sábado, julho 21, 2007

O "chico-espertismo" anda por aí!...


No Paraíso Terreal começou esta praga do "chico-espertismo"!!!
Prolifera na seara de Abril esta erva daninha que vai resistindo a todos os pesticidas, que continua a medrar no Terreiro do Paço, nas autarquias, nas universidades, nas escolas, nos hospitais, nos tribunais, etc.
É joio, mas, graças a um "esperto" mimetismo, gosta de se fazer passar por trigo são e escorreito!
Às vezes faz promessas mirabolantes, sabendo de antemão não ter recursos para as cumprir, mas fá-lo só para impressionar, bem sabendo que está a mentir aos outros e a si próprio, outras vezes faz Planos de Actividades tão excessivos que sabe não poder executá-los, pois não tem recursos financeiros para tal, mas, só para "inglês ver", só para exibir estulta megalomania, só para se dar ares e impressionar incautos, repete a façanha ano após ano...
O "chico-esperto" usa e abusa da vitimização para colher dividendos eleitorais. Quantas vezes se serve do erário público para usar os tribunais como chicote castigador de adversários que, na maior parte dos casos, se limitaram a cumprir com dignidade o seu papel fiscalizador, dando seguimento ao juramento eleitoral, cumprindo sem tergiversar a sua tarefa. Ter opinião, passa, para o "chico-esperto", a ser um grave delito de lesa-"majestade"!... Às vezes, essa opinião destina-se a defender o cidadão de custos que directa ou indirectamente o vão onerar e depauperar o já de si magro orçamento familiar...
Quantas vezes essa "chico-espertice" se manifesta em placa pomposa a anunciar a existência de uma ETAR( que, de facto, nunca existiu...), de umas piscinas (que, de facto, nem para as calendas...), de uma estrada (que nunca chegou a ver a luz do dia...).
Não raro o "chico-esperto" recorre a créditos bonificados que deveriam ser usados em investimentos de grande alcance social e os usa para fins especulativos...
Quantas vezes ele pede para o partido... e o espórtulo fica nalgum "apeadeiro", sem nunca almejar a "estação" final?!
Ele tem artimanhas e usa mecanismos de sedução bem ardilosos para captar ingénuos; quantas vezes não são os próprios tribunais, manipulados de forma ultra-"idiota" por maquiavelismos sofisticados urdidos em mentes mercenárias, a serem usados como "cassetetes", como "punhais" nas costas de adversários directos? Suprema vilania esta! Despesismo e burocratismo doentios!...
Ele é o grande empresário que usa todos os expedientes legais (ou ilegais...), se serve de manobras dilatórias para que o processo X prescreva; ele é o devedor ao fisco que arranja artimanhas para protelar "ad infinitum" as sua obrigações; ele é o estratagema das providências cautelares que é usado para prejudicar um concorrente, só por birra, só para causar danos gravosos.
O "chico-espertismo" atravessa a sociedade e existe em todos os patamares do tecido social.
Ele até pode ser o pároco, que, dizendo-se democrata-cristão, vota em sentido contrário, sabendo que, com este gesto __ que habilmente faz divulgar...__ lhe trará benesses de índole pessoal, familiar, paroquial também... e, quem sabe, poderá dar azo a uma citação no pasquim oficial do poder local, estilo "este não é nosso, mas... vota em nós!...", depois seguir-se-á uma cantilena do génro "segui o cherne!" E o "cherne" assim cultuado, lá vai, votando e rindo...
Enfim, o país inteiro está infestado desta praga. A seara de Abril não produz como seria desejável pois esta moléstia a ataca de forma persistente e bem danosa. Mas... será possível erradicá-la definitivamente?!
Creio bem que não. Creio que ela é intrínseca à espécie humana: começou logo em Eva, quando, no Paraíso Terreal, com o seu "chico-espertismo", foi entregar a maçã a Adão!...

sexta-feira, julho 20, 2007

A TRAGÉDIA DE S. PAULO


O aeroporto de Congonhas (S. Paulo) foi cenário de uma grande tragédia aérea.




Aviões na fase de aterragem.
AQUAPLANAGEM OU ERRO HUMANO?
O grave acidente aéreo que ceifou a vida a quase duas centenas de pessoas (incluindo um português) ainda está bem fresco na memória . Alguns invocam o facto de poder ter sido causado por aquaplanagem, ou seja, pista com deficiente drenagem e com condições susceptíveis de provocarem pouca aderência depois de uma aterragem feita a velocidade superior ao normal.
Só as peritagens poderão dar uma explicação cabal sobre esta tragédia. Mas importa reflectir sobre as condições de segurança, pois todos estamos sujeitos a ser vítimas de uma conjuntura semelhante. O prevenir é melhor que o remediar...
Recordo que estava eu em Sintra (Base Aérea nº l - Granja do Marquês) , tripulando um avião Chipmunk, ia sendo vítima de um grave acidente na aterragem e que evitei "in extremis" graças ao instinto e a reflexos apurados.
O avião ia já na "final", apontando à pista, de forma correcta, muito embora o vento fosse muito intenso. Fiz a aproximação para o princípio da pista, estava muito próximo do local, e, de repente, sem que nada o fizesse prever, o avião caíu vertiginosamente e ameaçou espatifar-se no solo... Sem que tivesse bem a noção da gravidade dos factos, accionei o motor e, com calma, o avião estabilizou e começou a voar de novo em condições normais, permitindo-me "borregar" evitando assim o acidente fatal.
O que se tinha passado de facto?
Era uma avaria de flaps. Esses apetrechos que estão acoplados à parte traseira da asa do avião, próximo da fuselagem e que têm um efeito redutor de velocidade devido ao atrito com as camadas de ar, aquando da aproximação à pista e estando o motor nos mínimos.
Contei a minha versão e ninguém quis acreditar!! Era lá possível a falha de flaps, diziam alguns pouco crédulos... o material nunca falha!!!
O avião era velho e de facto este tipo de acidente é muito pouco vulgar. Só acreditaram na minha versão quando, tempos mais tarde, um oficial do quadro permanente, ao usar o mesmo avião, se ia estatelando no solo devido a idêntica avaria. Então sim, o avião foi para abate!!!
Eu, um simples oficial miliciano, não tinha credibilidade; ninguém acreditou em tal hipótese; mas, quando se passou a mesma coisa com um oficial superior, então sim, já todos deram fé à minha versão dos factos...
Agora, ao verificar os condicionalismos desta tragédia, várias hipóteses se podem pôr; contudo, a mais provável, é talvez a velocidade excessiva na aproximação à pista (erro humano) e as condições de pluviosidade excessiva e má drenagem da pista provocando aquaplanagem...
Bom seria que isto servisse de lição para muitas situações concretas. O material acumulado nas pistas resultante do embate dos pneus das aeronaves, associado a grande pluviosidade, poderá dar azo a situações similares, criando condições propícias a sinistralidade. Bom seria que desta tragédia se extraíssem (urbi et orbi) as naturais medidas preventivas.

A sublime confissão-catarse do político arrependido...

NOTA PRÉVIA: Este relato é pura ficção e nada tem a ver com a realidade.

Ele ajoelhou-se diante do confessor, benzeu-se, rezou o acto de contrição; este abriu as hostilidades:

_ Então, que pecados tens, meu filho?
__Olhe padre, tenho cá uma dor no peito... nem sei que lhe diga. Preciso de me abrir e da absolvição como de pão para a boca!
__Desabafa meu filho; o confessionário é um local de catarse, de reconciliação, de libertação da angústia e do stress. Tu, que és psiquiatra, sabes bem que isto é tal e qual o teu divã...
__ Sou psiquiatra mas estou cada vez mais doente, padre. Sinto-me como que um doente bipolar: euforia desmedia e depressão profunda! Alto e... baixo astral!... É deprimente.
__Liberta-te meu filho. Diz lá os pecados mais recentes...
__Olhe, sou demasiado ambicioso. Logo de manhã levanto-me e vou para o ginásio. Sinto uma enorme ânsia de vencer, de ganhar a qualquer preço!
__ Não me digas que tomaste doping?!
__ Não, não tomei, padre. Apunhalei o meu partido! Pensei em mim, e esqueci-me dele... e tanto do que sou lhe devo a ele, meu Deus!...
__Mas... apunhalar o partido ainda não é pecado, que eu saiba!...

__É, é, e muito grande. Com a minha doentia ambição pelo poder, eu afirmei que o partido iria perder na corrida à câmara de Lisboa. E fui mais longe: disse que a culpa seria do líder e não do candidato!
__Digamos que te meteste por caminhos perigosos. A futurologia é o papel divino, não está ao alcance dos mortais. O futuro só a Deus pertence! Mas, até acertaste em cheio!
__ Sim, padre, acertei. Era tão óbvio. As previsões todas apontavam nesse sentido. Eu, no lugar do líder, não faria melhor, confesso-o humildemente. Mas isto foi um pecado de falta de solidariedade, de falta de lealdade, uma vil traição! Foi o pecado da suprema ambição...
__ Queres tu dizer que com a derrota (que intimamente desejavas) só pensavas na tua hipotética ascensão ao cargo de líder! Isso, de facto, é um grande pecado!

