domingo, março 02, 2008

Mulher- objecto, animal de estimação?!


Ele é Dani Graves (25 anos) ela Tasha Maltby (19 anos) e vivem no norte de Inglaterra (Dewsbury). Foram notícia por discriminação nos transportes públicos. ela assume-se como «mulher objecto e animal de estimação», serve de dama de companhia ao macho e nada faz, apenas o papel de fêmea e pouco mais...
A empresa de transportes «Arriva» recusou a entrada deste estranho casal dado ele trazer uma trela a prender a sua fêmea. O processo vai ser discutido nos tribunais.
Agora se a moda péga, cá em Portugal, vai ser o bom e o bonito. Nalguns casos que se conhecem, também só falta a «trela» pois o relacionamento do proprietário da mulher objecto é similar a este...
A minha homenagem poética ao casal «inovador»...
Ela é mulher-objecto
não trabalha, não produz,
o seu viver é discreto
dá prazer, não dá à luz,
é dama de companhia
viaja com o seu senhor
quer de noite quer de dia
dá-lhe atenção, sexo, amor,
como se fosse animal,
objecto decorativo
uma dama de bordel,
um bálsamo, um lenitivo,
um remédio ou alimento
também animal cativo
do dono a todo o momento
ser vivo de outro ser vivo,
moda, como outra qualquer,
eu direi que é escravidão
mas ser objecto-mulher
às vezes é uma opção!...

sábado, março 01, 2008

O SOL QUE ABRIL ABRIU!


Abril surgiu com todo o seu esplendor democrático em 1974. Mas foi sol de pouca dura. As tentativas de assalto ao poder por métodos pouco democráticos deram no que deram.
Agora, resta de Abril uma memória difusa. É preciso avivá-la e transmiti-la pura e cristalina aos novos, aos que surgem a perguntar pela liberdade plena, pela democracia autêntica. Vemos uma situação de estrangulamento óbvio, em que os valores democráticos são ultrapassados por «cunhas», «compadrios», chantagem de grupos de pressão que se assumem como tutores da própria democracia. Há que corrigir este desbragamento, há que restaurar o espírito de Abril, há que dar luminosidade ao sol de Abril. O autêntico!
Abril foi um sol-nascente
Cheiinho de liberdade
Sol no coração da gente
Orgasmo de claridade.
Como era forte e brilhante:
Milho-rei, milho vermelho,
Papoila rubra, cantante,
Vinho bom, puro verdelho!
Milho-rei, papoila ou vinho,
Ou outra coisa qualquer
Abril deu ao Zé Povinho
Uma ilusão de poder...
Povo feliz e sortudo,
Liberdade abençoada
Pensando ter ... quase tudo
Afinal não resta nada!
Agora temos zurrapa
O défice, amargo travo,
Abril já saíu do mapa
Um cacto... em vez do cravo!
O cantar amargurado
Deste povo já sem esperança
É como um cravo arrancado
Dentre as mãos de uma criança!
Abril há-de renascer,
Um sol para toda a gente
Milho-rei há-de crescer
O povo tem fé, é crente!
É que a História nos ensina
Que há marés, como no mar...
Damos a volta por cima
Quando o puro Abril voltar!...
Do templo de Abril vão ser
Corridos os vendilhões
Gente que se está a encher
Vendendo ao povo... ilusões!

Meu Deus, que grande pecador!...

ORAÇÃO




Meu Deus, que grande pecador eu sou!

Às vezes sinto-me devorado por esse monstro aterrador que me angustia e faz pensar: a dúvida.
Será ela dádiva divina ou produto de satã?! Aquela fé cega e a credulidade infantil fui-as perdendo aos poucos. A vida abriu-me as janelas da alma de par em par!

Longe vão os tempos da credulidade excessiva, da aceitação passiva e amorfa de tudo e de todos. Chego a pensar que a própria fé é o joio e a dúvida o trigo mais puro! que blasfémia, que ousadia!
Tenho sérias dúvidas sobre a infalibilidade papal, sobre as motivações profundas da própria Igreja.

Por vezes pnho-me a pensar se Portugal não teria nascido sob o signo do ouro. D. Afonso Henriques ao doar aquelas onças de ouro ao papa, para mostrar a sua vassalagem e receber dele a bênção para a independência, não o estaria a subornar? Longe vá o mau pensamento, talvez consequência nefasta deste «apito doirado» que nunca mais termina...

E a questão das indulgências que tanto escandalizou Lutero e seus apoiantes (estando na génese da Reforma) não é que está constantemente a atormentar o meu espírito inquieto?

Sinto que o céu pode nem sequer existir e ser apenas mais uma doirada versão do «conto do vigário», uma metáfora bem elaborada com intuitos inconfessáveis, um expediente subtil para alimentar uma gigantesca máquina caça-níqueis!...

