rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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segunda-feira, julho 30, 2007

JARDIM: Coragem ou insulto à democracia?

Coragem ou insulto, eis a questão!...


É já um lugar-comum ouvir as diatribes de Jardim contra os do "contenente" escudando-se na sacrossanta autonomia, seu cavalo de batalha...
É de uma auto-vitimização constante, visando congregar ódios de estimação contra as forças da oposição e tudo o que for "legalismos"... Procura colher dividendos desta postura e consegue-o graças ao aparelho adulador que é certa comunicação social quase toda "domesticada" por métodos sobejamente conhecidos.

É perito em "fazer o mal e a caramunha"!

Vem agora dizer a propósito de uma nova Lei da República (IVG) que está em causa a "coesão nacional", dada a alegada "obsessão" de Sócrates em querer ver a Lei cumprida em todo o território nacional. É de um ridículo tão caricato que qualquer cidadão minimamente sério não poderá deixar de sorrir com ironia...

Há quem diga que ele tem "coragem"!
Julgo que alguns políticos que se autoproclamam de "homens de coragem", não passam de caricaturas da dita. Estão sempre a autoelogiar-se que até faz náusea! As mais das vezes são atitudes bem cobardes, acções dignas de algum Capone de consumo interno! Usam o poder económico para comprar "homens de mão" que actuam a seu soldo em tudo. Tantas cobardias são bem comuns hoje em dia! A comunicação social está farta de apontar casos. Alguns darão um rico filme! Outros, talvez polvilhem a literatura...

Queria recordar aqui um verdadeiro Herói, um homem de coragem exemplar.

Decorria o ano de 1971. Estava eu no norte de Angola (Zala). Era uma operação conjunta de comandos e força aérea contra a FNLA (de Holden Roberto, suponho).

Depois de serem lançados a partir de pontos estratégicos previamente estipulados no mapa das operações, eles desenvolviam a sua actividade enquanto que nós (pilotos) ficávamos aguardando oportunidade para intervir quando necessário. As "levas" eram desencadeadas de forma muito rápida com transporte de cinco homens carregados de munições e armas, daí a necessidade de levar pouco combustível nos depósitos para haver maior disponibilidade de carga.

Volvidos alguns dias fomos surpreendidos com a explosão de uma mina antipessoal havendo necessidade de evacuar o ferido. Fui eu o escolhido para a tarefa.
Juntamente com o mecânico (equipado de G3) lá fomos directos ao objectivo final. Após contacto rádio lá vimos o local. Era inclinado, tinha arbustos que dificultavam a manobra de abordagem. Para agravar a situação o inimigo estava perto.

O mecânico, num alerta prudente e responsável, aconselhou-me a regressar e fazer uma segunda tentativa. A situação era delicada. Olhei para o indicador de combustível e não hesitei. Não havia tempo para demoras ou manobras de diversão. Apontei ao local e lá fui apontando ao vento e evitando o contacto com os arbustos numa manobra carregada de riscos.

A salvação foi um êxito. O ferido, já no interior, devidamente acompanhado pelo enfermeiro, foi transportado com toda a segurança. Tive oportunidade de informar via-rádio o local exacto onde estavam os atiradores inimigos e regressei ao aquartelamento de Zala.

Aí estava um avião prestes a descolar (Dornier, avião de asa alta) e levar o ferido para o hospital militar de Luanda. Antes disso, fui cumprimentar o ferido. Era o então capitão comando Oliveira Marques. Estava anestesiado mas ainda se viam os danos causados, com sangue a escorrer e as pernas completamnete amputadas (devidamente tratadas como é óbvio).

Ele sorriu, e com ar desafiante disse-me: "Ó alferes isto não foi nada! Ainda me ficaram os tomates!" Eu dei-lhe um abraço e as lágrimas só a custo não escorreram pelo rosto.

Era assim aquela guerra estúpida, conduzida de uma forma pouco eficaz. O factor político não estava a ser devidamente equacionado. O capitão Oliveira Marques nunca mais o vi. Não sei se é vivo ou morto. Mas aqui fica o meu testemunho de alguém que na pior adversidade manteve a serenidade, o sangue-frio e não se armou em vítima...

O "coitadinho" do Jardim, é o anti-herói. Não sei o que faria num cenário destes. Mas o seu comportamento sempre obsessivamente doentio, sempre a auto-vitimizar-se é algo de patológico. Deus tenha compaixão dele...

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