__ Isso mesmo, padre! Eu fui longe demais! Fui imprudente. A ambição cegou-me a tal ponto que nem vi as consequências. Fui vítima da minha soberba, da minha ânsia de poder, da minha luxúria político-partidária. Enfim, o meu exacerbado sentido da oportunidade, o meu oportunismo doentio levaram-me a isto!...

__ Enfim, compreendo-te. Mas vejo que estás arrependido e isso já é muito bom. O arrependimento é meio perdão.
__É óbvio que sim, padre. Quero pedir perdão a Deus pelo meu pecado. Quero redimir-me.

__Olha meu filho, vejo que estás sinceramente arrependido. Vai e que Deus te abençoe. Reza como penitência 10 avés-marias e 10 padre-nossos. Olha, deixa também 1.000 euros aí na caixa das esmolas para as despesas do culto. Santa Maria Madalena, a padroeira dos arrependidos, te há-de ajudar no futuro... tenho a certeza.

__Padre, posso pagar com cheque da autarquia?
__Mas que ideia, meu filho?! A autarquia não pecou...

Passados uns tempos e vendo que o cheque não surgiu na caixa das esmolas da paróquia, o confessor dirigiu-se ao conhecido autarca:

__Então, meu filho,. esqueceste-te da penitência?!
__Não padre.Eu paguei.
__Mas não vi lá o teu cheque.
__Paguei com valores "murais"!
__Mas... como assim?!

__Olhe padre, mandei pintar todos os muros dos cemitérios do concelho. Estavam num estado lastimoso!...

quinta-feira, julho 19, 2007

O TRIGO E ... O JOIO!


Rui Rio: poderá não ser "o caminho, a verdade, a vida", mas é, seguramente

mais descontaminado dos lóbis da bola e quejandos...

Entre ele e o autarca de Gaia há alguns côvados de diferença em estatura moral e cívica.








Não tenho opção partidária. Não tenho ambições políticas. Entendo que deve existir sempre alguém que possa falar de "fora" para perceber melhor o que se passa lá "dentro".


Sei por experiência (bem dolorosa) o que é ter coluna vertebral, não ceder às chantagens dos lóbis, não bater chapeladas ao vil metal.


Por isso sei o que quer dizer na sua a presidente da distrital do PSD de Lisboa quando verbera os que por ambição pessoal, por arrivismo, por ânsia de protagonismo, quebram os laços de solidariedade e se postam quais alpinistas da fama procurando subir ao cume da montanha do poder. Esses, os sôfregos amantes da glória, os tiranetes de pacotilha, os caudilhos de trazer por casa, a tudo se prestam para saciar o seu apetite...mesmo calcando princípios.


Conheço bem o lóbi da bola. Sei os seus métodos, conheço as suas motivações profundas, os mecanismos de sedução e de "captação" de apoiantes. Não cedi ao canto da sereia e demiti-me da política partidária. Mas não me demiti de observar, não me demiti de opinar, não meti a cabeça na areia.


Por isso sei do que fala a presidente da distrital do PSD de Lisboa. Ela está dentro da razão quando fustiga forte e feio aqueles que à sombra de um protagonismo emprestado por entidades de cariz mafioso se prestaram a usar o camartelo contra esse edifício respeitável chamado PSD.


As "rãs" do nosso descontentamento já há muito coaxavam no charco da ambição desmesurada.

O seu coaxar já alertara os mais prudentes para o arrivismo e a autopromoção sem freio...


Sei bem que Rui Rio, muito embora tenha cometido muitos erros na câmara do Porto ainda é uma referência moral. Recordo que sempre se procurou afastar do poderoso lóbi da bola, com todos os riscos que isso comportou.


Quando o processo "apito dourado" ainda é procissão no adro, a ânsia de LFM poderá confundir-se com a ânsia "controleira" de outras entidades que poderão ter a tentação de o usar como eminência parda. Daí o perigo de uma opção para a liderança do PSD.


Mal por mal, antes Rui Rio. É preferível a racionalidade economicista à audácia megalómana e despesista. Antes a preocupação com as despesas do que a irresponsável ostentação de obreirismo à custa de encargos futuros.
O antigo ministro da justiça Aguiar Branco também é, sem sombra de dúvidas, uma opção mais válida do que LFM, contudo, é preciso que os militantes saibam discernir entre mediatismo puro e duro e a qualidade intrínseca, o capital moral e cívico. Oxalá haja maturidade e bom senso nesta fase difícil . O país precisa de uma oposição crítica mas responsável e séria. O populismo balofo já foi chão que deu uvas. É ele o responsável pelo exacerbado índice abstencionista.

quarta-feira, julho 18, 2007

Democracia doente: diagnóstico e terapia.


Marques Mendes e Portas em queda livre...
Menezes, sorrindo e espreitando a oportunidade caída do céu...

DIAGNÓSTICO:
Após os resultados obtidos pela ABSTENÇÃO (+/- 62%) nas autárquicas de domingo no que concerne à câmara de Lisboa constata-se um divórcio entre o eleitorado e o poder político, entre o povo e o regime actualmente vigente.
As pessoas recusaram concorrer ao jogo eleitoral. Deram um cartão (amarelo/vermelho?) ao sistema. Disseram que a continuar assim vai estiolando a chama da democracia, vai-se afundando na areia movediça da indifernça, no pântano do descrédito, o actual regime. Democracia isto?
O que se viu na campanha?
Pura demagogia. Temas como a licenciatura do primeiro-ministro e o novo aeroporto a serem usados como arma de arremesso, como último recurso de quem não tem argumentos credíveis.
Como pano de fundo, indiciando um estertor de agonia, a corruptite aguda que grassa a vários níveis. O poder está enfraquecido, a confiança dos cidadãos está a níveis baixíssimos, existe a noção de que a solução não passa por este litúrgico e "sacramental" acto eleitoral.
Os candidatos mostraram pouca apetência pelos temas mais importantes e centraram a sua actuação na brejeirice, no ataque pessoal, na frase bombástica.
Partidos minados por "dentro" (caso do PSD , com LFM, o autarca de Gaia mais parecendo um conhecido dirigente desportivo que vibrou com a derrota da selecção nacional contra a Grécia... desejoso de factos que legitimem a sua entrada no pódio partidário), outro completamente fragmentado depois de uma vitória "pírrica" em eleições que mais pareceram um acto de "rapina", deram uma imagem de fragilidade (patologia?) indisfarçável.
Máquinas partidárias sólidas a serem esmagadas por dois candidatos independentes; um mais credível, outro mais populista, mas ambos a ganharem com o progressivo ódio popular às tricas partidárias.
Como cenário de fundo, um clima de suspeição generalizada sobre o regular funcionamento das instituições. A saúde, a justiça, enfim uma notória falta de "qualidade democrática".
A democracia sofrendo de patologias diversas. O regime em estado de "desgraça". O povo a afastar-se cada vez mais da participação cívica.
TERAPIA:
Há que dar uma imagem mais saudável e mais credível das instituições. Há que erradicar definitivamente os focos de corrupção que se vislumbram no quotidiano. Há que corrigir as injustiças sectoriais para que haja uma maior equidade na repartição dos sacrifícios. Há que criar mecanismos de correcção das assimetrias actualmente vigentes.
Vigilância e fiscalização efectivas. Não justicialismo doentio (outra aberração) mas sim actuação sadia e sensata sobre prevaricações que estão na génese de muitos fenómenos de injustiça social.
Austeridade para todos e não para o trabalhador, o pequeno e médio empresário, o funcionário.
Corrigir os excessos nos gastos supérfluos e sumptuários do Estado. Que o exemplo venha de cima. E que venha tão depressa quanto possível.

segunda-feira, julho 16, 2007

FUTEBOL: Os "chacais" dão cabo dele!...