Quando em Fátima vejo as pessoas a deitarem dinheiro nas caixas das esmolas, penso se não o farão com intenção dolosa, interesseira, esperando o tal «jackpot» do Além chamado céu, ou então estarão a «investir» na sua saúde, no seu bem estar.... como quem joga numa «bolsa», «bolsa de indulgências», produtos de rendibilidade assegurada, como se diz na gíria bancária...

Pergunto a mim próprio se a «clonagem» de Senhores que por aí prolifera (Senhor dos Benguiados, Senhor dos Malguiados, dos Passos, do Bom Conselho...) não será fruto da voragem dessa gigantesca máquina caça-níqueis? Será que ainda vou ver nalgum restaurante o nome de «Senhor dos Bem Comidos e dos Bem Bebidos»?!

E a «desmultiplicação» de Senhoras não será algo do mesmo teor?

E os santos e santinhos, cada qual com a sua «especialidade» (mais fazendo lembrar médicos ou advogados...) não será uma «oferta» respondendo à «procura» de pessoas carentes e angustiadas? Versão «sacra» da lei da oferta e da procura?

Enfim, solução para todos os males, remédio para todas as maleitas do corpo e do espírito, bastando «apostar» neste ou naquele taumaturgo da sua predilecção?!

Meu Deus, estes maus pensamentos fazem-me recordar Santo Agostinho e as suas Tentações!

Será que as minhas dúvidas são razoáveis e a própria Igreja as irá perfilhar, talvez daqui a algumas dezenas de anos?

Será que estou demasiado à frente no tempo? Ou, pelo contrário, é o tempo presente que está atrasado em relação ao meu pensar?

Meu Deus perdoai-me se peco. Sou um inadaptado, um desfasado, um meteorito fora do tempo.

Às vezes, suprema ironia, ponho-me a pensar se esta dúvida que me atormenta, em vez de ser satã, não será a própria lucidez!?

Será a lucidez filha de Deus?

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

O dilema do BCE





Enquanto a Reserva Federal aposta na descida da taxa de juro em ordem a revitalizar a economia, o BCE, expectante mas receoso de tensões inflacionistas (o preço do petróleo continua em alta preocupante) continua a manter a mesma taxa, muito embora haja pressões para a baixar face à valorização excessiva do euro, colocando empecilhos às exportações para mercados onde o dólar também entra em competição; a economia portuguesa mais virada para exportações internas (zona euro) também sofrerá pois diminuindo as exportações nos países-locomotiva, nós sofreremos por arrastamento, pois, sendo país periférico não seremos tão solicitados nesse sentido.


A economia chinesa e indiana (sobretudo) continuam a pressionar a subida do petróleo graças aos consumos cada vez maiores que vão exibindo, numa espiral preocupante. Poder-se-á dizer que o preço do petróleo (em subida) está «amortecido» pela subida do euro. Contudo, tal situação poderá ter reflexos negativos se a queda das exportações for acentuada.


A economia portuguesa (economia aberta, dependente da evolução das economias «centrais»), muito periférica e pouco competitiva (já esteve pior) corre sérios riscos.


As «deslocalizações» provocam uma subida no desemprego, quiçá «camuflada» pelo forte surto emigratório que se faz sentir cada vez mais. Há que olhar para o turismo como sector para o qual estamos vocacionados por excelência.


Por que não incentivar o golfe? Facilitando o surgimento de plataformas dinâmicas capazes de serem âncoras para um empreendedorismo multifacetado?


Por que não fazer um maior investimento em termos de marketing além-fronteiras? O nosso sol, os nossos costumes, a nossa gastronomia, são só por si factores de atracção não despiciendos.


Com uma economia estagnada (ou a crescer muito pouco) temos a construção civil a precisar de um empurrão forte: é um sector-alavanca que gera, quer a montante quer a jusante, uma multiplicidade de riquezas que não deverão deixar de merecer a atenção de quem governa.


Baixar impostos poderá não ser de todo impensável, muito embora se reconheça que há dificuldades em relação ao défice, há a possibilidade de com medidas bem coordenadas, criar um efeito propulsor no investimento que possa gerar mais receitas apesar do grau de incidência fiscal mais reduzido.


O país precisa de saír do marasmo. As empresas podem ser as principais vítimas deste neoliberalismo selvagem. A supervisão do Estado poderá ter o condão de fazer saír do atoleiro alguns sectores. o Estado não deve ser «desmantelado», deve, isso sim, ser redimensionado e racionalizado em ordem a cumprir de forma mais eficaz e com menos custos a sua missão.
Os mercados, de per si, não são a solução final. Há que usar medidas que possam minorar os efeitos nefastos de uma acção desregrada dos mercados.
O governo tem que estar atento a uma nova conjuntura externa que se vislumbra no horizonte próximo. As eleições americanas costumam trazer turbulências e, porventura, algumas vantagens potenciais para quem estiver atento.
As energias renováveis são aposta que deverá ter reflexos a médio prazo. Portugal, muito embora no bom caminho neste domínio, haverá de reconhecer que, no curto prazo, ainda é cedo para colher frutos. Assim, há que repensar o modelo seguido até aqui e tentar o «choque fiscal» agora, pois se o fizer daqui a uns meses, poderão dizer que é oportunismo eleitoralista, o alargar o cinto agora é medida a não desprezar. Se não for feito, poderão ser acusados de serem os governantes da oportunidade perdida. Sem perder o norte, há que ganhar a noção do sentido da oportunidade estratégica.
Oxalá José Sócrates tenha bons conselheiros nesta matéria. Para mim, que não tenho preferências partidárias, o mais importante é que o país vença. A oportunidade pode ser perdida por falta de visão estratégica, por amorfismo, por tibieza.













quinta-feira, fevereiro 28, 2008

QUEREM MATÁ-LO!! ACUSO EU!...


