rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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segunda-feira, julho 21, 2008

Na Rússia querem canonizar Estaline!









Candidatos ao altar? E por que não?!
Eles já estão no altar-mor chamado ingenuidade popular!...

Enfim, já é deles o «reino dos céus»!












Nem deu para acreditar, mas é verdade! José Milhazes, conhecido jornalista, dá conta do ridículo! Está no seu blog: http://publico/darussia.pt

Imagine-se aqui em Portugal, daqui a uns anos, pensarem na canonização de Valentim Loureiro, esse «homem-bom», sempre tão «perseguido» por jornalistas mal-intencionados, por magistrados com «sanha persecutória», enfim, um «mártir»na plena acepção do termo!

Imagine-se que o conhecido Zézé Camarinha também ia para o altar? Sim, essa criatura símbolo do macho latino, que segue o lema: «faz sempre o bem e não digas com quem!», capaz de tudo para fomentar o turismo, para captar investimento estrangeiro, um homem mediático, um Casanova português que tinha legiões de adeptas urbi et orbi, capaz de ombrear em popularidade com um Elvis Presley.... Estou imaginando uma estátua no Algarve em que ele apareça (qual Eça de Queiroz com a Verdade nua e crua nos braços...) com uma fogosa inglesa , ofertando-lhe os generosos e suculentos seios desnudos, mendigando carícias ternurentas!...
E ele, respeitoso e galanteador, não deixando os seus créditos por mãos alheias!...

Seria um cartaz turístico inolvidável! Uma espécie de Cristiano Ronaldo ... das praias!

E então Avelino Ferreira Torres, um homem tão temente a Deus, tão vilipendiado pelos homens, um cidadão acima de qualquer suspeita, também vítima de calúnias e de intrigas por energúmenos e de invejosos ressabiados? Um mártir da justiça terrena...

Estou a vislumbrar lá nas brumas do futuro, uma linda estátua, deste ícone local, lá no Marco de Canaveses Ele, equipado a rigor com o equipamento do Marco F.C., dando um pontapé nas cadeiras do estádio, querendo simbolizar com esse gesto libertador, a revolta contra os centralismos de Lisboa; uma espécie de «messias» do norte, capaz de capitanear um rebanho de pacóvios contra os elitistas e sulistas...

Enfim, isto de «santos» tem muito que se lhe diga. A I.C. já mandou retirar do altar muitos, pois não havia registo de qualquer entidade física que justificasse tal epíteto. As pessoas tendem a «sublimar» determinadas personagens, retirando-lhes todos os defeitos e cumulando-as de todas as virtualidades possíveis e imaginárias, criando-se auréolas artificiais que vão aumentando de «popularidade» com o decorrer do tempo, tudo dependendo do número de devotos... e até de «milagres». Passa-se o mesmo com as pessoas apaixonadas: a chama da paixão cega-as e não deixa ver defeitos, só virtudes! Veja-se a chama que cegou Pinto da Costa!
Um homem aparentemente tão lúcido e frio...

Estaline, com todos os crimes cometidos, todas as perseguições provadas ao longo de muitos anos, consegue captar as atenções até da própria Igreja Ortodoxa (quiçá também comprometida com esse período tenebroso...) a ponto de se pensar em colocá-lo no altar, o que dizer de tudo isto?

Muitos santos foram-no por causa de um martírio, de algum facto fora do comum que deu azo a perpetuação da imagem através dos tempos. Muitos santos foram criminosos ou devassos em elevado quilate, antes de o serem, isso também é verdade.

Quem sabe se daqui a muitos anos, ao analisarem o passado imaculado, a sua tenaz defesa dos valores da liberdade e da causa dos oprimidos, dos desvalidos da sorte e do poder, dos descamisados de todos os quadrantes, sofrendo com isso ataques miseráveis, perseguições da justiça, ataques à sua honra e bom nome, ostracizações de toda a ordem (religiosa, política e social), o futuro não colocará nos altares o Santo de nome Rouxinol de Bernardim?

São Paulo antes da estrada de Damasco não foi um grande pecador? Santo Agostinho famoso doutor da igreja, não foi um devasso e um grande libidinoso? E o Santo Condestável, não era um criminoso que passava a fio de espada tudo o que lhe cheirasse a sarraceno? E D. Dinis não casou com uma mocinha tão novinha (à luz dos parâmetros actuais seria um acto de pedofilia...) que viria a ser Santa Isabel, a do milagre das rosas?

Deus é grande e nós somos tão pequeninos, temos uma noção tão pobre da dimensão universal!

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