sábado, janeiro 19, 2008

Bem prega Frei Tomás...

Sob os auspícios de Leão III, a Encícilica «Rerum Novarum» procurou estabelecer novas metodologias de forma a adequar a doutrina social da Igreja ao mundo real onde capital e trabalho comaçavam a digladiar-se de forma desmedida.

«A concórdia traz consigo a ordem e a beleza; ao contrário, de um conflito permanente só podem resultar a confusão, as lutas selvagens. Ora, para dirimir este conflito e cortar o mal na sua raiz
as Instituições possuem uma virtude admirável e múltipla.»

«E, primeiramente, toda a economia das verdades religiosas de que a Igreja é guarda e intérprete, é de natureza a aproximar e reconciliar os ricos e os pobres, lembrando às duas classes os seus deveres mútuos e, primeiro que todos os outros, os que derivam da justiça.»


A Igreja católica tem procurado ao longo dos tempos ser a candeia que ilumina, o farol da clarividência, contudo, a sua praxis, amiúde, é totalmente contrária ao que postula na teoria.

Nesta Encíclica, que visava atacar as visões marxistas e colectivistas, entra-se no domínio da abstracção e elenca-se um conjunto de piedosas intenções para combater o «terrível flagelo»...

Ao longo da História vimos a Igreja apoiar a escravatura, a reprimir a mulher, a apoiar censuras à ciência, à arte, à cultura em todas as suas manifestações mais progressistas. Depois, corrigindo a sua postura, mas sempre na cauda do pelotão, vem pedir perdão, pedir desculpas pelos seus ignominiosos actos. Às vezes, tarde demais. Foi assim com os judeus, com Galileu, etc...

Sempre critiquei a Igreja no presente por aquilo que considero cedências ao status quo, por submissões indignas aos poderes políticos corruptos, por apoios descarados aos exploradores, aos argentários, aos que usam o poder em seu (e do seu restrito grupo de ungidos...) proveito.

Tenho sido perseguido por causa disso, de forma ostensiva e descarada. Tenho sido alvo dos ataques e das calúnias mais torpes. Tenho recorrido à justiça (sou contra o uso de bombas ou sevícias... como alguns que vestem sotaina e usam cabeção...) e de pouco vale.

A «justiça» de que fala Leão III na «Rerum Novarum» é algo de flexível, de volúvel, de dúplice.
Tal como Janus tem duas caras: uma para o rico e poderoso, outra para o pobre. Diria quase uma prostituta de luxo.

Um indivíduo deu-se ao luxo de me perseguir durante meses usando os termos mais soezes, mais execráveis, acusando-me de ser contra os padres, contra a fé, contra Deus. Dizia ( sem nunca o ter provado, mesmo na instância judicial a que recorri...) que eu insultaria sua esposa e filha. Alegava que eu seria um doente mental perigoso, ao serviço de Sócrates, e que seria um ricaço sempre a meter pessoas em tribunal!!!

Ora, a única vez que tentei processar alguém (cheio de razão e com fartas provas documentais) vi-me impossibilitado de o fazer pois o juiz não me concedeu assistência judiciária e não dispunha de dinheiro suificiente para pagar custas e restantes encargos inerentes a tal tipo de acção...

Ao serviço de quem andaria este sujeito? Que credibilidade teria? Que motivações profundas comandariam o seu pertinaz e obstinado desígnio difamatório?

Fiquei espantado com algumas conclusões que não divulgo agora, por questão de respeito e de recato. Ele (o difamador) enviou-me um e-mail a pedir perdão pela sua insensata atitude. Afirma que já sabe quem o calunia e persegue e não sou eu. Mas não o fez no blogue e no jornal que lhe deu guarida. A calúnia ficou lá, intocável, sem nenhum retoque, sem nenhuma acção de contrição ou o mínimo remorso de quem lavrou tal estendal de torpes mentiras. Julgo que há intenção nisso. Para ser utilizado (oportunamente) por alguém que sabe que eu sei coisas a seu respeito e quer utilizar isso como arma de arremesso contra mim. Há intenção dolosa óbvia. Há a intenção de perpetuar a calúnia para a tornar verdade, como fazia Hitler e a sua clique. Mesmo sabendo que é mentira, que é uma miserável calúnia, o seu autor - homem de formação académica superior, frequentando um mestrado em Literatura Comparada, no Porto - nada faz para a retirar, ou minorar os danos causados... Fez o mal e a caramunha, mas não quer que se saiba!

Repugnante má-fé. Hedionda malfeitoria. Pulhice sem perdão. E, para espanto meu, há quem sempre de mão no peito, sempre jurando seriedade e uma imaculada postura, se sirva disso.

A doutrina social da Igreja serve para tudo. Até para que alguns, de voz doce e modos melifluos, lancem mão de métodos medievais, de acções execráveis, de canalhices sem nome.

Que Deus, na sua infinita midericórdia, lhes perdoe. Contudo, jamais esquecerei.

Morrer de pé!


Faleceu em 20 de Agosto de 1964. Em Novembro de 1994 um presidente da República atribuíu-lhe a título póstumo a Ordem da Liberdade!
Ostracizado pelo antigo regime, pouco amparado pela própria Igreja católica, viria a passar os seus últimos dias na terra natal: Cristelo (concelho de Barcelos).
Frequentou a universidade de Lovaina e aí ficou couraçado contra os abusos e as tentações/seduções do poder. Era um poder arbitrário, que hostilizava os pobres, os carenciados, os defensores da igualdade perante a lei. Era um poder que incentivava toda a gente ao seu culto, à sua bajulação, sob pena de discriminar quem o não fizesse. Enfim, muito semelhante ao que hoje se passa em muitos locais deste país, verdade seja dita...
E não teve a ajuda da comunidade clerical, que o deixou "caír" sem dó nem piedade. O mesmo se passou com D. António Ferreira Gomes, expulso do país por Salazar, e impedido de exercer o seu múnus de bispo do Porto.
Era então perigoso apoiar quem não comungasse da ideologia dominante - como hoje por vezes acontece, nalguns locais. Era mais cómodo estar sempre a cantar hossanas e tecer panegíricos aos tenentes do poder. Era mais "prudente" calar, silenciar os arbítrios, as prepotências, as mentiras, do que verberar e dizer "basta!"; mas ele teve a dignidade de o fazer, sem escândalos, sem parangonas nos jornais, mas no seu quotidiano, ajudando os operários, os estudantes, as prostitutas em recuperação. À sua volta nasceu uma aura de prestígio que o poder procurou ofuscar...
Foi alvo de calúnias sem conta, foi perseguido, vilipendiado, como ainda hoje acontece nalguns locais a quem não vergar ao «ideólogo» dominante, ao poder sectário vigente...
Demorou a ser reconhecida a sua perseverança, a sua conduta irrepreensível, mas foi um presidente laico e republicano que teve a coragem de relevar a sua postura perante os humilhados e ofendidos, perante os reprimidos e marginalizados pelo poder vigente. Foi Mário Soares que condecorou o padre Abel Varzim com a Ordem da Liberdade!
O movimento Católico Operário Cristão deve-lhe muito. A Igreja, que o deixou fragilizado perante as ignomínias da prepotência vigente, esteve sempre ao lado do poder, ao lado dos tiranos, ao lado do arbítrio. Mas, tal como D. António Ferreira Gomes (outro grande expoente da cultura e da cidadania), o padre Abel Varzim perdurará na memória das gentes como um exemplo a seguir, como um cidadão íntegro e impoluto, enquanto que alguns dos seus perseguidores cairão no olvido para sempre. Ou serão recordados como facínoras e tiranos.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Três tipos de jornalismo...

O poder político e o poder clerical: a cumplicidade... o «paraninfar» como método de sobrevivência, como regra de conduta, como padrão ético e moral...
Os amigos são para as ocasiões!...



Jornalismo tipo A:

O distinto cónego Melo Peixoto, figura polémica na Igreja, consegue congregar apoios em quase todos os quadrantes; embora haja quem o considere um anti-comunista primário ele não se assume como tal e afirma ter muitos amigos nessa área.

Dotado de uma rara sensibilidade artística e diplomática, com voz melíflua e insinuante, consegue penetrar com facilidade em universos bem díspares como o futebol, os media, os negócios, a gastronomia. Enfim, um polivalente na acepção mais grada do termo.
Embora acusado de calúnias torpes, nunca foi processado e sempre se assumiu como vítima da maledicência e da inveja de alguns sectores da nossa sociedade. Amigo do seu amigo, é capaz de meter cunhas para defender algum autarca, algum empreiteiro, algum jovem ou alguma jovem transviados do bom caminho. Tal como o padre Américo de saudosa memória, para ele não há rapazes maus. Todo o homem é bom por natureza. Há é que saber tocar no seu lado positivo, na sua candura e bondade intrínsecas.

Pedagogo de elevados méritos, salientou-se como ex-combatente, sendo sempre um homem de elevado sentido pátrio, não se coibindo de acções temerárias quando em jogo os princípios que considere sagrados para a sua consciência. Grangeou uma multidão de apoiantes que chegou ao ponto de querer erigir-lhe uma estátua, coisa que feria a sua natural modéstia e foi ostensivamente abandonada. Está perpetuado na cripta do Sameiro ao lado da sua tão querida Nossa Senhora do Sameiro, imagem de rara qualidade artística e alvo da curiosidade geral.

