rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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domingo, julho 22, 2007

O "Príncipe" e o "Padrinho", omnipresentes...




Às vezes travestidos de "presidentes"
eles andam por aí a infernizar o quotidiano...
Figuras intemporais, é vê-los bem perto de nós...
Não, não é específico do regime de Abril, ele é um "arquétipo", um "exemplar" que tem cabimento em diversas sociedades, mesmo as ditas democráticas; vai medrando aqui e ali sob os auspícios de um proteccionismo de contornos mafiosos, coadjuvado por "acólitos" da justiça, do fisco, da própria Igreja, com seus "figurões" mais virados para a defesa do vício que da virtude...
Neste mundo cada vez mais globalizado em que vivemos o "padrinho" tem parâmetros de actuação "sui generis" e possui figurino próprio, variando pouco de país para país. Tanto pode ser um presidente de um grande clube, como um autarca, um juiz, um reitor da universidade ou simples professor primário... até pode ser um banqueiro, um director de um hospital, chefe de repartição de finanças, grande empresário; pode ser o "brasileiro" lá da aldeia, ou o próprio pároco, o cónego, o monsenhor, o bispo... até pode ser um dirigente de uma federação desportiva, ou o líder local da Santa Casa...
Usualmente pratica o nepotismo, tem os seus "nepos" em lugares -chave e usa-os nos momentos certos, nas horas de aperto. O tráfico de influências é a sua especialidade. Da democracia tem um conceito muito peculiar: é como se fosse o seu próprio "umbigo"...
Gosta de se assumir como uma espécie de taumaturgo, um Harry Potter capaz de satisfazer os caprichos mais variados graças às suas habilidosas qualidades e aos seus dotes divinatórios e feitiçarias de todo o calibre; usa uma espécie de "varinha de condão" que faz com que uns sejam rapidamente promovidos e bafejados de todos os sortilégios, enquanto outros, sejam relegados para o limbo/purgatório mais obscuro... Os primeiros sabem bajular, lamber botas, mendigar e manter fidelidade canina, os outros, podem limitar-se a ter coluna vertebral, dignidade, aprumo, carácter. É o seu maior "defeito"!
Além de caprichoso e impulsivo é extremamente vaidoso, arrogante, cultiva a empáfia para os subalternos e a subserviência para os que o precedem na escala social. Tem-se na conta de dialogante e de tolerante, mas é só para uma restrita clique, uma entourage interesseira e medíocre que ciranda à sua volta como mosquedo faminto à volta de um monte de lixo...ou fezes de cão doentio. Gosta de estar sempre rodeado por uma espécie de tertúlia acéfala e
descaracterizada que sorri muito, diz sempre que sim, abana a cabeça... os "yesboys"!
É assim lá no café, na assembleia, no clube, até na sacristia...
Ao ver um caso típico (há-os em todas as localidades...) um amigo meu sentenciava com rara felicidade: "parecem borboletas tontas à volta de uma vela de cera..."
O "padrinho" (às vezes "Príncipe"...) considera-se e exige que todos o considerem o mais "credível", o mais "inteligente", o "dono da verdade".... alguns padres, mais servis e veneradores chegam a alcunhá-lo quixotescamente de... "santo"!... Aí, então, o seu gozo interior atinge um clímax perverso... É que ele sabe bem aquilo que é, de facto!...
Gosta de subornar (manda fazê-lo por interpostas pessoas, os jagunços e... as jagunças!...) e tem sempre envelopes disponíveis para meter no bolso, debaixo de uma porta, nalgum carro com os vidros propositadamente não totalmente fechados... Há de facto alguns carros que são autênticas casas bancárias, com caixa-forte e tudo!... Mas, por outro lado, atribui os seus méritos e as suas "vitórias" a uma extrema devoção aos santos e em especial à sua excelsa Senhora deFátima, aonde vai várias vezes por ano, acompanhado de enorme séquito; os fotógrafos nunca faltam à chamada pois é preciso fixar para a posteridade tais manifestações de farisaísmo parolo...
É convidado para aniversários de padres amigos (que, coitados, sem os seus holofotes mediáticos seriam simples zeros à esquerda, mas, assim, passam a colunáveis e ficam na calha para uma grande paróquia, um cargo honorífico, o bispado, quem sabe...) e leva sempre algum amigo fotógrafo ou repóter de TV... nunca descura o impacto mediático de certos actos por mais insignificantes que pareçam!... É um ás na arte de manipulação da opinião pública. Quando quer reduzir alguém a pó, contrata jagunços, até na comunicação social se preciso for... há lá exemplares assim, em postos-chave na maior parte dos casos!...
Narciso até limites roçando o patológico, não gosta de perder e tudo faz para se colocar em bicos de pés no momento glorioso da vitória, e, nas derrotas, procura arranjar sempre um ou dois bodes expiatórios para minimizar o impacto da "tragédia"...
Manipulador e intriguista, inventa mil-e-um defeitos aos adversários (quando não atribui-lhes os seus próprios...) com requintes de malvadez só ao alcance de mentes pérfidas. A sua maledicência atinge foros de autêntica patologia pois o seu hipercriticismo é já lapidar e vem de tempos imemoriais...
O "padrinho" tem na cabeça uma autêntica obsessão: ter tudo sob o seu controlo, sob a sua supervisão, saber o que pensam dele, saber como vai a sua imagem junto de certos meios, conhecer o que sabem realmente sobre a totalidade dos seus actos maléficos... Para isso alimenta um autêntico "exército" de "olhos e ouvidos", de "informadores-bufos" que se revezam na arte e se multiplicam na graxa e na adulação permanente!
Ele parte sempre do mesmo pressuposto: toda a gente tem um preço!!!
Para uns pode ser um título honorífico, uma simples comenda, para outros uma subida no ordenado, uma promoção, para outros ainda uma obra no adro da igreja ou um emprego para um familiar, uma sinecura qualquer... numa fundação, na rádio local, no jornal afecto ao regime, na biblioteca...
Ele gosta de ter tudo com rédea curta, com pouca margem de manobra, sem liberdade interior para criticar seja o que for. Ele não é de esquerda nem de direita, está nas mais variegadas ideologias, nos mais diversos partidos, nos lóbis e nas forças de "bloqueio" mais arrevezadas...
Figura do imaginário queirosiano é-o igualmente da filosofia maquiavélica; tem contornos felinianos iniludíveis; enfim, por vezes até tem uma riqueza de vocabulário e possui cultura acima da média para melhor camuflar o perfil mafioso que subjaz à sua complexa personalidade.
Diria mais: é sempre digno de um estudo aprofundado pela ciência psiquiátrica! Às vezes consegue marcar a História, no pior sentido, claro...

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