rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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sexta-feira, julho 04, 2008

Será paranóia?!

Sandra vestiu-se de índia e fez realçar ainda mais a sua feminilidade, o seu charme, a sua beleza natural! E contou-me o que a apoquentava. Sentia-se perseguida!...

Sandra Bullock já desesperava por ainda não ter sido notada a sua ausência nos circuitos cinematográficos. Será que a consideravam já morta? Será que desistiram das buscas por algum motivo?

Sim, ela, uma personalidade de âmbito universal, sempre presente nos mais importantes eventos, sem dar sinais de si, já deveria ter chamado a atenção! Mas até agora, nada! Era desesperante! Foi-me confidenciando:

__Sabes, Roux __ disse-me com aquele olhar dócil, aquela voz tão suave como que a solicitar amparo e protecção...__ sinto que estou a ser vigiada, filmada, ou até fotografada! Há qualquer coisa que me diz que há mil olhares atentos a tudo o que fazemos, mesmo quando estamos no remanso da nossa cabana, lá no alto daquela árvore que nos serve de mansão...

_Não penses nisso Sandra __acalmei-a, meio apreensivo também, mas querendo mostrar força interior. __ Há uma certa paranóia que é natural surgir nas situações difíceis e que é uma forma de nos protegermos. Eu fui em tempos guarda-redes de futebol e tinha um segredo. Estava sempre a contar com o remate do adversário, estivesse ele onde estivesse! Eu, raramente era surpreendido, pois estava sempre à espera de um remate. Não avançava muito pois devido à minha elevada estatura tinha sempre êxito entre os postes. Nunca saía em falso e por isso não levava «chapéus"! Chamavam-me até o «aranha verde», para não fazer confusão com uma lenda de outrora, o «aranha negra», o famoso soviético Yashine!

__E que tem isso a ver com as sensações que tenho?__ replicou ela com certa lógica.

__É que tu estás tensa, levaste a vida inteira a fugir aos fotógrafos e a olhar sempre para as câmaras, agora, na ausência delas, tu imagina-las aí em todo o lado! É o teu «avançado» pronto a rematar para a tua «baliza»! Não te preocupes que isso passa!

Ela sorriu, achou graça à comparação, mas não me deu muita credibilidade. E disse mais:

_-Andamos a ser perseguidos. Não sei por quem, mas tenho medo, muito medo.

E lá se foi aconchegando no meu ombro, ternurenta, como uma leoa bebé brincando com a leoa-mãe. Mas eu, dando-me ares de segurança e de tranquilidade, também sentia algo estranho. Seria a paranóia?

As pessoas que andam em conflitos, que levam uma vida de risco, que precisam de uma atenção permanente para sobreviverem, correm esse risco. Na guerra, lembro-me de antes de fazer uma aterragem com o helicóptero num lugar qualquer, para evacuar um ferido, para levar auxílio a tropas no terreno, eu dava sempre algumas voltas sobrevoando os locais para evitar tiros de atiradores que pudessem estar em cima de árvores ou em pontos estratégicos com a arma em riste. Este excesso, esta prudência (quiçá excessiva para alguns...) sempre me deu garantias. Era a lei da sobrevivência a mandar e a ditar regras de conduta muito rígidas. Nunca fiando... O seguro morreu de velho!

Agora, ali, isolado de tudo e de todos, só com uma ingénua e frágil criatura a meu lado, eu sentia que poderia estar a ser alvo de alguma fera, de algum pirata, de algum ser alienígena até, tal a série de situações em que fora envolvido!...

Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. O receio, certa precaução, desde que não patológicas, são sempre um bom sinal. Os excessos de confiança são muitas vezes a «morte do artista»!

Sandra, com o seu trajo de índia, muito justo, a realçar-lhe as formas sensuais, foi-me confidenciando:

_No próximno dia 26 de Julho faço anos! Quero saber aonde me vais levar?!

Olhei para o «calendário» (aquele amontoado de pedras que todos os dias ia sendo actualizado...) e atirei-lhe de chofre:

__Que dia da semana é?

__Ela deu uma vista rápida e afirmou categórica:

__É uma sexta-feira! Véspera de um fim de semana alucinante!

Eu coçando a cabeça com ar pensativo, lá lhe fui prometendo:

__Levo-te ao Casino Estoril ouvir a Amália!

_A Amália já morreu há muitos anos. Agora vocês têm lá a Mariza, o Carlos do Carmo, sei lá, outras figuras mais jovens. Eu gosto muito de fado! Aceito! E onde vamos passar o dia? __ E sorria, sorria, sorria... Já se tinha dissipado a paranóia...

__ Vou levar-te a Sintra, vais conhecer o castelo da Pena e uma cidade lindíssima, vais andar de charrete, como as rainhas de Portugal o faziam no seu tempo. Vais almoçar em Colares, vais provar um vinho maravilhoso e saborear um leitão assado. Depois, vamos dar um paseio de avião, em Tires, sobrevoando Lisboa e toda a periferia para conheceres melhor Portugal... dizem por lá que «Portugal é Lisboa, o resto é paisagem!»

_Lá boas intenções tens tu__ disse ela preparando-se para mudar de roupa. Apareceu-me com uma túnica transparente, realçando-lhe o busto e fazendo com que eu perdesse a fala!...

__É este o trajo que vou levar ao casino Estoril! Espero que alguém nos venha buscar a tempo!

__Ai quem me dera um pingo de vinho da Madeira, ou um Porto, para te oferecer e saborearmos o momento! __ disse eu com tantas saudades, tantas saudades... não, não sou viciado em álcool, mas já fartinho de água e de comer gibóia salgada, sentia a falta do álcool como se fosse um viciado em heroína em tempo de prolongada abstinência...

Ela abraçou-se a mim a chorar! chorava copiosamente!...

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