Embora figura polémica e não consensual assume-se como um lutador por causas que considere justas, um combatente da justiça e dos sãos princípios familiares e morais.

Dotado de bom relacionamento a nível empresarial é solicitado para resolver ou amenizar conflitos a nível do poder, saindo-se, frequentemente, muito bem dessas tarefas de elevado melindre. Não se assume como homem de poder, muito embora saiba que o tem, ainda que por interpostas entidades. Ele sabe como poucos esgrimir na arena social com a arma da palavra, com a sua postura serena e tranquila mais própria de um monge.

Assume que já meteu cunhas, sem hipocrisias aceita essa prática como forma de dar satisfação ao dever de amizade, com retribuição de favores recebidos ou como tributo de lealdade para os que lhe são fiéis. Servo da vinha do Senhor, com ironia aceita as críticas, as maledicências e os sarcasmos que atribui ao ódio de inimigos de estimação, pessoas com o carácter inquinado por ideologias dissolventes e atentatórias de Deus, da Pátria e da Família, os três pilares onde assenta a sua rica e contagiante personalidade humanística.


Jornalismo tipo B:


O cónego Melo encerra o que de pior tem a Igreja Católica nos dias de hoje. Ingerência na esfera política, acção intimidatória junto da instância judicial, envolvência nos meandrosos lodosos do dirigismo desportivo. Enfim, depois do que se disse dele no Verão quente de 75, em que Ramiro Moreira, o conhecido bombista, afirmou pública e frontalmente que ele o acompanhava no acto de lançamento dos engenhos explosivos, chegando ao ponto de fazer comentários de satisfação quando ouvia o estampido medonho da bomba, é lícito perguntar:

__ Será que este homem de Deus não tinha consciência de que estava a comprometer com a sua acção leviana e diabólica, a própria Santa Madre Igreja? Ou será que agiu sob a sua autoridade para perpetrar os hediondos actos? Será que beneficiou de protecção especial por isso?

Quando o vemos, aberta e frontalmente, a afrontar a justiça, como o fez no ostensivo apoio ao gerente da Bragaparques, acusado de corrupção activa (processo em curso na comarca de Lisboa) num jantar com ecos televisivos de grande sensacionalismo, será que não vê que poderá ser incómodo para a Igreja esta postura desafiante e pouco ética? Ou agirá a mando da própria Igreja?

Quando o vemos a defender publicamente autarcas envoltos em nuvens de corrupção, mas, verdade se diga, muito empenhados na causa da fé (coisa que não era vulgar antes de serem autarcas... dando a entender que só agem assim na mira de obtenção de apoios dos púlpitos e de absolvições sumárias a troco de fortes e inusitados apoios ao clero e seus agentes), será que o faz de motu próprio ou age concertado com a própria Igreja, numa acção estratégica bem congeminada no sentido de uma aliança de poder puro e duro? Será um ponta-de-lança de um fundamentalismo indígena?!

As interrogações aqui ficam à consideração das pessoas cultas, inteligentes e com sãos princípios éticos e morais. Essas pessoas, sem preconceitos ideológicos, sem grilhões partidários (como o autor destas linhas), devem meditar profundamente sobre a ausência de comentários da hierarquia da Igreja sobre este modus actuandi pouco escrupuloso do seu pastor. Estará a cumprir ordens superiores? Se não, por quê o silêncio cúmplice da hierarquia?


Em abono da verdade, devo frisar aqui o vibrante e enfático apelo feito por Sua Santidade Bento XVI à Igreja portuguesa (coisa nunca vista anteriormente) e que poderá contemplar (não é pacífico nem consensual que assim seja, porque Sua Santidade não foi muito objectivo na crítica...) comportamentos destes que ferem de morte a credibilidade de uma Instituição honrada e que não tem culpa da existência destas excrescências putrefactas e ominosas.


O regime está em decadência e os valores éticos e morais que deveriam nortear a sociedade estão em decadência. Fazer a apologia da cunha é o mais natural hoje em dia.Vimos Ângelo Correia, com desassombro e tranquilidade, fazê-lo. Vemos o cónego Melo gabar-se dessa praxis. Esquecem esses senhores que, para haver um contemplado (quiçá injustamente, mais bafejado pelo apoio do «padrinho» do que pelos seus méritos intrínsecos) poderão existir dezenas de marginalizados, de ostracizados por essa nefasta influência. O benefício de um «ungido pelo padrinho» terá sempre o remorso de ter lançado para o desemprego ou para a valeta do esquecimento dezenas ou centenas de pessoas íntegras, honestas, que ou não querem ou não podem usar a «cunha» como arsenal curricular.


Será que na câmara da Póvoa de Varzim também estão implantados estes valores que o cónego Melo apregoa alto e bom som? Será que há cunhas para ganhar empreitadas, será que há influências para arranjar empregos na autarquia?


Honi soit qui mal y pense!




Jornalismo tipo C:



Leiam por favor a revista Notícias Magazine de 13 de Janeiro de 2008 (nº 819).

Banca ao serviço da economia ou o inverso?!


A banca continua a engordar à nossa custa. O recente escândalo no Millenium-BCP vem mostrar à saciedade a injustiça fiscal que grassa neste país, e que é, ninguém duvide, uma amostra da injustiça social que campeia. Um regabofe na banca e um apertar do cinto nas famílias, nas pequenas e médias empresas, na saúde, na educação, enfim, algo está podre no reino da Economia.
Os off-shores, com todo o cortejo de opacidade que permitem escandalosas fugas fiscais e outros pecados de lesa-economia, estão na ordem do dia. O povo é obrigado a viver em regime de vacas magras, em austeridade permanente, em regime de emagrecimento compulsivo. A banca, essa porca nédia e luzidia vai alimentando porquinhos que dela sorvem todo o leite fiduciário, vai engendrando pequenos midas que aparecem depois a mandar postas de pescada nos jornais, nas TV's, enfim, em tudo quanto é palco mediático. Todos conhecemos os seus rostos nédios e luzidios... o seu sorriso alvar, a sua pesporrência acéfala e desbragada...
Fazem-se operações Furacão (só para inglês ver...) procurando dar a entender que tudo está sob controlo apertado, mas, de facto, é um regabofe pegado. O que se passa no BCP deve estar a passar-se em quase todos os bancos, ninguém se iluda. Só os ingénuos é que admitem o contrário. Estamos todos a alimentar essa porca-gigante que engorda cada vez mais e vai emagrecendo o tecido económico-empresarial. Máquina vampiresca, sugando até o suor dos seus próprios funcionários, esta caça-níqueis de alto gabarito vai dando cabo da economia nacional com o beneplácito do sistema partidocrático que nos desgoverna. Basta dar uns míseros tostões para as campanhas eleitorais e está tudo de bico calado! Todos mamam e o sistema prossegue, o seu ritmo imparável rumo ao abismo. Quem levantar a voz é ostracizado, linchado na praça pública, ou considerado louco! Sim, é precisa uma certa dose de loucura sadia para alertar o povo adormecido pelos domesticados media!
Quase todos os partidos, à custa de uma forma de financiamento pouco transparente ususfruem benesses com o status quo. É aí que reside o pecado original do sistema. Digamos que é aí que a porca torce o rabo!
Em tempos Jorge Sampaio teve a ousadia de verberar este sistema, falando na função social da banca, no sentido de sensibilizar toda esta engrenagem para o financiamento da inovação tecnológica, dos jovens empresários, dos riscos necessários para um maior incremento da inovação. A banca ao serviço de uma economia sã e não a economia ao serviço de uma egocêntrica engrenagem que procura sorver todas as poupanças ainda disponíveis pelos já mirrados portugueses. Uma gigantesca bomba aspirante-premente que aspira a um ritmo alucinante pouco dando a quem a procura. A banca é madrasta para a economia, para o povo em geral, para os pequenos e médios empresários. É isso sim, concumbina do grande capital!
Jorge Sampaio falou mas.. foi logo silenciado!
Caíu o Carmo e a Trindade! O todo-poderoso e omnipotente João Salgueiro veio a terreiro defender a sua porca (sua dama...) e ainda se deu ao luxo de verberar o PR!
Há que ir ao fundo das questões. Fiscalizar a sério esta engrenagem que vampiriza o organismo económico-financeiro nacional provocando anemias a rodos. Qualquer dia temos um Portugal anorético por culpa do sistema bancário. Um país na falência enquanto a banca nada na opulência e os seus controleiros agem como bandoleiros, usando mil-e-um estratagemas para dela sacar fortunas descomunais. Ainda há pouco o omnipotente Jardim verberava quem denunciou aquela situação escandalosa ocorrida com o seu próprio filho! O mal não era o escândalo em si mesmo, mas sim quem deu conhecimento do caso à opinião pública!!!
O direito à indignação deve ser exercido por todos nós, cidadãos ainda não capados pelo poder , ainda não narcotizados pela comunicação social vendida ao poder político e económico, pelos opinion makers lúcidos e não enfeudados ao status quo. Quantos, para tratarem da vidinha, ocultam estes escândalos com medo de perderem as mordomias? Quantos, embora sabendo isto tudo, metem a cabeça na areia com medo de ratalições, com medo que se esgote o filão das pequenas mordomias que o poder concede, quais migalhas que vão caindo da mesa orçamental?
É o escritor que se refugia na abstração, na pesquisa de coisas do passado, no alinhavar de linhas laudatórias aos que lhe vão fornecendo as lentilhas da humilhação, ele é o jornalista que passa a vida a dizer mal de quem tem a coragem de denunciar os escândalos e as corrupções, ele é o padre que nas homilias em vez de verberar o pecado da corrupção se limita a ficar escandalizado com a magnitude do pecado da denúncia! Tal como Jardim, o mal está na denúncia e não no escândalo em si mesmo! Farisaísmo mais miserável este!
Cada vez há mais poetas de treta, de lana caprina cor-de-rosa, de banalidades sem conta, olvidando o combate, a intervenção lúcida nas questões da pólis, nos assuntos graves que fazem com que este país se vá afundando no charco da mentira, na areia movediça da hipocrisia, no lodo da bajulação ao poder. Literatura de trampa que recebe prémios pelos gestores desta
porcinolatria! Asnocracia em plenitude!
Escritores do meu país, onde estais? Porque não tendes coragem de dizer que o «Rei vai nu»?!
Bem diz o povo: «o medo guarda a vinha»!

