sexta-feira, outubro 12, 2007

Canibalismo no século XXI!



Na mente de certos homens a fêmea é um petisco comestível. E há quem se sirva delas como petisco gastronómico. A humanidade regrediu. No dealbar do sec xxi o canibalismo regressa.


Foi na cidade do México. Um escritor conhecido, de nome José Luís Calva, estava noivo de uma farmacêutica (Alexandra Galeano, de 30 anos).

A sua afeição foi levada aos limites, pois além de a amar quis saborear o seu corpo noutra vertente: a gastronómica...

Foi surpreendido pela polícia quando tranquilamente cozinhava um braço, devidamente temperado com limão, enquanto o resto do corpo, devidamente esquartejado, aguardava por melhor oportunidade!
A humanidade retrocedeu à Idade Média, o nível de alienação é tão elevado que coisas espantosas acontecem fruto de mentes obnubiladas por uma líbido degenerativa que descamba para a sordidez, a barbárie mais repugnante.
E o que é grave é que não era um indivíduo de baixo índice de instrução, não era um arrumador de carros ou um lavador de latrinas...

Ainda há alguns meses um engenheiro informático, na Alemanha, fez o mesmo com um amigo que alegadamente se "ofereceu" para ser comido...

Serão efeitos maléficos do buraco na camada de ozono?!

quinta-feira, outubro 11, 2007

Igreja cultua o poder?!...

Bento XVI depois de mandar extinguir o limbo, será que vai mandar extinguir a confissão? Depois de ler este artigo (que já enviei por e-mail para o Vaticano)
talvez algo de inovador, no aspecto doutrinário e até na própria liturgia, possa surgir. Aquando da extinção do limbo também foi assunto alvo de muita polémica mas só teve uma saída digna: a sua extinção pura e simples!....



A Igreja católica ao longo dos tempos tem tido uma postura questionável no tocante às relações com o poder. O termo nepotismo, hoje muito em voga para catalogar certos comportamentos de alguns políticos, tem a sua origem num papa que colocava os seus sobrinhos (nepos...) em locais chave da administração, procurando dessa forma uma hegemonia e um crontrolo do poder.

É óbvio que a igreja já se penitenciou dos seus excessos. As prepotências e os crimes da Inquisição foram alvo de condenação pelo mundo civilizado. Contudo, a Igreja retracta-se a posteriori. Muitas vítimas da Inquisição morreram e ficaram com a sua reputação manchada e não receberam qualquer pedido de desculpas ou foram sequer reabilitadas por ela. Os danos perpetrados ficaram impunes, na época.

Agora, na Argentina, o padre Christian Von Wernich, sacerdote católico e ex-capelão da polícia de Buenos Aires foi condenado a prisão perpétua por crimes contra a humanidade. Dentre eles
destaca-se a colaboração activa em sete homicídios qualificados, 31 casos de tortura e 42 de privação ilegal de liberdade.

Segundo diversas testemunhas, provou-se que o sacerdote se oferecia para confessar os detidos com o objectivo de sacar informações e depois transmitia-as aos torturadores. Enfim, tão nefandos crimes deixaram um rasto de vergonha em todo o Episcopado argentino e mundial.

Vem a talhe de foice citar um caso ocorrido na Polónia em que um alto eclesiástico ao tempo da ditadura ( do general Jaruzelski, afecto a Moscovo...) dava informações à polícia secreta para que alguns cristãos fossem detidos e torturados.

Já era tempo de a hierarquia da Igreja católica repensar os moldes em que se pratica a confissão. No tempo de Cristo não tinha o carácter inquisitorial de que se reveste hoje (estes moldes são medievais e surgiram apenas aquando da implantação da Inquisição). Trata-se de algo de aberrante que ainda subsiste apesar dos abusos, das safadezas e das potencialidades nefastas que lhe podem estar subjacentes.

Já ouvi pessoas dizerem que os padres procuram junto das crianças saberem coisas que não são de sua conta, às vezes subtis formas de intimidação (sedução?) que resvalam não raro para a pedofilia (caso do arcebispo e alguns padres de Boston nos EUA). Por vezes fala-se em aliciação sexual descarada (mesmo a mulheres casadas) dando uma imagem muito negativa da própria instituição. Foi muito comentado o caso de padres, no continente africano (sobretudo) apanhados a seduzirem freiras através da confissão e usarem esse ascendente para as subjugarem de forma despótica.