Os "chacais" andam por aí à solta e ninguém os pára!
Até quando a lei da selva imperará?!
Futebol com mais verdade
É preciso acreditar
O povo já tem saudade
Quer gente séria a mandar!
O flagelo é pandemia
Todo o mundo subornado
Começa numa autarquia
E acaba... lá no relvado.
Férias pagas, mordomias,
Pegas por conta de jeitos,
Viagens... grossas maquias,
Tudo serviço "perfeito"!...
Lei do silêncio impera
Neste hipócrita sub-mundo
Gente reles, gente-fera,
Mete o futebol ao fundo.
Arbitragens combinadas
Truques por baixo da mesa
Vitórias "teleguiadas"
Por máfias à portuguesa!!!
Andam por aí a rir
Só vítimas!... coitadinhos!
Culpas?, não vão assumir
Querem passar por "anjinhos"!
Respiram tranquilidade
Sorridentes, na TV
Cientes da impunidade
Da vitória... fazem V!
Não temem o tribunal
Sentem o poder na mão
E julgam que o vil metal
Lhes dará sempre razão.
Futebol é palco disto
Idiotas e vilões
Vem daí ó Jesus Cristo
Expulsar os vendilhões!
Há que expulsar os venais
Castigar os impostores
Esta fauna de chacais
Ao futebol só traz dores!...

domingo, julho 15, 2007

REQUIEM PARA UM IDIOTA!

 Ele anda por aí arvorado em sátrapa  e usa 2olhos e ouvidos" com mestria. Tudo sabe, tudo procura ouvir através dos lacaios que existem um pouco por todo o lado. Até nos locais de trabalho ele tem espiões, sabujos e lambebotas. Aquela enfermeira que se pronunciou sobre as "urgências" nos locais de trabalho, foi logo acoimada de incoerente, de ingénua. Premeia a delação com pequenos favores, cria esbirros e lacaios que lhe prestam servil vassalagem
Tem uma rede de informadores que lhe transmitem tudo o que possa ser útil para perpetuar o seu despotismo. Até os padres receiam dizer algo que o perturbe, o faça enraivecer. Pelo contrário, os que cultuam a sua aura de genialidade, os que lhe lambem os sapatos, quantas vezes nas próprias homilias dominicais, são prendados com uma citação, na serviçal "folha de couve" que lá arranja um espaço para enaltecer  tal bajulação.
 

sexta-feira, julho 13, 2007

"CANCROS" DA DEMOCRACIA


O PR não está satisfeito com a "qualidade da democracia". Usou apenas um eufemismo.
Isto, em certos domínios, está uma CHOLDRA!!!
Há dias o prof Cavaco Silva alertava __ na sua função pedagógica e magistratura de influência...__ para certas anomalias que dão uma imagem degradante e afectam iniludivelmente a "qualidade da democracia".
Ora, o regular funcionamento das instituições pressupõe "qualidade", muito embora saibamos que a perfeição é uma utopia. Erros, vícios, entorses e desvios haverá sempre, basta saber-se que o factor humano está subjacente à "praxis" democrática. Ora, bem sabemos também que o homem é frágil, está sujeito a tentações, a erros, a prepotências e abusos, bem assim como a favoritismos e proteccionismos descabidos.
É chocante constatar o que foi feito por Juntas Médicas a professores com cancro em estado avançado, sendo coagidos a regressar ao local de trabalho, com custos pessoais e humanos muito elevados, em condições penosas, quiçá degradantes.
É sabido que se conhecem casos de pessoas reformadas por invalidez ostentando ainda sinais exteriores de saúde muito bons, dinamismo a rodos, enfim, há casos de bradar aos céus!
Agora, pelo contrário, talvez fruto de um economicismo e zelo levados ao extremo, assistimos ao reverso da medalha. A desumanidade mais flagrante, a estultícia mais crassa, a pesporrência mais abominável, dir-se-ia até, casos de "irregular funcionamento das instituições"...
Quando quem deveria apertar o cinto não o faz como era normal que acontecesse, quando a ostentação e o luxo sumptuário são visíveis nas frotas automóveis de certas criaturas do Estado, vivendo como "marajás" (sabe-se lá à custa de quê...), confrange-nos, revolta-nos e leva-nos à indignação estas situações aberrantes!
Quando vemos a justiça soltar alegados traficantes que deram muito trabalho à PJ, por questões fúteis, e, pelo contrário, assistimos a serem levados a juízo cidadãos exemplares só por quererem exercer com dignidade o seu papel fiscalizador, por, no exercício do seu múnus usarem termos adequados aos escândalos que vão presenciando, há que dar razão ao professor Cavaco Silva e pedir mais intervenção, mais vigilância sobre alguns "lobos" que querem abocanhar o redil democrático!
Democracia de qualidade, precisa-se, de facto.
Racionalidade económica sim, contenção de custos supérfluos e sumptuários muito bem, agora grotesco economicismo e degradante humilhação de cidadãos com doenças terminais que deram uma vida inteira de contribuição para a segurança social, isso jamais!
Que este país entre nos eixos, é o desiderato de todos aqueles que querem viver numa autêntica democracia, num regime de igualdade de oportunidades, e não, como em muitos locais se assiste, a um regabofe pegado para uma minoria de privilegiados que à sombra do poder vão engordando e sugando o que deveria ser distribuído com equidade e justiça, por todos.

quinta-feira, julho 12, 2007

UMA VELA AO VENTO ETERNO...


Pouco a pouco se finando
A vela, ao vento do Fado...
Pouco a pouco se apagando
Com Deus foi... de braço dado.
Flor tão pura e genuína
Deste jardim terreal
Alma nobre, cristalina
Voz eterna, intemporal.
Me curvo à sua memória
De crepes, alma vestida,
Do Fado, feliz memória
Batel no cais... de partida...
Barco negro, vou contigo!
Zarpando direito ao céu
A morte, porto de abrigo
Nos cobre com negro véu!
Se Deus dorme a sono solto...
Eu sei, a gente bem vê...
Por isso, é que eu me revolto,
Pergunto: meu Deus, porquê?!

quarta-feira, julho 11, 2007

NO REINO DA IDIOTIA!!!




Eça de Queiroz e Rafael Bordalo Pinheiro dois ícones dois portugueses que fazem falta para zurzir estes costumes fascizantes!
Lobos com pele de cordeiro é o que há mais!!!

Manda o idiota-mor
Calar quem lhe fizer frente;
"Lei da rolha", faz favor,
O regime está doente!
Voltou a velha censura
Perita na castração
Em tudo, ela só procura
Delito de opinião!...
Refascização é moda
Cultuada em certas mentes
Tem perfídia, esta poda,
Vai podando os insurgentes!
Ter coluna vertebral
Não vergar, não lamber botas,
É pecado capital
Na mente dos... idiotas!...
Regressa Camilo!, vem!
Eça, traz-nos a chalaça!
Não vale reles vintém
A idiotice que grassa!
Camões, ó vate imortal,
Elmano Sadino!, ri!
Idiotas sem igual
Já mandam agora, aqui!!!

segunda-feira, julho 09, 2007

A RELÍQUIA - PARTE II

Antes de ser presidente da câmara ele fora bastante crítico em relação aos temas religiosos, dando uma imagem de ateu esclarecido e nada tendo de "rato de sacristia", muito pelo contrário, marxista-leninista convicto, dizia que a religião era um "ópio" e uma "muleta do poder" (sic).

Enfim, um ateu militante, e até capaz de gerar atritos familiares e situações desagradáveis para o resto da família, muito católica; contudo, depois de assumir a presidência da câmara, mudou radicalmente: tornou-se um vero "cristão-novo" na acepção mais hipócrita e farisaica do termo!...

Anda sempre rodeado de padres, sempre a consultá-los para isto e para aquilo, cheio de mesuras e de salamaleques, enfim, um nojo! Alguns, por ironia, já lhe chamam o "cónego" ou o "monsenhor!"...

O seu empenhamento nas coisas clericais é directamente proporcional ao empenhamento político-partidário de alguns padres, diga-se por elementar justiça. Amor com amor se paga...

Há uma cumplicidade, um conúbio flagrante e total. Às vezes, por piada, ele próprio ironiza:

__ Afinal andamos todos ao mesmo!__ diz ele depois de alguns copos, junto dos padres mais íntimos. __Vocês "capturam" almas para o redil sagrado, "pescam" as almas tal e qual o pescador no alto mar a pescar sardinha, no seu ganha-pão quotidiano; e eu, não faço mais que "pescar" votos, que "caçar coelhos votantes"...

Enfim, lá terá as suas razões. O certo é que os padres simpatizam com ele, sorriem, são cúmplices até ao limite do caricato. São "unha e carne" como soe dizer-se...

Como parte mais visível dessa cumplicidade são notórias as facilidades camarárias no que concerne a apoios a festividades religiosas, procissões e coisas similares. Elas assumem, quase sempre, um notório cunho político, fruto desse casamento de interesse, corolário dessa lógica de cumplicidade à outrance!

Há funcionários que são pagos (com horas extra) para colaborarem em assuntos paroquiais e recebem prebendas por essa dedicação. Os adros das igrejas, os cemitérios, tudo sempre impecável, tudo sempre um luxo!

O presidente passa graxa com profusão e, nas homilias dominicais e nos púlpitos, os padres-escova retribuem na mesma moeda. Enfim, dir-se-ia que ninguém dá ponto sem nó...

