rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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quarta-feira, outubro 10, 2007

Aplauso e alvitre...


O emigrante e/ou imigrante é digno de toda a atenção. Todos os esforços para que melhor se adapte são bem-vindos!
Algumas câmaras municipais têm vindo a criar gabinetes de apoio às comunidades migrantes com o objectivo de auxilar de diversas maneiras estas comunidades. O seu enraizamento é importante para uma certa estabilidade familiar e até para se evitarem situações de marginalidade sempre pouco dignificantes.
Um marginalizado é sempre um perigo potencial.Há que dar as mãos aos que estão de novo cá e aos que regressam depois de uma longa odisseia por outras paragens.Problemas burocráticos, de diversa índole, serão sempre melhor resolvidos com uma estrutura de apoio vocacionada para isso. O governo tem tido a sensibilidade para dar seguimento a esta política. Ainda bem que assim é. Não seria de esperar outra coisa.
Uma sugestão às autarquias aqui lanço: por que não um gabinete de apoio às paróquias?
Estas entidades dão apoio espiritual mas também bastas vezes auxílio de diversa índole a segmentos sociais carenciados. A terceira idade e a infância são muitas vezes apoiados pelas estruturas da igreja. Era bom que estas iniciativas fossem acompanhadas por uma estrutura ligada ao poder local a fim de se poderem adoptar critérios de seriedade e de razoabilidade na atribuição dessas ajudas.
É lamentável verificar as idas dos párocos, de chapéu na mão, com ar mendicante, aos presidentes de câmara, criando uma dependência pouco dignificante para ambas as partes. Não é bonito ouvir discursos sabujos e laudatórios de párocos aos presidentes de câmara, nas homilias dominicais, pois isso é fazer política no pior sentido do termo. Os presidentes não dão do bolso deles, limitam-se a gerir a coisa pública e devem fazê-lo com isenção e imparcialidade.
Assistimos a formas de "captura moral" de contornos pouco edificantes. Há tempos um pároco dizia-me que era democrata-cristão mas votava de outra forma por uma questão de gratidão. Falei-lhe em hipoteca moral, em quase prostituição cívica; não gostou. Não aprecio as referências vindas nos jornais oficias aos padres que tecem panegíricos ao poder local.
Não me satisfaz, como cidadão independente e politicamente apartidário, ver padres nas comissões de honra no apoio aos autarcas. Acho que é uma forma pouco ética de ser padre. Deveriam agradecer sim, mas não fazer eco público dessa gratidão sob pena de parecer um pagamento de uma factura.
Dever-se-iam adoptar critérios uniformes para todas as paróquias (número de habitantes, actividades e centros existentes) evitando-se a política de chapéu na mão, de subserviência e de cumplicidade tão em voga nalguns municípios.
Os gabinetes de apoio seriam locais onde se estudariam as diversas modalidades e as finalidades objectivas. Evitar-se-ia o clientelismo tão pouco ético existente nalgumas paróquias em que, o padre mais sabujo e mais servil é o mais contemplado, enquanto que o outro, que é isento, imparcial, é marginalizado ou pouco contemplado com ajudas do poder político instalado.
A César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Há situações nalguns municípios em que é confrangedora a capacidade de captação (passe o eufemismo...) do poder político; dir-se-ia que conseguem dobrar a cerviz aos mais erectos e mais dignos. As paróquias e as freguesias devem caminhar lado a lado mas com independência e sem constrangimentos de qualquer tipo.

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