
Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.
quarta-feira, julho 18, 2007
Democracia doente: diagnóstico e terapia.

segunda-feira, julho 16, 2007
FUTEBOL: Os "chacais" dão cabo dele!...


Os "chacais" andam por aí à solta e ninguém os pára!
domingo, julho 15, 2007
REQUIEM PARA UM IDIOTA!
sexta-feira, julho 13, 2007
"CANCROS" DA DEMOCRACIA

quinta-feira, julho 12, 2007
UMA VELA AO VENTO ETERNO...

quarta-feira, julho 11, 2007
NO REINO DA IDIOTIA!!!


Eça de Queiroz e Rafael Bordalo Pinheiro dois ícones dois portugueses que fazem falta para zurzir estes costumes fascizantes!segunda-feira, julho 09, 2007
A RELÍQUIA - PARTE II
Enfim, um ateu militante, e até capaz de gerar atritos familiares e situações desagradáveis para o resto da família, muito católica; contudo, depois de assumir a presidência da câmara, mudou radicalmente: tornou-se um vero "cristão-novo" na acepção mais hipócrita e farisaica do termo!...
Anda sempre rodeado de padres, sempre a consultá-los para isto e para aquilo, cheio de mesuras e de salamaleques, enfim, um nojo! Alguns, por ironia, já lhe chamam o "cónego" ou o "monsenhor!"...
O seu empenhamento nas coisas clericais é directamente proporcional ao empenhamento político-partidário de alguns padres, diga-se por elementar justiça. Amor com amor se paga...
Há uma cumplicidade, um conúbio flagrante e total. Às vezes, por piada, ele próprio ironiza:
__ Afinal andamos todos ao mesmo!__ diz ele depois de alguns copos, junto dos padres mais íntimos. __Vocês "capturam" almas para o redil sagrado, "pescam" as almas tal e qual o pescador no alto mar a pescar sardinha, no seu ganha-pão quotidiano; e eu, não faço mais que "pescar" votos, que "caçar coelhos votantes"...
Enfim, lá terá as suas razões. O certo é que os padres simpatizam com ele, sorriem, são cúmplices até ao limite do caricato. São "unha e carne" como soe dizer-se...
Como parte mais visível dessa cumplicidade são notórias as facilidades camarárias no que concerne a apoios a festividades religiosas, procissões e coisas similares. Elas assumem, quase sempre, um notório cunho político, fruto desse casamento de interesse, corolário dessa lógica de cumplicidade à outrance!
Há funcionários que são pagos (com horas extra) para colaborarem em assuntos paroquiais e recebem prebendas por essa dedicação. Os adros das igrejas, os cemitérios, tudo sempre impecável, tudo sempre um luxo!
O presidente passa graxa com profusão e, nas homilias dominicais e nos púlpitos, os padres-escova retribuem na mesma moeda. Enfim, dir-se-ia que ninguém dá ponto sem nó...
Nos períodos eleitorais vinha ao de cima essa notória promiscuidade, esse abuso ostensivo e quase chocante para as pessoas com respeito pelos valores da cidadania e da isenção. Padres com zelo político e políticos com zelo religioso, faz com que sejam "zelotes" na pior acepção da palavra. Enfim, dir-se-ia uma osmose perfeita entre os comissários políticos clericais e o afã religioso do autarca! Nunca tal se vira, em moldes tão exacerbados...
Até que um dia... desmoronou-se tudo, como um baralho de cartas levado pela fúria do vento.
Entrou em cena a fogosa Katia!
Afinal, chamava-se Gracinda Cardozo, era apenas uma "garota de programa" contratada por um conhecido "patrão" luso-brasileiro! Juizes, senadores, governadores de Estado, ela os seduzia a mando do referido "patrão", filmava os encontros sexuais e entregava a cassete ao seu mandante! Enfim, quando pensavam estar a seduzir uma ingénua donzela, cândida e pura, estavam a ser apanhados pelo "laço", estavam a ser "comidos" quando julgavam estar a "comer"... Paradoxos dignos de uma divina comédia!...