quarta-feira, janeiro 16, 2008

A Pasta & a Posta: o antigo e o actual regime...


O consórcio Lusoponte liderado por Ferreira do Amaral ao deter o exclusivo das travessias sobre o Tejo vem gerar polémica. O aeroporto de Alcochete vai ter que pagar uma factura por causa deste monopólio. Há que fazer uma nova ponte e esta vai desviar o caudal normalmente existente nas outras pontes. Ferreira do Amaral, então na pasta das Obras Públicas, assume agora o odioso da "posta"... Vai reivindicar uma indemnização faraónica. As derrapagens começam...
No regime do ante-25 de Abril dizia-se que um lugar no governo era a antecâmara de um tacho numa grande empresa. Falou-se muito dessa promiscuidade logo após o 25 de Abril. Era uma imagem de marca do antigo regime. Algo de odioso e de condenável pela perversidade que lhe subjazia.
Dizia-se que deveria haver um período de "nojo" (ou quarentena) entre a saída da governação e a entrada num lugar executivo de alguma empresa de grande dimensão (pública ou privada), sob pena de se poder pensar que a assunção de um cargo logo após a saída da governação seria um pagamento de qualquer factura ou prebenda por facilidades concedidas no exercício do poder politico. Promiscuidades e venalidades múltiplas poderiam estar na base da obtenção do cargo. A mulher de César...
Enfim, pruridos e pudores que se foram perdendo com o abastardar do regime. Hoje não há escrúpulos, não há sãos princípios de coabitação; sai-se do governo e entra-se logo numa grande empresa para um lugar de destaque, estilo prebenda pelos serviços prestados; a pasta e a posta num abrir e fechar de olhos...
O regime vai apodrecendo embora se continue a chamar democracia. O rótulo é algo que serve para identificar um conteúdo (deveria ser assim) mas também para encobrir...

Corrupção gera crise e... novos "Patinhas"...

Sub-produto da corrupção reinante, os novos "Patinhas" só vêem montes & montes de vil metal!....

Que credibilidade para o poder que se deixa enredar nas malhas da corrupção?

Ganhar eleições não dá direito a tudo, nem ser dono da verdade!


Quem ganha, tem «passaporte»
Em constante exibição!
Narciso!, é um fartote,
Na auto-bajulação!

Hitler também já ganhou
Mais que um acto eleitoral
Página negra deixou
Na história universal.

Nem sempre ganha o melhor,
Há tanta injustiça, eu sei,
Até o «idiota-mor»
Pode ser da gente o «Rei»!

Quando não há igualdade
As armas são desiguais,
Mentir é... falar verdade
Rameiras são... as «vestais»!

Quando o jogo é viciado
O dinheiro tudo abafa:
Íntegro, é um «safado»!
O ladrão é que se safa!

Até a cultura cede
Faz vénias ao capital,
Óbulos ao poder pede,
Dele fica... serviçal!

Cultura grata e servil
Botas ao poder lambendo,
Vemos aí asnos mil
A cultura empobrecendo!

A País sempre a afundar
No charco-promiscuidade
«Patinhas» a flutuar
Neste mar... de impunidade!



NOTA: Isto é uma crítica ao país no seu todo, não se pense que a corrupção está localizada.
O mal está generalizado, tal e qual uma pandemia!

terça-feira, janeiro 15, 2008

Credibilidade e populismo!...




O aparecer muitas vezes na TV, com ar sorridente e triunfalista, só por si não é atestado de credibilidade!





Agora, leia-se o blogue do Dr Santana Lopes (http//pedrosantanalopes.blogspot.com) e atente-se no post "adamastorzinho"...





A dado passo diz ele com jactância: "Qualquer pessoa minimamente inteligente sabe que não se fala de alguém que se despreza quanto ele fala sobre mim" (sic).







É o Dr Pedro Santana Lopes no seu melhor! Vale a pena consultar o seu blogue! Fica-se a compreender melhor a essência da sua personalidade. Eu próprio deixei lá um comentário, espero que saiba interpretar o seu teor. É um indivíduo inteligente q.b. para destrinçar a ironia do aplauso acéfalo...




Nesse post, o Dr Lopes quer lançar às urtigas o seu rival Dr Pacheco Pereira, mas fá-lo com tanta superficialidade, com tanto rancor, com tanta acrimónia mal contida, que sai o tiro pela culatra! É vê-lo a invocar a sua credibilidade alicerçada nos votos que lá conseguiu, na Figueira da Foz, à custa de um prolongado investimento na zona, com despesas faraónicas em restaurantes e outros locais... É vê-lo a zurzir sem dó nem piedade sobre um correligionário que tem outros horizontes morais, que tem da vida um conceito bem mais elevado; não é um aperaltado sempre ávido de futilidades e/ou fulgores mediáticos mais ou menos vácuos e sensaborões.

É vê-lo, qual pavão donjuanesco a tentar amesquinhar um intelectual probo, um lutador convicto, um apaixonado criador literário, um cultor da liberdade e dos mecanismos que a ela conduzem...



Nada me move contra PSL, nem sequer sou simpatizante de PP, longe disso!


Mas sempre gostei de separar o trigo do joio, sempre procurei destrinçar os que fazem da política um sacerdócio (ou tentam fazer...), dos que são bacantes histriónicos usando a dita cuja com artimanha para conseguirem patamares de promoção mais altaneiros, ou para almejarem foruns mediáticos mais lisonjeiros. Enfim, a política é apenas a vidinha! no seu conceito mais egocêntrico e narcisista.


Conheço a trajectória política de PP e a de PSL. Um começou no marxismo-leninismo que absorveu com empenho, procurando extraír dele o que de mais válido e socialmente aproveitável tinha, como método de abordagem de uma realidade multifacetada; enfrentou problemas de consciência, sofreu perseguições, deu a alma para ir ao âmago das coisas, quis ser verdadeiro e mais atento à realidade circundante, não se deixou narcotizar pelas ladainhas estereotipadas que vinham de Leste. Corrigiu a trajectória, com esforço, com sofrimento interior, podou as raizes ideológicas que lhe moldaram o carácter e plasmaram o espírito de tolerância que procurou cultivar na medida do possível. Vê-se que procura ser honesto consigo e tem aquela dose de utopia com que procura a quadratura deste círculo que é a nossa vida política quotidiana. Não é perfeito mas detesta os mecanismos corruptores, as malfeitorias de alguns populismos de meia tijela que andam por aí a espalhar hiperprivatizações como a nova panaceia universal... Não, não é o narciso, muito pelo contrário...


O outro, ex-pupilo de Kaúlza de Arriaga, procurou encostar-se a Sá Carneiro, tal e qual as lianas se encostam às araucárias... ainda hoje, passados tantos anos, está sempre a invocar essa proximidade (mais física do que intelectual, diga-se em abono da verdade) para colher dividendos, para reivindicar protagonismo, exibir galões...



Cavaco Silva, (esse sim,talvez mais próximo dos "genes" sacarneiristas...)em tempos, soube medi-lo de alto a baixo e dizer o que pensava sobre o seu perfil, sobre o seu modus operandi, sobre a sua sui generis estratégia ascencional.



Com um tremendismo espalhafatoso e tonitruante ameaçou abandonar a política porque alguém ironizou com o seu gosto pelos copos e pela boémia. Conseguiu o abraço tutelar de Jorge Sampaio. que o demoveu da perda irreparável para a Nação!!!

