quinta-feira, dezembro 04, 2008

Florbela, meu amor!...


Já faleceu há tantos anos, já passaram tantas primaveras, tantos por-do-sol, mas a sua mensagem sensual, a sua ânsia de um amor pleno e apaixonado, continuam presentes no nosso imaginário.

Quem não gostaria de receber um poema como este?!



Se tu pudesses ver-me....



Se tu viesses ver-me hoje à tardinha
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha
E me prendesses toda nos teus braços...



Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...


Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha... e canta e ri...



E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

Nota final: Isto sim, é amor, é paixão, é ânsia pura de um amante que tarda em chegar. Mas que será devorado pela sua sede de amar...
Era assim naquele tempo de tabus, mistérios, censuras, repressão da líbido. Imagino Florbela como uma Brigitte Bardot nos tempos áureos, uma Ursulla Andrews (como Bond girl...) ou uma Soraia Chaves de antigamente, uma mulher muito à frente do seu tempo e vítima desse desfasamento temporal. Enfim, as pérolas literárias nascem assim, por força deste desajuste, talvez como as pérolas autênticas, que são fruto de uma disfunção na ostra... é nesse combate ao tal desajuste que nasce a preciosidade...

Florbela, vou corresponder ao teu apelo. Esta noite contigo estarei. Amanhã darei conta do nosso encontro. Não me desiludas...

2 comentários:

Blog do Beagle disse...

Olá, vim agradecer sua visita ao meu cantinho e me deparei com Florbela, linda, lírica, apaixonada. Conheço pouco da obra dessa poeta, mas tudo aprecio. Obrigada. Elza

heretico disse...

"disfunção da ostra"! nem mais...
"linda e louca", sem dúvida...

abraços