Nos períodos eleitorais vinha ao de cima essa notória promiscuidade, esse abuso ostensivo e quase chocante para as pessoas com respeito pelos valores da cidadania e da isenção. Padres com zelo político e políticos com zelo religioso, faz com que sejam "zelotes" na pior acepção da palavra. Enfim, dir-se-ia uma osmose perfeita entre os comissários políticos clericais e o afã religioso do autarca! Nunca tal se vira, em moldes tão exacerbados...


Até que um dia... desmoronou-se tudo, como um baralho de cartas levado pela fúria do vento.

Entrou em cena a fogosa Katia!

Afinal, chamava-se Gracinda Cardozo, era apenas uma "garota de programa" contratada por um conhecido "patrão" luso-brasileiro! Juizes, senadores, governadores de Estado, ela os seduzia a mando do referido "patrão", filmava os encontros sexuais e entregava a cassete ao seu mandante! Enfim, quando pensavam estar a seduzir uma ingénua donzela, cândida e pura, estavam a ser apanhados pelo "laço", estavam a ser "comidos" quando julgavam estar a "comer"... Paradoxos dignos de uma divina comédia!...

A cassete, a tal "relíquia", como dizia o tal "patrão", era uma espécie de "caução" que poderia ser usada como chantagem, como forma de submeter as vítimas aos seus caprichos corruptores, aos seus desígnios maquiavélicos.

Ora acontece que o autarca sempre cumpriu à risca (com zelo desmedido, até) as instruções do "patrão", diga-se em abono da verdade. Permitiu que fossem exorbitados certos parâmetros, como cérceas, e a volumetria disparou gerando lucros sem conta. Outras facilidades ("jeitos") foram concedidas sem que se vislumbrasse o motivo, sem razão aparente... Era a tal "relíquia" a funcionar, o tal elemento chantageador que poderia entrar em cena a qualquer momento. O autarca não sabia de toda a engrenagem mas começou a suspeitar quando tinha "dúvidas" no concernente a certas facilidades que demoravam a surgir e impacientavam o tal "patrão"...

Entrementes, oh ironia das ironias, a jovem Katia (Gracinda Cardozo), fartou-se de ser "pau-mandado" e, insatisfeita com os seus ganhos, comparados com os fabulosos lucros do seu mandante, resolveu trabalhar por conta própria. Tornou-se empresária... da chantagem!

Já fartinha de vender o corpo por 250 míseros reais, num rasgo de auto-estima, decidiu usar os duplicados das cassetes que ficaram em seu poder, e meteu pés ao caminho. Enveredou por ser empresária da chantagem!... Como dizia aos amigos, "agora quero fazer render os meus talentos"!

E assim foi. Juizes, políticos, empresários, começaram a ser assediados por gente sem escrúpulos que ameaçava divulgar cassetes de encontros íntimos! É claro que ela se rodeou da máxima segurança, tinha vários intermediários, normalmente advogados, que faziam o trabalho sujo. Ela, princesa das princesas, limitava-se a colher os frutos de tão laboriosa pescaria. Os políticos "pescavam" votos, ela..." pescava" patos!

Desde que veio para Portugal já fez alguns estragos. Mora actualmente na Suíça, vive com um ex-pugilista do F.C. do Porto. Em Lausanne, próximo do Museu Olímpico, montou o seu quartel-general. Os próximos capítulos prometem ser apaixonantes. Quando se aproximarem as campanhas eleitorais ela entrará em cena e... se não colher os frutos que pretende, vai oferecer os seus "méritos" às oposições...

A RELÍQUIA - I PARTE

«O sexo é poder e manipulação"

Soraia Chaves

A RELÍQUIA (conto moderno)

PARTE I


Ela parecia eufórica. Começou a despir-se com classe, de forma estudada, calculando o efeito provocado; o "strip-tease" era um dos seus trunfos na arte do engate; a pose sensual, os seus atributos naturais, as sua curvas explosivas, o seu talento, enfim...

E ele?! Nunca sonhara ter tanto êxito junto das mulheres, nunca pensara chegar tão longe na arte da sedução; era um mundo novo, uma sensação de triunfo mal contida; a sorte, essa megera que sempre o abandonara, passara-se definitivamente para o seu lado. Galanteador com provas dadas, enfim, o clímax!

E tudo se desenrolara tão vertiginosamente! Desde que fora eleito presidente de câmara, lá, numa terra litorânea do norte de Portugal! A roda da vida começara a rodar para o seu lado...

A vida, outrora cinzenta e triste, ganhara outras cores, outros horizontes, outras cambiantes. Agora era um "senhor"! O mundo olhava-o com outros olhos. O povo, o povão, o populacho, sabia que ali, dentro daquele físico insípido e sem encantos, morava um autarca, um homem capaz de decidir o futuro de pessoas, de empreendimentos, de gerar fortunas do pé prá mão!...

Agora ali, naquele Brasil tão convidativo, cheio de encantos mil, naquela terra irmã, com aquela loura tão generosa, tão cativante, tão cheia de eroticidade, ele via-se num céu, num paraíso terreal sem similares!... Enfim, era a "cereja em cima do bolo", o êxito completo!!!

A esposa, essa ficara em casa a tomar conta dos filhos; talvez mais tarde a trouxesse, se não causasse problemas com este "affaire" tão delicioso, se não fosse um "empecilho"... Agora era preciso dar vazão àquela ânsia de conquista, àquele hedonismo tão arrebatador mais parecendo uma "dádiva dos deuses", um "presente do olimpo"! O seu ego inchou, inchou, parecia a rã da fábula!...

__ Querido, estás a gostar?__ disse Katia, sorridente, com olhar malicioso, lançando ao ar a última peça íntima que lhe tapava as "vergonhas"... Ele viu, então, com olhar esbugalhado, aqueles seios fartos e generosos, bem tostados pelo sol tropical e talvez recheados de algum silicone, mas com conta peso e medida...

__ Sim, boneca __ disse o presidente da câmara, ainda meio abalado pela visão tão exuberante e tão capitosa... __Tu és Vénus no seu apogeu! Eu sinto-me um simples mortal ainda mal refeito desta súbita entrada no paraíso!

O azul eléctrico da lingerie era uma coisa linda, deslumbrante, erotizante! Lembrava-lhe o glorioso F. C. do Porto que tantas noites de glória tinha dado, com vitórias dignas de um Marte dos relvados, de um esplendor inigualável!

Quando ela se despiu totalmente, ele constatou que era, de facto, um mulherão com M maiúsculo! Uma estátua grega moldada em mármore de Carrara, com a perícia de um deus!

Não se conteve e lançou-se no seu colo convidativo com a volúpuia de um leão sobre a gazela mais tenra da savana africana! Era um mar erógeno por ele nunca dantes navegado!!!

Aqueles mamilos rijos e carnudos, que ela tão habilmente fazia sobressaír, debaixo da túnica transparente (pois tivera o cuidado de perfurar o soutien, para isso mesmo...), eram agora o alvo predilecto da sua gulodice, da sua perdição, diria até, da sua alienação momentânea...

Enfim, o Brasil, esse sortilégio verde-e-amarelo, esse mundo novo, cheio de oportunidades, abria-se de par em par (tal como as pernas de Katia...) para um simples "portuga", um autarca ainda sem curriculum, no dealbar de uma carreira, sem cotação visível, sem carisma, sem perfil nem estatura intelectual que se visse...

O sexo, esse maná, essa vertigem quase alucinante, era (pensava ele...) o corolário lógico do seu trajecto vencedor! Mal tinha chegado ao Brasil, a convite de um empresário amigo, e logo aprisionara sob a asa sedutora do fascínio, aquela doce pantera, aquele naco açucarado com sabor a Eros... Sentia-se como o leão, abocanhando a zebra suculenta...

Ela, a fogosa Katia, parecia "derrerter-se" toda perante as suas investidas ingénuas. Voltou a repetir a dose musical com que dera início a este "tango" de volúpia e de arrebatamento: "Je t'aime, moi non plus" de Jane Birkin e Serge Gainsbourg. O seu efeito afrodisíaco comprovava-se mais uma vez, no terreno erógeno.Ela, perita no assunto, sabia-o bem...

A noitada prosseguiu, a um ritmo mais suave, pois a capacidade do autarca ia esmorecendo com o passar das horas. Ela, a capitosa Katia, de rosto angélico, níveas mãos, busto hiper-generoso, era como uma vela ardente no altar da volúpia, uma candeia acesa indicando o caminho de Eros ...

