rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

Minha foto
Nome:

Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

quarta-feira, outubro 31, 2007

Aos que partiram...


A cortina da morte lá caíu
Lúgubre, melancólica, fatal;
O castelo da vida sucumbiu
E foste prá viagem terminal.
O teu rosto lúrido espelhava
Mil canseiras, um mar de sacrifícios
De quem no trabalho se escravizava
Colhendo o Bem, não estrupícios.
Agora, aqui prostrado, com afecto
Imagino-tem em paz, lá onde estás:
A trabalhar com Deus, no Seu projecto.
Meu pai: o meu farol sempre serás
O teu carácter forte e bem directo
Combatente do Bem, também me faz.

terça-feira, outubro 30, 2007

O menino, o sol, o mar, o naufrágio...

O barco Luz do Sameiro foi abandonado à sua sorte horas e horas a fio... só um pescador se salvou. Fez-se um inquérito para apurar responsabilidades na incúria (demora e falta de recursos atempadamente disponíveis) e... nada se apurou. A culpa, morreu (mais uma vez...) solteira!

Fazem promessas, juram alterar o status quo, servem-se das mortes para se promoverem (é triste dizê-lo mas é a verdade!), depois tudo cai no olvido... até um novo desastre! Este chegando, repete-se a ladainha do costume e tudo continua como dantes quartel general em Abrantes!

Tenham vergonha na cara! Façam o que se impõe! Não sejam vendedores de ilusões!



O MENINO E O MAR...



O menino abraçando a luz solar
Contempla o horizonte sem ter fim
Também ele é um sol a iluminar
Esta noite tão escura que há em mim!


Que nos diz este sol e este mar?
Falam-nos deste povo marinheiro
Intrépido, valente, sem vergar
Ao mar bravio e ao vento traiçoeiro.


Quando morre na faina um pescador
O menino também agarra a dor
Tal qual fosse uma bola junto ao peito.


Também aponta o dedo acusador
Àqueles que podiam mais ter feito;
O desleixo... à morte dá sempre um jeito...

segunda-feira, outubro 29, 2007

A Primeira Noite ... no Paraíso!




Eu Adão e tu Eva, no Paraíso...
O primeiro ser humano!
(pintura de Salvador Dali)
(aquelas mãos ... o corpo do delito...)
UM SONHO BÍBLICO!
Era uma vez uma praia
Onde o sol nunca se punha...
O meu sonho ainda se espraia
Mais vivo do que supunha!
De mãos dadas, despidos,
As vergonhas bem ao léu
Este "império dos sentidos"
Não era senão... o céu!
E Deus?!... Era mesmo o Sol
O astro-rei protector...
Então Ele disse:
«Quero que façais a prole
Símbolo da Paz e Amor»!
A mim, chamava-me Adão
E a ti, Eva adorada,
A ti Mãe da Criação
(Não usavas mesmo nada...)
Chamava-te: Tentação!
Como eras tão mimada!
O sol te acariciava
Andavas sempre tostada
A vida não acabava
Na bela praia encantada.
Então o Deus-Sol falou:
«Isto aqui é o Paraíso
O ninho da humanidade...
Multiplicar-vos, preciso,
Dou-vos toda a liberdade!»
Então houve uma atracção
Como um fogo divinal
Dessa feliz combustão
Surgiu a... reprodução!
Então o sol descansou...
Veio a noite... com luar!
Foi assim que começou
O Homem a procriar!

domingo, outubro 28, 2007

Ó luar o meu obrigado!




O perfume de bonina...
O luar...
Afrodisíacos sem par!
FADO DO LUAR
Ó lua que vens espreitar
Os lençóis da minha cama
Não venhas mais inflamar
Esta paixão de quem ama.
Tens aura de feiticeira
De Vénus, o doce licor...
Do amor, porta-bandeira
Da paixão, despertador.
Tua alvura imaculada
Em Agosto cobre a praia
E a areia tão fascinada
Ao sentir o mar, desmaia...
Luar, o teu sortilégio
É perfume de bonina
O amor não é sacrilégio
Antes... dádiva divina.
E se amar fosse pecado
O céu estaria deserto
Pois Deus por nos ter amado
Lá não estaria, decerto.
Lua, que és inspiração
De poetas e pintores
Do céu és o coração
Com tuas paixões e dores.
Ajuda-me a ser amante
'inda mais apaixonado
Se amar melhor doravante
Ó LUA O MEU OBRIGADO!

Vida a duas velocidades...




Das estradas da memória
Varri más recordações
Prás valetas lancei escória
Ratos, sapos aos montões.
Carreguei no prego a fundo
Fiz-me à estrada do futuro
Alcancei o fim-do-mundo
O outro vi chegar, juro!
Então, parei pra pensar.
Fiz caminho de regresso
Agora, mais devagar,
Sem vertigem do sucesso.
Viajei com mais sabor
Apreciei a paisagem
Ouvi o som, vi a cor,
De mim criei outra imagem.
Há que repensar a vida
Não a levar muito a sério
Só assim Deus nos convida
A decifrar o mistério.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Referendo para quê?

Por uma questão de princípio sou a favor de referendos. São uma forma de o povo exercitar a sua cidadania, mostrar a sua vontade, enfim, cumprir o slogan "o povo é quem mais ordena!"

Contudo, este referendo para o Tratado europeu (vulgo de Lisboa), afirgura-se-me completamente descabido e fora de tempo. Deveria ter sido feito aquando da adesão inicial e não agora.

Além do mais ocorre-me perguntar: será que tem havido adesão popular aos referendos?

É claro que não. Independentemente de saber quais os motivos desse alheamento (respeitável e digno de meditação) importa analisar os prós e contras desse acto dispendioso e sem utilidade prática alguma pois o processo é irreversível. Ou não será?

Daí que só alguns mais interessados em usar uma arma de arremesso contra quem está no poder (fazer oposição pela oposição...) é que optarão (ou dirão que optariam...) por este processo referendário. Ou se confia na AR ou não. Se se confia, então deleguemos nos senhores deputados a tarefa de fazer essa análise pois a tarefa é complexa e os assuntos são de tal melindre que não é o comum dos cidadãos que poderá falar com conhecimento abalizado sobre tão específica matéria.

Crianças em risco: flagelo actual.




O trabalho infantil é uma das vertentes da violência que se abate sobre as crianças.
Há que travar este flagelo.
Atropelos sem fim, lá vão passando
As crianças em risco, que tortura;
Violências sem conta as vão matando
Neste mundo selvagem, só loucura.
É trabalho infantil, violações,
Recrutadas p'rá guerra bem crianças,
Escravas sexuais, aberrações,
Sujeitas a torturas, a matanças.
Os Direitos Humanos desprezados
Tantos abusos!, dá que meditar!,
Urge esta preversão erradicar.
Ao Deus-dará meninos segregados
Em guetos, lá nos bairros degradados
Sementeira do crime a germinar...

quinta-feira, outubro 25, 2007

Soneto aos turibulários...


Cervantes, o genial autor de D. Quixote de La Mancha satirizou bem os papéis do caudilho e do turibulário. O país está repleto de caudilhos e de turibulários. Basta olhar!
Lá anda a incensar sempre o caudilho
Estende a passadeira no trajecto
Anda sempre co'o dedo no gatilho
É rufia servil, escroque abjecto.
Todo mesuras, risos para o aio
Pesporrente e raivoso vulgarmente
Executa acções reles, de lacaio,
Diz sempre "amen!" ao chefe, cegamente.
Sinecuras na rádio e no jornal
Prebendas variadas nas festinhas
Ar seráfico, atento e serviçal.
É vê-lo a receber palmadinhas
Do caudilho, tão grato quão venal,
Ciente do papel destas gentinhas...

