domingo, novembro 04, 2007

Era uma vez, na terra do Gato Maltez...



Um é o conhecido Gato Maltez, o outro é o anti-Sopranos...
Queriam fazer dele um pobre louco
Lançar labéu, estigma, um ferrete,
Foi ganhando prestígio pouco a pouco
Ao poder vai tirando o vil tapete...
Barrabás no poder há tantos anos
Já vê chegada agora a sua vez
O povo já está farto dos Sopranos
Cujo chefe é um tal Gato Maltez...
Neste Sicília lusa vai medrando
Um Bicho Carpinteiro bem nutrido
Que se ponha a pau, muito tem comido...
Comer demais é mau, e vai matando...
A farinha de pau vai enfartando
Este poder obeso e corrompido!

Enola Gay - Hiroxima


Foi a bordo do avião Enola Gay que Paul Tibbets lançou a primeira bomba atómica sobre Hiroxima. Gay de má memória, como quase todos os gays que por aí andam a infernizar a vida das pessoas...
Faleceu hoje o piloto que lançou a primeira bomba atómica causando centenas de milhar de mortos e um rol extenso de feridos. A humanidade fervilhava de ódio mortal. Os japoneses com os célebres kamikazes (pilotos suicidas) iam cometendo atrocidades atrás de atrocidades. O culto cego ao imperador (que consideravam divino), um fanatismo patriótico exacerbado aos limites, eis o cocktail explosivo que conduziu ao desespero. Os americanos sentindo-se ultrajados (pelo cobarde ataque a Pearl Harbour) vendo que nada parava aquela espiral de violência suicida, usaram a arma terrível de que dispunham: a bomba atómica.
A humanidade assistiu a um flagelo devastador. Centenas de pessoas gravemente afectadas pelas radiações radioactivas viriam a sofrer horrivelmente no futuro próximo. Apesar de tudo, os japoneses só se renderam quando caíu a segundo bomba: em Nagazaki.
Dizendo não temer a morte (como os cobardes americanos, na sua versão...), eles acabaram por se render e cairam na realidade horrenda. A bomba atómica foi o travão para a hecatombe que se abateria sobre a fanática nação japonesa.
Agora, contemplando a onda de homens-bomba que no Iraque assumem igual papel suicida pergunta-se se a humanidade não aprendeu nada com a História? A cegueira (religiosa e nacionalista) leva a limites insensatos e aberrantes. Oxalá não seja precisa uma nova bomba para terminar este conflito. Oxalá ambas as partes metam a mão na consciência e retirem as ilações necessárias e convenientes.