A cassete, a tal "relíquia", como dizia o tal "patrão", era uma espécie de "caução" que poderia ser usada como chantagem, como forma de submeter as vítimas aos seus caprichos corruptores, aos seus desígnios maquiavélicos.
Ora acontece que o autarca sempre cumpriu à risca (com zelo desmedido, até) as instruções do "patrão", diga-se em abono da verdade. Permitiu que fossem exorbitados certos parâmetros, como cérceas, e a volumetria disparou gerando lucros sem conta. Outras facilidades ("jeitos") foram concedidas sem que se vislumbrasse o motivo, sem razão aparente... Era a tal "relíquia" a funcionar, o tal elemento chantageador que poderia entrar em cena a qualquer momento. O autarca não sabia de toda a engrenagem mas começou a suspeitar quando tinha "dúvidas" no concernente a certas facilidades que demoravam a surgir e impacientavam o tal "patrão"...
Entrementes, oh ironia das ironias, a jovem Katia (Gracinda Cardozo), fartou-se de ser "pau-mandado" e, insatisfeita com os seus ganhos, comparados com os fabulosos lucros do seu mandante, resolveu trabalhar por conta própria. Tornou-se empresária... da chantagem!
Já fartinha de vender o corpo por 250 míseros reais, num rasgo de auto-estima, decidiu usar os duplicados das cassetes que ficaram em seu poder, e meteu pés ao caminho. Enveredou por ser empresária da chantagem!... Como dizia aos amigos, "agora quero fazer render os meus talentos"!
E assim foi. Juizes, políticos, empresários, começaram a ser assediados por gente sem escrúpulos que ameaçava divulgar cassetes de encontros íntimos! É claro que ela se rodeou da máxima segurança, tinha vários intermediários, normalmente advogados, que faziam o trabalho sujo. Ela, princesa das princesas, limitava-se a colher os frutos de tão laboriosa pescaria. Os políticos "pescavam" votos, ela..." pescava" patos!
Desde que veio para Portugal já fez alguns estragos. Mora actualmente na Suíça, vive com um ex-pugilista do F.C. do Porto. Em Lausanne, próximo do Museu Olímpico, montou o seu quartel-general. Os próximos capítulos prometem ser apaixonantes. Quando se aproximarem as campanhas eleitorais ela entrará em cena e... se não colher os frutos que pretende, vai oferecer os seus "méritos" às oposições...
A RELÍQUIA - I PARTE
«O sexo é poder e manipulação"Soraia Chaves
A RELÍQUIA (conto moderno)
PARTE I
Ela parecia eufórica. Começou a despir-se com classe, de forma estudada, calculando o efeito provocado; o "strip-tease" era um dos seus trunfos na arte do engate; a pose sensual, os seus atributos naturais, as sua curvas explosivas, o seu talento, enfim...
E ele?! Nunca sonhara ter tanto êxito junto das mulheres, nunca pensara chegar tão longe na arte da sedução; era um mundo novo, uma sensação de triunfo mal contida; a sorte, essa megera que sempre o abandonara, passara-se definitivamente para o seu lado. Galanteador com provas dadas, enfim, o clímax!
E tudo se desenrolara tão vertiginosamente! Desde que fora eleito presidente de câmara, lá, numa terra litorânea do norte de Portugal! A roda da vida começara a rodar para o seu lado...
A vida, outrora cinzenta e triste, ganhara outras cores, outros horizontes, outras cambiantes. Agora era um "senhor"! O mundo olhava-o com outros olhos. O povo, o povão, o populacho, sabia que ali, dentro daquele físico insípido e sem encantos, morava um autarca, um homem capaz de decidir o futuro de pessoas, de empreendimentos, de gerar fortunas do pé prá mão!...
Agora ali, naquele Brasil tão convidativo, cheio de encantos mil, naquela terra irmã, com aquela loura tão generosa, tão cativante, tão cheia de eroticidade, ele via-se num céu, num paraíso terreal sem similares!... Enfim, era a "cereja em cima do bolo", o êxito completo!!!