SONETO A UMA AMANTE

A Natureza é a amante mais pura e mais bela que nos dá tudo e nada recebe em troca!
Devemos ao menos respeitá-la, se não soubermos amá-la!
Poluída, pregada na cruz, sim!
Planeta do pecado original
Perdeste a vingindade; o teu mal
Esse "efeito de estufa" é o teu fim.
Global aquecimento, morte lenta,
Rumo ao abismo vais sem ter noção
Do eco-suicídio sem perdão
Meu amor Terra-amante, Terra-benta.
Fazer introspecção ou contrição
Bater co'a mão no peito, hipocrisia
Sem ter qualquer valor ou serventia.
Há que imergir no cerne da questão
E à palmatória temos que dar mão
Há que agir, acabar co'a letargia.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Soneto à Liberdade


Onde estás? Não te vejo em nemhum lado.
Nos braços deMorfeu entontecida?
Vem ter comigo estou bem acordado
Sê meu norte e razão da minha vida.
Pergunto ao vento amigo onde tu moras
Mas ele não responde, fica mudo
Eu preciso de ti, todas as horas
Tu és a minha espada e o meu escudo.
Quero-te minha amante, meu tesouro,
Bem libérrima, bem imaculada
Sempre presente, pobre mas honrada.
Liberdade és só tu, melhor que o ouro
Tu és raio de sol, um bom agouro...
Prenúncio de vitória abençoada.

terça-feira, outubro 23, 2007

Poesia -Orgasmo





De sílabas de letras de formas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.


Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio, um gemido uma erecção
que transporta do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.

A poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?

Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo.

José Carlos Ary dos Santos

Não, não é conto... foi real!




__Então D. Nazaré, que tem o telefone?! Faz uns ruídos esquisitos, uns clics fora do normal!..
__Tenha cuidado alferes, pois pode estar sob escuta!
Foi assim esta a primeira vez que dei conta da existência das escutas. Era um período de grave suspeição. Corria o ano de 1971 e eu estava colocado em Angola. Costumava frequentar a casa do professor Santos Júnior, o criador da reserva ornitológica de Mindelo. Era na rua Cidade de Lisboa, um sítio sossegado e muito acolhedor. Ele, então colocado nos chamados Estudos Gerais
em Luanda, era simpático e gostava de receber pessoas da Metrópole. Nesse dia ele só bebia líquidos, "faço-o uma vez por mês, para ver se chego aos cem anos", gracejava com certa dose de ironia. Presentes alguns professores universitários amigos, bebendo cerveja.
__Eu não acredito nesta raça negra, a maioria são uns broncos, uns imbecis, não são capazes de se salientar em nada...__ falava assim um sujeito alto e forte que era natural da Guarda.
__Pois eu não sou tão radical__contrapuz eu__acredito que há negros inteligentes e capazes de ombrear com os brancos em muitos domínios, só que nalgumas circunstâncias eles não têm condições favoráveis para desabrochar... como agora, aqui em Angola.
__Você é poeta, tem desculpas, é um lírico!__ sorriu o outro com malícia no olhar__está provado cientificamente que a raça negra é inferior...
A conversa, amena e cordial, ia sendo salpicada, aqui e ali, por intervenções do anfitrião, prof. Santos Júnior... Ele próprio, embora de forma delicada, também afinava pelo mesmo diapasão...
O tema passou a ser a guerra e o futuro da Província Ultramarina, Angola...
Eu, embora de forma prudente, disse:
__Julgo que é preciso ter muito cuidado, pode passar-se aqui o mesmo que no Congo... pode demorar dez, vinte anos, sei lá...
__Não seja pessimista, homem__ desancou de imediato o tal sujeito da Guarda...__além de poeta você está num estado de espírito pouco propício a enfrentar uma guerra...
__Não, não é pessimismo, é realismo, há que dar ouvidos à História!... __repliquei eu.
__Você parece o Manuel Alegre, esse que foi para a Argélia arrotar postas de pescada, dizendo mal de Portugal e dos portugueses... Esse cobarde queria fazer aqui uma guerra civil!...
__Julgo que talvez não fosse essa a ideia, talvez dar uma independência como aconteceu no Brasil, para dar voz a todos os angolanos independentemente da cor da pele...
__Você está pior do que eu pensava! você defende esse canalha?! Você "ouve vozes" seja da História, seja do "vento", quem "ouve vozes" não está bem fino... deve tratar-se...
A conversa aparentemente simples e cordial azedou. Vim a saber mais tarde (por intermédio do professor) que ele tinha um irmão na Pide/DGS...
A minha correspondência particular começou a vir violada e nem esforço faziam para eu não perceber...
Não sei porque carga de água esta conversa chegou a um oficial superior que me interpelou sobre ela e sobre as tais "vozes"... Fiquei siderado! Até me mandaram a um psiquiatra!... e fui, mas não consegui convencê-lo totalmente. Ele era ainda mais reaccionário do que o tal professor da Guarda!
Passados uns tempos houve uma forte explosão em Tancos e essa explosão foi atribuída a um amigo meu, de nome Ângelo, que mais tarde vim a saber pertencer à LUAR (Acção Revolucionária Armada). A princípio defendi o tal Ângelo quando surgiu a notícia, pois não acreditava ser possível ele fazer tal coisa...
Enfim, nunca me passou pela cabeça que aquela conversa havida na casa do professor Santos Júnior desencadeasse escutas telefónicas, mas de facto assim foi...
O Big Brother sempre em acção!...

Pinto Monteiro sob escuta?!!!


A justiça está periclitante. A suspeita de que o próprio PGR poderá estar sob escuta fez soar campainhas de alarme!

George Orwel, o criador de Big Brother, está omnipresente. Cada vez que a sofisticação tecnológica é um facto vão-se multiplicando esquemas de controlo sobre a privacidade dos cidadãos, à margem da própria legalidade. Ou seja, em vez de serem os criminosos e/ou delinquentes a serem observados e vigiados e (poderá ser...) o inverso!
Abastardamento completo das instituições. Perversão de valores. Cenário de desmoronação do Estado de Direito.
Já era previsível. Quando estão em causa processos de melindre extremo (Casa Pia, Apito Dourado, Madeira (Funchal), algumas câmaras municipais), surge este alerta para que o sistema se cuide. É um alerta amarelo ainda, mas poderá ter contornos avermelhados, bastará aprofundar-se a "coisa"...
Há que estar atento pois a PGR já foi alvo de tentativas similares no passado. Algumas críticas a magistrados, feitas de forma pública e altissonante dão a entender que o senhor PGR não tem confiança naqueles que deveriam ser pilares do Estado de Direito, ao apelidá-los de "condes" e "barões" (no sentido de serem plenipotenciários na sua esfera de acção), e deixa antever cenários muito pouco abonatórios para a democracia.
Quando na ilha da Madeira se começam a agitar as consciências (algumas até então adormecidas...) vislumbra-se algo de novo e quiçá irreversível. Há que exigir transparência e responsabilidade a quem ministra a justiça. Ela é um serviço público, deve estar ao serviço da colectividade e não de oligarcas poderosos (no sentido político ou económico) que tudo controlam, tudo dominam, tudo supervisionam. Espero que não surja aqui em Portugal algo parecido com a "loja P2", pois seria muito lamentável e revelaria o quão apodrecida poderá estar esta flor que se quer límpida e perfumada, a justiça, neste jardim da democracia.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Zé Povinho e ... Zé Pantagruel!




