rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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quarta-feira, julho 25, 2007

Questão de princípios: utilizador-pagador!!!

Enfiar carapuças cada qual pode fazê-lo. E há carapuças bem giras por sinal...
ELE FOI CONFESSAR-SE. TINHA REMOROS...
Ele, um conhecido presidente de câmara, foi confessar-se. Cristão de profundas convicções (não de fachada como alguns...) religiosas, militante da verdade e de boas práticas cívicas e deontológicas, ele, presidente de câmara (PC) foi lavar a alma junto do confessor...
PC - Padre, já não me confessava há algum tempo. Tenho um pecado muito grave que me atormenta a consciência!..
Padre: "Consciência"! Bonita palavra meu filho! Ainda bem que a tens, alguns que por aí andam a apregoar moral e bons princípios, não têm consciência de safadezas que vão praticando no dia a dia..
PC - Pois é por causa dessas safadezas que aqui estou padre. Sinto remorsos. Sei que a minha prática não corresponde aos meus princípios. Sinto-me um Frei Tomás!...
Padre: "Frei Tomás!" Ai de quem pense que não tem nada dessa criatura. Todos, honestamente, o temos. Mas dize lá o que te atormenta meu filho!...
PP-Eu acuso a oposição camarária de não ter respeito pelo princípio do utilizador-pagador. Mas, honestamente, eu também desprezo tantas vezes esse princípio..
Padre _ Concretiza, meu filho, esse maléfico pecado...
PC - Olhe, recorri aos tribunais para defender a minha honra e bom nome. Utilizei os serviços judiciais mas fiz com que fosse a câmara a pagar esses serviços!... Estou a ser incoerente, estou a ser hipócrita, diria mais, quase cínico...
Padre- Tens razão meu filho. Olha, e tens pecado mais neste domínio?
PC- Tanta coisa, padre. Às vezes estou na câmara e apetece-me ligar para um amigo, para o estrangeiro e utilizo o telefone camarário. Devia ser eu a pagar estas despesas, compreende, eu sou de princípios, aquilo que quero para os outros também exijo a mim próprio. Sou um escravo da minha consciência, dos meus sagrados princípios. Até já pensei em demitir-me por causa disso!...
Padre- Não te auto-flagelizes meu filho, não te faças de mártir, eu se pudesse fazia a mesma coisa... Tu não tiveste a maioria? Eles querem-te assim tal e qual és, assim mesmo de carne e osso, com os teus vícios, as tuas incoerências. Se te armares em puritano ainda corres o risco de perder as eleições e não queremos isso pois tens sido nosso amigo. Tens zelado pelos nossos interesses.
PC- Obrigado padre. Sinto-me mais confortado.
Padre- Para terminar vou-te dar a penitência. Podia-te mandar rezar uns padre-nossos e umas avé-marias, umas salvé-rainhas ou credos... mas de que adianta isso? Olha, esquece temporariamente o princípio do utilizador-pagador e quem vai pagar a tua penitência vão ser os serviços camarários...
PC- Mas, padre, os meus princípios!...
Padre- Manda às urtigas os teus princípios desta vez. Quero que mandes lá o pessoal da câmara arranjar a residência paroquial que está um nojo. Qualquer dia tenho aí o cónego Melo e o senhor arcebispo e aqueles quartos de banho estão muito degradados. Arranja aí um pessoal especialista no assunto e considera a tua penitência paga!

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