UMA JÓIA ARQUITECTÓNICA QUE QUEREM «DESMANTELAR»
Ao Bolhão querem dar a extrema-unção
Ou talvez eutanásia prematura;
Do Porto é bastião, nobre ancião,
'inda é cedo p'ra ir à sepultura!
Querem dar-te «injecção atrás da orelha»...
As senis criaturas sem respeito
Por esta antiguidade; sendo velha
É relíquia notória, sem defeito!
Requalificação, restauração,
É a mais acertada e digna opção;
Não façam no Bolhão mais um aborto!...
Há que deixar viver este Bolhão
Baluarte tão típico do Porto,
Merece viver mais!, nunca, ser morto!!!

Abril tão longe!... Maio (28) anda aí!...


Salgueiro Maia, um verdadeiro símbolo do Abril mais puro, deve pensar lá com os seus botões:
«Isto cheira a tudo menos a cravos!»
Cada vez mais se fala menos de Abril e de democracia, de transparência.
Voltou, rançoso e militarista (pela boca de um conhecido major...) o velho slogan que fez carreira no antigo regime: «Manda quem pode, obedece quem tem juizo!»
Era assim que a ditadura se impunha. Aos militares dizia-se: «Vocês não são para pensar, vocês é para agir, há quem pense por vós!»
Sem mais, desta forma canhestra e prepotente, não havia lugar a dúvidas nem a críticas ao status quo. Agora, regressa este modo de pensar, esta idiossincrasia estulta.
Mandante é (pressupõe-se) quem tem poder económico, quem tem dinheiro para dar prendas de alto gabarito.
«Obedece quem tem juizo!»
Traduzindo para linguagem comum, descodificando: quem não quiser passar por louco tem que obedecer cegamente aos superiores desígnios de quem se sente acima da lei, acima das próprias instituições, com impunidade total!
Agentes da judiciária, magistrados, agentes da PSP, tudo deve ajoelhar a seus pés se não quiser ter problemas. Qual espada de Dâmocles, a chantahem paira acima de todas as cabeças! Quem não vergar, leva!
Fazer o mal e a caramunha é a sua especialidade, o seu gozo supremo! Sempre a proclamarem-se vítimas disto e daquilo e, paralelamente, a espezinharem e enxovalharem quem ousar ser honesto e íntegro!
O «coitadinhismo» é usado com perícia, à custa de uma comunicação social servil e venal, que se coloca no lado errado, por interesse, por calculismo, por almejar vantagens futuras... na hora da vitória estão todos lá, como piranhas, degustando o burlesco ágape! Cretinos de alto gabarito! A História vos julgará! há sempre uma Nuremberga à vossa espera!
Usam e abusam de termos como «cabala», «conspiração», «perseguição». O seu léxico está prenhe de neologismos idiotas procurando incensar o que é digno de comiseração e de revolta!
Gente com sinecuras na comunicação social, gente medíocre, que talvez tenha subido não à custa do próprio pedalar, mas fazendo «meio-fundo», gente «empurrada» por «cunhas» e «tráficos» de toda a ordem... é hora de «pagar facturas», de ser grato, de lamber feridas infectadas pelo vírus da corrupção...
Enfim, toda uma «entourage» que serve de caixa de ressonância, de correia de transmissão, de «carpideira mercenária» sempre a chorar lágrimas fingidas...
Abril ainda não chegou.
O pove de Abril ainda não abriu os olhos. Maio, com a sua opacidade, o seu caciquismo renascido, qual Fénix imorredoira, está aí, pletórico de saúde, humilhando Abril.
Ai, como faz falta uma Primavera!

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Estado gordo e pesado versus Estado magro e ágil...

O Estado tem sido um dos cernes da questão. A velha questão da direita e da esquerda tornou-se obsoleta, desencantada, alvo de considerandos estereotipados.

Quer-se agora reduzir o peso do Estado e torná-lo mais ágil, mais pragmático, menos burocrático e mais leve.

Menezes fala até em «desmantelá -lo». Julgo que esta expressão é infeliz. Ele quis dizer certamente racionalizá-lo e torná-lo mais expedito, expurgá-lo das gorduras supérfluas e ser mais musculado.

Sócrates também quer diminuír o seu peso e reduzir a sua dimensão. Vemos as consequências negativas ao nível da saúde. Porquê?