O Zé Povinho que se contente com umas migas ... ou uma açorda!
Pelo contrário, Zé Pantagruel
banqueteia-se por tudo quanto é sítio e ainda se permite criticar quem tem fome e sede de justiça!
Em artigo publicado no JN, FJV, conhecido comentador gastronómico e jornalista com algumas sinecuras e mordomias no seu cardápio, enxofra com ar dorido aqueles que, legitimamente, apelam a uma maior justiça social!
É de bradar aos ceus! Ele vive de forma faustosa e sempre se "encostou" a quem podia dar-lhe alimentos... Ainda me lembro da sua fase esquerdista em que vestia mal só para disfarçar e talvez com medo que vissem nele algum judeu rico, errando por este vale de lágrimas à cata de suculentos pratos de lentilhas.
Quando recentemente vieram a lume dados sobre a pobreza (cerca de dois milhões) ele ainda se permite fazer comentários achincalhantes a quem verbera o actual estado de coisas (no futebol, na política, na economia, na banca), como se vivêssemos no melhor dos mundos e tais manifestações de descontentamento popular fossem fruto de alguma oculta orquestra a mando dos comunistas ou de criptocomunistas...
Se o ridículo matasse FJV já seria defunto há muito...
É lamentável ler dislates destes, vindos de alguém que deveria ter mais respeito
por este povo simples e explorado que tantas vezes é vilipemndiado por aqueles a quem deu a mão e ajudou a alçapremar a lugares de destaque. Agora, parece querer pagar facturas ou lamber botas a alguns mecenas que o colocaram no pedestal... Enfim, estranhas formas de vida... O Fado do oportunismo!...
Para mim FJV passou a ser um mito!
No dizer do grande Fernando Pessoa, "mito é aquele tudo que não é nada"!

domingo, outubro 21, 2007

Cantando a Pátria




A Pátria é um conglomerado de sentimentos que galvaniza gentes de todas as raças, de todos os credos, em qualquer canto do mundo!
Pode ser um sino gigante que repica e convoca para o combate colectivo ecoando em todo o universo...
PÁTRIA QUE EU CANTO
Da Pátria eu canto as gentes, seus encantos,
A lhaneza do trato, a fidalguia
Seus atletas, cantores, os seus santos
O sol brilhante, odor a maresia...
A Pátria é toda a gente, em todo o mundo
É a língua, a cultura, esta sageza
Este sentir a dor, lá bem no fundo
Do Fado... da guitarra portuguesa.
Cantar Portugal é também ouvir
Do povo este clamor, esta ansiedade,
Que pode ser a dor ou... o sorrir.
Tragédia nacional!, calamidade!,
Toque de unir fileiras, reunir,
Repica o sino-Pátria, é verdade!

QUO VADIS EUROPA?




Que Europa vamos ter?
Uma Europa de Liberdade, Justiça social, Igualdade de oportunidades, de progresso sustentado ou...
pelo contrário... Uma Europa de lóbis, de capitalismo selvagem, de crescimento das desigualdes, de uma minoria detendo a grande parte dos bens, concentrando capitais e deixando o exército de pobres e desempregados cada vez mais abundante?
Eu aposto na Liberdade! na justiça social! na igualdade de oportunidades!
A essa Europa (não à outra...) dedico este poema
QUO VADIS, EUROPA?
Europa dos cidadãos
bem sabes que existe um fosso
é preciso dar as mãos
Europa de carne e osso
onde a pobreza campeia
a par da grande riqueza
a miséria é coisa feia
envergonha de certeza
quem prometeu mais justiça
mais equidade fiscal
a promessa é uma premissa
que vemos falsa, afinal
Europa tem de cuidar
da riqueza mas também
da justiça há que tratar
distribuír sim, mas bem,
contrastes são malefícios
sinais de desigualdade
para uns, sacrifícios
outros, só prosperidade
a concentração de bens
numa élite é imoral
mostra que estamos reféns
de um modelo liberal
que só dá péssima imagem
do modelo prosseguido
há que ter outra abordagem
outro rumo, outro sentido,
rumo a maior coesão
e equidade real
assim, temos então
Europa mais social!

sábado, outubro 20, 2007

O POPULISMO VAI NU!!!


O populismo anda aí, completamento ébrio, prometendo mundos e fundos!...
Mas o povo atento já se apercebeu que ele vai nu!
Ó populismo, doce populismo
Que embriagas com termos sedutores
Teu discurso não passa de onanismo
Do redil és rei... já não há pastores.
Às fêmeas tu prometes ser viril
Aos varões tu prometes o sucesso
Aos corruptos garantes metal vil
Aos críticos... tu metes um processo!!!
Tens sorriso rasgado, bem postiço...
Zéfiro te divulga o pensamento
Os zelotes, sicários de serviço
Te bajulam o ego... sem talento!
Dizes sempre: «ganhei! ganhei! ganhei!»
Esqueces que a vitória é um somatório
De factores; quem ganha é, eu sei
Quem mais embriaga o Zé Simplório!
Não, não é de Bocage...
É de rouxinol de Bernardim

Virgolino Carrapato, árbitro honestíssimo!...


UM ÁRBITRO MUITO ATENTO AO "NEGÓCIO"...
(Conto - Pura Ficção)
Desde pequenino que ele queria ser árbitro de futebol. Na escola primária a sua baixa estatura era um complexo permanente. Chamavam-lhe o "garrano", com ar depreciativo...
A Psicologia explica muito bem esta ânsia de notoriedade das pessoas de baixa estatura: alguns procuram impôr-se pelo dinheiro, outros pela sabedoria, outros ainda por cargos em associações ou em partidos políticos. É a mania da compensação. É uma forma de driblar a natureza que nesse aspecto foi madrasta. Alguns conseguem superar esse trauma com dignidade e inteligência. Outros tornam-se excessivamente ambiciosos e capazes das maiores loucuras!...
O "Virgolininho" tinha ânsias de atingir altos patamares. A sua ascensão social começou nos estudos, onde, apesar de nunca ter sido brilhante, foi sempre muito aplicado.
Depois a arbitragem tornou-o conhecido e até invejado. Aparecia nos jornais, na rádio, na TV.
Começou a trepar hierarquicamente. Apercebeu-se que naquele mundo havia algo de subterrâneo que importava conhecer e aprofundar. Meteu-se em esquemas pouco abonatórios mas nunca se queimou sobremaneira. Arriscava pouco.
Um belo dia, teve uma surpresa. Tomou uma opção. Foi apanhado nas malhas da justiça...
Já era conhecido no meio pelo "meio-mil". Este epíteto adviera do facto de cobrar quinhentos contos por cada "jeito". Ele deixava o vidro do carro um pouco aberto e já sabia que o clube da casa iria lá colocar a respectiva importância em cheque. Mandava o filho ao intervalo, ao carro, para confirmar o "óbulo" na "caixa das esmolas". Este confirmava, ou infirmava, pelo telemóvel (para o balneário) e depois ele agia em conformidade...
Nesse tal dia, o filho teve uma surpresa. Em vez do tal cheque de quinhentos contos havia dois cheques: um de duzentos e cinquenta contos (da parte da equipa caseira)... e um de mil (da parte da forasteira)!
O que se havia passado?
Ele facilitou a vida ao da casa, de tal forma que ao intervalo já vencia por 3-0!!!, a equipa visitante, em desespero de causa, e precisando de uma vitória para permanecer na primeira divisão, resolveu jogar forte! Apostou a dobrar na convicção de que o "meio mil" estaria subornado! já se ouvira falar nos hábitos do Virgolino e portanto era previsível que algo de errado estivesse a funcionar, para uma vitória tão folgada, obtida à custa de dois penalties fantasmas e de um livre à entrada da área muito duvidoso...
Ao ver a oferta tão aliciante da equipa forasteira e contrafeito pela falta de respeito pela "tarifa" (os da casa resolveram dar só metade da bitola habitual... confiantes na vitória final...) Virgolino entrou na segunda parte completamente "dopado" pelo vil metal!!!
E foi um ver-se-te-avias: expulsou dois jogadores da casa e de seguida inventou pura e simplesmente dois penalties para a equipa forasteira...
Aquilo era demais! Se na primeira parte havia roubado para um lado, agora era para o outro! O presidente da equipa caseira, vendo a tramóia e suspeitando do que estaria a acontecer, chamou dois amigos que eram agentes da judiciária e rapidamente desenhou uma estratégia para apanhar o Virgolino em flagrante!
De facto o resultado final foi de 4-3 favorável aos forasteiros!
Contudo a parte final desta estória é hilariante e digna de meditação... o filho do árbitro foi ao camarote do presidente entregar o cheque de duzentos e cinquenta contos, rosnando uma ameaça:
__O meu pai é honesto e não se deixa subornar! Tenha cuidado que para a próxima ele denuncia-o como corruptor!Tome lá esse cheque nojento!!!
Disse isto com ar arrogante e recebeu uma sonora gargalhada em troca! Os agentes já tinham filmado tudo e já tinham ido ao balneário dar voz de prisão ao árbitro apanhado em flgrante com o envelope de mil contos que o filho já havia deixado no interior de um jornal desportivo pensando que ninguém se aperceberia...