sábado, novembro 03, 2007

Carta aberta a Benedictus XVI


Benedictus XVI, o nome escolhido por Joseph Ratzinger, ficará na História. Como? Só ele o dirá com a sua prática, o seu exemplo, a sua acção cívica e pastoral. Tentando (modestamente) contribuír para uma melhoria da Igreja Catrólica, aqui vai este singelo contributo de alguém que sente a injustiça reinante e quer ver mudada a praxis vigente.
A:
Basílica de S. Pedro (Fax: 39.06.698.85518)
Com conhecimento de :
L'OSSERVATORE ROMANO E-mail: ornet@ossrom.va
Caríssimo Papa:
Antes de mais as minhas desculpas por não usar aquela terminologia de Sua Santidade, pois sei que não gostais de lisonjas nem de subujismos pouco dignificantes. Ainda não sois santo, daí ser abusiva a terminologia. Seria ferir a vossa consabida modéstia...
Às vezes sinto-me como aquele Galilei Galilei que afirmava não ser o sol que girava mas sim a Terra, perante a fúria de toda a Igreja Católica e de todo o mundo civilizado de então. Sinto-me como aquele menino que via o rei a seguir nu, todo impante no seu cavalo, perante o aplauso da multidão acéfala, sem coragem para dizer a verdade ao rei.
Há muita falta de CORAGEM. A Igreja precisa de gente capaz de dizer com coragem o que precisa de ser dito. Sei que dói, por vezes, dizê-la, mas alguém terá de assumir esse papel. Terá que haver um menino para dizer averdade ao rei...
Nessa qualidade me dirijo ao humilde servo da vinha do Senhor, na minha qualidade de servo da mesma vinha.
Sei que é duro o que vou dizer. Sei que vai causar embaraço, mas tem que ser dito. Deus me perdoe se erro. Faço-o com recta intenção, de peito aberto às balas de todos os vendilhões desta vinha às vezes tão atacada pela filoxera do farisaísmo e da corrupção...
A IC em Portugal tem virtualidades e defeitos. É de enaltecer o seu esforço para se adaptar a uma realidade hodierna, cheia de tentações e de perversões.
Tem-se vindo a constatar uma osmose (diria mais: um conúbio) entre o poder clerical e o poder político, havendo sinais pouco dignificantes para ambas as partes. O que se passa na Madeira com subsídios chorudos (a rondar os cinco milhões de euros) do governo regional para o Jornal da Madeira (jornal da diocese) assume foros de "compra de consciências"... Se o jornal usasse essas verbas para matar a fome e socorrer os deserdados da sorte, que os há em abundância paredes-meias com a ostentação e o luxo mais aberrante, ainda se tolerava. Mas o jornal em vez de se cingir às coisas da "seita do Nazareno" alimenta a coutada da "seita do Alberto João", entrando abertamente na liça política, atacando ferozmente quem combate a corrupção e as ilegalidades, e colocando nos altares quem pratica tais desmandos. Ou seja: coloca-se ao lado dos prevaricadores e não ao dos que denunciam essa prevaricação.
A Deus o que é de Deus e a César o que é de César!
Em Braga há um cónego que usa as vestes clericais para tentar intimidar o poder judicial. Ainda há tempos, num jantar que englobava os maiores ricaços da zona (80% do PIB no estulto dizer de um jornalista) ele defendia um amigo acusado de corrupção na câmara de Lisboa, incendiando os ânimos contra quem tem o sagrado múnus de ministrar a justiça. Se se assumisse como o cidadão X, sem a roupagem clerical, ainda se tolerava, mas vir à liça enxovalhar a justiça para defesa de alguém que, ao que tudo indica, navega nas águas turvas da ilicitude, não é digno nem para si próprio nem para a Igreja Católica.
Não se ouviu um tugir ou mugir pedagógico da hierarquia! diz o nosso povo, e se calhar todo o mundo, "quem cala consente"!
Assiste-se nalgumas autarquias a um autêntico circo mediático em que alguns párocos usam jornais e até o púlpito para apoiar quem manda (normalmente os presidentes de câmara no poder). Isto é mau, isto é vexatório. Isto é degradante!
Fala-se muito no anticlericalismo reinante na Primeira República. Esquece-se que ele radicou na hostilização popular a uma Igreja sempre servil, sempre subserviente e apologeta a uma monarquia corrupta, decadente e sem estofo moral para reinar e galvanizar um povo ávido de justiça social e de desenvolvimento a todos os níveis. A Igreja de então foi a muleta negra da monarquia. Suportou-a até ao seu desmantelamento total, serviu de caixa de ressonância ideológica de uma monarquia sem valores, sem dignidade, atolada na mais vil corrupção e no despotismo.
E o que se passa agora?
O presidente da República bem clama por leis moralizadoras pois elas são actualmente incentivadoras (e protectoras) da corrupção mais degradante. A AR faz ouvidos de mercador.
O país atola-se no lamaçal da corrupção mais fedorenta. A Igreja, tal qual o fazia aquando do estertor da monarquia, vai a reboque, não denuncia (como seria seu dever moral e cívico) o regabofe, mais parece interessada em devorar o ágape que lhe é facultado pelos responsáveis pela orgia orçamental.
A História repete-se. A dinastia de Bragança foi-se, a dinastia de Abril está a ser contaminada pelo cancro da corrupção, pelo vírus do tráfico de influências...
Caríssimo Papa,
Apetece-se parafrasear um grande escritor que teve a coragem de denunciar tudo isto no seu tempo (isto está cada vez mais parecido): "Este país é uma choldra!"
...E a Igreja Católica está nela até ao pescoço...