Pura e simplesmente porque não houve articulação intersectorial e a problemática dos transportes e das acessibilidades não acompanhou a restante estruturação. Há medicamentos (terapêuticas políticas...) que podem ter efeitos colaterais nefastos.

No ensino há assuntos que estão a gerar polémica. Porquê?

A pretexto de se tornar mais eficaz e talvez menos onerosa a manutenção de um certo estabelecimento escolar, poderá estar-se a gerar falta de democracia interna e governamentalização. Ou seja: a colocação de um «elemento exógeno» poderá acarretar controleirismo partidário, governamentalização, afunilamento, caciquismo, prepotência.

Ao pretender-se diminuír o défice orçamental poder-se-á estar a gerar um outro: o democrático.

A democracia tem custos ninguém duvide. A ditadura é mais barata...
Todavia o viver em ambientes totalitários gera situações aberrantes que mais tarde ou mais cedo terão que ser corrigidas.

A saúde e a educação estão a sofrer transformações muito radicais e sem uma política global devidamente estruturada poderá ser pior a emenda que o soneto...

Estou a falar acima de qualquer preconceito ideológico. Não me sinto nem à esquerda nem à direita do governo. Sinto que há uma grande asfixia democrática e é preciso abrir janelas sob pena de a porta da rua ser o destino mais provável de quem governa...

domingo, fevereiro 24, 2008

Era uma vez um lobo-do-mar que o mar invejava...






Esse mar-cão mar-ladrão
esse mar maldito seja
levou o teu coração
porque dele tinha inveja
coração de mareante
só coragem e bravura
quase sempre triunfante
mesmo na luta mais dura
esse mar-cão mar-canalha
talhou de água o teu caixão
teceu a tua mortalha
esse mar não tem perdão
esse mar que te levou
ao teu último suspiro
com teu coração ficou
precisava dele, Miro
precisava da coragem
da robustez natural
coração à tua imagem
de guerreiro sem rival
à noite quando anoitece
'inda espero te encontrar
às vezes até parece
ver-te na praia a jogar...

sábado, fevereiro 23, 2008

Camélias em flor! Um mundo!




Exposição de Camélias na quinta de Vilar de Matos em Junqueira Vila do Conde.
Neste cantinho do céu, uma paisagem luxuriante onde a linguagem das camélias nos convida ao diálogo fecundo, pode ver-se uma das maiores colecções de camélias (mais de 1400 variedades) do mundo. Local muito visitado (até por TV's nipónicas) é um ex-libris da Junqueira.
O seu proprietário, Paulino Curval é a sabedoria em pessoa. Já na casa dos setenta, ele ostenta um fulgor e uma vivacidade ímpares. Fala com estes seres vivos maravilhosos a quem dedica uma afeição sem limites. A paixão pela natureza no seu grau mais elevado, a orgia de um verde que se casa magnificamente com o azul cobalto do céu, fazem deste local paradisíaco uma das «maravilhas do planeta»!
A caminho do Guiness (tal a diversidade e quantidade de exemplares) é um orgulho para todos nós que amamos a natureza e cultivamos o ambiente. Enfim, só visto!
CAMÉLIAS EM FLOR!
Tantas camélias em flor
Um sortilégio, Deus meu,
Um hino à Paz, ao Amor,
Réstea do céu, direi eu...
O sol abrindo os seus braços
Com ternura redobrada
Estende os seus raios-laços
Numa paixão acendrada.
Esta volúpia-natura
Às camélias dá mais viço
Junqueira, de alma tão pura
Terra-flor, terra-feitiço!
Camélias em flor serão
Nesta terra uma bandeira
No inverno «reinarão»
Nesta tão linda Junqueira!
Camélias são verde esp'rança
Neste mundo-crueldade...
São sementes de bonança
Quando impera a tempestade!

Figurões de Abril: o arrivista!...

Na galeria de Abril vemos amiúde figuras- padrão que são estandardizadas e englobam perfis bem demarcados. Ao analisarmos um , somos capazes de , por extrapolação psicológica, avaliarmos o seu comportamento face a determinados circunstancialismos. São protótipos.

O chicoesperto, o cristão-novo, o populista, enfim há toda uma parafernália de tipicismos que importa equacionar e escalpelizar com minúcia. Há-os para todos os gostos.

O arrivista é uma dessas aves raras que nos surgem de rompante, cheias de optimismo forçado, arreganhando os dentes de forma triunfalista, prometendo amanhãs que cantam com a prosápia de um vendedor de ilusões que se preze.

Ele não olha a meios para atingir os seus fins. Calca tudo e todos para atingir o topo. Lambe as botas aos que estão acima e pontapeia todos os que estão abaixo numa suposta hierarquia que ele cria na sua volúpia trepadora. É o alpinista hierárquico por excelência. Sabujo, servil, sujeita-se a figuras caricatas para atropelar mesmo aqueles a quem declara ser «preclaro amigo»...

Gosta de aparecer na rádio, nos jornais, dá tudo para uma entrevista nem que seja no boletim da paróquia, o que é preciso é protagonismo, para ser falado, ser fonte de admiração...