Respeito aqueles que fazem da noite o seu ganha-pão, o seu trabalho honrado e honesto, mas quem procura na política lugares ao sol, só pela frequência da movida e dos locais cor-de-rosa como trunfo de marialvismo, isso não. Há que estudar, ler dossiês. estar a par dos assuntos mais candentes, interrogar-se sobre a forma de economizar e reduzir o despesismo, em vez de o empolar saciando clientelismos de utilidade duvidosa, como santanetes e outras excrescências mais vocacionadas para encher o olho do que para prestar serviços.

Enfim, entre PSL e PP eu opto pelo mais lúcido, mais íntegro, mais útil ao país numa conjuntura de sacrifício colectivo em que as cigarras devem ser postas no seu devido lugar e as formigas colocadas no pedestal que merecem.

Credibilidade não é vangloriar-se de votos conseguidos à custa de sabe-se lá que promessas ou cumplicidades vampirescas. Cristo ao que me conste nunca ganhou eleições, no entanto é a credibilidade suprema.








domingo, janeiro 13, 2008

Mário Soares versus Sócrates, neoliberalismo em pano de fundo.





Neo-liberalismo sim ou não?

Privatizar é a panaceia capaz de nos conduzir ao sucesso?

Recentemente Mário Soares e José Sócrates disseram de sua justiça sobre temas actuais e sempre polémicos: o neo-liberalismo e as privatizações.

Mário Soares, prudente e cauteloso, velha raposa da política, olhando com desconfiança para o rumo que as coisas vão tomando na cena indígena (e não só) com casos de desregramento e atingindo o limiar da corrupção, teceu críticas ao modelo económico que vai sendo prosseguido a nível nacional. Diz que as privatizações em excesso são contraproducentes e poderão conduzir a abusos de toda a ordem, gerando injustiça social, abuso de poder, asfixia do tecido económico empresarial pelas multinacionais e pela banca (sobretudo). Pequenos e médios empresários estarão a médio prazo na penúria e/ou a braços com grave crise.

Sócrates é menos pessimista. Acredita nas virtualidades do actual sistema e não vislumbra malefícios em certas privatizações. Admite uma saudável supervisão, acha indispensável uma regulação prudente a fim de que abusos possam ser controlados ou punidos quando ocorrerem.

Enfim, duas visões não necessariamente antitéticas, duas perspectivas diversas sobre uma realidade que por vezes vai assumindo contornos preocupantes. Vemos o exército de desempregados a aumentar, assistimos a um caudal emigratório cada vez mais volumoso, contemplamos uma dificuldade cada vez maior na procura de emprego para os jovens; paredes meias floresce a corrupção (subtil ou encapotada às vezes), vemos a ineficácia da justiça como uma janela panorâmica onde desagua a injustiça social a todos os níveis; vemos o poder económico a controlar o poder político, o mediático, o judicial...

Assistimos a habilidades sem conta na procura de saciar a voracidade do sector privado à custa de meios públicos: na Saúde esta artimanha ganha estatuto de eleição, nas autarquias o recurso a empresas municipais em profusão mais não é do que capciosa forma de engordar bolsos privados à custa do erário público...

O que é isto senão liberalismo selvagem, o que é isto senão anarcoliberalismo visando extorquir aos cofres do Estado valores que serão encaminhados para cofres privados? Se há trasfega de bens e recursos de todos nós para o pecúlio de uma elite que vai enriquecendo paulatinamente, quem nos garante que os decisores políticos não receberão prebendas por essa postura tão generosa?!

Há até quem sugira que certas decisões do foro judicial são o corolário de um conjunto de factores pressionantes que desaguam, não raro, em favores políticos de elevado teor compensatório. Basta abrir os olhos e ver o que se passa à vista de todos. Para alguns já se atingiu o patamar do nepotismo mais desbragado!

Será que o neo-liberalismo nos vai atirar ainda mais para a cauda do pelotão europeu?

ergunar não ofebde...

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Alcochete: tiro certeiro!


Em Alcochete (próximo do actual campo de tiro) será o futuro aeroporto de Lisboa. O parecer técnico do LNEC foi decisivo. O governo acatou a decisão sem tergiversar.
Dizia-se que o governo era refém do clã Soares, alegadamente detentor de grandes fatias de terreno na área da Ota, daí a sua tendência inicial para aquele local.
Esquece-se que foi um governo PSD que deu o mote inicial. Foi o governo PSD que levou a Bruxelas a proposta nesse sentido. Por mero sentido de Estado o actual governo limitou-se a dar seguimento ao propugnado por um governo adverso.
Contudo imperou o bom senso. Ao submeter-se ao parecer técnico do LNEC, o governo quis dar uma imagem de imparcialidade, quis que a decisão tivesse uma caução tecnocrática. Assim foi. Contudo, por imperativos legais, ainda estará em fase de discussão pública, antes da decisão definitiva.
Aqueles que acusavam o governo de arrogância, autismo, clientelismo e outros epítetos menos lisonjeiros terão que engolir tudo o que foram bolçando ao longo do tempo. Parabéns à equipa governativa que, neste domínio específico, mostrou que recuar é sinónimo de bom senso, clarividência, lucidez.

Assédio sexual: fim à vista! Solução vem do Egipto!...







O assédio sexual é uma constante, segundo algumas fontes, nos locais de trabalho. Qual a solução para este flagelo?
Um clérigo egípcio (do Cairo) lançou uma "Fatwa" original, visando acabar com ele; será que a moda péga?
A notícia surgiu na última página do JN. Pela irónica pena de M.A. Pina foi-me dado a conhecer a original terapêutica para este flagelo que dizem alastrar pelo país fora. Pessoalmente nunca dei conta desse fenómeno, talvez seja um retrógrado neste especial domínio. Mas, não há fumo sem fogo...
Há tempos falou-se num conhecido presidente de câmara que, segundo a vítima (funcionária superior da câmara), tentou levar avante os seus propósitos sem o conseguir; face à rejeição usou métodos de retaliação (segundo a queixosa, obviamente) pouco dignos. O caso seguiu para as instâncias judiciais.
Há frequentemente queixas neste domínio: em Israel vitimou o próprio primeiro-ministro, dada a quantidade de pessoas que se dizia vítima dos seus assédios galopantes. O presidente Bill Clinton foi alvo de uma tentativa de exoneração por esse facto. Há rumores de que isto se passa nos locais mais inverosímeis e dentre todas as classes profissionais.
A comunidade árabe, sempre zeloza da preservação dos bons costumes, sempre atenta aos atentados ao pudor, sempre disponível para não dar desgostos a Alá, lá encontrou aquilo que poderá ser uma solução milagrosa para o fenómeno. Um clérigo muçulmano decretou uma "fatwa" cujo objectivo é tornar mais humanas e menos pecaminosas as relações laborais.
Assim, segundo essa "fatwa", as mulheres deveriam amamentar os seus colegas de trabalho, a fim de que os impulsos libidinosos fossem substituídos por uma espécie de relação mãe-filho... Ao dar o seio a mulher estaria a colocar-se no papel de mãe, coarctando qualquer apetência de índole sexual da parte dos seus colegas de trabalho!...
Esta "fatwa" é para ser cumprida à risca. Os frutos hão-de vir certamente. O islão não brinca com coisas sérias. A moral acima de todas as coisas.
Imagine-se esta moda a alastrar urbi et orbi. Num hospital, numa câmara municipal, numa repartição de finanças, num tribunal, numa escola.
Para evitar a tentação da carne, para que não surja o assédio sexual, o aleitamento seria uma forma subtil e pedagógica de comunhão e de convivência desprovida de intuitos pecaminosos.
Imagine-se a apresentadora Fátima Lopes (por exemplo...) a começar o seu programa desnudando a láctea protuberância e dando de mamar aos seus colegas de trabalho! imagine-se na escola, a professora exibindo o lácteo hemisfério e dando-o a sugar aos seus colegas; a enfermeira ou a médica exibindo o generoso busto aos colegas numa manifestação de sã convivência, de materna e protectora intenção, sem intuitos obscenos ou lascivos!...
Cairia por terra o sempre nefasto assédio, seria afastado o carácter pecaminoso da coisa pois seria tudo às claras, como um imperativo moral de valor pedagógico sublimador!...
Agora atente-se no impacto que poderia criar nas relações diplomáticas. A simpática e exuberante Condolleza Rice, ao visitar um país árabe e seguindo à risca aquele ditado que reza mais ou menos assim: "em Roma sê romano!"
Usaria o seio como arma diplomática, como elo de ligação maternal, como forma subtil de sedução para os seus pacíficos e nada pecaminosos propósitos! Enfim, a paz, a pacificação universal ao alcance de um bonito par de mamas!
Quem sabe se o próprio Bin Laden, talvez um homem frustrado sexualmente, fosse capaz de modificar o seu olhar sobre a humanidade, fosse cooptado para o supremo ideal da Paz e da Concórdia por um sugestivo e apelativo par de seios?!
A ideia não é desprovida de conteúdo, não senhor! A Paz merece todos os sacrifícios, o fim de ódios e de fanatismos ideológicos poderia estar ali, ao alcance de um gesto tão natural, tão genuíno, tão umbilicalmente humano, tão enternecedor! Mamar é tão natural... como a sua sede!...
Meu caro M.A. Pina, leio sempre com agrado as suas crónicas, mesmo quando não concordo com o seu conteúdo. Vê-se que pensa, tem carácter, tem sensibilidade q.b. para auscultar o pensamento e a idiossincrasia dos povos, a alma das coisas. É um poeta na plena acepção da palavra!
Oxalá a moda possa ter o êxito esperado não só nos países árabes mas também na comunidade universal. A Paz é a coisa mais importante para todos nós, os pacifistas autênticos!
Acabe-se com a "mama" (no sentido metafórico) dos políticos, e dê-se início a uma nova etapa para a humanidade, em que a mama, o seio, possa ser o alimento espiritual por excelência e o "ovo de Colombo" no relacionamento entre as culturas, entre as civilizações, entre as raças!