Ele, ingénuo e simplório, pasmado com aquele busto soberbo, com aquelas curvas tão exuberantes, aquele perfume tão arrebatador, julgava-se um Casanova, um galã de alto gabarito! Até quis dar-lhe uma prenda, mas ela, calculisticamente, recusou tudo! "Era só por amor, por paixão pura!" disse até, para melhor o convencer:

__ Meu doce maracotão, tu és um vesúvio, um Eros com lava incandescente, um diamante do mais puro quilate!!!

Ele replicou-lhe:

__Tu és a Vénus mais radiosa que já contemplei! O meu magma há-de ficar indelevelmente gravado no teu coração! O Amor puro ainda existe, graças a Deus!

(Fim da Parte I)


domingo, julho 08, 2007


O SUAVE MILAGRE - Conto moderno...
Não acredito em coisas do outro mundo nem em visões. Sou bastante céptico no tocante a aparições.
Lembram-se do chamado "milagre de Moure "(Barcelos) há alguns anos?!
Fui lá e presenciei tudo. Pessoas cantando hinos, rezando como que possuídas por frenesim divinal, como que em estado de êxtase, quase uma histeria colectiva.
Cá fora, no meio de um aglomerado de gente ávida de notícias, um pároco dizia abertamente:
_ Isto é uma prova da existência de Jesus na hóstia consagrada; ultimamente têm surgido assaltos a igrejas e os larápios vão deixando hóstias ao abandono; Cristo quer mostrar assim o Seu descontentamento por tamanha vilania!...
Eu lá consegui entrar, muito embora com dificuldade. Tive que usar a força e a argúcia. A pulso e com alguns encontrões à mistura lá me vi no meio daquele mar de gente (mais comprimida que sardinha enlatada) ávido de comunhão espiritual com o Senhor!
Embora tardiamente, a Igreja reconheceu o logro; era apenas um fenómeno resultante da refracção da luz solar... e nada mais do que isso.
Não era milagre, mas eu, sempre aberto ao sobrenatural, sempre ávido de conhecimento e de fé, continuei atento; a minha alma é e sempre será terreno fértil à espera que lá caia a semente sagrada, chão impregnado de húmus cultural propício ao desabrochar da planta miraculosa...
Estou sempre aguardando o taumaturgo! Oxalá apareça...
Há dias, vendo na TV a filha do Raúl Solnado falar sobre meditação transcendental e contactos com o Senhor (que ela diz manter com regularidade...), não resisti à tentação. Procurei a máxima concentração, num local recolhido do mundo, sem ruídos perturbadores, sem ninguém por perto. Acendi três velas encarnadas e ... esperei. A Bíblia Sagrada ao centro da mesa, lá fui meditando, meditando, meditando...
Já quase fatigado e sem esperança, eis que, vindo lá dos confins do Além, me surgiu na consciência uma figura enorme, com aura, e sorridente... "É o próprio Jesus Cristo!", pensei eu.
Era uma figura esguia, com ar trocista e de... cigarro na boca! Não usava barba ... mas apenas bigode... um bigode retorcido, irónico, diria até mordaz!!!
Devo ter entrado em estado de hipnose ou em transe profundo! A figura sorridente, toda candura e simpatia, falou assim:
__Não, não sou quem tu esperavas, caro Rouxinol. Sou outro, mas venho a mando d'Ele. Sou mensageiro da verdade, sou desmistificador, sou uma espécie de chicote satírico vindo com o propósito sadio de abalar consciências adormecidas, quebrar rotinas, avivar memórias, agitar corações... Sim, sou eu, o teu querido Eça de Queiroz, aquele que tu admiras e cujos ensinamentos procuras instilar no quotidiano como plataforma para um melhor entendimento, como lupa para melhor enxergares a realidade circundante. Cristo pediu para descer até junto de ti e tentar responder às tuas angústias, aos teus anseios mais profundos.
Fiquei perplexo! Como era possível? Eça de Queiroz um descrente, agora enviado como embaixador da Luz, como emissário do Além, como "anjo da guarda" da minha consciência?!
Não, não era possível!!!... Reagi assim:
__Mas... sois vós mesmo, o José Maria Eça de Queiroz? Já agora dizei-me: nascestes em Vila do Conde ou na Póvoa de Varzim?
__Que importa o local onde vi a luz do dia? O mais importante é que fui concebido emViana do Castelo... Aí sim, é que começou a engendra-se esta criatura de Deus... depois de uma tarde bem passada eu fui concebido, em pecado, como se dizia na época. Viana do Castelo é o vero local da minha ligação à existência terrena. Isso é que importa...
Já mais descontraído, ousei perguntar:
__Amigo Eça, que me trazeis de útil, neste momento? Dizei algo que possa ter interesse para toda a gente...
Ele, com tranquilidade, cofiou o bigode, soltou uma golfada de fumo e disparou:
__ Olha, tu moras no norte de Portugal. Há uma coisa nova que deves conhecer. Mais ninguém sabe ainda, mas tu deves começar a aprofundar esta "coisa".
Fiquei perplexo, de novo... Seria algo do género "segredo de Fáima"? Será que vai haver uma nova guerra ou um atentado ao papa? Será a Al Qaeda que se vai instalar em Portugal e fazer das suas?
__ Nada do que pensas__ sossegou-me ele, como que adivinhando o meu pensamento mais íntimo__, tão somente há uma nova sociedade que importa olhar com cuidado, no futuro. Ela reivindica-se de regeneradora da sociedade, tem pretensões a repensar o ordenamento legal vigente, aspira a ser mentora de élites, de ter ascendente sobre clérigos, políticos, cientistas. Intitula-se de "Clube Pensador", mas, de facto, não passa de um covil de víboras mediáticas; não vai além de uma ninhada de ratos palradores e petulantes mas, com apoios incríveis no sub-mundo. Aí é que está o grande mal. O "rosto" pensador encobre uma autêntica alcateia capaz de causar certos danos ao tecido moral, à estrutura legal, procurando bloquear (manipular?) as instituições. Aspira a corromper os pilares da justiça, que, quer se queira quer não, são os alicerces da própria democracia num estado de direito democrático.
__ Não estareis a dramatizar, caro Eça?__ sussurei eu, já mais tranquilo. __ Não será exagero essa preocupação? é que eu, sinceramente, tinha-os na conta de um insignificante "grupo da sueca" (como aquele que rodeou o prof Vieira de Carvalho, da Maia), ou talvez uns "vencidos da vida" a darem-se ares reformadores, sem qualquer capacidade interventiva, sem suporte de credibilidade indispensável ao impacto na opinião pública. Estarei errado?
__É mesmo grave, meu caro__ prosseguiu com ênfase. __ Aquilo são as piranhas de Lúcifer procurando arrebanhar consciências, capturando idiotas úteis que, a pretexto de serem oradores ou "convidados de honra" passam a ser "iniciados", com todos os malefícios da submissão aos seus desígnios ocultos. Aquilo pretende ser uma espécie de "comité central de padrinhos", de feição lusa... subjacente a uma face "pensadora" há uma matriz ocultista e de vocação "mafiosa" que tem um secreto fascínio pelo poder, uma obnubilação doentia pelo mando. Espera pelo "Day after" e verás!
__ "Day after"!__ fiquei de novo abismado. "Será que vai ser lançada uma bomba atómica?" disse eu cá com os meus botões de punho...
__ "Day after" é apenas uma metáfora. Espera pelo dia seguinte às eleições na câmara de Lisboa. O PSD como é natural vai perder. Quem irá colher dividendos dessa derrota? Então esvoaçarão os abutres, soltar-se-ão as piranhas, uma "nova ordem" irá ser criada! A serpente "pensadora" já está in ovo!...
E... de repente, como se se tivesse esgotado o "tempo de satélite", a imagem desapareceu, sem se ter despedido de mim do "suave milagre"..... Fiquei deveras preocupado. Tomei uns apontamentos do que acabara de presenciar para que não se apagasse da memória tão surpreendente contacto de "terceiro grau" e, escrevi História!"... O que aqui fica reproduzido é uma parte muito reduzida do "suave milagre"...

sábado, julho 07, 2007

A "Choldra" continua: o "vista grossa" anda por aí!




