rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

domingo, março 15, 2009

O Velho, o Rapaz e o Burro...

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O Burro dirigindo-se ao Velho:

__Senhor Velho, me diga, porque é que ela nunca poderia ter visto o envelope?

_-Senhor Burro, lhe garanto, juro por Deus e por todos os santos e santas que ela estava doente, de cama. Se não for verdade o que digo caia uma tragédia sobre quem mais amo...

De seguida, o Senhor Burro dirigiu-se ao Senhor Rapaz:

__Senhor Rapaz, me diga, quem lhe abriu a porta?

_Foi ela!__ gritou eufórico, apontando o dedo na direcção dela, pensando estar a fazer uma grave acusação... __ e não pode negar. Foi ela toda. Até me serviu café e tudo! Trazia aquele vestido muito justo que lhe fazia realçar os apêndices mamários...

O Senhor Burro prossegiu, calma e silenciosamente:

_Senhor Rapaz, por favor, me diga se o café foi servido antes ou depois do envelope?
__Isso não me lembro bem... talvez depois...

O Senhor Burro dirigindo-se ao Senhor Velho:

__Me diga, Senhor Velho, por que é que as escutas telefónicas não reflectem essa sua versão de que a reunião se destinava a descobrir se haveria alguma infidelidade de um familiar próximo?

_Meu caro Senhor Burro, pode acreditar que é a mais pura verdade, juro por Deus e por todos os santos e santas que é verdade tudo o que digo. Sabe porquê? É que o assunto era tão sigiloso, tão sigiloso, e nós bem sabíamos que estávamos a ser escutados pela PJ, por isso fizemos questão de ocultar os pormenores sobre essa infidelidade para que a PJ não andasse a divulgá-la por aí nos jornais, nas TV's, nas rádios, eles são uns malandrecos, Senhor Burro, como o Senhor bem sabe!...


O Senhor Burro vira-se para a plateia e exclama:

__Depois, dizem que o Burro sou eu!!!

As palmas trovejam como foguetes em noite sanjoanina perante a gargalhada geral de um auditório rendido à eloquência do Senhor Burro...

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