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Tratado de Lisboa: referendar ou não, eis a questão!


O Tratado de Lisboa deverá ser referendado ou não?
O tema está na calha e assume candente actualidade. Por uma questão de princípio sempre fui a favor do referendo, no entanto reconheço que a adesão popular ao mesmo obriga-nos a meditar.
Recordo ainda a primeira vez que o assunto foi debatido na AR. O Partido Comunista era formalmente contra todo e qualquer referendo. Argumentava que era uma arma de uma tal "maioria silenciosa", então muito em voga, e estaria ao serviço de interesses obscuros , pouco transparentes; o povo, ignaro e narcotizado por caciques que só pensavam em explorá-lo, iria ver os seus interesses adulterados por esse mecanismo...
Dizia-se isto lá pelos anos setenta , após a Revolução dos Cravos. Sempre fui apologista do referendo. Sempre acreditei nas suas potencialidades, dando oportunidade ao povo de se manifestar e dizer de sua justiça no tocante a assuntos de certo melindre. Era uma forma de incrementar a democracia participativa, de aproximar os cidadãos do poder, enfim, uma arma ao serviço da democracia. Dar a voz ao povo. Democracia em plenitude.
Contudo, ao ver a falta de motivação das pessoas nas mais recentes auscultações, modifiquei o meu pensar. Ou melhor, adequei-o à realidade. Ou seja: julgo que o povo não participa porque ou os temas são de uma tal complexidade que não consegue chegar a uma conclusão objectiva, ou então, sente que a manipulação feita pelos partidos é de tal ordem exagerada que nem sequer se atreve a dar a sua sentença.
Seja o que for, o que é facto é que a despesa deste acto começa a ser questionável. Valerá a pena fazer referendos quando nem 50% dos eleitores aderem?
Julgo que o Tratado de Lisboa é também um intrincado labirinto juridico-administrativo de contornos muito complexos. Estará o comum dos cidadãos à altura de se pronunciar sobre ele? Haverá condições para distribuír informação suficientemente aprofundada sobre a matéria?
Julgo que a AR está mais vocacionada para abordar o tema com profundidade e conhecimento de causa. O povo delegou nela poderes para isso e não se sentirá atraiçoado por não ser chamado a tomar uma posição sobre tema de tão refinado alcance.
Acresce o facto de nesta fase do processo (o comboio europeu já há muito vai em marcha, não fazendo sentido estar a fazê-lo parar de forma inopinada...), não ser curial tomar opções radicais, sob pena de os custos serem bem gravosos para todos. Deveria ter sido feito logo ab initio! aí sim, o povo diria de sua justiça se queria o casamento europeu ou não, agora estar a provocar um "divórcio" seria dispendioso, ilógico, pouco expedito.
Em termos formais, concordo plenamente com o referendo. Mas objectivamente, neste caso concreto, atentas as circunstâncias atrás citadas, seria um disparate autêntico.
Ainda bem que o PR (que é um economista sensato e prudente) sabe bem os custos de certos dislates; o maximalismo democrático poderá ser um passo atrás em termos práticos; de piedosas intenções está o inferno cheio. Não é altura de infernizar ainda mais a nossa economia, nem a economia europeia.
É claro que aqueles que outrora foram contra o referendo (o tal trunfo da "maioria silenciosa") irão agora usar como arma de arremesso partidário o seu acendrado amor ao método ultra-democrático, ultra-participativo, ultra-popular...
Enfim, aproveitar a oportunidade para fazer oposição pela oposição. Ainda bem que Menezes, com o seu populismo de meia-tigela não embarcou desta vez na cantiga do bota-abaixo pelo mero bota-abaixo. Está a aprender a ser estadista. E o PS que se cuide pois ele sempre foi bom aluno...

terça-feira, janeiro 08, 2008

Supervisão Bancária

O caso Millenium BCP tem dado azo a mil-e-um palpites qual deles o mais idiota, qual deles o mais oportunista. É um fartar vilanagem!

Vêm agora dizer que falhou a supervisão do Banco de Portugal no tocante a certos factos que
poderão ser considerados pouco lícitos e pedem a "cabeça" do governador, Vítor Constâncio.

Mesmo que seja um facto indesmentível essa falha de supervisão (admito-a sem rebuço) é caso para perguntar: foi o governador que andou a fazer a inspecção?

É óbvio que qualquer inspecção não é exaustiva, é feita com base em amostragens, em análises parcelares, em universos reduzidos. Se não não haveria tempo nem pessoal para controlar tudo. Aqueles que criticam o Estado policial sabem que falo de medidas preventivas e de posições dissuasoras com intuitos pedagógicos. Não se pode fiscalizar tudo e todos! Era preciso um exército policial bem numeroso!

Havendo falhas (o que é natural e legítimo), há que tirar ilações para o futuro. Há que corrigir metodologias e ampliar o leque de acções inspectivas. Quiçá, mudar as pessoas, actuar de forma diferente no tempo e no modo.

Agora vir a público pedir a demissão do governador por que houve uma falha (talvez por má fé ou omissão dolosa de quem está à frente da instituição visada) é, no mínimo, ridículo, caricato, pouco ético.

Não tenho procuração para defender seja quem for, mas, face a certo histerismo justicialista era bom que metessem a viola no saco aqueles que ainda há bem pouco tempo faziam mil e uma tropelias na Moderna (vide Boas-Festas e Amostra, duas empresas criadas ad hoc... com intuitos pouco transparentes...), ou iam recorrer aos serviços de um tal Jacinto Capelo Rego para fugirem às suas responsabilidades... Bem prega Frei Tomás!...

E cada vez há mais espécimes na nossa praça!...

sábado, janeiro 05, 2008

Na Educação: Masoquismo ou reformismo?!


Enfrentando hostilidades muitas vezes artificialmente empoladas, tem usado o sorriso estoico e a humildade prudente para desafiar os críticos. Num mar encapelado de problemas, tem sabido navegar à bolina com perícia, e mesmo sem o vento de feição, mostra que é digna herdeira dos luso-navegadores...
Não é fácil gerir a pasta da educação. Tanto mais difícil, é certo, quanto é verificável que o tempo é de vacas magras...
Que de hostilizações orquestradas, que de histerismos politiqueiros, que de histrionismo estridente da parte de alguns agentes da provocação!
Mau grado este ambiente infernal, liderado por lúciferes dos sindicatos e da comunicação social, ela tem pautado a sua praxis pela lucidez e pela serenidade.
E diz, com desassombro, que até compreende a insatisfação dos que a contestam.
O predador não gosta que lhe roubem a presa!
Tal como a árvore infestada de trepadeiras e de fungos parasitários que vivem à sua custa, a educação, essa árvore imponente e de porte altivo, vive num mal estar permanente. Reformar é cortar cerce essas excrescências que, por vezes, sugam a árvore até ao limite; há gente honrada e trabalhadora na Educação (a grande maioria). Mas, ninguém duvide, há muita gentinha a vegetar e a parasitar a árvore-mãe. Há quem sugue a árvore educação como se faz aos pinheiros . Ainda há muito resineiro (e resineira) a sorver ávida e escandalosamente a seiva que deveria alimentar só a árvore. Os exemplos são muitos e variegados. Basta olhar para os sinais exteriores de riqueza de alguns mordomos da Educação...
À sombra de arbustos partidários há também quem se governe. Há lianas de cumplicidade onde se penduram alguns (e algumas) para auferirem mais alguns dividendos, para sacarem mais uns cobres, para saciarem certa volúpia desmedida.
Enfim, a educação é uma selva autêntica. Salve-se quem puder. A ministra, qual Tarzan de saias, bem tenta pôr a casa em ordem, mas é impossível. Venha quem vier a selva continuará. Não é fácil satisfazer gregos e troianos. Quem governa deve fazê-lo em prol do interesse dos cidadãos em geral, do país, e não, como alguns pensam (erradamente), dos professores, dos pais, ou dos alunos. Governar é servir um universo bem mais vasto. É gerir conflitos de interesses e usar equidade e bom senso na resolução desses conflitos.
Quem usa a táctica de extremar e radicalizar posições, só com um objectivo único e exclusivo
(colher dividendos politicopartidários) não pode merecer o aplauso generalizado, mas sim, e apenas, o da corporação que lhe subjaz.
Governar não é ser delegado sindical ou porta-voz de uma facção, de uma classe social, de uma corporação, é, isso sim, ser gestor de uma comunidade ampla, onde os recursos não abundam e têm que ser usados com parcimónia, tendo por meta a prossecução de objectivos nacionais e não sectoriais.
Quando há recursos escassos, susceptíveis de uso alternativo, há que optar e procurar aplicá-los onde possam ser mais rentáveis. Há que racionalizar, cortar desperdícios, erradicar circuitos paralelos, expurgar mordomias, enfim, cauterizar as feridas desta Educação que, por vezes, parece a escola do vício e não o templo da virtude!
Casos como a Independente, a Moderna, são, de per si, exemplos paradigmáticos. Neles se espelha o que de pior tem a Educação, o que de mais execrável e parasita existe no universo perdulário e despesista desta área governamental. Que nunca a voz lhe doa senhora ministra! O país autêntico, o Portugal profundo, esse agradece, e espera não ter de continuar a suportar por muito tempo luxos sumptuários de administradores da Educação que mais parecem líderes de algum gang ou padrinhos de sabor napolitano!

