rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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segunda-feira, maio 19, 2008

Humberto Delgado: o herói anti-poder!


Era um tempo de liberdade amordaçada. Quem falava era esmagado, vilipendiado, via denegrida a sua reputação. O medo guardava a quinta. Quem ousasse fazer uma crítica, exercitar a sátira, era lançado às feras. Mesmo aqueles que estavam dentro da legalidade vigente e cumpriam com os seus deveres, se por qualquer motivo diziam algo que fosse politicamente incorrecto, eram logo acoimados de estarem ao serviço de correntes «dissolventes»...
Ele lutou dentro do regime enquanto pôde, para a sua transformação; acreditava que era possível dar uma imagem democrática ao regime; foi da situação até ao limite da saturação; depois optou pela ruptura. O regime não lhe perdoou e matou-o à paulada.
Agora, quando vemos sinais de amordaçamento da liberdade ( na Madeira e nalguns nichos autocráticos do poder local, sobretudo), há que olhar aquele exemplo, não com nostalgia contemplativa, mas com garra, com convicção, sem medo dos esbirros da actual situação, sem calculismos medíocres como os dos que gravitam na órbita do poder para melhor o sugarem, para melhor saciarem os seus apetites de vampiros do erário público. É vê-los por aí a dar cobertura a roubalheiras só para usufruirem de umas míseras mordomias, uns trinta dinheiros da praxe!
Ao general Humberto Delgado, que soube o que era enfrentar o situacionismo mais bárbaro, a minha homenagem. Que os jovens olhem para ele e saibam nortear a sua postura sem acomodatícias cauções aos títeres do momento.
O regime vivia apavorado
Andava à solta a alma popular;
Era então Portugal amordaçado
Era premente a Pátria emancipar.
Numa emboscada vil foi apanhado
À traição, com perfídia bem soez,
Pelos esbirros viu-se encurralado,
Caíu de pé, caíu com altivez!
Não morreu a mensagem-liberdade
O sangue derramado foi semente
Alfobre de justiça e dignidade!
Sua memória deve ter em mente
Testemunho de sã fraternidade
De um Herói que lutou contra a corrente!

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