Usa termos rebuscados, quando bota faladura na rádio, nem parece o mesmo do café, do clube, da rua. Gosta de evidenciar a sua fabulosa cultura, as suas viagens aos confins do mundo, a sua verborreia assume contornos patológicos.

Põe-se em bicos de pés por tudo e por nada. Fala sobre todos os temas com a eloquência de um lente, de um erudito pau para toda a colher: música, filmografia, literatura, enfim, de tudo é perito, especialista nato. Um generalista por excelência e especialista no que calhar...

Tem pena dos outros: dos que nada sabem, dos ignaros parceiros de café com quem é obrigado a conviver...dos que não estão à altura da sua tertúlia cheia de «nível»...

O arrivista sabe tudo e conhece toda a gente, os seus pecados, as suas frustrações, as suas motivações profundas. Aos mais velhos chama caducos, senis, ou como tendo o prazo de validade nos limites, enfim, uns trapos que nem para limpar o pó servem. Ele sim, é a jovialidade e o dinamismo em pessoa. Um portento de juventude e de optimismo. O sorriso sempre afivelado dá-lhe um ar patético, artificial, idiota, mas julga-se o maior, o mais popular, o mais-que-tudo. Os outros são impotentes, medíocres, cinzentos, ele não, é o clímax , a eloquência, o brilhantismo em pessoa...

Ele anda por aí, anda a prometer coisas que não pode dar, mas nem olha para os telhados de vidro que tem e que poderão fazer ruir o castelo megalómano que foi engendrando nos interstícios do seu super-avantajado ego. Ele não sabe que há muita gente que sabe mais do que ele alguma vez imaginou ser possível saber-se...

Enfim, uma rã que quer ser boi... mais uma a ter o destino das que o antecederam... tão bom em tudo... menos em humildade! que pena!

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A parábola do carro em segunda mão...

Jesus Cristo caminhou sobre as águas...
Luís Filipe Menezes caminha sobre um mar de contradições...



Qual o milagre maior?!



Vale a pena ler. Está no JN de 20/2/2008, na última página.Com a verrina que lhe é peculiar o poeta M.A.Pina , a dado passo da sua crónica reza assim:

«Assim, comprei há uns tempos ao "Expresso" um carro em segunda mão a Luís Filipe Meneses, segundo o qual, chegado ao governo, ele desmantelará o Estado em seis meses. Ora ainda a garantia não expirou já está ele a vender-me outro, no DN, igualmente em perfeito estado de consevação, assegurando-me que, consigo no governo, "não fechará nenhum serviço público".»

Enfim, uma paródia bem conseguida, uma parábola digna de um Jesus Cristo da era moderna!

O país está cheio de vendedores de carros em segunda mão. Sobretudo políticos da nova vaga.
Esta análise, se fosse feita por um conhecido presidente de câmara (que é médico), talvez assumisse outros contornos. Talvez dissesse que este comportamento (de LFM) é «esquizofrénico»! hoje diz uma coisa e passado pouco tempo, diz o seu contrário.

Enfim, tipicismos de doença bipolar. Mas, eu diria que talvez haja outra explicação...

Será que Menezes atravessou (tal como S. Paulo, na antiguidade...) a «estrada de Damasco»?!

Talvez, quem sabe? Como são insondáveis os desígnios de Deus para levar as almas transviadas ao caminho certo, ao rumo verdadeiro, ao trilho da redenção...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Honrosas excepções

Dr Guilherme Oliveira Martins

Presidente em exercício do Tribunal de Contas


Habituados que estamos a ver proliferar o compadrio e o nepotismo, quantos vezes abrigados pela asa protectora de um partido (daí a acusação de partidocracia) até se estranha quando surge alguém a emergir da sombria realidade a dar uma aragem de isenção e verticalidade.
Quando foi escolhido para ocupar o lugar prestigiante que agora ocupa foi acusado de ter pouca isenção e poder favorecer o partido donde vinha militando (o PS).
Agora, ao assistirmos ao «chumbo» do TC no tocante a um vultuoso empréstimo para pagar dívidas herdadas pelo executivo da câmara municipal de Lisboa (onde preside o socialista António Costa) não deixa de ser curioso fazer uma retrospectiva e avaliar quão infundadas eram as reservas apontadas.
Afinal, habemus Isenção!

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Regabofe bancário: 5 milhões de lucros diários!

Enquanto ao comum dos cidadãos é exigido um cada vez maior aperto do cinto, com impostos e mais impostos, privações e coimas a rodos, a banca navega «num mar de contentamentos».

Será que há equidade neste país de brandos costumes? Será que estamos todos a trabalhar para um bezerro de oiro chamado banca? Porque será?

Será que a banca investe nas campanhas eleitorais? Será que políticos e ex-políticos entram nela para saciarem a sua gula cobrando-se eventualmente de «facturas» anteriores? Será que há promiscuidade entre os poderes políticos e as administrações bancárias? Será que a economia está anémica por causa do excesso de dadores-cumpulsivos para o «banco de sangue» chamado banca?