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Emigrantes, o reconhecimento que devemos.

O país atolado numa crise plurifacetada, deve muito de uma certa estabilidade aos nossos emigrantes. Sem a sua iniciativa, sem as suas remessas, sem a sua capacidade empreendedora, o país estaria pior. Esta é uma verdade irrefutável.e

A emigração tem sido ao longo dos tempos uma espécie de tábua de salvação. A taxa de dsemprego seria muito maior se não houvesse este recurso à emigração. A vida dos portugueses seria ainda mais gravosa se a emigração não absorvesse um caudal volumoso de mão de obra.
Sobretudo a vizinha Espanha tem sido um escoadouro dos excedentes cá existentes motivando por vezes situações a merecerem cuidado e atenção especiais.

Há que alertar este segmento da população para certos abusos que ainda existem e roçam por vezes o limiar da escravidão. Há que providenciar no sentido de acautelar certos fenómenos a todos os títulos condenáveis.

O caudal financeiro que são as remessas é também um factor não despiciendo. Era bom que as autarquias (e não só) olhassem com mais atenção para os problemas globais deste segmento populacional que tão relevantes serviços tem prestado ao país. É bom relevar aqui o facto de algumas câmaras municipais (como a da Póvoa de Varzim, dentre outras...) terem criado gabinetes de apoio (aos emigrantes e imigrantes, como é óbvio...) facultando informações e encaminhando os utentes para as devidas instâncias, em ordem a solucionar uma multiplicidade de problemas.

Quando vemos por vezes certa hostilização aos nossos conterrâneos de retorno à terra-mãe ficamos perplexos com tanta falta de civismo e até boa educação; se é certo que alguns (poucos) vèm inbuídos de um espírito de superioridade (estilo «lá é que era bom, aqui nada presta»...) que importa denunciar e verberar, a grande maioria não. A essa maioria humilde, laboriosa e patriótica há que dar o nosso apoio e a nossa solidariedade activa. Bem hajam senhores emigrantes!

terça-feira, janeiro 01, 2008

Pluralismo salutar! Duas listas ao Millenium BCP.

Os accionistas do Millenium BCP podem ficar mais descansados com o surgimento da candidatura de Miguel Cadilhe para a liderança do banco. De facto, a existência de duas listas cada qual com a sua sensibilidade e idiossincrasia (não é só a inclinação ideológica mas também a perfomance intelectual e a capacidade de aglutinação e motivação que estão em confronto) próprias dão azo a uma maior opção. Ganhe quem ganhar (não tenho predilecção especial por qualquer dos contendores, que julgo idóneos e capazes na sua esfera de acção) a clientela ficará bem servida, os accionistas ficarão bem apoiados por qualquer das equipas.

Oxalá tudo corra pelo melhor. Qualquer dos contendores merece apoio e solidariedade. As diabolizações que surgem na praça pública são apenas sinal de certo infantilismo que impera nas mentes de alguns cronistas sem um mínimo de credibilidade. Que vença o melhor .

domingo, dezembro 30, 2007

A saga do Millenium: há que ter bom senso!


Quase cai o Carmo e a Trindade com a nomeação de um administrador da CGD para este Banco, como se fosse a colocação de um treinador de futebol num equipa adversa. Faz lembrar um pouco a chamada de Emídio Rangel (então na SIC) para a televisão pública (RTP).
Era o fim-do-mundo! Era uma conquista de efeitos quase milagrosos. Depois, foi o que se viu...
Enfim, dramas e mais dramas com questões de lana caprina. Querem insinuar que há tutela de uma instituição pelo poder político instalado, olvidando que são os sócios a decidir. Grita-se "aqui-d'el-rei" como se estivesse em perigo a democracia, a liberdade, a pátria!
Com a colocação de Faria de Oliveira no topo da CGD, aquietam-se alguns espíritos mais timoratos, apaziguam-se ânimos exaltados. Mas ainda há quem refira haver um "centrão" a controlar a banca.
Esse "centrão" controla não só a banca mas também a AR, o TC, e muito mais esferas do poder. A superestrutura jurídico-política está impregnada desse aroma que já vem manifestando a sua presença há longos anos. Culpa de quem?
De quem vota. Do povo que somos.
Contudo há que ter um pouco de bom senso. Nada de alarmismos infantis. O Millenium depois de passada esta fase de purificação (espera-se que no melhor sentido) há-de recuperar o fôlego e prosseguir a sua rota de sucesso. Há que limpar os porões, calafetar a nau com esmero, para que possa prosseguir rumo a porto seguro.
Que ninguém tenha dúvidas que há-de melhorar com a mudança. Oxalá também a CGD melhore com a nomeação de Faria de Oliveira, um homem sensato, prudente e suficientemente equilibrado para não criar rupturas ou descontinuidades periclitantes na gestão desta grande nau do sistema bancário. Que as ondas alterosas que ora se vão fazendo sentir não passam, estou seguro, de meras birras palacianas de ressabiados políticos. Há formas mais inteligentes de atacar o governo. Esta é pouco eficaz. Ele tem muito por onde ser beliscado. O mar encapelado está a ser agitado por ridículos Neptunos de papel!... E há tantos por esse país fora!

sábado, dezembro 29, 2007

Problemática da saúde e conjuntura económica.

Não é fácil o papel de quem supervisiona a saúde em Portugal. Dir-se-ia que a questão depressiva (no foro económico-financeiro) está instalada no sector da saúde. A racionalidade económica obriga a situações que geram mal-estar, desconforto, contestação social.

Será desnorte governativo, excesso de zelo, emagrecimento sem motivações?

É óbvio que todos reclamam reformas. Todos dizem que há despesismo no sector. O diagnóstico é unânime. Contudo a terapêutica sofre cada vez mais contestação. Já se vislumbra no horizonte eleitoral um trunfo para a oposição. Já há quem veja o governo derrubado só pela gestão da pasta da saúde.

Será coragem ou excesso, a atitude do ministro em mandar encerrar SAP's em determinadas localidades, obrigando os utentes a recorrerem a serviços distantes da sua residência, em horários difíceis, gerando descontentamento generalizado?

É difícil responder com rigor a estas interrogações. Os resultados falarão por si. Nas proximidades do acto eleitoral é que se saberá ao certo qual o impacto. Estes efeitos colaterais, naturais e legítimos, manter-se-ão ou cairão no olvido?

é óbfvio que quem governa deve ponderar todos os cenários. O desgaste, a erosão que estas medidas impopulares provocam, poderão ser classificados como reformismo necessário, como coragem de cortar a direito, como mal necessário...

Contudo há quem olhe com desconfiança para estas medidas, não veja articulação com mecanismos capazes de suprirem certas lacunas; deveria ser adoptada uma política integrada, globalizante, gerando proveitos económico-financeiros e não causando grandes abalos na confiança popular. A questão dos transportes é crucial.

Oxalá a situação de regularize para bem de todos (utentes e agentes directa ou indirectamente ligados ao sector-saúde), contribuindo para o reformismo salutar que se deseja.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Benazir Bhutto a Mulher vilipendiada!


