rouxinol de Bernardim

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sexta-feira, julho 20, 2007

A TRAGÉDIA DE S. PAULO


O aeroporto de Congonhas (S. Paulo) foi cenário de uma grande tragédia aérea.




Aviões na fase de aterragem.
AQUAPLANAGEM OU ERRO HUMANO?
O grave acidente aéreo que ceifou a vida a quase duas centenas de pessoas (incluindo um português) ainda está bem fresco na memória . Alguns invocam o facto de poder ter sido causado por aquaplanagem, ou seja, pista com deficiente drenagem e com condições susceptíveis de provocarem pouca aderência depois de uma aterragem feita a velocidade superior ao normal.
Só as peritagens poderão dar uma explicação cabal sobre esta tragédia. Mas importa reflectir sobre as condições de segurança, pois todos estamos sujeitos a ser vítimas de uma conjuntura semelhante. O prevenir é melhor que o remediar...
Recordo que estava eu em Sintra (Base Aérea nº l - Granja do Marquês) , tripulando um avião Chipmunk, ia sendo vítima de um grave acidente na aterragem e que evitei "in extremis" graças ao instinto e a reflexos apurados.
O avião ia já na "final", apontando à pista, de forma correcta, muito embora o vento fosse muito intenso. Fiz a aproximação para o princípio da pista, estava muito próximo do local, e, de repente, sem que nada o fizesse prever, o avião caíu vertiginosamente e ameaçou espatifar-se no solo... Sem que tivesse bem a noção da gravidade dos factos, accionei o motor e, com calma, o avião estabilizou e começou a voar de novo em condições normais, permitindo-me "borregar" evitando assim o acidente fatal.
O que se tinha passado de facto?
Era uma avaria de flaps. Esses apetrechos que estão acoplados à parte traseira da asa do avião, próximo da fuselagem e que têm um efeito redutor de velocidade devido ao atrito com as camadas de ar, aquando da aproximação à pista e estando o motor nos mínimos.
Contei a minha versão e ninguém quis acreditar!! Era lá possível a falha de flaps, diziam alguns pouco crédulos... o material nunca falha!!!
O avião era velho e de facto este tipo de acidente é muito pouco vulgar. Só acreditaram na minha versão quando, tempos mais tarde, um oficial do quadro permanente, ao usar o mesmo avião, se ia estatelando no solo devido a idêntica avaria. Então sim, o avião foi para abate!!!
Eu, um simples oficial miliciano, não tinha credibilidade; ninguém acreditou em tal hipótese; mas, quando se passou a mesma coisa com um oficial superior, então sim, já todos deram fé à minha versão dos factos...
Agora, ao verificar os condicionalismos desta tragédia, várias hipóteses se podem pôr; contudo, a mais provável, é talvez a velocidade excessiva na aproximação à pista (erro humano) e as condições de pluviosidade excessiva e má drenagem da pista provocando aquaplanagem...
Bom seria que isto servisse de lição para muitas situações concretas. O material acumulado nas pistas resultante do embate dos pneus das aeronaves, associado a grande pluviosidade, poderá dar azo a situações similares, criando condições propícias a sinistralidade. Bom seria que desta tragédia se extraíssem (urbi et orbi) as naturais medidas preventivas.

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