Era tempo de Bento XVI dar uma varridela nestes modus operandi que não dignificam a prática religiosa. Eu próprio já vi um padre recusar a comunhão a uma senhora, de forma ostentatória, visando a humilhação pública da pessoa, não se coibindo de dizer publicamente a razão do seu acto!

Este comportamento que reveste um nítido abuso de autoridade (quem é o padre para saber se a pessoa está em pecado ou não?! Teria ido confessar-se a outra paróquia? Teria realmente o pecado de que ele a acusava?) e tem um notório pendor inquisitorial, é digno de meditação (bem profunda) por parte da Igreja católica. É óbvio que se a visada fose uma política ou uma presidente de câmara, o pároco não fazia aquela cena patética e humilhante.

Ainda há dias vimos na TV, um conhecido cónego, fazer nítida pressão sobre a justiça, num jantar de solidariedade a um empreiteiro bracarense acusado de corrupção em Lisboa, dando uma péssima imagem da própria instituição a que pertence. Casos destes repetem-se amiúde com padres a lamberem botas a autarcas, tantas vezes mais enlameados que hipopótamos na selva africana!

A Igreja deve tomar providências sobre tudo isto. A confissão é um notório resquício da Inquisição e nem no tempo de Cristo revestia este carácter medival!

Este caso da Argentina, em que o padre usava a informação colhida na confissão para servir o poder, um poder despótico, torcionário e terrorista, é lapidar e digno de meditação por todos, incluindo os doutores da Igreja.

Há que dotar a Igreja de uma nova doutrina, de um novo paradigma, mais virado para a ética e
para o saneamento cívico e deontológico do que para esta aberrante prática susceptível de execráveis aproveitamentos. Os padres hoje são-no, mas amanhã poderão deixar de o ser, deixarão de estar vinculados a determinados requisitos. Eles poderão até adoecer (doenças do foro psíquico ou similares...) dando azo a situações constrangedoras e a aproveitamentos aberrantes (assédios sexuais, chantagens, aproveitamentos políticos).

Como conclusão, importa referir que não se pode derramar sobre toda a Igreja a lama ignóbil que um ou outro dos seus elementos vão lançando; mas importa criar mecanismos de protecção da própria instituição, sob pena de haver uma generalização abusiva e aberrante desta prática, que é de facto uma praxis completamente iníqua.

Como exemplo citarei um despacho de Conselho Superior da Magistratura aconselhando os seus membros a não se envolverem no futebol, dada uma certa promiscuidade geradora de mal-entendidos e de suspeições. Ou seja, a mulher de César além de ser séria, deve também parecê-lo!

Da mesma forma que a magistratura deve estar ao abrigo de situações pouco dignificantes também a Igreja católica deveria criar uma protecção para situações similares. Na minha modesta opinião, a confissão nos moldes actuais, deveria ser extinta, para bem da própria Igreja, para salvaguarda dos seus membros e para defesa de todos os fiéis.

Enfim, "a mulher de César precisa de ser séria e de o parecer, também"!

NOTA: Este apontamento doutrinário foi enviado ao Santo Padre, o Papa Bento XVI.

Há sempre alguém que resiste!

Aung Sau Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz, aprisionada pela ditadura militar que governa tiranicamente a Birmânia (agora Myanmar), é um sorriso de esperança para todo um povo violentado pelo regime opressor. Ela é a luz ao fundo do túnel da ditadura!...

A ela e ao que ela representa, a minha sentida homenagem e o meu grito de revolta!





Liberdade, Liberdade
como és pura e transparente
feminina e inteligente
refém da mediocridade
do poder tão corrompido
ditadura militar
causadora do mal-estar
mantendo o povo oprimido
vais ousando resistir
à prepotência cruel
ao povo sempre fiel
flor livre, sempre a florir
nesse jardim de tormentas
és a mais pura bandeira
és a esperança derradeira
do fim de lutas sangrentas
teu olhar é simbolismo
prenúncio de nova aurora
que há-de vir sem mais demora
libertar do despotismo
esse povo sofredor
martirizado e faminto
farto de apertar o cinto
flagelado pela dor
esse povo há-de emergir
há-de viver livremente
então, dirás certamente:
__ Meu povo, vamos sorrir!!!

quarta-feira, outubro 10, 2007

Aplauso e alvitre...