Fazer "vista grossa" acontece muito. Os excessos também
são frequentes: castiga-se o "justo" para ilibar o "pecador"...
Tantas vezes o vil metal, ou a amizade, ou a cunha, estão na base destas
injustiças que não são mais que partes emersas do icebergue corruptor...
Sejamos honestos: ela sempre andou por cá! Transitou do regime do "28 de Maio" com armas e bagagens para o de "25 de Abril"... Continuou, bastas vezes, no podium do poder.
Ela pode ter várias caras, assumir variegadas posturas, pode até nem ter rosto...
quantas vezes a vemos no campo de futebol, estimulada por "dopings" que nem imaginámos (seja a pueril "fruta", sejam as férias no Brasil, seja o apartamento na Póvoa... seja o agigantar repentino da conta bancária da esposa, ou do filho deficiente...), quantas vezes a observámos nos tribunais (é o senhor Delegado que não mão investigar como deveria pois pode comprometer o amigo X, ou causar danos colaterais ao empresário Y, ou atingir o presidente Z; é o senhor juíz que passa ao lado de factos relevantes subalternizando-os injustificadamente, ou a testemunha A que deixa de ser credível de um momento para o outro...); é o fiscal da obra que é amigo do empreiteiro Fulano de Tal e "esquece" aquilo que noutro lado, com outro interveniente (doutra cor partidária) dá azo a pesada multa; ele é o senhor polícia que multa os carros de forma selectiva... enfim, a coisa é o pão-nosso-de-cada-dia...
Mas esta "vista grossa" tem apetites profundos e gula interminável. Pode estar anichada na CMVM, ou na Càmara municipal. Tanto pode estar no Tribunal Administratrivo, como no Tribunal do Trabalho. Ela ("vista grossa") pode ser "pivot" de uma TV ou ser médica no Centro de Saúde. Pode ser árbitro de futebol ou juíz no Tribunal de Família. Pode ser director de um jornal ou deputado da república.
Enfim, nesta promiscuidade tão enraizada no tecido social, ela pode estar na própria Igreja, pode ser o cónego alfa ou o bispo beta; ninguém fica imune, todos nós podemos (e devemos) meter a mão na consciência, pois, já fizemos "vista grossa". Quem nunca o fez que atire a primeira pedra!... Errar é humano, prosseguir no erro já é patologia. E todas as patologias precisam de tratamento.

Eu, "O BICHO", me confesso...




Jorge Costa, o "outro Bicho",
um símbolo de raça e de
pundonor, na defesa do F.C. do Porto - um dos meus jogadores preferidos.
Ao lado direito, o outro "Bicho"
quando prestava serviço militar.
Só jogava futebol de salão mas dava sempre o "litro", como o Jorge Costa sempre fazia dentro do campo.
Tinha eu dezasseis anos e fui treinar ao Varzim . Era ainda início da temporada e estava-se em fase de pré-selecção. Treinava lá o Justino, ex-guarda-redes.
Os treinos eram no antigo hipódromo e no campo anexo ao estádio (pelado).
Tempos difíceis aqueles. Eu morava na aldeia, a cerca de oito quilómetros, ia e vinha de bicicleta. Dava para um bom aquecimento...
Recordo com saudade o seccionista: o senhor Mesquita, sempre sorridente, sempre bom companheiro, um "pai" para todos nós. Ainda me lembro quando fui tirar as medidas para as chuteiras à sapataria Mesquita.
- Calças quarenta e quatro?! É quase tanto como o Hoss Cartwright (o bom gigante da Série Bonanza, então em voga na TV)!
Quanto ao treinador, o Justino, confesso que me surpreendeu pela positiva. Embora sendio guarda-redes (de origem), percebia da poda. Até na preparação física dava cartas. Gostei imenso. Colocou-me a "quarto-defesa", ao lado do defesa central. Com 1m:80 e 60 Kg de peso, era uma "vara" muito flexível e cheio de força. Ia à frente e por vezes fazia golos...
Calharam-me uns calções muito largos, de um defesa chamado "Bicho"; tinha esse nome bordado da parte da frente dos calções e era sempre esses que eu escolhia. Como era da aldeia e pouco conhecido dos "craques", tratavam-me simplesmente por "Bicho", e eu gostava do epíteto...
Ainda recordo um golo que marquei naqueles tempos de juventude. O treino já estava quase no fim. Senti-me inspirado, vi terreno livre e arranquei por ali fora. Tudo se afastava à minha passagem, driblei meio-mundo e centrei para o extremo-esquerdo. Este viu-me em boa posição e retribuíu o passe. De costas para a baliza enviei um pontapé-de-bicicleta monumental e ... foi um golão!!!
"Mister" Justino, estupefacto, gritou:
- Grande Bicho! como esse nem o Di Stéfano!
A malta sorriu e até bateu palmas! O treino já estava no fim, e eu, modesto e tímido, boiando dentro daqueles calções enormes, senti algo de estranho cá dentro...
Não pude prosseguir. O meu pai não me autorizou. O estudo (no Porto) estava em primeiro lugar. Mas, ainda hoje, recordo com saudade esse curto período de "estágio" na "cantera varzinista"... Ao "mister" Justino e ao senhor Mesquita que guardo ainda no coração, o meu obrigado!

sexta-feira, julho 06, 2007

O ódio, inimigo da lucidez!


Ele anda por aí! Acusando os adversários (possíveis e imaginários) de serem doentes, de terem taras, de serem invejosos...

Está de novo em crise. Precisa de ser avaliado e medicado.

Não, não me refiro a ninguém em especial. Refiro-me a um sentimento: o ódio.
Ele cresce, qual erva daninha, no jardim da democracia. Usa o vitupério, a calúnia gratuita, o ataque pessoal, a esmo.

Há que ter contenção. Há que ir à génese das coisas. Quando o poder se sente acossado, passa ao ataque, é o chamado "salto em frente". Estilo, «chama-lhe "ladrão" antes que ele te chame a ti». É a estratégia de antecipação, como disse um dia (aliás, escreveu num célebre papelinho que entregou a um subdirector de um jornal, na Madeira) um conhecido governante muito amante da autonomia...

A lucidez é uma chama viva e incandescente na mente da verdade. Só ela pode ser o garante da democracia e da transparência. Isto de chamar "f.d.p." a torto e a direito, seja ao primeiro-ministro, seja à ministra da educação, seja ao ministro da saúde ou ao cidadão comum, é baixo, aviltante, repugnante. Se alguém cometeu um crime, sim senhor, puna-se e chame-se à justiça para pagar as suas culpas. Agora andar de punhal na mão, sempre a esburacar (estilo "Jack o estripador") é de uma cobardia imensa, de uma cretinice gratuita, de um cinismo repugnante, de uma canalhice pegada!

Se um vereador da oposição errou, diga-se onde e como errou, não se insulte de "esquizofrénico", "paranóico", de ter "obsessão mediática", de querer "protagonismo"... isso é ataque pessoal gratuito, isso é linchamento verbal, é nojento e indigno. Distorcer a verdade (para auto-defesa) e depois vir a público chamar "capcioso" a quem tem por companhia a verdade, a quem tem por lema a transparência, é de uma ignomínia sem nome, de um achincalhamento a todos os títulos condenável.

O ódio é mau, o ódio é desprezível, o ódio é nojento.

Quem se sente lesado recorre à justiça e pede uma indemnização. Agora andar a fazer queixinhas, andar na praça pública recorrendo aos media com profusão, apresentando "sinais exteriores de violência", como aquelas mulheres que inventam ter sido agredidas para legitimarem compaixão (ou algo mais) é indigno de um democrata, é indigno de um homem que se preze. O "coitadinhismo" já foi chão que deu uvas! O povo abriu os olhos e já viu que o "rei vai nu"!...

quinta-feira, julho 05, 2007


O calhambeque do irmão do senhor vereador...
Ele vivia em dificuldades evidentes. O seu Peugeot 206, cheio de varizes, com catarro no arranque, exalando um fétido odor a CO2, era a sua imagem de marca, o seu cartão de visita.
Mas era feliz. Vivia tranquilo, sem ambições desmedidas, com a consciência limpa e sono sempre em dia.
Pelo contrário, o irmão, casado com a ambição e amante da luxúria e da venalidade tinha no "padrinho" (tráfico de influências...) um suporte excepcional. Começou a enriquecer de forma inesperada e faustosa desde que passou a vereador de um conhecido executivo camarário...
As "prendas" começaram a surgir em catadupas; o seu caudal era bem mais ostensivo e volumoso que o das famosas cataratas do Niagara...
Vai daí, pensou lá com os seus botões: "qualquer dia tenho o fisco à perna... terei que dar um jeito para arrumar tanta benesse caída do céu aos trambolhões..."
Eis senão quando, em conversa amena com o pai, uma ideia luminosa lhe surgiu. Este, embora não conhecesse a fundo a origem de tanta fortuna repentinamente adquirida pelo filho, prestou-se ao favorseco: "lavar" aqueles bens, de tal sorte que não desse nas vistas e ninguém sonhasse a sua duvidosa proveniência.
A tal câmara era como um íman gigantesco, atraindo vil metal, capturando apoios nos diversos pilares da administração, aglutinando interesses e gerando de forma ininterrupta situações de grande "criatividade monetária"... Era um verdadeiro maná!... Ele, sem grandes escrúpulos diga-se em abono da verdade, sentia-se como um croupier de casino com o rodo da ambição!...
Nunca pensara que o cargo de vereador gerasse tanta fortuna e houvesse tantos beneméritos a troco de uns meros "jeitos"...
Entrementes, o pai, discretamente, lá conseguiu pôr a salvo alguns valores, colocando em campo uma estratégia de dispersão geográfica bem delineada de modo a não espantar a caça... Ele sabia que era tudo do filho vereador mas nunca revelou nada ao filho do Peugeot cheio de varizes...
Contudo, a morte, essa ceifeira cruel e inesperada, veio fazer das suas, e levou-o no seu regaço protector. Foi uma calamidade!
O filho vereador mais do que a morte do pai, chorava a perda de metade de património tão arduamente conquistado, tão subtilmente adquirido com a volúpia de uma meretriz de alta roda, de um vampiro de voracidade extrema...
Era uma pena. Assim, de uma forma tão abrupta, sem tir-te nem guar-te!!!
O mano do vereador, esse, ficou boquiaberto. Recebeu uma opípara herança sem ter feito nada por ela. O vereador bem replicou, que era tudo dele, estava em nome do pai por estratégia ocultista, mas nada feito. A sua capacidade persuasora, tão eficaz junto de alguns empreiteiros, não o foi, perante o próprio irmão.
O dono do velhinho calhambeque, do Peugeot já caquético, com rugas no motor e varizes na pintura, ficou rico de um momento para o outro! Deus escreveu direito por linhas tortas!
Afinal, Ele, nem sempre dorme...

