rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

quinta-feira, junho 18, 2009

O livro de reclamações de Maquiavel!

Eu, rouxinol de Bernardim, na qualidade de Agente Transcendental 008 ao Serviço de Portugal!
Meu lema: «fidelidade à Pátria, aos princípios nobres, ao bem!»


Nicolau Maquiavel, o florentino que escreveu «O Príncipe», manual de eficácia no exercício da nobre causa da política. Uma espécie de «treinador de bancada» do seu tempo...




Mergulhei no tempo e no espaço e lá fui a Florença. Sobre uma secretária obscura iluminada por uma vela dourada, lá estava ele, o «Livro de Reclamações» do Mestre. Não resisti à curiosidade e abri-o.
Pareceu-me tão cheio de actualidade que não resisti à tentação e filmei-o com o telemóvel que o procurador geral me deu. Magnífico, pedagógico, super-lúcido!!!

Reclamação mais recente:


«Meu caro professor. O resultado das suas prédicas deu no que deu. Tanto me pediu para ser inflexível, não ceder nunca, não dar parte de fraco, levar até aos limites as minhas convicções, que foi um desastre. Receio o fim iminente da minha carreira política. Ou me dá novos remédios, novas terapêuticas ou terei de mudar de conselheiro-consultor...»

O Mestre escreveu ao reclamante:


«Meu caro JS, as receitas foram boas, tu é que usaste dose excessiva: perseverança sim, não teimosia, obstinação, inflexibilidade. Tens de ter confiança em mim e ser forte. Usar o plano B é o que se impõe agora. Usa a humildade, o acto de contrição, o sorriso, a artimanha. Admite agora o erro, como factor da tua humanidade, aceita a crítica e até sorri com ela, usa o poder de encaixe com mestria. Quando te chamarem «Maquiavel» não movas um processo como usaste e abusaste, não, arranja um desses pobres lumpen (palermossáurios como tu gostas de dizer no teu jargão...) dos jornais ou das TV's e manda-os chamar o mesmo nome aos que te acusam.
Aproveita o impulso dos teus críticos e fá-los projectar no solo.Sorri e não mostres crispação. Dá o braço a torcer como forma de melhor derrubares o inimigo...
Usa a comunicação social com parcimónia. Não os forces a adularem-te, sê tu o adulador.
E quando o «grande timoneiro» disser que tens «bom senso», tu não hesites e cumula-o também de panegíricos. Sois farinha do mesmo saco, estais no mesmo barco, andais debaixo da mesma chuva!... Quando fizeres alguma festa, convida também alguns adversários, sedu-los, passa-lhes a mão pelo pelo...
Se cumprires o Plano B com inteligência e espírito de observação, continuarás no poder por muitos anos. Mas lembra-te: os fins justificam os meios se souberes usar esses meios com habilidade e com manha. Diz àquela que tão deselegantemente escreveu o «J'accuse!» que basta de servilismos, que lamber feridas não basta, é preciso curá-las!
E, por vezes, sorrir é o melhor remédio!!!

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5 Comments:

Blogger elvira carvalho said...

E não é que desta vez o JS está a levar à risca as indicações?
Um abraço

10:56 PM  
Blogger Tozé Constantino said...

Estes ensinamentos de Maquiavel são realmente pérolas que ele foi encontrando ao longo da sua vida de intensa análise da política e dos homens. Provavelmente o melhor presente que recebeu o Príncipe.
Quanto ao sorriso e ao riso são realmente o melhor remédio. Não dá para rir e sentirmo-nos irritados ao mesmo tempo. E a irritação não faz nada bem à saúde.

11:31 PM  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

elvira carvalho:

Não sei, não. A terapêutica está lá, bem elaborada. Só não sei se o «doente» estará à altura do Mestre-terapeuta!...

12:03 AM  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Tozé Constantino,

Seja bem-vindo a esta janela de lucidez onde o ar puro da ironia se casa na perfeição com uma dama tão elegante que dá pelo nome de Pedagogia!

12:04 AM  
Blogger douro said...

Um mimo.

1:11 AM  

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