Há que repensar este furacão que aspira fluxos fiduciários com a voracidade de um Katrina e nos deixa cada vez mais exangues, mais anémicos, mais deprimidos...

Estaremos num democracia ou numa bancocracia plutocrática?

Os senhores economistas que não estejam comprometidos com esta «rede bombista» («bomba» no sentido de motor aspirador monetário e não engenho explosivo...) digam de sua justiça e salvem este país que mais parece um pobre diabo apanhado por uma gigantesca piton, que só vê cifrões no seu radar visual...

Democracia não é império da mentira!

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Novo rumo para a democracia!







No presente a partidocracia impõe as suas regras...







Sá Carneiro nos alvores da democracia usava a pedagogia como caldo de cultura democrático. Dizia então:«Acima da social-democracia há a democracia...»










Hoje em dia, quanto um forte temporal partidocrático varre o país de lés a lés, tendo alguns picos em locais bem demarcados, é bom recuar no tempo e ouvir a voz da pedagogia.


Sá Carneiro, um dos pais da nossa democracia, sabia «despir» a roupagem partidária e assumir-se como estadista, como democrata de corpo inteiro; com o escalpelo da palavra ele sabia ir ao fundo das questões, escalpelizar os assuntos mais melindrosos; quando um comunismo com tiques totalitários mostrava a dentuça arrogante, ele, sereno e altivo, mostrava a sua formação pedagógica e dava lições. Um senhor no marasmo ideológico reinante. Um pensador autêntico!


«Acima da social-democracia há a democracia!» E, acima da democracia, a pátria! Era algo que brotava com espontaneidade como uma fonte de água pura e transparente alimentando a sede democrática que todos sentiam.


Quando a ditadura do proletariado impunha os seus cânones e um controleirismo cego, ele abria uma avenida de liberdade autêntica, um caminho de justiça e de tolerância. Foi barbaramente assassinado mas a sua mensagem há-de perdurar. O seu sacrifício não foi em vão!


Há que refundar a democracia e erradicar esta partidocracia economicista que nos atira para a cauda do pelotão europeu. Há que denunciar publicamente este aparelhismo mafioso que tudo controla e tudo abocanha sem respeito por ideias ou projectos vindos das oposições.


Digo isto para os social-democratas estilo Jardim mas também para os socialistas de igual estirpe. O «esterco ideológico» é similar, doa a quem doer.

Que democracia é esta em que um presidente da AR (Mota Amaral) se permite dizer que os inquéritos parlamentares não servem para nada, são tempo perdido?


E falava verdade! Os deputados estão «acorrentados» ao tronco partidário como os escravos quando eram brutalizados pelos «sinhozinhos» lá na sanzala brasileira! Não são capazes de um resquício de independência. E, quando o são (veja-se o caso de Manuel Alegre, actualmente) são logo apodados de ambiciosos, de querem fundar partidos, de quererem protagonismo fácil...


Não há fiscalização possível numa AR em que um partido tem maioria absoluta . Como estão as coisas actualmente. Nas AM's, mutatis mutandis, a música é idêntica!


Veja-se agora esta forma de gerir as escolas com alguém «vindo de fora», será um homem do aparelho, um controleiro puro e duro a servir de correia de transmissão do governo?
Estar-se-á, a pretexto de «reformular», a enterrar a democracia escolar, caminhar-se-á para a governamentalização das escolas? Será que o combate ao défice orçamental exige a criação de um novo défice, o défice democrático?!
O país precisa de saír deste atoleiro. Uma democracia autêntica faz falta. Cada um de nós, com uma reflexão séria e desinibida, deverá ser o protagonista. Que ninguém se demita dessa missão. O país precisa de nós! todos nós!


Saúde pública, um bem a preservar...


A saúde pública é um bem que importa preservar a todo o custo. Isso, por vezes, nem sempre é fácil: não enche o «olho» ao eleitorado, não dá oportunidade para um corte-de-fita, não possibilita o banho de multidão que alguns tanto anseiam para tirarem «nódoas» de outra índole...
Mas é algo de prioritário, algo de preocupante se não for tido em conta numa política integrada de desenvolvimento de uma terra, de uma região, de um país, de um continente.
Vimos as preocupações com o H5N1 (vulgo gripe das aves...), vemos alguns focos de meningite a gerarem preocupação no universo escolar, assistimos a casos de epidemias provocadas por faltas de segurança (ou aviso atempado), assistimos à publicação de legislação destinada a evitar o fumo passivo em certos locais, vemos publicitação de alertas para o uso do preservativo nas relações sexuais, enfim, há todo um arsenal de medidas profiláticas destinadas a prevenir situações de perigo iminente ou risco óbvio.
Mas... e há sempre um «mas» incómodo nestas coisas, esses alertas por vezes causam danos colaterais: na economia, na imagem de certos políticos, no turismo, no comércio...
Há quem prefira a política de avestruz à da transparência. Há quem seja pela opacidade à outrance com medo de perder apoios, de ser censurado publicamente, de ser considerado imprudente, mau gestor, perdulário, medíocre...
Mas a saúde pública não pode estar à mercê dos caprichos de um qualquer caudilho medroso ou defensor de interesses inconfessáveis, não pode ficar refém de economicismos de pacotilha que são sempre maus conselheiros. Há que defender a saúde contra os corporativismos mais doentios, contra os predadores sociais, contra os mercenários egocêntricos.
O bem comum deve estar (nem sempre está) acima de clientelismos balofos ou de farisaicas protecções a grupos de pressão ou argentários «tutores do poder político». Doa a quem doer.
Certas localidades devem ser expurgadas de proteccionismos insensatos à incompetência e ao arbítrio. Os responsáveis em última instância devem ser chamados à responsabilidade por actos e omissões. É a cidadania em acção.