A Demagogia quer assassinar a Constituição da República!


ELA ANDA POR AÍ! QUER ASSASSINAR A CONSTITUIÇÃO!
ACHA-A VELHA, USADA, ENFIM... IDOSA!
QUER TROCÁ-LA POR UMA NOVA, MAIS ATRAENTE, DE PEITO MAIS FIRME!
Ela já saíu à rua
Quer Nova Constituição
Esta já não serve, não!
Anda p'raí rota e nua!...
Constituição-panaceia
Banha de cobra, sei lá!...
Esta, assim, já não vai lá!
É velha, usada, feia...
Demagogia barata
Patetice desmedida
Uns, querem tirar-lhe a vida!
O ridículo 'inda os mata!
Há que ter discernimento
Há que ter tento e juizo
Bom senso!, é bem preciso
Rir tanto!... já não aguento!...

sexta-feira, outubro 19, 2007

A CARNE É FRACA - Reconversão do Talho Moderno!




Conto moderno...
(Ficção pura)
Foi em Vale do Aço que tudo começou. A cabeleireira, a simpática Genoveva, era um encanto de pessoa. Todas as senhoras gostavam dela: simples, afável, empreendedora e muito comunicativa...
Ali no seu cabeleireiro (Salão das Divas) falava-se abertamente de tudo: dos divórcios, das perfomances sexuais dos maridos, das aventuras de cada uma, nas suas actividades profissionais ou até na própria alcova... Dir-se-ia que para ser uma psicanalista a Genoveva só faltava o divã.
Tinha todas as características para isso.
Entretanto, com a crise a agudizar-se, a emigração dos homens para Espanha, sobretudo, foi um facto não despiciendo. A desertificação deu cabo de muitos negócios. É disso que fala a D. Engrácia, amantíssima esposa do dono do Talho Moderno, sito no lugar de Vilar de Coelhas...
__ Nem imaginas querida Genoveva, o meu marido passa a o dia a ler o jornal já não vai ninguém ao talho...
__A coisa há-de melhorar D. Engrácia. Há que ter espírito positivo. Eles dizem que está para aí a chegar aquela coisa da "retoma" ou o diabo a quatro, espero bem que venha cedo... já não suporto esta maldita crise.
__Nem eu! __ ajuntou ladina e atenta, a D. Filomena, queixando-se das longas ausências do marido lá pata terras de Espanha. __Imaginem lá que até já tenho "teias de aranha", desabafou ela, com ar infeliz...
Enfim, a vida ia de mal a pior. Só se safavam meia dúzia de grandes empreiteiros que financiavam as campanhas eleitorais e andavam sempre atrás do presidente da câmara. Esses sim, viviam nas suas mansões, com carros de luxo, frequentando os melhores locais de Vale do Aço e redondezas. Até que um dia... a novidade chegou ao salão das Divas como bomba de neutrões!
O caso não era para menos. O Talho Moderno fora encerrado! foi reconvertido...
A curiosidade crescia como se fora água em fervedura!, as gentes andavam intrigadas. O marido da D. Engrácia, o popular Macedo das Bexigas, colocara um reclamo luminoso onde se podia ler
"Pecado da Carne" e mais abaixo, em letras miúdas: "A carne é fraca!"
Toda a gente andava intrigada. O negócio corria de vento em popa. Cochichava-se que poderia estar a vender carne de contrabando. "Carne chinesa" diziam uns. "Brasileira" diziam com ênfase outros mais confiantes e com certa ironia no olhar...
Durante o dia o movimento era pouco, mas à noite, sobretudo, era enchentes de clientela. Vinham de freguesias vizinhas. E, sobretudo, homens...
D. Engrácia não cabia em si de radiante.O marido sorria e mostrava boa disposição permanente. A crise tinha sido habilmente ultrapassada. Até se mostrava mais elegante e leve...
A explicação para esta "leveza" foi dada por uma vizinha:
__D. Engrácia, tenha cuidado que o seu matido anda a "saltar a cerca"...
_"Pular a cerca", o meu marido?! Não pode ser...
Mas, para tirar as dúvidas, foi espiá-lo ao talho, à noite... Ficou deslumbrada. Explicou então, no cabeleireiro, a natureza do negócio:
__Olha Genoveva, eu nem queria acreditar. O Talho Moderno agora funciona sem carne. O negócio é simples. Há umas brasileiras semi-despidas que se agarram a um ferro a fazer ginástica, e os homens, de copo na mão e a olhar pasmadinhos da Silva para aqueles exercícios engraçados. Depois, elas (outras mulheres...) vão às mesas e fazem massagens às carteiras deles para irem mais aliviadas do stress.. eu não me importo com elas, só sei é que desde que o talho foi reconvertido o negócio aumentou muito. O que importa, como diz o nosso presidente da câmara na altura das eleições, o bondoso Dr Simplício, é ganhar! ganhar! ganhar! "Os fins justificam os meios", "a mão direita não olha ao que faz a mão esquerda"...
Era toda alegria e entusiasmo. E rematou com este desabafo:
_Olha, tu não digas nada, mas vi lá todo entusiasmado com uma brasileira, o padre Luís, ele usava uma barba postiça e fez-me sinal com o dedo no nariz para não o denunciar... claro que não o farei... nem ao juiz, o Dr Furibundo, que lá estava num canto bem escuro, escondido atrás de um bigode postiço a fazer umas massagens a uma brasileira que se queixou de ter dado com as nádegas no ferro dos exercícios... tudo gente da alta, nem imaginas...
O "salto tecnológico" de que o governo falou, teve aqui, nesta "reconversão", neste "salto em frente" um exemplo de sucesso. Enfim, desta forma original chegou a tão famigerada "retoma" a Vale do Aço... Razão tem o Dr Simplício, o presidente: "o que importa é ganhar! ganhar! ganhar!"

