rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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terça-feira, junho 24, 2008

O calendário de Sandra!

Hoje o sol brilhava ainda mais do que o habitual. Depois do mergulho matinal e de uma pescaria gratificante, enquanto ia assando num improvisado espeto as iguarias pescadas, perguntei à minha parceira de desterro a data. Ela foi expedita:

__Hoje são 24 de Junho de 2008! _ explicou-me olhando para uma correnteza de pedras que tinha alinhado junto à lagoa onde temos a cabana.

Eu olhei aquelas pedras todas e imaginei o sofrimento dela, a angústia da solidão. Agora já me tinha a mim e ao «Elvis» para tagarelar e poder rir até... quando lhe contava algumas anedotas ela mostrava aqueles dentes brancos e sedutores e dava gargalhadas sem fim!
Disse-lhe, então:

__Lá na minha terra em Portugal é dia de S. João, é uma festa onde toda a gente confraterniza e vem cantar e passear na rua durante toda a noite. Come-se sardinha assada e bebe-se vinho e cerveja até fartar!

__Vocês os portugueses são bem dispostos. Agora, com um português a presidir à União Europeia até devem sentir-se mais orgulhosos?!
__União Europeia, o que é isso?
__É uma espécie de Estados Unidos da Europa. O português Durão Barroso é o presidente!
__Não acredito Sandra! De Portugal só se fala no Eusébio e na Amália para dizer bem; e do Salazar e do Alves dos Reis para dizer mal! Será possível que tenhamos subido tanto na cotação do mundo?
__Depois da revolução dos cravos em 25 de Abril de 1974 Portugal passou a ser conhecido por outros motivos, bem melhores, por sinal. Mas ainda têm Alves dos Reis, isso têm. O actual chama-se Vale e Azevedo e foi presidente do Benfica, o clube do Eusébio, suponho eu. Vigarizou o clube a que presidia e vigarizava os clientes. Anda neste momento fugido à justiça!

Falámos sobre o S. João, sobre as quadras populares, sobre os alhos e os balões, as fogueiras e os bailes... enfim, ela delirou ao saber de tudo isto! Pediu-me até, com um sorriso largo estampado no rosto meigo e simpático:

__ Roux, faz uma quadra dedicada a mim, tendo por tema esse contexto do S. João!

Quando ela me tratava por Roux (diminuitivo de Rouxinol), com aquela voz doce e tão suave, eu não resistia. Lá alinhavei uma quadra e li-lha, primeiro em português, depois em inglês, e até em francês, pois o meu inglês não é muito fluente e às vezes tenho que recorrer ao idioma de Victor Hugo para ser mais explícito. A quadra para Sandra era muito simples:

Ó S. João tens um stock
De moças apaixonadas
Eu tenho a Sandra Bullock
A melhor das namoradas!

Quando falei em francês ela percebeu melhor e soltou uma sonora gargalhada. Não rimava, mas dizia a verdade e ela compreendeu a «essência da coisa»...

Falámos muito sobre Salazar. Eu disse-lhe que as anedotas sobre ele eram imensas e que reflectiam uma certa animosidade popular sobre a sua pessoa. Era um ditador muito ligado às coisas da Igreja e tinha nela um suporte muito importante.

Por falar em quadras, citei uma de que se falava muito na época.
O Xá da Pérsia tinha tido finalmente um filho e fez uma festa de arromba. Salazar continuava solteiro e sem soluções hereditárias à vista... Por isso o povo, com a sua sabedoria poética, fez parir a seguinte quadra:

Se uma queca lá na Pérsia
Tanta alegria veio dar
Lamentamos a inércia
Da "gaita" do Salazar!!!

Quando ela percebeu o que era uma "queca" e uma "gaita" não se conteve e riu a bandeiras despregadas... Até o Elvis entoou a sua canção preferida: «Love me tender... love me...»

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