quarta-feira, julho 04, 2007

O AFÃ corruptor...

Há tanto lobo a querer fazer-se passar por cordeiro, que até faz pena...
O AFÃ corruptor: a teia dos "vendidos ao sistema"...
Qual metástase que assume contornos cada vez mais arrevesados, que se intromete no tecido económico e na textura familiar por excelência, procurando tornar cúmplices todos os que directa ou indirectamente com ela interagem, ela é, de facto, a pandemia social mais vergonhosa dos dias que vão correndo...
Estando na génese de muitas injustiças sociais (de índole familiar, por vezes), ela cria monstros que, por vezes, também devora, considerando-os já descartáveis quando desnecessários (ou pouco importantes) para o seu processo expansionista.
Há que saber, definitivamente, quem está ao lado dela, ou, pelo contrário, está disposto a denunciá-la e combatê-la. Não é admissível (e há tantos assim) estar com um pé dentro do esquema e o outro, de fora, a verberá-lo publicamente. Esta duplicidade é criminosa e condenável a todos os títulos!
Al Capone, nos seus tempos áureos, era o protótipo deste espécime. Tanto fazia caridadezinha, como estava a mandar subornar e a mandar matar. De um maquiavelismo sádico e hipócrita gostava de se fazer passar por benemérito, de amigo dos órfãos e desamparados, de pio adorador de Deus e de todos os santos e santas, quando era de facto, um crápula do piorio... Enfim, essa caridadezinha era a esponja com que procurava limpar as outras nódoas : assaltos, roubos, assassinatos, subornos...
Quantos vemos ainda hoje dizendo-se vítimas de perseguições (às vezes auto-induzidas...) para legitimarem ataques hediondos, cobardes agressões, miseráveis atentados à integridade física, moral e cívica de cidadãos impolutos que, só por não pactuarem com o "sistema", são logo apodados de anti-sociais, alvos a abater ?! Usam um peçonhento "coitadinhismo" manhoso e canhestro para se arvorarem em vítimas, para poderem legitimar façanhas onde a loucura é usada como arma de arremesso e/ou como "escudo protector", se o caso der para o torto...
É vê-los a mendigarem a atenção de "padrinhos" com dedicatórias cheias de "alma e coração",
onde são colocadas no altar-mor todas as fibras do seu ser, prontas a serem imoladas no sacrifício ao seu "deus" do momento presente... "Servos da gleba", "cães perdidos sem coleira", "ratos do esgoto mais imundo"... Dentre esta fauna há de tudo: jornalistas (diria antes, reles plumitivos), escritores (diria mais especificamente, gangsters das letras...), professores( diria melhor, agentes de instrução, carregados de pulgas no cérebro...), e tudo bem "oleado" com o vil metal ou a promessa de uma sinecura qualquer!
Até famílias são usadas como arma de arremesso! Chega-se a pedir ao "pai" para não falar com o "filho X" enquanto ele não alinhar, enquanto não vergar ao esquema diabólico em que a família se deixou enredar. O dinheiro, o escarro de Midas, a tentar condicionar os íntegros, os impolutos, os que não vergam, não lambem o pó doirado! Retaliações e chantagens são feitas sem escrúpulos... Pessoas aparentemente de bem, são usadas como engodo, dando-lhes um prato de lentilhas para os domesticar: são "simpatias a captar", "sensibilidades a capturar", ou, pelo contrário, ódios de estimação a estimular...
O tecido social está impregnado desta doença até ao mais obscuro dos seus interstícios!...Basta olhar com olhos de ver, interrogar famílias e ouvir queixumes de pessoas lesadas por estas "máfias" de pacotilha, por estes Capones de trazer por casa!...
Quem quiser pôr o dedo na ferida, ou cauterizá-la mesmo, é logo apodado de "doente", de "capcioso", de ter "tentação mediática"... Os verdadeiros "doentes" ou mentores da própria doença, procuram gerar confusão nos espíritos, como se se tratasse de um ladrão a chamar carteirista ao polícia que o quer prender por flagrante delito!
O assalto ao poder dá nisto! E, quando o "osso está bem filado", o "cão raivoso" lança impropérios e se preciso for chama "danado" a quem quer apenas a terapia adequada!...
O AFÃ corruptor é tal que contagia entidades que à partida nada teriam a ver com o processoem si mesmo .E essa franja é a mais perigosa. Nem chega a aperceber-se do real papel desempenhado: ser fiel guardião do "status quo", guardador inconsciente de uma autêntica alcateia de lobos esfaimados e enraivecidos, de feras liberticidas, pensando tratar-se de cordeirinhos imaculados e dignos de protecção!

terça-feira, julho 03, 2007

O "Coronel" Dourado no "sertão" futeboleiro...



Os diálogos que se seguem são pura ficção. Por favor, não confundir com a realidade. Esta, dizem os entendidos, é muito pior...

_ Meu caro coronel Dourado então que manda?

-Meu caro, mando-lhe saúde e boa disposição. Que o diabo seja surdo, mas a saúde é o que mais importa. Como vai a família, tudo bem?

-Felizmente bem, graças a Deus. O meu filho mais velho lá acabou a licenciatura, deu jeito aquele empurraozinho do meu coronel... Mandou aquela cadeira que faltava por fax e acabou o curso...

-O fax é muito democrático. Serve para todos. Desde o fax de Macau até ao fax cá do coronel, isto é trigo limpo farinha amparo!... Deus nos dê saudinha amigo Já Não Sinto... Olhe é para lhe dizer que foi nomeado para o tal grande encontro, com a gajada de Lisboa...

- Mas, eu não quero ser usado outra vez, sabe como é, dá nas vistas...

-Lembra-se daquilo do verão passado?!

-Claro que lembro, foi formidável! Pronto, esqueça o que disse, dê ordens patrão!

-Eu quero pelo menos o empate, ouviu! Use a estratágia M e deixe-nos actuar com o plano S!...

-Estratégia M e plano S? Já não recordo...

-Não se faça de tanso! eu estou aqui na tasca do Zé da Aldeia não há perigo de os esbirros da judite andarem por aí... O plano M é o "mergulho na piscina", carago!! Os nossos andam ali perto da área, atiram-se para a piscina e truca! há aquelas faltas cirúrgicas que, de tanto acontecerem, dão golo... Na nossa área nada, claro! Só umas faltinhas inofensivas no meio-campo, até pode ser contra nós, só pra despistar... Mas na deles, é preciso muitas e perigosas... tantas vezes vai o cântaro à fonte... que, numa delas, pode ser golo!

- E o plano S, qual é?!

-Ó pá você não tem ido àquelas reuniões lá no Barco de Camaveses, carago? Não sabe que depois do golo obtido há que dar Sarrafada, e você (e toda a malta do esquema, claro) faz vista grossa, senão... eu quero aquela gajada de Lisboa toda de joelhos perante a Torre dos Clérigos, já passou o tempo em que íamos a Lisboa lamber as botas ao Marquês de Pombal!

-Essa não percebi!

-Você ainda tem nessa caximónia aquela ideia nortista, aquele bairrismo que se entranha cá na mioleira e nunca mais sai, até a terra comer as ossadas. Toda a gente tem carago: polícias, juízes (excepto aquele ingénuo de Gondarém...), professores, árbitros, empresários; a gajada de Lisboa só é boa com os pés prá cova! São uns sulistas, elitistas, sei lá, uns gosmistas, querem tudo para o Terreiro do Paço e nada para os Clérigos. Isto agora mudou, ouviu?

