rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

terça-feira, julho 15, 2008

A Corrupção defende-se! O País escuta-a rendido aos seus encantos!

«Minha querida, dou-te a nota máxima! Fazes muito bem o teu papel! que nota me dás a mim?»
«Ai, professor, para a idade, acho que um "satisfaz bastante" é justo, mais que justo!»



Hoje em dia o jornalismo anda pervertido, conspurcado, sem rei nem roque. O direito de resposta é arrancado a ferros, só recorrendo às entidades competentes. O contraditório é sagrado. Para mim e para todos os que ainda entendem o jornalismo como um sacerdócio (no bom sentido do termo, pois também há sacerdotes, que, Deus me livre...), para todos aqueles que vêem no jornalismo uma escola de virtudes o contraditório é imprescindível.

Assim, depois de criticar tanto a corrupção, por que não dar-lhe a voz?
Assim fiz. Telefonei-lhe e marquei encontro. Eis aqui, para a posteridade, a sua judiciosa e clarividente intervenção. Rendo-me à sua argúcia e ao seu fascínio...

R.B.- Que acha do Dr Marinho Pinto, da Ordem dos Advogados?
C - Olhe Rouxinol, tenho muito pouca connsideração por ele. É um louco, um tarado, um homem completamente desinserido do actual contexto. Qualquer dia ainda o irei ouvir falar de sinais exteriores de riqueza dos juizes, de promiscuidades entre juizes e autarcas, entre juizes e dirigentes desportivos, sei lá, o homem é um incontinente verbal. Ainda vai preso se continuar assim. Há coisas que não devem extravasar o âmbito restrito do pensamento. Aquela comparação à Pide/DGS é muito violenta, não acha?
R.B- Acredito que alguns agentes da Pide DGS tinham funções burocráticas sem grande pendor criminal e portanto não poderiam ter tanto poder como os juizes actuais. Eles não eram «irresponsáveis»...
C- Eu acho que o meu estatuto, a minha antiguidade na sociedade portuguesa (e mundial), é digna de respeito. Num país em que o respeito pela tradição é um imperativo moral...
R.B. Lá antiguidade tem você. Diga-me lá francamente, foi você que subornou Adão com uma maçã?.
C- É claro que fui! e fiz uma nobilíssima acção. Se não fosse esse acto ainda hoje a humanidade não existiria! Adão era um homem sem fulgor, sem virilidade, fui eu que fiz o tal clic que deu origem ao nascimento da raça humana. Deus já desesperava, pensando ter feito uma obra imperfeita! Logo o primeiro ser humano, a ser um incapaz, era demais para a auto-estima divina!... Ainda hoje estou ouvindo Deus a bater palmas depois de ter seduzido Adão! era o culminar da obra divina. Ou não teria razão?!
R.B.- Que pensa do Senhor presidente da República?
C- É uma excelente pessoa e um presidente a sério! Temos uma relação de respeito mútuo!
R.B.-Mas ele critica-a com frequência!!!
C. - Sim, sim. Mas isso é algo de litúrgico, de protocolar. Veja que ele só fala em mim nas alturas solenes, no «25 de Abril», no «5 de Outubro», enfim, ele sabe que tem que ter contenção pois caso contrário não será reeleito e ele nunca perde isso do seu horizonte mental.
R.B.- Acha que ele actua em função dos calendários eleitorais?
C - Todos os políticos conscientes e responsáveis o fazem, embora digam precisamente o contrário, está-lhes na massa do sangue! Eles dependem do voto do eleitorado, logo têm que ser eleitoralistas, senão... Sócrates fez o trabalho feio até agora, depois vai começar a abrir os cordões à bolsa... fazer umas leis Robin dos Bosques, dar umas «cenouras» aos idosos, aos jovens, aos funcionários públicos... tem que fazer pela vida. Há eleições para o ano que vem e ele também sabe disso! Fazer uma obras públicas para saciar a fome às construtoras, aos empresários do betão...
R.B. - Que acha de Sócrates e da sua governação?
C- Um político pragmático. Mente quando deve mentir e falta à verdade quando a mentira é demasiado evidente!...
R.B. - Nunca fala verdade?!
C- Olhe Rouxinol a verdade é uma palavra tão abrangente que daria para escrever um livro e nunca mais se chegaria a lado nenhum. Li o livro de um ex-secretário geral do PS francês ,Mendez France, em que ele falava muito honestamente na «Minha parte da Verdade»! Era um político sério. Sabia bem que a verdade tem mil-e-uma vertentes, depende das perspectiva. Se você estivesse na Lua veria a Terra como uma bola azul enorme mas se estivesse em Marte, a Terra teria outro visual: mais pequena, mais insignificante... Olhe Alberto João Jardim, sempre a criticar o despesismo de Lisboa, mas incapaz de ver o seu próprio. Quando se criticam os governantes por hipotecar o país e deixar encargos para gerações futuras ele, sabendo o que a casa (Madeira) gasta, sai-se com esta: «Mas as obras também são para as gerações futuras usufruírem, por que não recaír sobre essas gerações o ónus de as pagar?»
Coitado, é tão contraditório! qualquer dia desanca Sócrates com o seu despesismo, o seu Estado pesado e gastador, a sua falta de prudência! Gosto tanto de Jardim, é um génio!

R.B.- Que acha de Valentim Loureiro?
C - Outro pragmático de altíssimo quilate! Aquele homem nunca mente! Fala sempre com o coração ao pé da boca, sempre vitimizando-se, sempre a dizer que todos o perseguem, por ser leal, por ser franco, por ser puro! Merece uma estátua! Ainda o hei-de ver no palácio de Belém?
R.B.- Como presidente da República?
C.- Não, a convidar Cavaco para ser seu «testa-de-ferro» nalguma negociata... é um empreendedor nato. Consegue ter um poder concretizador absolutamente fora de série!
R.B. - Melhor do que o Eusébio?!
C.- Não, melhor que o Alves dos Reis!

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