rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

sexta-feira, março 21, 2008

Dia Mundial da Poesia

Esta sociedade de consumo cria mecanismos e vícios para se perpetuar.
Há dias para tudo, para todos os gostos: há o dia em que se respeitam os animais, outro para respeitar as árvores, o dia para a mãe, o dia do pai, o dia dos avós, o dia da mulher, o dia da criança, enfim, há que preencher o calendário; qualquer dia teremos o dia do bacalhau, dia da sardinha, dia do gato, dia do pardal, dia do rouxinol...

Hoje, dia mundial da poesia, os «bonzos» saem à rua, os ungidos pelo poder (local ou central) botam faladura, tecem discursatas emproadas, só presunção e água benta, ostentando muitas vezes uma carga de hipocrisia que tresanda...

A poesia é todos os dias. No quotidiano de cada um, no comportamento perante os outros, na actuação face às adversidades, no respeito pelo semelhante, repudiando o abuso de poder, a intolerância, a discriminação, a prepotência; se calhar, aqueles que nos oprimem, que nos perseguem, os que nos ofendem, aparecem agora, com o manto diáfano da hipocrisia, a cantar hossanas, perorar loas sem fim, louvaminhar os mesmos que foram vilipendiados... esses mesmos, que fazem da poesia uma arma contra a hipocrisia, um arsenal contra todos os fundamentalismos (de multifacetados matizes...) que tolhem o nosso viver, que infernizam o quotidiano...


Aos fundamentalismos (e fundamentalistas) dedico este soneto. Que enfiem a carapuça aqueles que sabemos bem quem são... e que por vezes nem sabem que o são, ou não querem admiti-lo!...




O fundamentalismo intolerante
Não passa de cegueira medieval;
Há-o no professor, no governante,
No cacique retrógrado, venal!


Fariseus, cultivando a hipocrisia,
Almas tão possessivas, tão dogmáticas,
Julgando-se «a verdade» ou «a poesia»
Figuras patológicas, fanáticas.


Oráculos de Deus, donos da fé,
Julgam ser lá do céu embaixadores,
Da bolsa de indulgências... correctores...


Cegueira doutrinária isto é
Abuso de poder, diria até,
Excessos de «pastores-predadores»...

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