domingo, fevereiro 17, 2008

Racismo, o monstro sempre presente!



O «virus» do racismo nas relações Barack Obama George Bush


Conta Barack Obama na sua autobiografia que a primeira vez que foi recebido na Casa Branca por George Bush, este, depois de o cumprimentar pediu uma toalha a um assessor para limpar as mãos. Depois fez um comentário acintoso: «isto é para evitar alguma gripe...»

Apesar de na teoria se dizer anti-racista, na prática é-o. Apesar de ter colaboradores negros (só para americano ver...) ele hostiliza adversários de forma indelicada, vincando a cor da pele como forma de os amesquinhar. Subliminarmente o «vírus» da gripe era uma forma de se referir ao «virus» racista.

Enfim, Bush manipula de forma idiota o preconceito racista. Bush manipula o eleitorado como um «frei Tomás» perito na arte da hipocrisia. Bush, venceu várias eleições mas na prática nunca convenceu os americanos. A sua prática foi populista, o seu modus faciendi foi arrogante e prepotente, a sua conduta sempre pautada pela imbecilidade de gaffes sem conta. Enfim, tal como Richard Nixon, mais um republicano idiota, sem deixar marcas indeléveis positivas no tecido socioeconómico, sem aproveitar todo um potencial financeiro para conduzir a América a um estádio desenvolvimentista salutar e harmonioso. O clima foi tratado de forma irracional, não sancionou Kyoto, não cuidou do futuro em termos de energias alternativas, não dinamizou a economia, meteu-se num beco sem saída chamado Iraque, de uma forma ingénua e irresponsável. A História, essa juiza incorruptível, julgá-lo-á com severidade.

O racismo no seu carácter é apenas um epifenómeno, mais um condimento para tornar ainda mais intragável a sua conduta. Mas... há tantos Bush por aí, meu Deus... ele teve apoios incondicionais em todo o mundo. Ao «cheiro» a petróleo responderam muitos idiotas uteis...


A propósito de «virus racista» este conjunto de quadras populares, que tinha guardado na gaveta, vê agora a luz...


O preconceito racista
Anda aí por todo o lado
Restos do monstro fascista
Que ainda não foi enterrado.

Sintoma de vilania
De arrogância desprezível
Racismo é patologia
De gente reles, sem nível.

Discriminação racista
Vemos a torto e a direito
Há sempre quem não resista
A exibir o preconceito.

Mudar as mentalidades
Provoca desilusões
Há quem proclame igualdades
Mas... não pratique os sermões...

«Frei Tomás» sempre presente
Ao racismo diz que não,
Mas, por vezes é frequente
Não praticar a lição.

Vamos dar as mãos, falar,
E o preconceito banir
A palavra «segregar»
Devemos sim, excluír.

DARFUR, a vergonha das vergonhas!