quinta-feira, outubro 18, 2007

A Velha Canga - Conto Moderno


A Velha Canga, agora no museu municipal, reconheceu o emigrante e... falou-lhe!...
O Celestino Abrantes finalmente regressou à sua aldeia natal. Depois de uma autêntica odisseia por terras do Canadá, lá conseguiu uma reforma antecipada e regressou de vez. Na casa nova, com a esposa (a ainda fresca e risonha Noémia) vive com certa tranquilidade e desafogo. Tem o pequeno quintal/horta para se entreter e visita a casa da irmã (Leopoldina) com frequência.
De facto, os dias estão sempre preenchidos. E ainda bem.
Há tempos resolveu ir visitar o museu lá na sede do concelho. Pegou no carro, um velho Peugeot, já a precisar também de uma reforma (esta, não antecipada), meteu as sobrinhas (a Sofia e a Bárbara) lá dentro e toca de viajar.
Já dentro do museu algo lhe chamou a atenção. Pregada a uma parede (tal como Cristo na cruz...) estava uma velha canga, daquelas que se usavam antigamente para conduzir os bois a puxar os carros antigos. Era agora peça decorativa. Já sem serventia alguma era uma relíqua de um passado distante. O Celestino reparou bem nela e pareceu que ela lhe sorriu...
Em criança muitas vezes levara o carro de bois à feira com hortaliças e diversos materiais. Enfim foram tempos duros e difíceis aqueles. Enquanto meditava neste passado já longínquo notou que a canga sorria, um sorriso virtual, diria, mas mesmo assim um estranho sorriso...
aproximou-se mais e... ela falou assim:
_Então Celestino lembras-te de mim?
Ele nem queria acreditar. As meninas ficaram estupefactas e quiseram fugir! Ele, conteve-se, deu um beliscão na face, e disse:
__Foste tu que falaste, canga?
_Claro que fui! __ respondeu ela toda lampeira... __Tenho tantas saudades daqueles tempos. Tu ainda eras um menino com dentes de leite e já chamavas aquela junta de bois, o Safado e o Carrasco, ainda te lembras dos nomes?
Palavra puxa palavra e o diálogo aconteceu perante a incredulidade das meninas, as espantadas Bárbara e Sofia. Era um milagre autêntico. Nunca se ouvira falar de tal coisa!
__Sabes o que me levou a falar-te? __ disse a canga. __É que tu eras uma pessoa boa e correcta, sempre gostei muito de ti, tinha tantas saudades tuas. A saudade impeliu-me a dirigir-te a palavra. Deus deu-me esse dom.
_-Ainda bem que assim é. Olha, não te sentes aqui prisioneira, um simples objecto decorativo sem utilidade?
__Enganas-te. Eu agora reciclei-me...
__Como assim?! __ rematou, semi-estupefacto, o aparvalhado Celestino.
_Eu deixei o cachaço dos bois e passei para o das pessoas. Ando por aí. Espreita por essa janela e verás...
Celestino olhou e viu o dorso muito curvado do professor Epaminondas. De imediato inquiriu a canga:
__Então que andas lá a fazer?
__Olha Celestino, o professor Epaminondas tem uma carga muito pesada, um jugo muito violento. São alguns alunos que o maltratam, insultam, furam os pneus ao carro quando as notas são baixas, enfim, um pesadelo...Maldita canga ele tem, coitado...
Olhando através da vidraça apareceu o rosto de um senhora muito amiga da esposa, da Noémia. Era a D. Gertrudes, a cabeleireira. Parecia carregar um peso enorme. Antes que ele a interrogasse, a velha canga explicitou:
_Olha Celestino, essa, traz a canga matrimonial. O marido, o Chico Polícia, farta-se de lhe dar porrada, às vezes dizem que até usa o cassetete...
A procissão ainda ia no adro. Seguiu-se o farmacêutico, o Dr Peliteiro, com ar pesado, soturno, um enorme peso sobre os ombros. Ela disse então:
__ Coitado do farmacêutico, anda com os fiscais das finanças à perna o tempo todo, nem respira.
É a canga fiscal. Não vai longe. Farta-se de pagar impostos. Tem um ódio de morte ao ministro da saúde. Se pudesse esganava-o... Mas está podre de rico.
Ao longe já se divisava o ar tristonho e sisudo do senhor Evaristo, do mini-mercado (outrora mercearia). Será que também carregava alguma canga? Ela afiançou que sim.
__Sabes Celestino, o Evaristo casou com uma ninfomaníaca. Era essa que tu conheceste na escolinha, a Fernanda, sim a Nandinha das tranças pretas, essa mesma. Passa a vida a passear pelos cafés e à noite vai muito para os lados do Porto. Leva com ela uma peruca loira e diz que é ucraniana, intitula-se de Olga Kaslasvska. O resto estás a imaginar... Enfim um jugo matrimonial bem difícil este o do Evaristo...
O pobre Celestino estava que nem o chapéu de um pobre: todo amarrotado, com a alma esmurrada pelo efeito surpresa! Todo o povo andava subjugado à canga!
Ao longe vislumbrou a figura do presidente da câmara, o Dr Toucinho. Será que também ele terá uma canga, pensou lá com os seus espantados botões?
A canga, ela própria, esclareceu:
__ Coitado do Dr Toucinho anda sempre sob o jugo dos promotores imobiliários: não faz nada sem os consultar. E pior ainda: tem uma trela enorme...
__Uma trela?!
_Sim, sim, anda atrelado aos lóbis do betão!!!

Dissertações sobre as pobrezas ( a de espírito e a outra...)








A pobreza ainda é um dos maiores cancros da sociedade moderna.



De quem é a culpa? De todos nós, que pactuamos com um sistema obsoleto que gera Midas (fruto da mãe-corrupção) e lança na vala comum da miséria a grande maioria da população.


Obscenidade maior que esta não existe!




Quando se fala em pobreza, normalmente não vamos às causas profundas, às origens do mal.A corrupção e políticas neoliberais baseadas em paradigmas IDIOTAS são a fonte de todo o mal.


Vejam as fortunas e as loucuras cometidas por alguns responsáveis políticos com foguetórios loucos, com festas de arromba, só para exibirem o seu ego ostentatório e ridículo. Os fins-de-ano na Madeira, que loucura! As rivalidades doentias entre Porto e Gaia (quem não se lembra?)qual deles o mais gastador, o mais exibicionista, o mais perdulário?



A santa madre igreja também tem culpas no cartório. Se por um lado faz apelos à caridade (e fá-lo bem) por outro não critica (antes incentiva) todo um estendal despesista que se consubstancia em festarolas de arromba, com foguetório a atingir as raias do absurdo. Quanto desse dinheiro mal gasto não daria a vida a tantas criancinhas esfomeadas.?.. Quem disser mal disto é considerado anti-clerical, cabotino, sei lá, talvez até "invejoso"... alguns padres têm adjectivos para catalogar toda a gente! Eu já fui vítima de tantos, que nem sei...



As festas religiosas são das coisas mais aberrantes que conheço. Manifestação de vaidades pacóvias, pretextos para banhos de multidão saloios, locais de ostentação de vaidades mundanas sem conta... Locais de promoção política e até de assédio...