Corrupção e ... perfumes similares!




A corrupção é uma erva daninha que urge erradicar...
Veja a plantação perto de si...
O perfume corrupção
Anda no ar, nós sabemos
Um cheirinho a tentação
Prová-lo, lá chegaremos.
Perfume bem tentador
Inebria e faz sonhar
Vemos tanto sonhador
Com sonhos até fartar.
Pode usá-lo a meretriz
O autarca ou jornalista
O árbitro ou o juiz
O cónego ou o jurista.
Diamantinas criaturas
Com aroma muito forte
Fraqueza de almas impuras
Sem dignidade nem porte.
Ao perfume do poder
Já não há quem lhe resista
Há quem use pra vencer
O da marca populista!
Há perfumes bem audazes
E com aplicações várias
De abrir portas capazes
E até... contas bancárias!
O cheirinho a nostalgia
Ao passado se reporta
Fascismo anda aí, diria,
Anda aí, ninguém se importa!
Há aromas suculentos
Capta o senso olfactivo
Uns... captam apartamentos
Outros... só dinheiro vivo!
O perfume-corrupção
Anda no ar, é visível
Modesto e sensaborão
É o do... incorruptível!
O perfume da mentira
Usa um cacique idiota
Em Maquiavel se inspira
Prá sua ignóbil batota!
Perfume-demagogia
É pra uso eleitoral
Tão volátil, eu diria
Que não cheira bem nem mal...
O aroma na saúde
É o economicismo...
Mas a gente não se ilude
Já fede a chico-espertismo!
Nos tribunais vai fedendo
A chapelada ao poder
Perfume reles, horrendo,
Muito se está a vender...
Se a poluição cheira mal
É um fedor a política
Gigantesco lamaçal
Mas de moral bem raquítica.
O perfume que utilizo
É da marca Liberdade
Cada vez é mais preciso
Mete dó a sociedade.

quinta-feira, novembro 01, 2007

A vida é um instante... um "ai que mal soa"...



A Vida e a Morte... a roda da vida...

A vida dura um instante

Um nada na eternidade

Ficamos neste mirante

Às vezes contra vontade

A morte entra a seu talante...

O nível de cada qual

Não se mede por dinheiro

Por pipas de vil metal

O nível vê-se primeiro

Pela postura moral.

Moral e religião

Nem sempre andam lado a lado

Já vi moral em pagão

E bispo a ser condenado

De alma negra, qual tição...

Água benta e presunção

De nível não é medida

Bater no peito co'a mão

Madalena arrependida

Pode não ser contrição.

Muito falso moralista

Passa a vida se gabando

Atitude narcisista

O seu ego sempre inchando

Mais que do galo a crista.

A vida é uma procissão

Todos vamos no desfile

No adro, todos nus vão

Quais cordeiros em redil

Prá cova todos irão.

Há que colher a lição

E moral disto tirar:

Que importa tanta ambição

Muito dinheiro juntar

Se vamos sós no caixão?!

A vida é um instante... um "ai que mal soa"...

quarta-feira, outubro 31, 2007

Aos que partiram...


A cortina da morte lá caíu
Lúgubre, melancólica, fatal;
O castelo da vida sucumbiu
E foste prá viagem terminal.
O teu rosto lúrido espelhava
Mil canseiras, um mar de sacrifícios
De quem no trabalho se escravizava
Colhendo o Bem, não estrupícios.
Agora, aqui prostrado, com afecto
Imagino-tem em paz, lá onde estás:
A trabalhar com Deus, no Seu projecto.
Meu pai: o meu farol sempre serás
O teu carácter forte e bem directo
Combatente do Bem, também me faz.

terça-feira, outubro 30, 2007

O menino, o sol, o mar, o naufrágio...

O barco Luz do Sameiro foi abandonado à sua sorte horas e horas a fio... só um pescador se salvou. Fez-se um inquérito para apurar responsabilidades na incúria (demora e falta de recursos atempadamente disponíveis) e... nada se apurou. A culpa, morreu (mais uma vez...) solteira!