- Conte comigo, meu coronel! e não se esqueça dos "pimentinhos"...

-Não esqueço não! Se a malta ganhar àquela gajada de Lisboa dobro a parada, ouviu?

-Você manda, coronel! Já agora também um pedido: quero ser internacional, veja lá... dê um empurraozinho na classificação, arranje-me sempre bons obseradores...aqueles que só dão notas altas, fixes! Olhe, o meu cunhado, o Escova, aquele empreiteiro que comprou aquele terreno... espera que para o ano já lá possa construír...

-Sim, pá! Estou a dar umas dicas a uns gajos para aquilo andar depressa, eu também tenho interesse nisso, a minha comissão também virá com a autorização.Mas já andei depressa demais aqui num caso recente e deu muito nas vistas... é preciso dar tempo ao tempo...

-Então combinado, meu coronel! A gajada de Lisboa vai levar naquelas ventas que nem sabe onde fica o Marquês!

-Gosto disso, pá... no verão, já sabes, conta comigo outra vez...

Cai o pano. O coronel é beijado sofregamente por uma senhora muito bem apetrechada em termos lácteos e não só... é a D. Judite, do Porto, claro!...

segunda-feira, julho 02, 2007

O "Cristão-novo"!

Nem sempre fui bem sucedido na vida. Tive problemas e acidentes de percurso que me marcaram. Nunca gostei de me vergar a prepotências nem aceitar de bom grado situações que me angustiavam ou causavam mal-estar em termos cívicos, em questões de ética.

Era tenente-miliciano e estava numa unidade militar no período ante-25 de Abril.
Ali pontificava um "senhor" oficial do quadro permanente chamado Matono Cóias. Era irascível, colérico, um tiranete de primeira. Nas reuniões de oficiais mostrava-se sempre muito afecto ao regime, citava um manual que lhe fora imposto nos Altos Estudos (estilo "sebenta universitária") dizendo cobras e lagartos da chamada "oposição interna" ao regime.

Um belo dia, estava eu de oficial de dia, fui chamado ao seu gabinete. De rompante disse-me:
- Quero falar com esse indivíduo que se infiltrou cá dentro. Pode ser um terrorista.
De facto houve um turista francês que entrara inadvertidamente na unidade, seguindo a orla costeira e não se apercebendo que era ali um aquartelamento militar. Não violara nenhum sinal de proibição pois não existia nenhum!
Revistei-o e só encontrei uma latas de sardinha em conserva e uns maços de tabaco "gaulloise".
-Esse indivíduo - disse eu com prudência - está prestes a saír da unidade, está junto à porta de armas. Não me parece que tenha cometido crime algum...

Telefonou de imediato. Mandou prender o dito cujo. E, coisa aberrante, mandou chamar a Pide/DGS!!!

Enfim, um tirano com a perfídia no grau mais elevado.

Noutra ocasião mandou-me chamar ao seu gabinete, disse-me que havia um soldado que se encontrava em regime de prisão mas que habitualmente ia trabalhar para as oficinas. Tinha um regime de certa liberdade pelo facto de trabalhar. Parece que se recusava agora ao trabalho. Mandou-me investigar.

Lá fui e trouxe a resposta do soldado. Não gostou. Proibiu-o de saír da prisão e de frequentar o bar conforme era hábito. Mandou-me exarar essa ordem no livro do oficial de dia para que todos cumprissem à risca essa instrução.

Entretanto surgiu o "25 de Abril"! O tal oficial do quadro permanente colocou-se em bicos de pés e disse que pertencia ao movimento, que assistiu a reuniões secretas, etc. Todos os oficiais milicianos lá foram ao "beija-mão" menos eu. Expliquei que era a favor de "25 de Abril" mas não me revia nesse oficial como um ideal de liberdade, mas sim era símbolo de opressão e de ditadura.

Foi uma fera para comigo. Um dia o capelão falou-lhe no caso do soldado que continuava proibido de ir ao bar. Negou categoricamnete ter dado a ordem. Eu não me contive e chamei-lhe metiroso na messe de oficiais. Ele incapaz de me dar réplica, mandou-me pôr em sentido e calar!

Tão caricato era que, aquando de um festival desportivo (Torneio de Futebol de Salão), sendo eu eleito o melhor marcador do Torneio (entre oficiais, sargentos e praças), ele comentou para o oficial da secção desportiva:
- Este gajo, o melhor marcador? Mas ele não joga puto!!!
Eu não sendo muito tecnicista era aplicado, corajoso, batalhador e com elevado sentido táctico. Muito activo, embora defesa, ia à frente e aplicava uns tiros certeiros que punham em estado de pânico os guarda-redes... a rematar de "bico" era uma "fera"... Ainda hoje faço uma "perninha" e dou bem conta do recado.

Era assim o ódio do "cristão novo". Muito embora tivesse tirado dois cursos de elevado grau de dificuldade (fui o primeiro num e o segundo, no outro, entre dezenas de oficias) nunca consegui caír nas suas boas graças. Não dava "graxa", não "lambia as botas", não "vergava", logo, era uma nulidade!!!

Em Abril continuam a proliferar injustiças mil, ninguém tenha dúvidas...

E "cristãos-novos" é o que há mais, nas autarquias, na justiça, nos empregos públicos... até nas paróquias...

O "ESCOVA"...


Vi-o há dias no Porto. Quando o conheci ainda era sargento-ajudante. Agora, já oficial, não passa cartão, julga pertencer a uma oligarquia, a uma casta especial. Tal e qual aquele de Braga que tinha um talho e, depois de muita graxa ao Lenine, hoje possui um império... Enfim, está na moda dar "graxa"...
São estas pessoas que, escovando, escovando, fazendo trabalhos sujos, às vezes pela calada da noite (alguns agarrados ao computador 24 horas...) quais "alpinistas" da treta, lá vão, subindo, subindo... Até ao topo!
Continuam a ser ratos de esgoto, latrinários da mais baixa estirpe, mas... a sua conta bancária cresce, o seu carro topo de gama procura esconder a hediondez da sua condição, a real sordidez da escalada, o grau máximo de putrefacção moral a que chegaram..
Ele é o empresário chico-esperto que fundou firmas fictícias para enveredar por engenharias financeiras corruptoras e corruptíveis, defraudando o fisco, roubando subtilmente o património colectivo; facturas falsas, falências fraudulentas, tudo são esquemas para enricar rapidamente e poder patentear uma prosperidade económico-financeira inversamente proporcional ao "status" moral, ao calibre cívico, à estatura ética... Há escovas para todos os gostos...
Ele é o profissional por conta de outrem que convida sempre o chefe para o seu aniversário, o seu casamento, (onde será sempre padrinho...), lhe envia religiosamente a caixa de charutos no dia do aniversário, só para caír nas suas boas graças e ser mais facilmente promovido, deixando para trás o que não pactua com estes esquemas, por mais puro e honesto que sempre tenha sido... o escova é sabujo, oportunista, muda de partido com frequência para ter sempre o vento do seu lado...
Ele é também o presidente de junta que não falha o dia de aniversário do presidente de câmara, bem sabendo que é um acto de índole privada, de carácter familiar e íntimo... mas ele quer impressionar, nem se importa de lançar umas alfinetadas ao líder do partido que o ajudou a ser eleito (adversário do presidente...)... e o presidente, sorrindo com esta devoção canina, aceita de bom grado a "vassalagem", na mira de ter ali mais um "homem-de-mão" capaz de vender a alma ao diabo só para manter o tacho...
É que ele, presidente, aspira a ter debaixo da sua "bota cardada" (qual Hitler conquistador do universo...) todos os presidentes, para ser o sempiterno soba local, a quem todos terão de ir beijar a mão, lamber os dedos, agradecer as "dádivas"... Sente-se como um "menino Jesus" a quem os "reis magos" vão levar o incenso, o ouro, a mirra... e sorri de gozo, com fidelidades tão caninas, com genuflexões tão canhestras, com lambidelas de botas tão rastejantes...
Ele é também o escova-empreiteiro que já escovou o cacique anterior (se calhar de outro partido...) e que, para caír nas boas graças vilipendia e critica de forma acerba e cobarde... a este também dará o mesmo relógio de ouro que trouxe da Suíça, num ritual de vassalagem que envergonha quem se apercebe destas mesquinhezes, destas faltas de carácter, destes pecadilhos...
Enfim, "graxas," há tantos e de tantos matizes que seria fácil escrever um livro inteiro a desbobinar este tema.Dir-se-ia já uma prática institucional, nesta choldra que é o Portugal profundo...
E quem não for assim?
É marginalizado, considerado anti-social, quase vítima de alguma patologia social grave... nunca será promovido, não terá hipótese de subir na hierarquia como ela está estandardizada actualmente.