Os municípios também têm das festas uma concepção oportunística e populista, onde são elevados ao máximo expoente a hipocrisia, o farisaísmo, a orgia despesista mais ridícula, para satisfação de meia dúzia de egos emproados, de líderes vazios de ideias mas recheados de pobreza de espírito! Essa pobreza também precisa de ser erradicada quanto antes!



Se querem venerar (e não "adorar" como estupidamente alguns autarcas apregoam...) um santo, que o façam com recato, com espiritualidade, com manifestações apropriadas e não recorrendo a manifestações pagãs sem qualquer conteúdo . Aceito de bom grado a exibição de bandas de música (que merecem ser acarinhadas) mas o exibicionismo saloio de foguetórios doentios e atentatórios do equilíbrio ecológico e potenciadores de fogos, é de um mau gosto lamentável...



À falta de melhor, alguns presidentes de câmara (falo de quase todos) usam e abusam do recurso a estes expedientes para se promoverem, se pavonearem, para se porem em bicos de pés perante um povo pouco esclarecido, pouco dado a aprofundar estes macanismos de ostentação de vaidade e de megalomania despesista!... O povo cala e consente! O povo, dizem eles, "gosto disto"!...



O povo sabe do que falo. O povo que passa necessidades quando lá passam à porta a pedir para estes foguetórios diz na sua profunda sabedoria: "quem muito pede muito fede!"



Enfim, há que erradicar a pobreza poupando e dando uma imagem mais racional da admisnistração; instituições de caridade precisam de apoios, sim, há que pensar mais nelas e menos nos foguetórios ostentatórios que são uma mina para alguns pirotécnicos mas são fonte de despesa e por vezes de situações catastróficas( já vi barcos serem incendiados por fogueteiros sem bom senso nem o mínimo de sanidade).

Que se faça uma festa ao bom senso e à modéstia, esses sim, precisam de ser acarinhados...

quarta-feira, outubro 17, 2007

Jardim condiciona discurso de Cavaco?!




«Ele que nem pense dizer na Madeira o que disse nos Açores!»
«Calma, calminha rapaz, andamos aqui ao mesmo!»
Será tentativa de condicionar o discurso do PR?!
Será que o PR vai lá curvar a espinha e prestar vassalagem ao "soba" (como ele pretende)?
Já é tempo de termos um Presidente de todos os Portugueses!
Aqui vai uma descodificação (fictícia) da mensagem subrepticiamente enviada por um ao outro...
NA MADEIRA MANDO EU, ATÉ NO PENSAMENTO DOS OUTROS...
OS DISCURSOS TÊM QUE SER COMO EU QUERO!
Professor Silva, cuidado,
nesta terra mando eu
dizem que sou apancado
que sou meio endiabrado
mas jamais aqui venceu
alguém que não o Betinho
este Jardim com mil flores
quero um discurso certinho
e bata a bola baixinho
Madeira não é Açores!
aqui há autonomia
e quero que fale dela
Continente é porcaria
porcos cubanos diria
a comer numa gamela...
do Sócrates diga mal
chame-lhe "grande faxista"
naquele exame final
nunca se viu coisa tal
usou fax, esse golpista...
diga mal dos socialistas
não gostam da autonomia
tal e qual os comunistas
uns colaboracionistas
sofrem de esquizofrenia
não me fale em liberdade
ou défice dela, não!
fale com sinceridade
na minha cumplicidade
na sua grande eleição
lembre-se que aqui ganhou
passaporte p'ra Belém
o povo em massa votou
cobrar factura aqui estou
de mim vai ser um refém
e se quer ser reeleito
venha cá gabar a gente
a obra que tenho feito
curve-se!, deixe o seu preito
ao Betinho presidente
eu quero um discurso assim:
engraxando a autonomia
está a engraxar-me a mim
justificando assim
esta gerontocracia!
Nota final: humildemente peço desculpa se não interpretei fielmente a mensagem consubstanciada naquele repto que encima o texto.

Novo Código Penal - morte anunciada?






Será que há abutres na Justiça? Se houver há que os denunciar!...




Dizem que é feito à medida

De um processo na berlinda

Visa uma airosa saída

Ao processo que não finda.



Prazos curtos, sim senhor,

Mas maior celeridade

Não podem ser um factor

De irresponsabilidade.



Direitos e garantias

Há que dar com equidade

Podem ser bem tortas vias

P'ra distorcer a Verdade!



Libertar os criminosos

E fugas potenciar

Justiça de mafiosos

Temos que denunciar!



Há que alterar sem demora

Os pecadilhos da lei

Libertar a cem à hora

Também é crime, bem sei.



Fazer fatos à medida

Só gera desconfiança

Transparência prometida

Desta forma não se alcança!



Será para deitar fora

Este Código Penal?

Ele é, já ninguém ignora

Perigo potencial!

terça-feira, outubro 16, 2007

Tratado de Lisboa: a cereja em cima do bolo!

O Tratado de Lisboa será um marco de referência obrigatória na eurolândia...
EUROPA COM MATRIZ
A eurolândia já tem Magna Carta
Tratado que define a arquitectura
Alicerces bem sólidos procura
Nova etapa se quer que daqui parta!
Transparência, rigor, frontalidade,
Um critério uniforme, uma matriz
Se pretende criar, sendo raiz
Legal da euro-funcionalidade.
Traves-mestras, balizas colectivas,
Garantias, direitos e deveres,
Um somatório amplo de saberes
Unindo pátrias, gentes, forças vivas.
Tratado de Lisboa não será
Um factor de bloqueio ou um travão
Mas deverá unir e dar coesão
Ao futuro que o mundo nos trará.

Será que a banca também tem ponto "G"?!

EROS AO PODER!
FINALMENTE, UM PRÉMIO NOBEL PARA PORTUGAL!!!



Consta que vai ser atribuído o Prémio Nobel da Generosidade a um banco português. Consta que o júri já escolheu o banco e há unanimidade total.

Trata-se de um banco onde pontifica um senhor que dizem pertencer à "opus Dei" e que acha que a caridade começa em casa, na própria família...

É sabido que as mulheres têm um ponto especial onde a sensibilidade erógena atinge o auge, é um local muito íntimo onde o pudor não penetra, onde a generosidade e o prazer atingem o clímax. O prazer de dar e o prazer de receber se entrechocam numa amálgama sensorial que, dizem, foi elaborada pelo Criador com o propósito (único e exclusivo, segundo alguns fundamentalistas) de fomentar a procriação, evitando assim a extinção da espécie...

Na banca, esse ponto nevrálgico também existe (soube-se agora), e o prazer de dar e o prazer de receber têm um lugar geométrico bem definido; o crédito mal parado passa a perdão definitivo e atinge-se o auge, o clímax, o êxtase completo. Foi criador deste ponto "G" um conhecido banqueiro que ora muito e ora bem. Ora, isto já não é de agora. Ora, isto tem muito que se lhe diga. O prazer, o orgasmo da dádiva generosa, deverá ser extensivo a todos, deverá ser difundido urbi et orbi? Crescer e multiplicar este prazer inefável será o desiderato último deste banqueiro que adora ser falado pela sua generosidade, a sua caridadezinha sempre tão prestimosa.

Será tal como o sol, nascerá para todos, o tal inefável prazer do perdão, o incomensurável orgasmo da generosidade vibrante e capaz de conduzir ao éden os seus beneficiários?

