rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

terça-feira, janeiro 06, 2009

O capital é quem mais ordena!

A crise?! A culpa é da falta de competitividade... não podemos continuar a gastar mais do que produzimos!...O país assim afunda-se!!!...


O neoliberalismo tem cultores e sacerdotes de todos os matizes. Dizer que o país não produz, olvidando que o caudal de desempregados é enorme, foram adoptadas políticas conducentes à redução da produção (quotas leiteiras, quotas piscatórias, abate de frota pesqueira, incentivos ao pousio...), despedimentos selvagens, é simplesmente lamentável.
Quantas vezes uma empresa (e não os trabalhadores...) é pouco competitiva porque os «patrões» (não empresários...) sacaram até ao tutano, descapitalizaram, cometeram evasões em larga escala e não investiram como deveriam, tornando-a obsoleta e incapaz de inovação? Quantas vezes da empresa «saem» piscinas, jipes de alta cilindrada, iates, casa de praia, viagens e uma série infindável de mordomias, que não contribuem em nada para o progresso da economia, apenas são símbolos de ostentação dos que estão à frente dos destinos dessas empresas. Depois dizem: não «produzimos»!... como se a falta de produção fosse imputável aos trabalhadores, ao povo em geral!...Aos «outros», que não a «eles»...Eles é que não fomentam a produção, apenas o fútil despesismo!
Quem descapitaliza e desvia só para saciar os seus apetites e as suas noitadas, as suas perfomances nas slot-machines ou nas discotecas, e depois atribui a fragilidade da empresa aos trabalhadores é um cretino da pior espécie! quantos, vemos por aí ostentando sinais exteriores de riqueza iniludíveis à custa de salários em atraso, de desvios, de engenharias financeiras visando o saque puro e duro! E tantos deles passando por gente de bem, gente de teres...e haveres...
Quando o PR e outros economistas neoliberais acusam o «País» de não produzir, esquecem o «sistema» que está na génese dessa improdutividade: salários faraónicos para alguns gestores, reformas avultadas para indivíduos sem escrúpulos que depois vão trabalhar para a concorrência quando segundo os relatórios médicos estariam incapazes para o serviço, isto é um roubo ao erário público, uma traição à democracia, um atentado à equidade e à justiça social!
O Dr José Luís Saldanha Sanches ainda há dias verberava e apontava o dedo a alguns gestores da CGD, reformados por «invalidez» e a saciarem a sua gula pelo vil metal, noutro banco! Não seria da mais elementar prudência submeter esses indivíduos a uma nova Junta Médica? Será que houve corrupção na concessão de tais reformas? A mulher de César deve ao menos parecer séria... e ,neste caso, não parece!
Um antigo gestor de topo do Millenium também reformado por doença de foro «neurológico» anda por aí a facturar em mil e uma actividades, mostrando à saciadade que está são que nem um pero, se comparado com aquelas professoras cancerosas a quem foi recusada a reforma, quando estavam em condições miseráveis para exercerem dignamente o cargo!
Era isto que deveria dizer o PR nos seus discursos à nação, mas passa ao lado, usa linguagem banal e sem objectividade, esquece que a Nação é uma estratificação de classes sociais, um conglomerado de gentes, uns honestos e trabalhadores, outros peritos na trapaça e na artimanha, uns dando o corpo ao manifesto, cumprindo horários, outros saltitando aqui e ali, dando palpites em tudo quanto é sítio, mas nada fazendo de concreto, apenas surfando neste mar de prosperidade que o neoliberalismo propicia aos seus «sacerdotes», aos filhos de um deus maior, seja ele «Opus Dei» ou outra coisa qualquer!
O Dr Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados apontou alguns negócios escandalosos que toda a gente conhecia (de Coimbra e não só...) mas que ninguém investigava. Foi preciso ser o bastonário, com a visibilidade que lhe dá o cargo, para fazer mexer os cordelinhos... caso contrário tudo ficaria em «águas de bacalhau»... enfim, «águas de bacalhau» é o retrato fiel deste país sempre adiado e devorado por piranhas e sanguessugas com pendor vampiresco.
Ai Zeca Afonso, Zeca Afonso, como a tua canção continua actual, nem imaginas!!!

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7 Comments:

Blogger Dimas Maio said...

Excelente pio do Rouxinol. A razão
bem alicerçada. A expressão bem adequada. O termo bem apropriado.
Assim é que se canta !
O som, por vezes tem de ser bem estridente. Os cegos têm de ver, os surdos têm de ouvir !

Rótulo bem colado : "os vampiros do capitalismo"

9:47 AM  
Blogger heretico said...

excelente e oportuno post

abraços

11:22 AM  
Blogger Marieke said...

Duas prendinhas para este post fantástico...
I
eles estão aí
os lobos
elas vivem aqui
as hienas
vagueiam pelas aldeias
contam contos de terror
"vem aí o comunismo ai que horror"
saltitam de casa em casa
com a ajuda do prior:
"rezem pela nossa pátria por favor"
sussurram grandes histórias
em tom de muito segredo:
"vem aí o comunismo ai que medo"
e dizem ao lavrador
que resolva enquanto é cedo:
"os vermelhos não lhe deixam nem um dedo"
Do meu amigo cantor e compositor..Toni Vieira da Siva

II
No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
Do Zeca ...claro

12:01 PM  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Professor Dimas Maio:

Infelizmente acusam os trabalhadores e o povo em geral de consumir muito!... eles, os que esbanjam, malbaratam, esbulham, delapidam dinherios públicos ou privados
Sem um resquício de dignidade vêm acusar quem passa fome, quem quer trabalhar e não tem trabalho, quem
poupa o pouco que tem e vive no limiar da pobreza por culpa exclusiva de um neoliberalismo vampiresco que dá a meia dúzia de oportunistas o céu, enquanto que o inferno é ... para os demais!...

11:57 PM  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Meu caro herético!

Cada vez há menos crentes neste neoliberalismo que endeusa o mercado e louvaminha o deus-vil-metal!

Também sou «herético» à minha maneira, claro!...

11:58 PM  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Olá Marieka!

Obrigado pela sua generosa participação neste desnudar da praga vampiresca que assola o país de lés a lés....

Vampiros é o que há mais!...

Praga pior que a dos gafanhotos!...

12:00 AM  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Este texto excelente é daqueles que se devem guardar, para memória futura, e divulgar para abrir os olhos à população (muito) distraída!
A corrupção não tem limites e despudor não existe. É uma vergonha para o nosso país!
Os vampiros de hoje são piores, muito piores, que no tempo da "outra senhora". E vivemos nós em Democracia, abastardada por tanto bandalho!

12:58 AM  

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