A esposa, essa ficara em casa a tomar conta dos filhos; talvez mais tarde a trouxesse, se não causasse problemas com este "affaire" tão delicioso, se não fosse um "empecilho"... Agora era preciso dar vazão àquela ânsia de conquista, àquele hedonismo tão arrebatador mais parecendo uma "dádiva dos deuses", um "presente do olimpo"! O seu ego inchou, inchou, parecia a rã da fábula!...
__ Querido, estás a gostar?__ disse Katia, sorridente, com olhar malicioso, lançando ao ar a última peça íntima que lhe tapava as "vergonhas"... Ele viu, então, com olhar esbugalhado, aqueles seios fartos e generosos, bem tostados pelo sol tropical e talvez recheados de algum silicone, mas com conta peso e medida...
__ Sim, boneca __ disse o presidente da câmara, ainda meio abalado pela visão tão exuberante e tão capitosa... __Tu és Vénus no seu apogeu! Eu sinto-me um simples mortal ainda mal refeito desta súbita entrada no paraíso!
O azul eléctrico da lingerie era uma coisa linda, deslumbrante, erotizante! Lembrava-lhe o glorioso F. C. do Porto que tantas noites de glória tinha dado, com vitórias dignas de um Marte dos relvados, de um esplendor inigualável!
Quando ela se despiu totalmente, ele constatou que era, de facto, um mulherão com M maiúsculo! Uma estátua grega moldada em mármore de Carrara, com a perícia de um deus!
Não se conteve e lançou-se no seu colo convidativo com a volúpuia de um leão sobre a gazela mais tenra da savana africana! Era um mar erógeno por ele nunca dantes navegado!!!
Aqueles mamilos rijos e carnudos, que ela tão habilmente fazia sobressaír, debaixo da túnica transparente (pois tivera o cuidado de perfurar o soutien, para isso mesmo...), eram agora o alvo predilecto da sua gulodice, da sua perdição, diria até, da sua alienação momentânea...
Enfim, o Brasil, esse sortilégio verde-e-amarelo, esse mundo novo, cheio de oportunidades, abria-se de par em par (tal como as pernas de Katia...) para um simples "portuga", um autarca ainda sem curriculum, no dealbar de uma carreira, sem cotação visível, sem carisma, sem perfil nem estatura intelectual que se visse...
O sexo, esse maná, essa vertigem quase alucinante, era (pensava ele...) o corolário lógico do seu trajecto vencedor! Mal tinha chegado ao Brasil, a convite de um empresário amigo, e logo aprisionara sob a asa sedutora do fascínio, aquela doce pantera, aquele naco açucarado com sabor a Eros... Sentia-se como o leão, abocanhando a zebra suculenta...
Ela, a fogosa Katia, parecia "derrerter-se" toda perante as suas investidas ingénuas. Voltou a repetir a dose musical com que dera início a este "tango" de volúpia e de arrebatamento: "Je t'aime, moi non plus" de Jane Birkin e Serge Gainsbourg. O seu efeito afrodisíaco comprovava-se mais uma vez, no terreno erógeno.Ela, perita no assunto, sabia-o bem...
A noitada prosseguiu, a um ritmo mais suave, pois a capacidade do autarca ia esmorecendo com o passar das horas. Ela, a capitosa Katia, de rosto angélico, níveas mãos, busto hiper-generoso, era como uma vela ardente no altar da volúpia, uma candeia acesa indicando o caminho de Eros ...
Ele, ingénuo e simplório, pasmado com aquele busto soberbo, com aquelas curvas tão exuberantes, aquele perfume tão arrebatador, julgava-se um Casanova, um galã de alto gabarito! Até quis dar-lhe uma prenda, mas ela, calculisticamente, recusou tudo! "Era só por amor, por paixão pura!" disse até, para melhor o convencer:
__ Meu doce maracotão, tu és um vesúvio, um Eros com lava incandescente, um diamante do mais puro quilate!!!
Ele replicou-lhe:
__Tu és a Vénus mais radiosa que já contemplei! O meu magma há-de ficar indelevelmente gravado no teu coração! O Amor puro ainda existe, graças a Deus!
