rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Fui ao céu... mas Deus recambiou-me!

Parecia a muralha da China! uma chusma de almas em fila indiana preparando-se para entrar!
Quando chegou a minha vez, uma voz disse: «introduza o seu cartão!»
Parecia uma caixa de multibanco! Depois de o ter introduzido, a mesma voz inquiriu:«Escreva o código!»
Qual código, qual carapuça! Nunca me tinham ensinado na doutrina que era preciso um código!
Arrisquei: «Da Vinci!»
A máquina recusou. A vermelho, vi escrito: «Errado!»
Pior ainda. A máquina exclamou:«Só tem mais duas oportunidades!»
Arrisquei de novo: «Hamurabi»... E de novo veio a resposta: «Errado!»
Era o desespero total. Mas tinha que ser. Já começara a ouvir atrás de mim: «Despacha-te palerma!»
Então, em última tentativa, pus: «Amen!»
E deu certo! Uma luz verde apareceu e uma porta enorme se abriu! Era a porta do céu!
Lá dentro, em vez de S. Pedro, apareceu-me uma alma de boné! Eu conhecia-a! Era José Maria Pedroto, antigo treinador de futebol. Dirigiu-se-me nestes termos:
__Anda lá Rouxinol, vai-te equipar! Já vens atrasado! O céu está a perder com o inferno por 4 a 1!
Mal entrei nos balneários, olhei para o equipamento e fiquei deslumbrado! Era o número 10, o do Rui Costa, fiquei pasmado com aquele vermelho vivo e ainda a cheirar a novo!
Mal entrei no estádio, uma enorme salva de palmas ecoou! Seria para mim?!
Não, era para o atleta que eu iria substituír: José Águas, o marcador do único golo celestial...
Mal entrei, recebi um passe rasteiro de Matateu, driblei três infernais e, já dentro da área, fui rasteirado. Não, não caí, ainda galguei uns metros, ia marcar golo, mas fui empurrado pelas costas e foi mesmo penalty!
Por modéstia recusei o pedido que me foi feito para marcar. Acrescentei:

__Se temos aqui o Pavão, que é um especialista, porque não ele?
E assim foi. Pavão não falhou! Era o 4-2, abria novas perspectivas.
Numa jogada genial do Jacinto João, a bola sobrevoou a área, e eu, de cabeça, não perdoei: era o 4-3!
Aquilo ia animando. Entrei fresco e cheio de força. Os infernais estavam de rastos. Olhavam para mim de soslaio, como quem se interroga: «De onde terá surgido este passarinho?»
Na bancada, um senhor de barbas enormes, parecido com o Pacheco Pereira, comentava assim: «Esta espécie está em vias de extinção!»
Referia-se a mim, como é óbvio! Era Charles Darwin que fazia duzentos anos nesse dia. Eu fora como que uma prenda de aniversário!
Milhões de adeptos rejubilavam! Aquilo que fora uma perspectiva de derrota humilhante, começara agora a ganhar outro ar. As bancadas eram só vermelho vivo! uma tarja negra, ao fundo, rezava assim: «Campanha negra!»
Eu culminei outra jogada começada na extrema esquerda pelo Miro. Este avançou pela linha, cruzou fora do alcance do guardião, eu amorteci com o peito e antes que a bola caísse desferi um remate de pé esquerdo que rebentou com as malhas da baliza!
Deus, no seu camarote presidencial até excclamou: «Este é o Eusébio branco! já não há disto!»
Era o golo do empate! Era a apoteose!
Mas ainda faltava o melhor. Uma entrada fulgurante de Peyroteo, tabelando comigo na área, culminou com um toque de calcanhar que deixou o guardião boquiaberto!
O céu quase vinha abaixo! Era o corolário de uma reviravolta espectacular! nunca se vira um jogo igual!
O jogo mal terminou e fui logo chamado ao gabinete de Deus! Abraçou-me, deu-me os parabéns e disse: «Quero que regresses à terra para espalhar a tua criatividade! Fazes lá falta! Aquilo está numa depressão terrível! Tu és o homem certo para dar a reviravolta!»

E não disse mais nada! fiquei abismado! peguei na guia de marcha e fui ter como o Senhor do Bom Despacho!
Este, boa pessoa mas um pouco picuinhas. Imaginem que até pelas vacinas me perguntou!
Preenchi mil e um papéis, uma carrada de burocracia e lá entrei naquela nuvem branca que me haveria de conduzir de novo à terra. Por curiosidade perguntei-lhe: «Senhor do Bom Despacho, o combustível desta nuvem qual é?»
«Meu caro Rouxinol, isto é do melhor que há! não polui, não produz efeitos colaterais e é de uma eficácia a toda a prova. É a fé!»

3 Comments:

Blogger Eu sei que vou te amar said...

Uma viagem deveras original ao sabor de quem escreve com a alma!
Espero que tenha valido a pena sentir o ceu com regresso a terra;))
Beijo doce

3:34 AM  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Minha cara:
Não escrevo com a alma! É apenas fruto da minha fé! ela, dizem que remove montanhas! É uma ENERGIA ALTERNATIVA!!!

4:59 AM  
Blogger neide said...

kkkkkk, que bela história, fez sucesso lá por cima e com certeza tinha que voltar pra alegrar cá em baixo.
essa nuvem devia se romper e espalhar esse combustível como chuva nos corações dos homens da terra... Estamos precisando urgente de fé, que Deus nos proteja.
Que bom encontrar você, sei que meus dias serão ótimos ao te ler.

E é verdade o que falou no meu cantinho: Já estou em ritmo de carnaval.

Bjss

6:53 AM  

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