Fazem promessas, juram alterar o status quo, servem-se das mortes para se promoverem (é triste dizê-lo mas é a verdade!), depois tudo cai no olvido... até um novo desastre! Este chegando, repete-se a ladainha do costume e tudo continua como dantes quartel general em Abrantes!

Tenham vergonha na cara! Façam o que se impõe! Não sejam vendedores de ilusões!



O MENINO E O MAR...



O menino abraçando a luz solar
Contempla o horizonte sem ter fim
Também ele é um sol a iluminar
Esta noite tão escura que há em mim!


Que nos diz este sol e este mar?
Falam-nos deste povo marinheiro
Intrépido, valente, sem vergar
Ao mar bravio e ao vento traiçoeiro.


Quando morre na faina um pescador
O menino também agarra a dor
Tal qual fosse uma bola junto ao peito.


Também aponta o dedo acusador
Àqueles que podiam mais ter feito;
O desleixo... à morte dá sempre um jeito...

segunda-feira, outubro 29, 2007

A Primeira Noite ... no Paraíso!




Eu Adão e tu Eva, no Paraíso...
O primeiro ser humano!
(pintura de Salvador Dali)
(aquelas mãos ... o corpo do delito...)
UM SONHO BÍBLICO!
Era uma vez uma praia
Onde o sol nunca se punha...
O meu sonho ainda se espraia
Mais vivo do que supunha!
De mãos dadas, despidos,
As vergonhas bem ao léu
Este "império dos sentidos"
Não era senão... o céu!
E Deus?!... Era mesmo o Sol
O astro-rei protector...
Então Ele disse:
«Quero que façais a prole
Símbolo da Paz e Amor»!
A mim, chamava-me Adão
E a ti, Eva adorada,
A ti Mãe da Criação
(Não usavas mesmo nada...)
Chamava-te: Tentação!
Como eras tão mimada!
O sol te acariciava
Andavas sempre tostada
A vida não acabava
Na bela praia encantada.
Então o Deus-Sol falou:
«Isto aqui é o Paraíso
O ninho da humanidade...
Multiplicar-vos, preciso,
Dou-vos toda a liberdade!»
Então houve uma atracção
Como um fogo divinal
Dessa feliz combustão
Surgiu a... reprodução!
Então o sol descansou...
Veio a noite... com luar!
Foi assim que começou
O Homem a procriar!

domingo, outubro 28, 2007

Ó luar o meu obrigado!




O perfume de bonina...
O luar...
Afrodisíacos sem par!
FADO DO LUAR
Ó lua que vens espreitar
Os lençóis da minha cama
Não venhas mais inflamar
Esta paixão de quem ama.
Tens aura de feiticeira
De Vénus, o doce licor...
Do amor, porta-bandeira
Da paixão, despertador.
Tua alvura imaculada
Em Agosto cobre a praia
E a areia tão fascinada
Ao sentir o mar, desmaia...
Luar, o teu sortilégio
É perfume de bonina
O amor não é sacrilégio
Antes... dádiva divina.
E se amar fosse pecado
O céu estaria deserto
Pois Deus por nos ter amado
Lá não estaria, decerto.
Lua, que és inspiração
De poetas e pintores
Do céu és o coração
Com tuas paixões e dores.
Ajuda-me a ser amante
'inda mais apaixonado
Se amar melhor doravante
Ó LUA O MEU OBRIGADO!

Vida a duas velocidades...




Das estradas da memória
Varri más recordações
Prás valetas lancei escória
Ratos, sapos aos montões.
Carreguei no prego a fundo
Fiz-me à estrada do futuro
Alcancei o fim-do-mundo
O outro vi chegar, juro!
Então, parei pra pensar.
Fiz caminho de regresso
Agora, mais devagar,
Sem vertigem do sucesso.
Viajei com mais sabor
Apreciei a paisagem
Ouvi o som, vi a cor,
De mim criei outra imagem.
Há que repensar a vida
Não a levar muito a sério
Só assim Deus nos convida
A decifrar o mistério.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Referendo para quê?