(Fim da Parte I)
domingo, julho 08, 2007

sábado, julho 07, 2007
A "Choldra" continua: o "vista grossa" anda por aí!


Eu, "O BICHO", me confesso...


sexta-feira, julho 06, 2007
O ódio, inimigo da lucidez!
Ele anda por aí! Acusando os adversários (possíveis e imaginários) de serem doentes, de terem taras, de serem invejosos...
Está de novo em crise. Precisa de ser avaliado e medicado.
Não, não me refiro a ninguém em especial. Refiro-me a um sentimento: o ódio.
Ele cresce, qual erva daninha, no jardim da democracia. Usa o vitupério, a calúnia gratuita, o ataque pessoal, a esmo.
Há que ter contenção. Há que ir à génese das coisas. Quando o poder se sente acossado, passa ao ataque, é o chamado "salto em frente". Estilo, «chama-lhe "ladrão" antes que ele te chame a ti». É a estratégia de antecipação, como disse um dia (aliás, escreveu num célebre papelinho que entregou a um subdirector de um jornal, na Madeira) um conhecido governante muito amante da autonomia...
A lucidez é uma chama viva e incandescente na mente da verdade. Só ela pode ser o garante da democracia e da transparência. Isto de chamar "f.d.p." a torto e a direito, seja ao primeiro-ministro, seja à ministra da educação, seja ao ministro da saúde ou ao cidadão comum, é baixo, aviltante, repugnante. Se alguém cometeu um crime, sim senhor, puna-se e chame-se à justiça para pagar as suas culpas. Agora andar de punhal na mão, sempre a esburacar (estilo "Jack o estripador") é de uma cobardia imensa, de uma cretinice gratuita, de um cinismo repugnante, de uma canalhice pegada!
Se um vereador da oposição errou, diga-se onde e como errou, não se insulte de "esquizofrénico", "paranóico", de ter "obsessão mediática", de querer "protagonismo"... isso é ataque pessoal gratuito, isso é linchamento verbal, é nojento e indigno. Distorcer a verdade (para auto-defesa) e depois vir a público chamar "capcioso" a quem tem por companhia a verdade, a quem tem por lema a transparência, é de uma ignomínia sem nome, de um achincalhamento a todos os títulos condenável.
O ódio é mau, o ódio é desprezível, o ódio é nojento.
Quem se sente lesado recorre à justiça e pede uma indemnização. Agora andar a fazer queixinhas, andar na praça pública recorrendo aos media com profusão, apresentando "sinais exteriores de violência", como aquelas mulheres que inventam ter sido agredidas para legitimarem compaixão (ou algo mais) é indigno de um democrata, é indigno de um homem que se preze. O "coitadinhismo" já foi chão que deu uvas! O povo abriu os olhos e já viu que o "rei vai nu"!...
quinta-feira, julho 05, 2007

quarta-feira, julho 04, 2007
O AFÃ corruptor...

terça-feira, julho 03, 2007
O "Coronel" Dourado no "sertão" futeboleiro...

Os diálogos que se seguem são pura ficção. Por favor, não confundir com a realidade. Esta, dizem os entendidos, é muito pior...
_ Meu caro coronel Dourado então que manda?
-Meu caro, mando-lhe saúde e boa disposição. Que o diabo seja surdo, mas a saúde é o que mais importa. Como vai a família, tudo bem?
-Felizmente bem, graças a Deus. O meu filho mais velho lá acabou a licenciatura, deu jeito aquele empurraozinho do meu coronel... Mandou aquela cadeira que faltava por fax e acabou o curso...
