rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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terça-feira, junho 23, 2009

São João, caciquismo à solta!

Só quem for pouco atento é que ainda julga que o S. João é a festa dos balões, dos cravos, do convívio salutar, da sardinha assada... isso, é apenas a parte inócua, o folclore, o pano de fundo que convém perpassar aos olhos da multidão. De facto, a coisa é diferente. Os caciques locais apoderaram-se dele. Usam-no em seu proveito. São eles os «festejados», os «brindados» pela festa...

Vejam-se os jornais entrevistando os caciques com longas conversas à base do narcisismo parolo, do ataque insano aos opositores (a cassete não varia de terra para terra: são uns «maledicentes», «nada fazem», «só criticam», nós sim, somos os «artífices do progresso», responsáveis pelo «milagre local»).

Os jonais nem sequer se preocupam em saber se os opositores são ouvidos (todos eles), não, aquilo é a festa do cacique, só ele fala, só ele insulta, só ele tem direito de antena...

A religiosidade está ausente, a espiritualidade cedeu ao culto de personalidade: ao cacique, ao promotor («juiz da festa») do evento, aos presidentes de junta que aproveitam o palco para o banho de multidão capaz de limpar as impurezas da governação...

Quando desfila a procissão as conversas do populacho são as mais díspares (futebol, subsídios, empregos camarários, disputas familiares, caça ao voto, namoricos...); o santo não faz falta nenhuma, nem precisa das preces de ninguém, também há que ser realista. Ele é mero pretexto, figura decorativa que serve de aval ao culto das personalidades políticas: o senhor fulano de tal, o presidente da câmara tal, convidado de honra que sorri e faz gestos eufóricos à multidão, muito ao jeito do que faziam os reis e nobres no regime monárquico... Basta ler a História e adaptar...

Agora, os reizetes são outros, vestem outros fardamentos, usam discursos carregados de democracia, liberdade, sentimentos de igualdade ... contudo, isto é apenas a capa onde se embrulham para esconder os atentados aos direitos do outro, é a areia lançada aos olhos do povo narcotizado pelo ópio do poder... pelas mordomias que dá a alguns (grandes, médios e pequenos caciques...) para que melhor o dominem, qual rebanho que importa manter unido sob a batuta (cajado) do vil pastor...

Isto não é carapuça para ninguém em especial. É assim em Lisboa (com o Santo António), no Porto, em Braga, na Póvoa (com o São Pedro), sei lá, o mal está generalizado...

Daí estes meus versos simples e galhofeiros. Uma outra visão, mais realista, menos lírica do festim sanjoanino... Os que ainda julgam que a verdade é outra, vivem outra realidade. O «outro» São João já foi devorado por este, em que o culto mediático roça, por vezes, a tolice...
Nem se referem ao Santo, à sua mensagem, ao seu exemplo na sociedade do seu tempo. O martelo-narciso sempre a martelar, sempre a autoincensar, sempre a gabar façanhas e justificar permanência futura sob os holofotes mediáticos. O «ópio mediático» capaz de narcotizar multidões, incapazes de um espírito crítico, de uma reflexão mais profunda, de um exorcizar da canga que teima em permanecer ad aeternum sobre o lombo do povo!... «Pão e circo» era o lema de César... Agora é «Futebol e São João» até fartar! O povo há que narcotizar!


Democratas sem perfil

Só ódio no coração
Esmagam cravos de Abril
Ó meu rico São João.

Ferozes perseguidores
São João, são a granel,
Odeiam opositores
Não respeitam seu papel...

Julgam-se czares, caudilhos,
Vivem ocultando dados
Da prepotência são filhos
Do caciquismo... afilhados...


Caciques em procissões
Alma suja, São João,
Limpam as imperfeições
Com «banho de multidão»...

Lobos com ar de cordeiros
De hipocrisia fardados
São João, são os primeiros
Na Pólis, com seus pecados...

Agarrados que nem lapas
À rocha vil do poder
São João, vê lá se escapas
Perseguido... podes ser!

Eles odeiam o povo
Aos ricos servem de capas
São João, és vinho novo
Eles... são velhas zurrapas!

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