rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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domingo, fevereiro 03, 2008

Excessos da Igreja Católica...


Gregório XVI, de nome Bartolomeu Alberto Cappelari cometeu alguns excessos que, vistos à distância, são motivo de gozo. Chegou ao ponto de , num excesso de autoritarismo, proibir a construção de linhas férreas e combóios...
Mas, observe-se o teor de um edital publicado à porta da igreja de Junqueira (Vila do Conde) a um domingo, 24 de Agosto de 1834 (citando Monteiro dos Santos in «Correio da Junqueira» de 18.12.2007).
«Por serviço de Deus, bem da igreja Santa de Jesus Cristo, defesa da Santa Religião e utilidade dos fiéis e salvação das suas almas, faz-se público que o Sumo Pontífice, ora presidindo na Igreja de Deus, Gregório XVI, foi servido no dia 8 de Fevereiro de 1834 publicar uma bula em pleno Consistório, pela qual lança excomunhão e seu interdito ao chefe do Governo de Portugal, D. Pedro de Alcântara, a todo o seu Ministério, a todos os que preparam as armas por ele mandados, a todos os eclesiásticos Seculares ou Regulares por ele nomeados ou empregados, a um padre Marcos Pinto Soares Vaz Preto, de Lisboa, a todos os seus satélites e declara todos suspensos de seus exercícios e ordens separados para sempre da comunhão da Igreja. Estas censuras são reservadas somente a S. Santidade e só em artigo de morte dá faculdade a confessores aprovados para absolverem destas penas, mas não àqueles que foram sentenciados
pelo Governo passado que esses estão por S Santidade privados de absolver nem em artigo de morte. Todos os padres ou clérigos a quem os capitulares nomeados por D. Pedro dão jurisdição não a têm se não a tiverem do Capitular legítimo, pois aqueles estão excomungados pelo Sumo Pontífice e privados de toda a jurisdição. Dá por nulo o santo sacrifício da Missa para eles oferentes e sacrilégio de condenação a tal que nem no dia tremendo obterão perdão. Ninguém se pode confessar com os tais, pois ficam as confissões nulas e sacrílegas e nem sequer podem ouvir-lhes a Missa. Para ao que tentar o contrário ou este edital arrancar será maldito de Deus todo poderoso. Da Bem Aventurada Virgem Maria, dos apóstolos S. Pedro e S. Paulo e de todos os santos e santas da Corte do céu e lançado nas trevas exteriores aonde arderão eternamente.Amem.»
Ao que leva a chamada «infalibilidade» e o «temor de Deus»!...
Enfim, ridículo, patético, caricato...
Como é possível ter acontecido isto? A manipulação política mais abjecta com recurso a um líder religioso que deveria ser prudente, sensato, intelectualmente honesto.
E hoje em dia o que se passa na instrumentalização dos párocos pelos caciques locais?
Contaram-me (várias pessoas idóneas) que um conhecido pastor antes de um acto eleitoral fez apelo ao voto numa candidata e subrepticiamente hostilizou os candidatos da oposição a quem apelidou de «grupo de cachopos que querem ser autoridades»...
Outro acusou um candidato a presidente de câmara de não ser casado pela Igreja, como se fosse o maior anátema, o mais ignominioso ferrete. Outro, veio para os jornais dizer que não se deveria votar em Jorge Sampaio porque era casado sem ser pela Igreja!
Há padres que em vez de se candidatarem a presidentes de junta, como seria legítimo e mais democrático, ficam atrás do candidato, apoiam-no, esperando usá-lo mais tarde. Não é correcto. Os padres deveriam ser isentos e imparciais. Nunca se servirem do seu cargo para fazerem pressões ilegítimas e intimidatórias. Isto é baixa política e baixa religião!!!
Conheço um que recusava ostensivamente a comunhão e enxovalhava as pessoas em público, colocando-se acima de Deus, no julgamento sumário que fazia na própria igreja. Um dia veio pela igreja abaixo e acusou um cidadão de estar ali, não para se confessar, como era sua intenção, mas (pasme-se...) para ouvir as confissões alheias!!!
Era uma forma de humilhação política (eram adversários) notória e infamante. A vítima nunca mais se foi confessar...
Outro, fez uma denúncia sobre uma câmara municipal sobre suspeitas de corrupção. Quando se soube tal denúncia o padre (muito amigo do presidente) fez uma homilia verberando o «pecado» da denúncia como se fosse algo digno do inferno! foi ao ponto de chamar à colação S. José, afirmando que este, apesar de saber que a Virgem Maria estava grávida e ele não ser o pai, nunca a denunciou!!!
Isto passa-se hoje, quando deveria haver mais contenção mais respeito pela inteligência do povo.
E o povo ainda não abriu totalmente os olhos. O povo ainda não viu que por detrás de muita «devoção» poderá estar acordo estratégico, cumplicidade óbvia, tráfico de influências notório, «compra» de votos a troco de carradas de subsídios e de apoios ostensivos a todas as festarolas e a todas as bizantinices que se queiram aprontar. É, diga-se sem medo e com frontalidade, corrupção política e corrupção moral!!!
Aparecerem padres como «guarda pretoriana» de um presidente, como «comissão de honra», é algo de aberrante, é uma falta de isenção e de imparcialidade grotesca, é o lambebotismo ao poder mais aviltante, é a subordinação mais repugnante e a antecâmara de todas as possíveis ilicitudes. O que é legal nem sempre é ética e humanamente aceitável. O que não é proibido por lei poderá sê-lo pela consciência, pela ética, pela própria moral.
Na maior parte dos casos (nem sempre, sejamos honestos e sérios...) os padres estão ao lado do poder. Depois, quando o poder muda, eles, sem um resquício de honra e de verticalidade (as tais «varas agitadas pelo vento»...) viram a casaca para quem está na mó de cima, sem olharem para o mau exemplo que estão a dar aos paroquianos. Padres-carneiros... e não, como deveria sê-lo, padres-pastores dignos, firmes e hirtos na sua idiossincrasia, na sua postura. O tal que chamou «cachopos» anda agora alegremente atrás dos «cachopos» que agora são «autoridades». Se a coisa mudar ele andará sempre a reboque... Triste figura, triste camaleonismo, triste falta de verticalidade.

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