-O fax é muito democrático. Serve para todos. Desde o fax de Macau até ao fax cá do coronel, isto é trigo limpo farinha amparo!... Deus nos dê saudinha amigo Já Não Sinto... Olhe é para lhe dizer que foi nomeado para o tal grande encontro, com a gajada de Lisboa...
- Mas, eu não quero ser usado outra vez, sabe como é, dá nas vistas...
-Lembra-se daquilo do verão passado?!
-Claro que lembro, foi formidável! Pronto, esqueça o que disse, dê ordens patrão!
-Eu quero pelo menos o empate, ouviu! Use a estratágia M e deixe-nos actuar com o plano S!...
-Estratégia M e plano S? Já não recordo...
-Não se faça de tanso! eu estou aqui na tasca do Zé da Aldeia não há perigo de os esbirros da judite andarem por aí... O plano M é o "mergulho na piscina", carago!! Os nossos andam ali perto da área, atiram-se para a piscina e truca! há aquelas faltas cirúrgicas que, de tanto acontecerem, dão golo... Na nossa área nada, claro! Só umas faltinhas inofensivas no meio-campo, até pode ser contra nós, só pra despistar... Mas na deles, é preciso muitas e perigosas... tantas vezes vai o cântaro à fonte... que, numa delas, pode ser golo!
- E o plano S, qual é?!
-Ó pá você não tem ido àquelas reuniões lá no Barco de Camaveses, carago? Não sabe que depois do golo obtido há que dar Sarrafada, e você (e toda a malta do esquema, claro) faz vista grossa, senão... eu quero aquela gajada de Lisboa toda de joelhos perante a Torre dos Clérigos, já passou o tempo em que íamos a Lisboa lamber as botas ao Marquês de Pombal!
-Essa não percebi!
-Você ainda tem nessa caximónia aquela ideia nortista, aquele bairrismo que se entranha cá na mioleira e nunca mais sai, até a terra comer as ossadas. Toda a gente tem carago: polícias, juízes (excepto aquele ingénuo de Gondarém...), professores, árbitros, empresários; a gajada de Lisboa só é boa com os pés prá cova! São uns sulistas, elitistas, sei lá, uns gosmistas, querem tudo para o Terreiro do Paço e nada para os Clérigos. Isto agora mudou, ouviu?
- Conte comigo, meu coronel! e não se esqueça dos "pimentinhos"...
-Não esqueço não! Se a malta ganhar àquela gajada de Lisboa dobro a parada, ouviu?
-Você manda, coronel! Já agora também um pedido: quero ser internacional, veja lá... dê um empurraozinho na classificação, arranje-me sempre bons obseradores...aqueles que só dão notas altas, fixes! Olhe, o meu cunhado, o Escova, aquele empreiteiro que comprou aquele terreno... espera que para o ano já lá possa construír...
-Sim, pá! Estou a dar umas dicas a uns gajos para aquilo andar depressa, eu também tenho interesse nisso, a minha comissão também virá com a autorização.Mas já andei depressa demais aqui num caso recente e deu muito nas vistas... é preciso dar tempo ao tempo...
-Então combinado, meu coronel! A gajada de Lisboa vai levar naquelas ventas que nem sabe onde fica o Marquês!
-Gosto disso, pá... no verão, já sabes, conta comigo outra vez...
Cai o pano. O coronel é beijado sofregamente por uma senhora muito bem apetrechada em termos lácteos e não só... é a D. Judite, do Porto, claro!...
segunda-feira, julho 02, 2007
O "Cristão-novo"!
Era tenente-miliciano e estava numa unidade militar no período ante-25 de Abril.
Ali pontificava um "senhor" oficial do quadro permanente chamado Matono Cóias. Era irascível, colérico, um tiranete de primeira. Nas reuniões de oficiais mostrava-se sempre muito afecto ao regime, citava um manual que lhe fora imposto nos Altos Estudos (estilo "sebenta universitária") dizendo cobras e lagartos da chamada "oposição interna" ao regime.
Um belo dia, estava eu de oficial de dia, fui chamado ao seu gabinete. De rompante disse-me:
- Quero falar com esse indivíduo que se infiltrou cá dentro. Pode ser um terrorista.