Por uma questão de princípio sou a favor de referendos. São uma forma de o povo exercitar a sua cidadania, mostrar a sua vontade, enfim, cumprir o slogan "o povo é quem mais ordena!"

Contudo, este referendo para o Tratado europeu (vulgo de Lisboa), afirgura-se-me completamente descabido e fora de tempo. Deveria ter sido feito aquando da adesão inicial e não agora.

Além do mais ocorre-me perguntar: será que tem havido adesão popular aos referendos?

É claro que não. Independentemente de saber quais os motivos desse alheamento (respeitável e digno de meditação) importa analisar os prós e contras desse acto dispendioso e sem utilidade prática alguma pois o processo é irreversível. Ou não será?

Daí que só alguns mais interessados em usar uma arma de arremesso contra quem está no poder (fazer oposição pela oposição...) é que optarão (ou dirão que optariam...) por este processo referendário. Ou se confia na AR ou não. Se se confia, então deleguemos nos senhores deputados a tarefa de fazer essa análise pois a tarefa é complexa e os assuntos são de tal melindre que não é o comum dos cidadãos que poderá falar com conhecimento abalizado sobre tão específica matéria.

Crianças em risco: flagelo actual.




O trabalho infantil é uma das vertentes da violência que se abate sobre as crianças.
Há que travar este flagelo.
Atropelos sem fim, lá vão passando
As crianças em risco, que tortura;
Violências sem conta as vão matando
Neste mundo selvagem, só loucura.
É trabalho infantil, violações,
Recrutadas p'rá guerra bem crianças,
Escravas sexuais, aberrações,
Sujeitas a torturas, a matanças.
Os Direitos Humanos desprezados
Tantos abusos!, dá que meditar!,
Urge esta preversão erradicar.
Ao Deus-dará meninos segregados
Em guetos, lá nos bairros degradados
Sementeira do crime a germinar...

quinta-feira, outubro 25, 2007

Soneto aos turibulários...


Cervantes, o genial autor de D. Quixote de La Mancha satirizou bem os papéis do caudilho e do turibulário. O país está repleto de caudilhos e de turibulários. Basta olhar!
Lá anda a incensar sempre o caudilho
Estende a passadeira no trajecto
Anda sempre co'o dedo no gatilho
É rufia servil, escroque abjecto.
Todo mesuras, risos para o aio
Pesporrente e raivoso vulgarmente
Executa acções reles, de lacaio,
Diz sempre "amen!" ao chefe, cegamente.
Sinecuras na rádio e no jornal
Prebendas variadas nas festinhas
Ar seráfico, atento e serviçal.
É vê-lo a receber palmadinhas
Do caudilho, tão grato quão venal,
Ciente do papel destas gentinhas...

SONETO A UMA AMANTE

A Natureza é a amante mais pura e mais bela que nos dá tudo e nada recebe em troca!
Devemos ao menos respeitá-la, se não soubermos amá-la!
Poluída, pregada na cruz, sim!
Planeta do pecado original
Perdeste a vingindade; o teu mal
Esse "efeito de estufa" é o teu fim.
Global aquecimento, morte lenta,
Rumo ao abismo vais sem ter noção
Do eco-suicídio sem perdão
Meu amor Terra-amante, Terra-benta.
Fazer introspecção ou contrição
Bater co'a mão no peito, hipocrisia
Sem ter qualquer valor ou serventia.
Há que imergir no cerne da questão
E à palmatória temos que dar mão
Há que agir, acabar co'a letargia.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Soneto à Liberdade


Onde estás? Não te vejo em nemhum lado.
Nos braços deMorfeu entontecida?
Vem ter comigo estou bem acordado
Sê meu norte e razão da minha vida.
Pergunto ao vento amigo onde tu moras
Mas ele não responde, fica mudo
Eu preciso de ti, todas as horas
Tu és a minha espada e o meu escudo.
Quero-te minha amante, meu tesouro,
Bem libérrima, bem imaculada
Sempre presente, pobre mas honrada.
Liberdade és só tu, melhor que o ouro
Tu és raio de sol, um bom agouro...
Prenúncio de vitória abençoada.

terça-feira, outubro 23, 2007

Poesia -Orgasmo





De sílabas de letras de formas
se faz a escrita. Não se faz um verso.
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.


Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio, um gemido uma erecção
que transporta do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.

A poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?

Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo.

José Carlos Ary dos Santos

Não, não é conto... foi real!




__Então D. Nazaré, que tem o telefone?! Faz uns ruídos esquisitos, uns clics fora do normal!..
__Tenha cuidado alferes, pois pode estar sob escuta!
Foi assim esta a primeira vez que dei conta da existência das escutas. Era um período de grave suspeição. Corria o ano de 1971 e eu estava colocado em Angola. Costumava frequentar a casa do professor Santos Júnior, o criador da reserva ornitológica de Mindelo. Era na rua Cidade de Lisboa, um sítio sossegado e muito acolhedor. Ele, então colocado nos chamados Estudos Gerais
em Luanda, era simpático e gostava de receber pessoas da Metrópole. Nesse dia ele só bebia líquidos, "faço-o uma vez por mês, para ver se chego aos cem anos", gracejava com certa dose de ironia. Presentes alguns professores universitários amigos, bebendo cerveja.
__Eu não acredito nesta raça negra, a maioria são uns broncos, uns imbecis, não são capazes de se salientar em nada...__ falava assim um sujeito alto e forte que era natural da Guarda.
__Pois eu não sou tão radical__contrapuz eu__acredito que há negros inteligentes e capazes de ombrear com os brancos em muitos domínios, só que nalgumas circunstâncias eles não têm condições favoráveis para desabrochar... como agora, aqui em Angola.
__Você é poeta, tem desculpas, é um lírico!__ sorriu o outro com malícia no olhar__está provado cientificamente que a raça negra é inferior...
A conversa, amena e cordial, ia sendo salpicada, aqui e ali, por intervenções do anfitrião, prof. Santos Júnior... Ele próprio, embora de forma delicada, também afinava pelo mesmo diapasão...
O tema passou a ser a guerra e o futuro da Província Ultramarina, Angola...
Eu, embora de forma prudente, disse:
__Julgo que é preciso ter muito cuidado, pode passar-se aqui o mesmo que no Congo... pode demorar dez, vinte anos, sei lá...
__Não seja pessimista, homem__ desancou de imediato o tal sujeito da Guarda...__além de poeta você está num estado de espírito pouco propício a enfrentar uma guerra...
__Não, não é pessimismo, é realismo, há que dar ouvidos à História!... __repliquei eu.
__Você parece o Manuel Alegre, esse que foi para a Argélia arrotar postas de pescada, dizendo mal de Portugal e dos portugueses... Esse cobarde queria fazer aqui uma guerra civil!...
__Julgo que talvez não fosse essa a ideia, talvez dar uma independência como aconteceu no Brasil, para dar voz a todos os angolanos independentemente da cor da pele...
__Você está pior do que eu pensava! você defende esse canalha?! Você "ouve vozes" seja da História, seja do "vento", quem "ouve vozes" não está bem fino... deve tratar-se...
A conversa aparentemente simples e cordial azedou. Vim a saber mais tarde (por intermédio do professor) que ele tinha um irmão na Pide/DGS...
A minha correspondência particular começou a vir violada e nem esforço faziam para eu não perceber...
Não sei porque carga de água esta conversa chegou a um oficial superior que me interpelou sobre ela e sobre as tais "vozes"... Fiquei siderado! Até me mandaram a um psiquiatra!... e fui, mas não consegui convencê-lo totalmente. Ele era ainda mais reaccionário do que o tal professor da Guarda!
Passados uns tempos houve uma forte explosão em Tancos e essa explosão foi atribuída a um amigo meu, de nome Ângelo, que mais tarde vim a saber pertencer à LUAR (Acção Revolucionária Armada). A princípio defendi o tal Ângelo quando surgiu a notícia, pois não acreditava ser possível ele fazer tal coisa...
Enfim, nunca me passou pela cabeça que aquela conversa havida na casa do professor Santos Júnior desencadeasse escutas telefónicas, mas de facto assim foi...
O Big Brother sempre em acção!...