A palavra solidariedade onda tão arredia...
Há quem confunda solidariedade com lambebotismo a corruptos eventualemente caídos em desgraça ou com cumplicidades na gestão da coisa pública. Estilo: dás-me votos dou-te subsídios, dás-me o teu apoio político, dar-te-ei compensações financeiras adentro das possibilidades que uma gestão obscura e pouco escrupulosa pode proporcionar.
Vemos jornalistas incensando corruptos notoriamente envolvidos em escândalos dos mais bizarros, gastando cera infinda com tão ruins defuntos, mas sem tempo nem espaço para a injustiça social mais gritante que todos os dias nos bate à porta. É mais fácil ouvirmos um padre na homilia dominical verberando um eventual «insulto» sobre um qualquer caudilho, quando na maior parte dos casos é o direito à indignação a funcionar em plenitude, do que uma crítica ao aumento do desemprego, às fraudes monstruosas no sector bancário ou na gestão danosa de recursos públicos.
É a lei da hipocrisia a funcionar. É a lógica das cumplicidades-compadrios a ser confundida com solidariedade autêntica.
DARFUR continua aí, cheia de pecados, plena de vítimas inocentes carregando a pesada cruz da inconsciência de uns tantos e a negligência de um universo onde impera a hipocrisia e a lei do mais forte. Se lá houvesse muito petróleo lá estariam americanos ingleses bem artilhados prontinhos a defenderem os direitos humanos.
Infelizmente tudo continua a leste desta monstruosidade. Os media deleitam-se a comentar as últimas da Floribela, da Lili Caneças ou do Cristiano Ronaldo, esquecendo este problema gravíssimo que envergonha toda a humanidade. Como seres humanos devemos solidariedade autêntica uns aos outros.
Admiro aqueles missionários que deixando as suas famílias, lá vão, por terras inóspitas deixando a saúde e a sua solidariedade a gentes deixadas à sua sorte, em ambientes inóspitos, onde o sectarismo religioso ou o ódio tribal são aproveitados por traficantes de armas para saciarem a sua cupidez elevada ao extremo.
DARFUR continua a precisar da nossa voz, do nosso empenho, da nossa solidariedade. Era bom que todos os jornalistas dessem um pouco de atenção a este fenómeno que é uma vergonha para o homo sapiens, um insulto a esta sociedade que se diz civilizada mas que continua empapada de sangue de inocentes vítimas de malfeitores sem escrúpulos que vivem no luxo e na opulência à custa da desgraça alheia. A droga, as armas, o tráfico de seres humanos são leit-motivs subjacentes a toda esta miséria que vai amortalhando uma sociedade hipócrita e sem sentido da dignidade.
Os jornais e as TV's deixem um pouco essa alienação cor-de-rosa em que mergulham e olhem de frente este problema. O mundo está cheio de problemas graves e há uma campanha para o silenciar. Há obscurantismo institucionalizado. Há desprezo absoluto pelos direitos humanos.
Por favor olhem com atenção para DARFUR e lutem com todas as forças para a erradicação deste flagelo. Todos somos culpados, pelo nosso silêncio, pela nossa cobardia, pela nossa falta de solidariedade.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Verdades Intemporais...



O «reinado» de Bush está prestes a terminar mas ainda é cedo para se fazer um balanço sobre os danos causados pelo seu hiper-belicismo. Líderes impulsivos e coléricos há-os em todo o lado. Gente que se arroga de uma coragem acima da média, mas, na prática, de uma insensatez estulta, de um exibicionismo de força (não própria, pessoal) tão ridículo, de um potencial bélico à disposição para encher de medo o mundo inteiro, é gente sem nível. «Nível» segundo o critério das gente comum, com senso comum. O «medo» gera o ódio, a retaliação, o bomerangue que atinge patamares alucinatórios. Como ora se vê no Iraque.

Faz lembrar alguns «tigres de papel» que temos por cá. Sempre a exibir «coragem», «força», num autoelogio pindérico mais digno de comiseração do que outra coisa. São esses «corajosos» que se servem de «jagunços», de «testas-de-ferro», de homens de mão que mais não são do que criados para todo o serviço, que dão cabo dos países. Hitlers há-os em dimensão reduzida ou formato mais amplo, depende da margem de manobra ou da entourage proteccionista...

Prefiro a coragem dos pacifistas. Dos que sabem ser fortes contra os fortes e tolerantes para com os mais fracos. Esses, mercem o meu aplauso incondiconal. Os pavões, os façanhudos palavrosos sem ponta por onde se lhes pegue não passam de idiotas!!!

A minha homenagem aos simples e aos pacifistas. Este poema lindíssimo de António Aleixo durará para a eternidade! Ei-lo:


As águias de hoje, na guerra
Com os seus golpes traiçoeiros
Queimam os pastos da terra
Morrem de fome os cordeiros.

Da guerra os grandes culpados
Que espalham a dor na terra
São os menos acusados
Como culpados da guerra.

O oiro, o cobre e a prata
Que correm p'lo mundo fora
Servem sempre de arreata
P'ra levar burros à nora.


Que o mundo está mal, dizemos,
E vai de mal a pior;
E, afinal, nada fazemos
P'ra que ele seja melhor.

Se os homens chegarem a ver
Por que razão se consomem
O homem deixará de ser
O lobo de outro homem.

Só quando a hipocrisia
Caír do seu pedestal
Nascerá, dia após dia,
Um sol p'ra todos igual.

Talvez paz no mundo houvesse
Embora tal não pareça
Se o coração não estivesse
Tão distante da cabeça.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Ironia da infalibilidade papal!


Segundo João Paulo II :« o inferno é um estado de ausência total de Deus!»







Segundo Bento XVI :« o inferno existe num local concreto!»
Ambos infalíveis, qual deles o será mais?!
Diz um papa que há inferno
sítio mau, negro cenário
com satã e fiéis seus
um papa menos moderno
afiançou o contrário:
«completa ausência de Deus»!
Santa infalibilidade
ambos com sua razão
nem ousarei contestar
ser verdade ou não-verdade
singular contradição
só temos que acreditar!
Deus está em toda a parte
outra verdade infalível
no inferno também está
seja na lua ou em marte
o inferno é impossível
pois lugar sem Deus não há!