A imagem da Mulher e da Democracia ficará para sempre! Benazir foi a personificação da coragem, do amor à liberdade, do amor ao povo faminto de democracia!
Que o mundo saiba colocá-la no lugar que merece. Que o seu martírio não tenha sido em vão...
Os talibans levaram a cabo os seus desígnios: assassinaram aquela que personificava a liberdade para a mulher e a própria democracia no Paquistão. Mártir na plena acepção do termo, a sua morte enlutou todos os corações amantes da paz e da liberdade. As teocracias aberrantes e totalitárias estão a mostrar a sua verdadeira face. O mundo tem que usar métodos diferentes para acabar com esta hedionda campanha. A guerra só por si é insuficiente. O combate tem que ser mais profundo, tem que ir ao âmago das coisas: na mente!
Há que ir à génese do problema e transformar esta perfídia, este ódio sangrento e aberrante; a humanidade tem que compreender que não é com bombas que se combate o bombismo!
Há que repensar o combate a este totalitarismo aberrante e monstruoso. Há que parar a besta.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

A Figura do Ano. Luiz Filipe Menezes



Eis a imagem do Estado, depois de expurgadas as gorduras supérfluas e ficar totalmente "desmantelado", como alvitra o Dr Menezes. Alguém discorda?!
Foi um furacão no ano de 2008. Arrasou tudo no PSD. Após um discurso hipervitimizador, conseguiu chamar a si as atenções generalizadas. Garantia não deixar Sócrates descansar. Atacaria ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar. Enfim, parece que não pretendia que o adversário se alimentasse. Agora, nova proposta: não deixará Sócrates dormir, no ano de 2008!
Enfim, estará omnipresente na vida do primeiro ministro!
No entanto, o facto é que tem mantido uma estranha ambivalência (na acepção psiquiátrica do termo, como é óbvio): mantém uma postura seguidista e pacificadora - quer acordos, quer plataformas de entendimento, quer pactos de regime - e, por outra via - quer «desmantelar o Estado», não deixar Sócrates dormir, ser um diabo à solta! - ficando o cidadão vulgar de Lineu sem saber o que quer realmente L.F.M.
Às 2ªs , 4ªs e 6ªs quer pactos, e, pelo contrário, âs 3ªs, 5ªs e sábados quer atacar o governo, derrubar Sócrates, desmantelar o Estado!
Enfim, querer e não querer ao mesmo tempo, cria tensões, leva ao desespero, marca a psique de qualquer humana criatura!...
O que almeja, enfim, o nóvel líder do PSD?
Na sua catarse populista afirma peremptoriamente que não é populista! E porquê?
Disse-o, e todos o levaram a sério: porque já leu Steinbeck e Hemingway!!!
Eu, se usasse terminologia idêntica, poderia afirmar que já li a Bíblia muitas vezes, que serei um profeta!... ou um doutor da Igreja!...
Enfim, o homem que abalou o país durante o ano de 2007 que traz de novo? Muito pouco, quase nada. Uma montanha que pariu um rato. Um « quase tudo que não representa nada», definição de Pessoa para um «mito»...
Já é tempo de se acabar com a teoria das panaceias redentoras. Nem é a estatização maximalista que traz o progresso, nem a privatização total que leva ao paraíso. Não, nada disso. O que é preciso é boa gestão. É racionalidade económica, é combate à corrupção, é respeito pelas regras democráticas e pelas leis. É o cerne do problema. Mas, infelizmente, quase todos os políticos esquecem esta realidade (Sócrates também).
Metam a mão na consciência e deixem-se de foguetórios verbalistas que não passam de meras demagogias da treta. O país precisa de homens sérios e não de demagogos de feira.

terça-feira, dezembro 25, 2007

CAXINAS...


A igreja-barco é também um ícone caxineiro.
O Senhor dos Navegantes, protector das gentes do mar...
Caxinas, terra mártir, terra mãe, dolente,
Viúva tão chorosa, deste mar refém,
Que, por vezes, traz morte, não é bom, clemente,
Mar raivoso, mar cão, mar sem perdão, também.
E quando a madrugada veste negro breu,
Quando o coração sangra, só angústia e dor
Todos sentem o luto como sendo seu,
Caxinas é também um coração, clamor.
Colmeia piscatória solidária e unida
Enfrentando sem medo temporais, a morte,
Nas horas de amargura, ganha fé na vida
Não cai no desespero, nunca perde o norte.
Epopeia salgada, a deste povo heróico,
Sangue, suor e lágrimas enchendo o mar
Páginas e mais páginas de esforço estóico
Na memória futura lá irão ficar.
Um farol de heroismo se levanta aqui,
Bastião de coragem sem limites, fé.
Imagem talismã de um povo crente em si
Que se orgulha de ser sempre o que foi, e é.
A modéstia no porte e no falar traduz
O perfil do carácter, condição moral,
O caxineiro sofre, mas transporta a cruz
Com dignidade altiva, robustez mental!

sábado, dezembro 22, 2007

Natal à beira-rio!...

«Vila do Conde espraiada...»
Tal como David Mourão Ferreira, tão olvidado hoje em dia, mas sempre presente
nos que admiram a sua poesia, também Régio nasceu à beira-rio. Será este o sortilégio dos verdadeiros poetas? Quem sabe?... em Vila do Conde há tantos e de tanta qualidade, dir-se-ia um viveiro...







Natal à beira-rio...


É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava no cais, à noite, iluminado.
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra,
Vem tu, Poesia, vem agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?



David Mourão Ferreira... Obra Poética (1948-1988)
Editorial Presença

sexta-feira, dezembro 21, 2007

A procissão de alguns "lobos" pacifistas...

O lobo alfa, vigilante e tutelar, não será símbolo da paz?!
Sim, mas para toda a alcateia que vive sob a sua protecção...




Alguns falam de paz, para inglês ver,
Andam constantemente a guerrear;
A capa imaculada é para dar
Ar de cordeiro ao lobo a esconder...



Camuflagem de polvo, calculista,
Duplicidade, artes de embusteiro.
Não é um pacifista verdadeiro
Quem vê na paz fogo de vista!



Usam os tribunais como bastão,
Censura ao pensamento, à liberdade,
Que fracos pacifistas eles são!



Percorrem, quais pavões, toda a cidade,
Hipocrisia a rodos, procissão
De mordomos, propensa à hilariedade!!!

sábado, dezembro 15, 2007

Natal de quem sofre...


Quantos excessos em gastos supérfluos poderiam minorar o sofrimento de tantas crianças?!
O despesismo excessivo de uns e... a miséria excessiva de outros...
O Natal reflecte bem
O prazer de partilhar
Pouco dá... quem pouco tem
Vê-se a crise no olhar.
Quando o desemprego grassa
Sopram ventos de pobreza
O Natal perdeu a graça
Anda no ar a tristeza.
E se a doença aparece
No amigo ou no vizinho
O beber nem apetece
E a culpa nem é do vinho...
Emigrantes e imigrantes
Consolam a solidão
No Natal só por instantes
Aquecem o coração.
No hospital ou prisão
O Natal também existe
E a dor tem o condão
De o tornar 'inda mais triste.
A crise sempre a crescer
O país tão deprimente
Querer dar e não poder
É sina de tanta gente.
As crianças sofrem mais
Quando na festa há tristeza
Dá pra sentir os seus ais
Quando o clima é de frieza...

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Tratado de Lisboa: Luz de realismo ao fundo do túnel da demagogia...







Os "amanhãs que cantam... " de novo a servirem de panaceias redentoras

de mentes obnubiladas pela demagogia e euforizadas artificialmente...













O Tratado de Lisboa, a tal magna carta que se pretende seja um sucedâneo de constituição, poderá ser um marco positivo ou negativo no relacionamento e na coordenação geopolítica na esfera europeia.

Um conglomerado de países, uma miscelânea de culturas, um concerto de nações mobilizadas para um caminhar colectivo na ânsia de vislumbrarem um futuro melhor para todos.

Será que as metas a almejar vão de encontro às expectativas criadas? Será que o futuro, longe do sonho doirado que foi prometido em discursos inflamados será um pesadelo para a grande maioria das populações?

Sem diabolizar nem sacralizar a Europa, há que fazer um apelo ao realismo e ao bom senso, e abordar com serenidade e sem preconceitos de índole ideológica a questão de fundo.

Vemos um desemprego, ainda que estancado - presume-se- , a ensombrar os horizontes de alguns segmentos da sociedade; observamos uma válvula de escape que tem sido providencial neste contexto de anemia geral - a emigração -, cada vez mais premente no quotidiano de várias famílias causticadas pela taxa de juro asfixiante; contemplamos com angústia a crise nas pescas, nos têxteis, na agricultura; ficamos preocupados com certo economicismo que subjaz à praxis governativa, gerando naturais descontentamentos, bem palpáveis nas áreas da educação, da saúde, da justiça; será para agravar ainda mais as já de si periclitantes condições de vida da maioria dos portugueses?

A interrogação é - deveria ser - o sentimento mais realista no momento presente.Não será ocasião para se repensar o modelo desenvolvimentista ora prosseguido, com os desencantadores resultados à vista? Há que reanalisar a questão de fundo, o paradigma sociopolítico até aqui predominante, há que corrigir as medidas subjacentes ao mau desempenho económico. Ou melhor, há que redesenhar o modelo para não penalizar ainda mais os mesmos, fazendo recaír sacrifícios sobre quem tem auferido chorudos proveitos com o actual sistema. Há quem aplauda com entusiasmo o actual status quo, pois tem retirado inegáveis proveitos com ele.

A banca, as grandes superfícies comerciais, telecomunicações, dentre outros, têm sorvido proveitos muito para além do expectável por outros sectores. Há até quem se interrogue se, em vez de estarem ao serviço da economia, no seu conceito mais elevado e socialmente desejável, se têm servido dessa mesma economia para a sugarem, pauperizando e levando à falência pequenos e médios empresários, lançando no desemprego e na miséria social largas franjas da população?

Ou seja: o bem de uns - uma minoria - não será a génese do mal de outros - grande maioria da população- perpetuando uma neofascização de um capitalismo catapultado pela mola neoliberal?

