarividentes da Igreja. Quando vemos aberrações (como as da Madeira e nalguns «jardins totalitários» cá do continente) olhamos para ele com mais saudades ainda. O rastejar ao poder da parte de alguns clérigos é ridículo, patético,
algo de promíscuo. Alguns padres prestam-se a papéis semelhantes a bufos da ex-Pide/DGS, com o seu activismo pró-situação. Com que fim? Obter apoios, ficar «bem visto», enfim, endeusar o poder para melhor ter as suas boas graças!

D. António criticou os excesos comunistas com o mesmo vigor com que o fez perante a ditadura.
Não era uma cana agitada pelos ventos dominantes. A ele, o meu obrigado por me ter aberto os olhos para a podridão de certa política. Sei bem que isso só me trouxe dissabores. Mas acho que o homem, sendo ser gregário, tem de se cuidar e não caír no sectarismo. Hoje vemos o país infectado de pequenas «máfias»: partidárias, clubísticas, para-religiosas (estilo «opus Dei» e maçonarias...), financeiras, enfim, seitas e mais seitas...

A ele, D. António, o mesmo soneto com que comecei este blogue. Aqueles que andam de joelhos perante presidentes de câmara, que meditem no seu exemplo de cidadania... Não verguem, pois nota-se muito e mete nojo!


De joelhos, somente perante Deus,
Nunca vergou perante os ditadores;
D. António foi bispo cá dos meus
A Igreja engrandeceu!, os meus louvores


Sofreu amargo exílio com bravura
Da Fé foi um estandarte glorioso,
Caíu de pé, gigante na procura
De um rumo são, num mar tão proceloso!


Do redil feito ausente, mas presente;
Deixou marca indelével na cultura!
Foi audaz, magistral, clarividente!


Se espalha e frutifica a semeadura,
Portugal usufrui dessa semente
Devemos exaltar sua postura!

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