De facto houve um turista francês que entrara inadvertidamente na unidade, seguindo a orla costeira e não se apercebendo que era ali um aquartelamento militar. Não violara nenhum sinal de proibição pois não existia nenhum!
Revistei-o e só encontrei uma latas de sardinha em conserva e uns maços de tabaco "gaulloise".
-Esse indivíduo - disse eu com prudência - está prestes a saír da unidade, está junto à porta de armas. Não me parece que tenha cometido crime algum...
Telefonou de imediato. Mandou prender o dito cujo. E, coisa aberrante, mandou chamar a Pide/DGS!!!
Enfim, um tirano com a perfídia no grau mais elevado.
Noutra ocasião mandou-me chamar ao seu gabinete, disse-me que havia um soldado que se encontrava em regime de prisão mas que habitualmente ia trabalhar para as oficinas. Tinha um regime de certa liberdade pelo facto de trabalhar. Parece que se recusava agora ao trabalho. Mandou-me investigar.
Lá fui e trouxe a resposta do soldado. Não gostou. Proibiu-o de saír da prisão e de frequentar o bar conforme era hábito. Mandou-me exarar essa ordem no livro do oficial de dia para que todos cumprissem à risca essa instrução.
Entretanto surgiu o "25 de Abril"! O tal oficial do quadro permanente colocou-se em bicos de pés e disse que pertencia ao movimento, que assistiu a reuniões secretas, etc. Todos os oficiais milicianos lá foram ao "beija-mão" menos eu. Expliquei que era a favor de "25 de Abril" mas não me revia nesse oficial como um ideal de liberdade, mas sim era símbolo de opressão e de ditadura.
Foi uma fera para comigo. Um dia o capelão falou-lhe no caso do soldado que continuava proibido de ir ao bar. Negou categoricamnete ter dado a ordem. Eu não me contive e chamei-lhe metiroso na messe de oficiais. Ele incapaz de me dar réplica, mandou-me pôr em sentido e calar!
Tão caricato era que, aquando de um festival desportivo (Torneio de Futebol de Salão), sendo eu eleito o melhor marcador do Torneio (entre oficiais, sargentos e praças), ele comentou para o oficial da secção desportiva:
- Este gajo, o melhor marcador? Mas ele não joga puto!!!
Eu não sendo muito tecnicista era aplicado, corajoso, batalhador e com elevado sentido táctico. Muito activo, embora defesa, ia à frente e aplicava uns tiros certeiros que punham em estado de pânico os guarda-redes... a rematar de "bico" era uma "fera"... Ainda hoje faço uma "perninha" e dou bem conta do recado.
Era assim o ódio do "cristão novo". Muito embora tivesse tirado dois cursos de elevado grau de dificuldade (fui o primeiro num e o segundo, no outro, entre dezenas de oficias) nunca consegui caír nas suas boas graças. Não dava "graxa", não "lambia as botas", não "vergava", logo, era uma nulidade!!!
Em Abril continuam a proliferar injustiças mil, ninguém tenha dúvidas...
E "cristãos-novos" é o que há mais, nas autarquias, na justiça, nos empregos públicos... até nas paróquias...
O "ESCOVA"...

sábado, junho 30, 2007
Sua Excelência o Narciso... anda por aí!
Madre Teresa a anti-narcisos...Ele anda por aí! Amiúde vêmo-lo na TV, ar sorridente, dedos espetados no ar, ar convincente, sorriso largo, gabando-se de forma quase infantil, atribuindo-se méritos e capacidades só ao alcance dos predestinados, qual semi-deus da era moderna.
É vê-lo na assembleia da república, ar pomposo e enfatuado, debitando discursatas gongóricas, é vê-lo nas jantaradas de homenagem que lhe são prodigalizadas por ser dirigente do clube, é vê-lo junto das comunidades de emigrantes aquando da celebração de algum evento, é vê-lo a dar suculentas entrevistas aos jornais desportivos (onde tem lugar sempre cativo), às rádios, às TV's.