Em democracia há igualdade de oportunidades, deve haver dadores infindáveis para que o prazer não tenha limites, ou que o limite seja o céu...

Enfim, este Prémio Nobel tem contornos eivados de eroticidade pura, mesclados de uma racionalidade económico-financeira onde Eros se implanta e é elevado ao máximo expoente, por obra e graça de uma estratégia onde o economicismo puro e duro é colocado entre parêntesis.

Há um denominador comum: o prazer de dar é directamente proporcional ao prazer de receber, ficando tudo em família...

Consta que no comité Nobel há uma certa dose de inveja latente, estando por um fio esta atribuição que seria tão original e tão credora dos maiores e mais rasgados elogios por parte da comunidade científica. A inveja, esse erva daninha sempre presente para ofuscar o prazer, dá pelo nome de Erva Berarda, e cresce ali para os lados da Pérola do Atlântico.


Enfim, o "ponto G" da banca é algo de inovador e terá um efeito de arrastamento inolvidável, se vier a ser seguido por esse mundo fora. O prazer é um direito de todos, até da banca. O hedonismo financeiro tem aqui um toque de classe, uma quinta-essência capaz de fazer frente aos choques tecnológicos mais bizarros que por aí se vão badalando (por parte deste governo) mas são incapazes de rivalizar com esta inovação tão eloquente, este fenómeno de puro êxtase!...

Será que as entidades fiscalizadoras ficarão também seduzidas pelo modus operandi e darão o seu aval ao orgástico "ponto G"?!

A interrogação anda no ar como perfume afrodisíaco capaz de seduzir o mais incauto...

domingo, outubro 14, 2007

A Virgem Agora Falou! Milagre dos Milagres!



Era digno de se ver
Lá ia todo lampeiro
A Fátima e ao Sameiro
Era preciso vencer!

O clube do coração
Tinha sempre que ganhar
A derrota, nem pensar...
Parecia uma obsessão!

Era paixão doentia
Rezava que se fartava
À Virgem lá implorava
A Fátima... a pé lá ia!...

A Virgem falou um dia
Milagre 'inda hoje lembrado
Disse-lhe que era pecado
Aquilo que lhe pedia!...

Toda a gente ouviu a voz
E ficou a meditar
Era pecado rezar
Mas que coisa mais atroz!!!

Ela falou de voz viva
Estrava mesmo zangada:
«NÃO PODE SER VICIADA
A VERDADE DESPORTIVA!»


«DEUS, ESSE JUIZ SUPREMO
NÃO SE DEIXA SUBORNAR
O MELHOR DEVE GANHAR
NO JOGO, LÁ NO TERRENO!»


NOTA: COM A DEVIDA VÉNIA ESTE POEMA FOI EXTRAÍDO DO SEMANÁRIO SOL (RUBRICA BLOGUES) :- sol.sapo.pt/blogs/ramodebarro


NOTA DO AUTOR: Com respeito pelas coisas de Deus deve-se dizer que isto é ficção; mas a ficção procura estar de bem com a pedagogia.Era bom que alguns senhores lessem este texto e meditassem. Julgam que o dinheiro tudo compra mas a Deus não conseguem subornar.

FÁTIMA: um mar de Fé, um oceano de galvanização!

O milagre de Fátima! A dança do sol! A luz e a sombra...




Fátima sempre me apaixonou desde criança. O milagre do sol, a adesão popular. Os sacrifícios de tanta gente para lá ir, mesmo a pé, mesmo contra a fúria dos factores atmosféricos...

Quando lá estou se cruzam em mim dois sentimentos: aquele entusiasmo, aquele frenesim, aquela paixão sagrada... mas também há algo em mim que me leva a fazer um travão a essa euforia, um apelo à serenidade, à lucidez, ao pensamento mais profundo!

Quando ouço pessoas a descreverem o milagre do sol e falam em dança acentuada, em flores caindo do céu, eu fico sempre de pé atrás. E interrogo-me, como o fez um irmão da Lúcia, que abertamente proclamava que só lá foi com medo que lhe batessem... ficou a cerca de cem metros do local e honestamente diz que nada viu e nada ouviu: nem sol a girar, nem nuvem com a Senhora, nem luminosidades fora do comum! nada!

A Igreja investiga um possível milagre. Prudentemente recua. Não aceita, para já, a hipótese de cura miraculosa. A lucidez e o bom senso a imperar.

Pergunto a mim próprio se alguma vez a Igreja se deu ao cuidado de investigar o tal milagre do sol?! Se o fez, a que conclusões chegou? Qual o grau de visibilidade do alegado fenómeno?

A fé é uma dádiva divina. Mas o bom senso, a lucidez também.

Era bom que se aprofundassem, com sentido clarificador e pedagógico (erradicando-se visões distorcidas ou facciosas de uma realidade eventualmente não devidamente explanada) todo o fenómeno adjacente ao chamado milagre do sol.

Era bom que fossem convidados especialistas em psiquiatria, medicina, psicologia e outras ciências afins , para se aprofundar a temática e todos as possíveis causas do extraordinário evento. A teoria de fenómeno extra-terrestre (ainda que um pouco leviana, quanto a mim...) também deverá ser equacionada.

Sempre fui a favor do aprofundamento da fé. Sempre defendi que se expurgasse (como muito bem tem feito a Igreja, só que tarde e a más horas...) tudo o que é supérfluo e pouco digno de crédito, a fim de dar mais força ao que importa relevar, de facto. A ingenuidade e a boa fé, quando excessivas, podem ser aliads da má fé. Sei bem que há fenómenos paranormais que, amiúde, não passam de manifestações do próprio espírito, como a auto-sugestão, certo misticismo patológico, certa histeria de pendor psíquico.

Conheço bem as malfeitorias de alguns políticos que, querendo fazer-se passar por "santos", não perdem uma oportunidade para se "colarem" oportunisticamente a tudo o que é sacro, com um afã sacralizador digno de estudo científico! Quem diz políticos diz dirigentes desportivos ou outros agentes sempre à cata de mediatismo fácil. Desses é que eu tenho medo; não temor, como é óbvio, mas receio que se sirvam da crença e do frenesim gerado pelo fenómeno religioso para colherem dividendos de diversa índole, para se alcandorarem ao coração das gentes à custa da partilha (muitas vezes hipertrofiada) de sentimentos tão ricos e imbuídos de ingenuidade pura.

O fenómeno Fátima merece profundo respeito. Mas também profunda investigação. A Igreja, principal interessada, deveria investigar a fundo toda a problemática do milagre do sol e emitir uma opinião abalizada. Deus não pune o pensar, o investigar, o aprofundar a fé. Só pensar o contrário é sintoma de má-fé.

De má-fé está o mundo mediático cheio. Mas tenho fé que a desmistificação (do que for desmistificável) surja, para reforço da verdadeira fé.

sábado, outubro 13, 2007

Al Gore, Nobel da Paz!


Ao galardoar o mediático cidadão norte-americano o comité Nobel quis, certamente, acentuar a importância da preservação do meio ambiente, neste século xxi carregado de incertezas e pautado por contradições insanáveis.
A ânsia desenvolvimentista, o desprezo por certas normas e concordatas (protocolo de Kyoto, v.g.), tem sido uma imagem de marca deste bushismo do nosso descontentamento . Assim, ao premiar um norte-americano, o comité Nobel quis dar passos no caminho certo, quis apontar rumos, pretendeu fazer opções...
Parabéns ao premiado e aos autores da iniciativa. A Terra agradece!

sexta-feira, outubro 12, 2007

Canibalismo no século XXI!



