rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

segunda-feira, junho 23, 2008

«Eu sou o Elvis!»


«Nesta ilha deserta a areia é ainda mais deliciosa, mas o Elvis Presley,
é que veio mesmo a calhar!»




Os dias foram passando. Fui-me adaptando como pude ao novo habitat. Ao procurar algum barco abandonado fomos surpreendidos por uma catatua aparentemente domesticada...«Sou o Elvis», dizia ela e cantava muito bem : «Love me tender...»



Enfim, Sandra lá esqueceu as suas preocupações: nunca mais pensou nas acções de Wall Street, nem nas revistas cor-de-rosa, só desejava tomar um café e beber um licor... mas a vida na ilha deserta tem destas coisas... Não se pode ter «sol na eira e chuva no nabal»...


Quando caíu ao mar, lá no paquete de luxo onde viajava, tinha usado um nome fictício para não ser molestada por paparazzi ( era simplesmente a Bianca Gomez), daí que o seu nome não fizesse soar ainda as sirenes da comunicação social... mais remotas eram as possibilidades de virmos a ser encontrados...

__ Quem me dera ter aqui um telemóvel! __ disse ela com ar sofrido...

__O que é um telemóvel?!__ Inquiri, surpreso.
Ela, com a sua bonomia, compreendendo a minha amnésia lacunar (fiquei sem memória dos anos 70 até 2008!), lá me foi explicando tudo: telemóveis, faxes, conferências audiovisuais, CDs, etrc., etc.

Uma coisa que eu estranhava é que não se viam aviões no ceu durante o dia, mas durante a noite estranhos objectos circulavam a grande velocidade. Seriam discos voadores? A interrogação pairava no ar...

Apanhámos muito peixe com facilidade. Um esquilo caíu na armadilha improvisada e comêmo-lo com muito apetite. Eu às vezes gostaria de ter um telemóvel para encomendar um leitão lá no Pedro (será que ainda existirá em 2008?); será que ainda existe o Ponderosa? e o Galeto, em Lisboa?

Estes pensamentos faziam-me crescer água na boca. Sandra também tinha saudades de ir ao cabeleireiro, assistir a galas, de frequentar os restaurantes de Hollywood, enfim, no meio daquela ilha deserta começaram a vir ao de cima as solicitações da vida mundana, da tentação da cidade...

Ela lembrou que o isqueiro estava quase a acabar... dentro em pouco teríamos que comer a comida crua... que pesadelo, pensava eu com os meus botões... maldita ilha deserta!!!

Mas Sandra Bullock nunca perdia optimismo. Ela acrescentava até: «Vocês em Portugal têm um ditado que reza assim:´"há males que vêm por bem!", espero bem que este seja um deles. Ainda vou fazer um filme com o relato dos acontecimentos aqui passados até ao nosso achamento!»

Eu, para passar o tempo, perguntava-lhe coisas sobre os acontecimentos mais recentes. Ela contava-mne tudo sobre a Guerra do Golfo, a do Afeganistão, sobre o Iraque, as Torres Gémeas e o Bin Laden... Eu, mal podia acreditar no que ela me ia contando.
__Como épossível isso dos suicidas ter voltado? Regressámos à Idade Média!

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