Que de majestade, que de imaculada fisionomia, que de linguagem rebuscada cheia de esoterismos e de neologismos plenos de originalidade e de graça!...
É vê-lo também nos púlpitos, arrebatando com uma arenga estudada meticulosamente, as massas ingénuas, subtilmente embasbacadas pela sua litania de Frei Tomás, com odor quase santificado; é vê-lo e ouvi-lo nos cafés, sempre rodeado de súbditos atentos e veneradores, sorrindo forçadamente a todos os seus ditos; é vê-lo a cirandar pelos corredores dos ministérios, com gravatas e perfumes berrantes para contrastarem com o cinzentismo moral, com o negrume do carácter.
Ele anda por aí. Diz-se envolvido por pedidos irrecusáveis para aceitar a tal estátua, o tal busto, a tal pintura na cripta onde se perpetuará "ad infinitum", qual supra-sumo das virtualidades humanas... Coitado, não poderia recusar, seria ofender essas pessoas tão amigas, tão seguidoras do seu trajecto humanistico, tão carentes de amparo espiritual...
É igual a si próprio quando, com falsa humildade, distribui louros e prebendas por outrem, dando a entender que só o faz por... comiseração, por pena do séquito de acríticos e amorfos acólitos que o rodeiam.
É ele também o líder doirado, o integérrimo condutor de almas, o pastor de um redil amorfo e pardacento que cultua a sua imagem com o fervor de um zelote; é o centro do mundo, o sol, a quinta-essência; quanto aos outros, se luzem, é só por estarem sob a sua órbita... É, não raro, imbuído daquela presunção estulta que o faz pavonear qualidades em tudo o que participa; tem-se na conta de figura admirável, paradigma moral por excelência, enfim, dir-se-ia que o país, este pequeno país, este povo ignaro e inculto, não o merecem... ele é doutra estirpe, doutra galáxia! Ademais, é também um incompreendido...
Ele, narciso, não admite erros, falhas, incongruências, hipotéticas contradições.
Repete bastas vezes: "se fosse hoje, faria tudo na mesma, tudo sem alterar uma palha!" dando a entender que o seu trajecto foi delineado no olimpo por deuses tutelares de quem é um sub-produto, uma emanação.
Não sabe conviver com a crítica. Críticas? São tudo disparates pegados de invejosos, de ressabiados, de quixotescos adversários que não chegam aos seus calcanhares, seriam indignos de lhe apertaram os cordões dos sapatos, quanto mais esgrimirem com ele, o douto, o sábio, o dono da verdade... Se calhar queriam o seu lugar, " mas falta-lhes a sua estatura intelectual, o seu cabedal cívico, a sua honorabilidade, a sua credibilidade", desabafa, petulante, entre amigos e confidentes...
Quando atinge algum destaque _ e acontece isso, com desusada frequência neste jardim de ingénuos úteis, à beira-mar plantados... _ ei-lo que se rodeia de "nepos", de "paus-mandados", "criados-para-todo-o-serviço", cultuando a imagem do "caudilho" na mira de poderem abocanhar todas as migalhas que caiam da mesa orçamental. Enfim, fidelidades (e voracidades) caninas; a par de um seguidismo acrítico e acéfalo há um interesseirismo de piranha, um apetite inversamente proporcional aos escrúpulos...
O narciso abomina lugares subalternos; quer sempre a primeira fila, o destaque que dê dividendos mediáticos, o pedestal, o galarim mais parolo...
Ele é bom em tudo (ou melhor, tem-se na conta de o ser..), excepto em... modéstia... E, mesmo quando habilidosamente despe a casaca do egocentrismo(querendo aparentar certa "normalidade"), fá-lo de tal sorte que fique a pairar no espírito de todos certa magnanimidade, certa condescendência, estilo: "até jogo uma sueca lá no café da Guida, ou o dominó no salão do meu bairro"...