Na mente de certos homens a fêmea é um petisco comestível. E há quem se sirva delas como petisco gastronómico. A humanidade regrediu. No dealbar do sec xxi o canibalismo regressa.


Foi na cidade do México. Um escritor conhecido, de nome José Luís Calva, estava noivo de uma farmacêutica (Alexandra Galeano, de 30 anos).

A sua afeição foi levada aos limites, pois além de a amar quis saborear o seu corpo noutra vertente: a gastronómica...

Foi surpreendido pela polícia quando tranquilamente cozinhava um braço, devidamente temperado com limão, enquanto o resto do corpo, devidamente esquartejado, aguardava por melhor oportunidade!
A humanidade retrocedeu à Idade Média, o nível de alienação é tão elevado que coisas espantosas acontecem fruto de mentes obnubiladas por uma líbido degenerativa que descamba para a sordidez, a barbárie mais repugnante.
E o que é grave é que não era um indivíduo de baixo índice de instrução, não era um arrumador de carros ou um lavador de latrinas...

Ainda há alguns meses um engenheiro informático, na Alemanha, fez o mesmo com um amigo que alegadamente se "ofereceu" para ser comido...

Serão efeitos maléficos do buraco na camada de ozono?!

quinta-feira, outubro 11, 2007

Igreja cultua o poder?!...

Bento XVI depois de mandar extinguir o limbo, será que vai mandar extinguir a confissão? Depois de ler este artigo (que já enviei por e-mail para o Vaticano)
talvez algo de inovador, no aspecto doutrinário e até na própria liturgia, possa surgir. Aquando da extinção do limbo também foi assunto alvo de muita polémica mas só teve uma saída digna: a sua extinção pura e simples!....



A Igreja católica ao longo dos tempos tem tido uma postura questionável no tocante às relações com o poder. O termo nepotismo, hoje muito em voga para catalogar certos comportamentos de alguns políticos, tem a sua origem num papa que colocava os seus sobrinhos (nepos...) em locais chave da administração, procurando dessa forma uma hegemonia e um crontrolo do poder.

É óbvio que a igreja já se penitenciou dos seus excessos. As prepotências e os crimes da Inquisição foram alvo de condenação pelo mundo civilizado. Contudo, a Igreja retracta-se a posteriori. Muitas vítimas da Inquisição morreram e ficaram com a sua reputação manchada e não receberam qualquer pedido de desculpas ou foram sequer reabilitadas por ela. Os danos perpetrados ficaram impunes, na época.

Agora, na Argentina, o padre Christian Von Wernich, sacerdote católico e ex-capelão da polícia de Buenos Aires foi condenado a prisão perpétua por crimes contra a humanidade. Dentre eles
destaca-se a colaboração activa em sete homicídios qualificados, 31 casos de tortura e 42 de privação ilegal de liberdade.

Segundo diversas testemunhas, provou-se que o sacerdote se oferecia para confessar os detidos com o objectivo de sacar informações e depois transmitia-as aos torturadores. Enfim, tão nefandos crimes deixaram um rasto de vergonha em todo o Episcopado argentino e mundial.

Vem a talhe de foice citar um caso ocorrido na Polónia em que um alto eclesiástico ao tempo da ditadura ( do general Jaruzelski, afecto a Moscovo...) dava informações à polícia secreta para que alguns cristãos fossem detidos e torturados.

Já era tempo de a hierarquia da Igreja católica repensar os moldes em que se pratica a confissão. No tempo de Cristo não tinha o carácter inquisitorial de que se reveste hoje (estes moldes são medievais e surgiram apenas aquando da implantação da Inquisição). Trata-se de algo de aberrante que ainda subsiste apesar dos abusos, das safadezas e das potencialidades nefastas que lhe podem estar subjacentes.

Já ouvi pessoas dizerem que os padres procuram junto das crianças saberem coisas que não são de sua conta, às vezes subtis formas de intimidação (sedução?) que resvalam não raro para a pedofilia (caso do arcebispo e alguns padres de Boston nos EUA). Por vezes fala-se em aliciação sexual descarada (mesmo a mulheres casadas) dando uma imagem muito negativa da própria instituição. Foi muito comentado o caso de padres, no continente africano (sobretudo) apanhados a seduzirem freiras através da confissão e usarem esse ascendente para as subjugarem de forma despótica.

Era tempo de Bento XVI dar uma varridela nestes modus operandi que não dignificam a prática religiosa. Eu próprio já vi um padre recusar a comunhão a uma senhora, de forma ostentatória, visando a humilhação pública da pessoa, não se coibindo de dizer publicamente a razão do seu acto!

Este comportamento que reveste um nítido abuso de autoridade (quem é o padre para saber se a pessoa está em pecado ou não?! Teria ido confessar-se a outra paróquia? Teria realmente o pecado de que ele a acusava?) e tem um notório pendor inquisitorial, é digno de meditação (bem profunda) por parte da Igreja católica. É óbvio que se a visada fose uma política ou uma presidente de câmara, o pároco não fazia aquela cena patética e humilhante.

Ainda há dias vimos na TV, um conhecido cónego, fazer nítida pressão sobre a justiça, num jantar de solidariedade a um empreiteiro bracarense acusado de corrupção em Lisboa, dando uma péssima imagem da própria instituição a que pertence. Casos destes repetem-se amiúde com padres a lamberem botas a autarcas, tantas vezes mais enlameados que hipopótamos na selva africana!

A Igreja deve tomar providências sobre tudo isto. A confissão é um notório resquício da Inquisição e nem no tempo de Cristo revestia este carácter medival!

Este caso da Argentina, em que o padre usava a informação colhida na confissão para servir o poder, um poder despótico, torcionário e terrorista, é lapidar e digno de meditação por todos, incluindo os doutores da Igreja.

Há que dotar a Igreja de uma nova doutrina, de um novo paradigma, mais virado para a ética e
para o saneamento cívico e deontológico do que para esta aberrante prática susceptível de execráveis aproveitamentos. Os padres hoje são-no, mas amanhã poderão deixar de o ser, deixarão de estar vinculados a determinados requisitos. Eles poderão até adoecer (doenças do foro psíquico ou similares...) dando azo a situações constrangedoras e a aproveitamentos aberrantes (assédios sexuais, chantagens, aproveitamentos políticos).

Como conclusão, importa referir que não se pode derramar sobre toda a Igreja a lama ignóbil que um ou outro dos seus elementos vão lançando; mas importa criar mecanismos de protecção da própria instituição, sob pena de haver uma generalização abusiva e aberrante desta prática, que é de facto uma praxis completamente iníqua.

Como exemplo citarei um despacho de Conselho Superior da Magistratura aconselhando os seus membros a não se envolverem no futebol, dada uma certa promiscuidade geradora de mal-entendidos e de suspeições. Ou seja, a mulher de César além de ser séria, deve também parecê-lo!

Da mesma forma que a magistratura deve estar ao abrigo de situações pouco dignificantes também a Igreja católica deveria criar uma protecção para situações similares. Na minha modesta opinião, a confissão nos moldes actuais, deveria ser extinta, para bem da própria Igreja, para salvaguarda dos seus membros e para defesa de todos os fiéis.

Enfim, "a mulher de César precisa de ser séria e de o parecer, também"!

NOTA: Este apontamento doutrinário foi enviado ao Santo Padre, o Papa Bento XVI.