Pinto Monteiro sob escuta?!!!


A justiça está periclitante. A suspeita de que o próprio PGR poderá estar sob escuta fez soar campainhas de alarme!

George Orwel, o criador de Big Brother, está omnipresente. Cada vez que a sofisticação tecnológica é um facto vão-se multiplicando esquemas de controlo sobre a privacidade dos cidadãos, à margem da própria legalidade. Ou seja, em vez de serem os criminosos e/ou delinquentes a serem observados e vigiados e (poderá ser...) o inverso!
Abastardamento completo das instituições. Perversão de valores. Cenário de desmoronação do Estado de Direito.
Já era previsível. Quando estão em causa processos de melindre extremo (Casa Pia, Apito Dourado, Madeira (Funchal), algumas câmaras municipais), surge este alerta para que o sistema se cuide. É um alerta amarelo ainda, mas poderá ter contornos avermelhados, bastará aprofundar-se a "coisa"...
Há que estar atento pois a PGR já foi alvo de tentativas similares no passado. Algumas críticas a magistrados, feitas de forma pública e altissonante dão a entender que o senhor PGR não tem confiança naqueles que deveriam ser pilares do Estado de Direito, ao apelidá-los de "condes" e "barões" (no sentido de serem plenipotenciários na sua esfera de acção), e deixa antever cenários muito pouco abonatórios para a democracia.
Quando na ilha da Madeira se começam a agitar as consciências (algumas até então adormecidas...) vislumbra-se algo de novo e quiçá irreversível. Há que exigir transparência e responsabilidade a quem ministra a justiça. Ela é um serviço público, deve estar ao serviço da colectividade e não de oligarcas poderosos (no sentido político ou económico) que tudo controlam, tudo dominam, tudo supervisionam. Espero que não surja aqui em Portugal algo parecido com a "loja P2", pois seria muito lamentável e revelaria o quão apodrecida poderá estar esta flor que se quer límpida e perfumada, a justiça, neste jardim da democracia.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Zé Povinho e ... Zé Pantagruel!




O Zé Povinho que se contente com umas migas ... ou uma açorda!
Pelo contrário, Zé Pantagruel
banqueteia-se por tudo quanto é sítio e ainda se permite criticar quem tem fome e sede de justiça!
Em artigo publicado no JN, FJV, conhecido comentador gastronómico e jornalista com algumas sinecuras e mordomias no seu cardápio, enxofra com ar dorido aqueles que, legitimamente, apelam a uma maior justiça social!
É de bradar aos ceus! Ele vive de forma faustosa e sempre se "encostou" a quem podia dar-lhe alimentos... Ainda me lembro da sua fase esquerdista em que vestia mal só para disfarçar e talvez com medo que vissem nele algum judeu rico, errando por este vale de lágrimas à cata de suculentos pratos de lentilhas.
Quando recentemente vieram a lume dados sobre a pobreza (cerca de dois milhões) ele ainda se permite fazer comentários achincalhantes a quem verbera o actual estado de coisas (no futebol, na política, na economia, na banca), como se vivêssemos no melhor dos mundos e tais manifestações de descontentamento popular fossem fruto de alguma oculta orquestra a mando dos comunistas ou de criptocomunistas...
Se o ridículo matasse FJV já seria defunto há muito...
É lamentável ler dislates destes, vindos de alguém que deveria ter mais respeito
por este povo simples e explorado que tantas vezes é vilipemndiado por aqueles a quem deu a mão e ajudou a alçapremar a lugares de destaque. Agora, parece querer pagar facturas ou lamber botas a alguns mecenas que o colocaram no pedestal... Enfim, estranhas formas de vida... O Fado do oportunismo!...
Para mim FJV passou a ser um mito!
No dizer do grande Fernando Pessoa, "mito é aquele tudo que não é nada"!