Não dá ponto sem nó. Os outros são "vaidosos", ele não, tem autoestima! Os outros são aperaltados, ele não, ele veste bem! A teimosia é para os outros, nele tem o nome de perseverança!
Enfim, D. Narciso pode ser um simples cónego, um presidente de câmara, um deputado, um ministro, um presidente de um clube de futebol, um empresário.
Ele anda por aí!
Quando o virem, lembrem-se deste diagnóstico e ... com ironia, atirem-lhe esta:
__ Então como tem passado, senhor Narciso?! E, como vai a sua esposa, D. Empáfia?!
quarta-feira, junho 27, 2007
O INFERNO EXISTE! ELA FOI LÁ E... REGRESOU!...

EUSÉBIO E CRISTIANO RONALDO... DUAS FACES DE UMA MOEDA

A sociologia ainda não se debruçou sobre este fenómeno; a economia, essa ciência que estuda a multiplicidade de aplicações de recursos susceptíveis de uso alternativo, adentro dos diversos "habitats" chamados mercados, ainda não criou leis, ainda não abordou com cuidados científicos, estas coisas, mas há que ter a coragem de ser pioneiro, de dar o"pontapé de saída"...
Há que começar a observar este novo mundo, esta nova economia, esta nova sociologia, à lupa; o futebol criou uma "tribo", uma nova "fauna", um novo paradigma.
Recordam-se de chamarem "abono de família" ao Eusébio, o imorredouro pantera negra, o maior embaixador desportivo de Portugal nos anos sessenta e setenta? Portugal, por força da sua acção galvanizante a nível mediático, também passou a surgir em mares nunca dantes navegados, em parte à sua custa, graças
à sua motricidade excepcional, ao seu faro pelo golo e pelas cavalgadas heróicas por entre florestas de pernas adversárias culminando em remates portentosos à baliza de aterrorizados "goleiros" semi-hipnotisados pela sua perfomance...
Foi, de facto, um "abono de família" para o plantel benfiquista de então.
Contudo, um outro fenómeno surge, agora, a merecer a nossa atenção.
Trata-se de Cristiano Ronaldo. Um portento dentro dos relvados e um coleccionador de "romances" digno de nota. Certas mulheres colam-se a ele na ânsia de cobertura mediática, de subida de cotação nesta "bolsa" de vaidades que é o jet-set.
Quando se atrelam a ele a sua vida muda radicalmente. Passam a ser alvo dos "paparazzi", têm o nome e foto em tudo o que é revista ou coluna social cor-de-rosa. Passam a cobrar "cachets" pela presença ou por sessões de autógrafos. São requisitadas para passagens de modelos, inaugurações, lançamentos de livros, campanhas publicitárias, coberturas de candidatos a cargos públicos, enfim, um novo mundo, uma nova atmosfera carregada de incenso mediático!
Tal como na Bolsa de acções, estas criaturas sobem de cotação quando estão sob a "protecção" do "astro" como se de uma OPA se tratasse! o seu "luzimento" atinge foros de coisa de outra galáxia, de fenómeno sobrenatural...
Até os políticos procuram a sua repentina "luminosidade" para se pavonearem a seu lado, para que a sua cotação (tantas vezes em baixa por motivos de linguagem desbragda, corrupção mal escondida, ilicitudes medrando paredes-meias com mentiras 'protectoras'...) possa subir junto das massas, elas próprias pasmadas e embasbacadas com as "luminárias" mediáticas!
Que de entusiasmo, que de deslumbramento, que de glamour!
Tudo sobe nas suas redondezas. Há quem lhes chame de "viagra" ou "abono de família" dos "paparazzi"... à sua volta tudo reluz, tudo brilha, tudo adquire contornos mágicos, conotações auríferas... o fogo da fama crepita e lança chamas incandescentes!...
Enfim, há que estar atento a este fenómeno. Há que não menosprezar as suas potencialidades. É Midas com nova aragem...
Qualquer dia temo que seja motivo para novas licenciaturas...
rouxinol