O enricamento brutal de uma pequena elite, que domina a superestrutura jurídicopolítica - vulgo sistema - é feito à custa da pauperização progressiva da maioria da população.

A corrupção vê-se e entra pelos olhos dentro. Bem prega Frei Tomás , sobretudo nas campanhas eleitorais e nos comícios eleiçoeiros a abarrotar de autómatos alienados pela euforia artificialmente criada, mas depois nada faz no sentido de corrigir os males denunciados. Todos criticam a corrupção no período ante-eleitoral. Depois, quem se senta na cadeira do poder - e seja quem for, há que denunciar o pecado - , põe todos os obstáculos para obstruír a marcha inexorável da corruptofilia que impera. Cavaco Silva bem fala - talvez por necessidade estratégica de calar alguns mais impacientes -mas o destinatário dos seus discursos nada faz nesse sentido - veja-se o atestado de subalternidade passado a Cravinho quando quis pôr o dedo nas feridas...

Será que a cassete vai continuar? A verberação da corrupção aquando na oposição e o nada fazer quando no poder? O prometer a regeneração quando em campanha e o meter na gaveta - debaixo do tapete? - quando no exercício do poder? Tudo indica que sim. Até que surja alguém, com vergonha na cara e carácter na alma, para corrigir os desmandos e a degenerescência reinante.


terça-feira, dezembro 11, 2007

Porto Vintage, será?!







A ALMA GIGANTE DE UMA CIDADE!
Alma granítica, forte
Cravo azul, na verdade,
Bastião livre do norte
Oh nobre invicta cidade.
O Majestic é requinte
O Piolho é popular
Um pintor que o Porto pinte
Isto não pode olvidar.
As águas do Douro cantam
Chico Fininho, talvez...
E todos 'inda se encantam
Co'o rock bem português.
Gande gala, o São João,
Toda a cidade desperta
Sempre que ganha o Dragão
são joão pela certa!
Porto vinho ou cidade
Que dupla sensacional
Portentosa qualidade
Ambos elevam o astral.
O Porto tem o seu fado
A História nos ensina
No porvir, globalizado,
O mundo inteiro fascina!
Respeito e veneração
Nos merece esta cidade
O progresso e a tradição
Se casam com majestade.
Na Ribeira, a gente boa
Alma a sangrar, dorida...
A voz do duque 'inda ecoa
A salvar mais uma vida...
E aquela esguia gaivota
Na Foz, do mar sempre à tona
Faz lembrar a Rosa Mota
A ganhar a maratona!
Porto, cidade tripeira,
Com carácter, com honor,
Nos Clérigos altaneira
Um presépio, só esplendor!

Cimeira histórica ou fogo de vista?!

O cidadão vulgar de Lineu interroga-se sobre os resultados palpáveis da cimeira de Lisboa. Será que sairá dali uma nova ordem internacional? Que novidades no tocante a alteração de violações de direitos humanos no continente africano (sobretudo Darfur e Zimbawe)?

Além das parcerias de índole económica (que estão em estudo e poderão ser implementadas no decurso de 2008), há toda uma parafernália de interesses que se poderão concretizar ou não tudo dependendo do acordos ulteriores. Enfim, deu-se um pontapé de saída. Mas o jogo continua...

No Zimbawe o prepotente e déspota Robert Mugabe continuará a urdir as suas tenebrosas teias
no sentido de amesquinhar a oposição interna e erradicar de vez a população branca eventualmente ali ainda radicada. A fascização cada vez maior do regime tenderá à sua eternização no poder. Ninguém tenha ilusões do contrário. As críticas de alguns governantes europeus (legítimas e fundamentadas) cairão em saco roto se não houver mecanismos de penalização do regime. A sua presença em Lisboa poderá até ser usada por ele como arma de propaganda política e surtir efeitos contrários aos pretendidos pelos seus opositores.

Enfim, a cimeira histórica teve facetas positivas, sem dúvidas. Mas também muito de aparato e folclore mediático sem exequibilidade prática na alteração do status quo existente.

Kadafi ficou ofendido com uma pergunta inocente. Ele, o "grande educador", o autoproclamado líder ideológico, a ser interpelado como se fosse o mau da fita? Mas que desaforo, que atrevimento, que ousadia, que falta de respeito pelo todo-poderoso senhor da Líbia...

Que muito do que ali se discutiu vai ficar em banho maria ninguém tenha dúvidas. A alegada "queda do colonialismo" é uma boutade digna de figurar numa antologia de anedotas...

domingo, dezembro 09, 2007

Cimeira de Lisboa: negócios vs direitos humanos.




África: fome, repressão, corrupção, injustiça social...
Darfur e Zimbawe duas feridas
que jamais se podem olvidar...
Ai Lisboa!, teu fado é só balelas
Na mente só negócios, vendilhões;
Ontem daí partiam caravelas
Hoje, vão repartindo só milhões...
De direitos humanos falais tanto,
Mas, de concreto, nada fazeis, não!
Darfur: horror, vexame ignóbil, pranto,
Um inferno dantesco, sem perdão...
Lisboa, não será hipocrisia
Esse fado europeu benemerente?!
De colonizar tens já nostalgia
Não quererás fazê-lo novamente?
África, só miséria e ditaduras
Musculadas com cheiro a corrupção;
Democracia a sério é o que procuras
Liberdade é a meta e grande opção!
Zimbawe, o racismo mais selvagem,
Xenofobia reles, lei da rolha;
O argumento da força é a imagem
De regime caduco... como a folha...
Sida, pobreza, fome, iniquidade!
África, negritude em expansão,
Não confies na cega caridade
Por vezes ela encobre exploração!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Homenagem à hombridade.


Após várias etapas ter vencido
Homérico estoicismo foi seu lema;
A todos disse adeus, dever cumprido!,
Da vida fez um hino, um poema!
Neste baile de máscaras da vida
Ele usou sempre a mesma: a verdade!
Lancetou a mentira apodrecida...
Paladino da honra e hombridade.
Sempre jovem no ser e no falar
Lá na alma da alma ... era um escuteiro,
No servir e no dar... sempre o primeiro!
Tive o grato prazer de partilhar
Magistério fecundo e verdadeiro
Humilde e solidário por inteiro!
NOTA: a minha singela e modestíssima homenagem ao padre Fonte (da Matriz da Póvoa de Varzim) com quem tive o privilégio de privar aquando da minha passagem pela Associação de Pais da Escola Dr Flávio Gonçalves (ao tempo em que presidia ao Conselho Directivo a Dra Odete Brioso Gomes - uma integérrima criatura, diga-se em abono da verdade).

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Al Capone anda por aí!...

Ao assistirmos a uma onda de criminalidade à rédea solta, sobretudo nos tempos mais recentes, os portugueses interrogam-se sobre as razões da ineficácia das autoridades no combate a este tipo de criminalidade organizada. Algo de novo começa a surgir. Vislumbra-se um novo Estado adentro do próprio Estado. Algo de tenebroso começa a mostrar a sua capacidade de intervenção e de ocultação, manifestando atrevimento e audácia inauditas.

Será que a noite anda sob o controlo de um novo Al Capone de feição lusa? Será que as autoridades receiam intervir com medo de ferir algum tentáculo mais sensível?

Em Itália só após a queda de Berlusconi os carabinieri tiveram coragem para prender o líder da máfia local. Algo de muito obscuro havia naquele universo de promiscuidades recíprocas. Algo de nebuloso há neste momento em certos meios . Receia-se que os mandantes sejam intocáveis acima de quaisquer suspeitas.

Algo vai podre no Reino da Lusitânia.

domingo, dezembro 02, 2007

Liberdade, Liberdade!


Liberdade querida e suspirada,
Que o despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena
Que o sereno clarão da madrugada!
Atende à minha voz, que geme e brada
Por ver-te, por gozar-te a face amena;
Liberdade gentil desterra a pena
Em que esta alma gentil jaz sepultada.
Vem, oh deusa imortal, vem, maravilha,
Vem, oh consolação da humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha;
Vem, solta-me o grilhão da adversidade;
Dos céus descende, pois dos céus filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade!
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Nota: Há tantos anos escrito este soneto, mas nunca perde actualidade. Quando vemos a liberdade de expressão ser coarctada de forma repressiva e despótica por recursos abusivos e fastidiosos a tribunais (nova forma de censura, às vezes necessária, como é óbvio, mas em certos casos, apenas um chicote para castigar e achincalhar na praça pública quem faz oposição), quando assistimos a tratamentos desiguais da parte da justiça de classe que está instalada entre nós, há que recordar Bocage e zurzir nos que usam o poder económico (e político) para se imporem.
A justiça de classe é a vergasta mesquinha usada pelo ricaço para ofender o menos afortunado em termos económicos. A imprensa, a TV (veja-se o vergonhoso caso José Rodrigues dos Santos) e a rádio, estão ao serviço do poder (económico e político) dominante.
A maior parte dos jornais locais estão enfeudados. Poucos são isentos ou independentes. A lei da rolha impera. A genuflexão ao poder imperante é notória.
Bocage, o intemporal bardo sadino, continua actual, está sempre na moda.