rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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domingo, junho 29, 2008

O tesouro escondido!



O tesouro do séc XVI, com jóias lindíssimas, de um pirata famoso...
Às vezes, em conversa de ocasião, ia dizendo a Sandra que era um tesouro; pela simplicidade, pela descontracção, pelo humor e sarcasmo sempre permanentes. Mas a vida tem destas coisas, os tesouros materiais também podem surgir inopinadamente. Foi o que nos aconteceu...
A manhã já ia alta e o calor apertava. Debaixo de uma sequóia gigantesca procurámos a sombra protectora. Sandra até comentou:
__Imagino que com este calor a Califórnia esteja sob fogos descontrolados, como já vai sendo habitual. Tanta riqueza florestal se perde, prejuízos imensos para a humanidade. Quem sabe se na Grécia ou na Austrália o cenário não será idêntico? Nós aqui sem um isqueiro ou um fósforo estamos ao menos protegidos dessa calamidade...
De repente, olhei para o tronco da árvore e descobri uma inscrição. Era como se fosse uma tatuagem num corpo humano. Muito bem executada e com algo de misterioso. Algumas letras e um caixote...
As letras diziam apenas: F.H.F. - N.
Pensei tratar-se de uma declaração de amor entre FHF e N...
Sandra, mais perspicaz, deu o alerta:
__Pode ser a localização de um tesouro! esse caixote pode conter algum tesouro. Vamos ponderar...
O seu Q.I. acima da média começou a dar frutos. «N» talvez seja a localização: Norte!
O resto veio por acréscimo... a sua inteligência fulgurante rapidamente descobriu o enigma.
De imediato comecei a percorrer o local num vector virado a Norte a fim de encontrar algo. E foi encontrado o famigerado local! Era tão elementar: F de five, H de hundred, F de feet!...
A quinhentos pés deste local , um tesouro! E havia!
Era uma cova coberta de folhas e ramos secos. Destapámos tudo com muito cuidado. Dava para um buraco negro, uma gruta donde saíram alguns morcegos atarantados. Percorremos alguns metros e, mesmo ao fundo, coberta por uns restos de comida (viam-se ossos por todo o lado...) lá estava a arca escura e tentadora. Por cima duas letras: F. D.!
Foi difícil abri-la. Usamos toda a perícia ; com pedras e alguns ferros retorcidos (trazidos de alguma caravela certamente) lá conseguimos abrir aquela arca cheirando a mofo e carregada de fezes de animais no exterior meio encoberto.
Ao abrir aquela arca ali conservada durante mais de quatro séculos tivemos certas cautelas. Seria alguma armadilha? Seria alguma cilada?
Não, não era armadilha. Era mesmo o cofre de algum pirata ou de algum navegador que ficou perdido e não conseguiu arranjar um barco para prosseguir viagem ...
Sandra pensou naquele «FD» tão intrigante e, ao fim de alguns minutos de pesquisa na sua prodigiosa memória lá decifrou o enigma: Francis Drake!
Ele fora nomeado corsário pela rainha Isabel I de Inglaterra. Tinha obrigação de partilhar os lucros da sua actividade com a coroa. Seria uma forma de fugir ao controlo? Estaria aqui a génese dos actualmente tão badalados «off-shores»?!
__Francis Drake atacava sobretudo os espanhóis. Ele integrara a armada inglesa que destroçou a famosa «Armada Invencível» espanhola. Fora almirante da marinha britânica e agora trabalharia por conta própria. Isto devia ser uma tentativa frustrada de fuga ao fisco...
E Sandra foi prosseguindo com a narrativa. Drake auxiliara D. António Prior do Crato para evitar que a Espanha anexasse Portugal e se tornasse ainda mais forte, como viria a acontecer. Apesar de tudo, atacara e pilhara Lisboa e vários portos portugueses. Era um «profissional competente», disse Sandra com ar sorridente.
Enfim, chegara a ser condecorado e eleito «Sir» pela rainha. A pirataria era então uma actividade patriótica para os ingleses que estavam no dealbar de uma nova era . Portugal e Espanha eram a talassocracia de então. Os piratas ingleses começaram a destruír essa hegemonia dos mares e a Inglaterra foi avançando na conquista desses domínios...
Enfim, o que fazer com este tesouro numa ilha deserta? Não, não dava de comer, não dava para viajarmos, para saírmos dali... era apenas algo que no futuro poderia interessar-nos... se dali alguma vez conseguíssemos saír...

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