O emigrante e/ou imigrante é digno de toda a atenção. Todos os esforços para que melhor se adapte são bem-vindos!
Algumas câmaras municipais têm vindo a criar gabinetes de apoio às comunidades migrantes com o objectivo de auxilar de diversas maneiras estas comunidades. O seu enraizamento é importante para uma certa estabilidade familiar e até para se evitarem situações de marginalidade sempre pouco dignificantes.
Um marginalizado é sempre um perigo potencial.Há que dar as mãos aos que estão de novo cá e aos que regressam depois de uma longa odisseia por outras paragens.Problemas burocráticos, de diversa índole, serão sempre melhor resolvidos com uma estrutura de apoio vocacionada para isso. O governo tem tido a sensibilidade para dar seguimento a esta política. Ainda bem que assim é. Não seria de esperar outra coisa.
Uma sugestão às autarquias aqui lanço: por que não um gabinete de apoio às paróquias?
Estas entidades dão apoio espiritual mas também bastas vezes auxílio de diversa índole a segmentos sociais carenciados. A terceira idade e a infância são muitas vezes apoiados pelas estruturas da igreja. Era bom que estas iniciativas fossem acompanhadas por uma estrutura ligada ao poder local a fim de se poderem adoptar critérios de seriedade e de razoabilidade na atribuição dessas ajudas.
É lamentável verificar as idas dos párocos, de chapéu na mão, com ar mendicante, aos presidentes de câmara, criando uma dependência pouco dignificante para ambas as partes. Não é bonito ouvir discursos sabujos e laudatórios de párocos aos presidentes de câmara, nas homilias dominicais, pois isso é fazer política no pior sentido do termo. Os presidentes não dão do bolso deles, limitam-se a gerir a coisa pública e devem fazê-lo com isenção e imparcialidade.
Assistimos a formas de "captura moral" de contornos pouco edificantes. Há tempos um pároco dizia-me que era democrata-cristão mas votava de outra forma por uma questão de gratidão. Falei-lhe em hipoteca moral, em quase prostituição cívica; não gostou. Não aprecio as referências vindas nos jornais oficias aos padres que tecem panegíricos ao poder local.
Não me satisfaz, como cidadão independente e politicamente apartidário, ver padres nas comissões de honra no apoio aos autarcas. Acho que é uma forma pouco ética de ser padre. Deveriam agradecer sim, mas não fazer eco público dessa gratidão sob pena de parecer um pagamento de uma factura.
Dever-se-iam adoptar critérios uniformes para todas as paróquias (número de habitantes, actividades e centros existentes) evitando-se a política de chapéu na mão, de subserviência e de cumplicidade tão em voga nalguns municípios.
Os gabinetes de apoio seriam locais onde se estudariam as diversas modalidades e as finalidades objectivas. Evitar-se-ia o clientelismo tão pouco ético existente nalgumas paróquias em que, o padre mais sabujo e mais servil é o mais contemplado, enquanto que o outro, que é isento, imparcial, é marginalizado ou pouco contemplado com ajudas do poder político instalado.
A César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Há situações nalguns municípios em que é confrangedora a capacidade de captação (passe o eufemismo...) do poder político; dir-se-ia que conseguem dobrar a cerviz aos mais erectos e mais dignos. As paróquias e as freguesias devem caminhar lado a lado mas com independência e sem constrangimentos de qualquer tipo.

terça-feira, outubro 09, 2007

Poder político, poder mediático e poder judicial...


Por detrás do desaparecimento de Maddie McCann poderá estar um caso de negligência grosseira corrigido com ocultação de cadáver...
O caso Maddie McCann, a menina inglesa desaparecida na praia da Luz, em Lagos, e toda a misteriosa sequência de acontecimentos daí resultantes vem trazer à luz da ribalta a conflitualidade inter-poderes, podendo estar na génese de muita ineficácia investigatória...
Desde o princípio se apercebeu o comum dos cidadãos que o casal McCann possuía contactos pouco vulgares a nível mediático e a nível político. Adentro desta perspectiva há que equacionar o desenvolvimento factual e todos os mecanismos especulativos que se adensaram sobre o caso. As labaredas mediáticas quiseram logo desde o início queimar o país e os intervenientes directos neste caso apaixonante. Chauvinismo puro e duro...
Até a problemática religiosa veio ao de cima. O envolvimento do papa e de alguns clérigos foi digno de meditação profunda. Com o seu afã vitimizador hipertrofiado, o casal McCann deu ao mundo (procurou dar) uma imagem angelical, capaz de dinamizar uma cruzada santa contra alegados raptores... Ora, não seria essa estratégia uma forma de encobrir outras perspectivas analíticas, uma pura manobra de diversão (como se diz em gíria militar...) para afastar totalmente outros cenários, normalmente admissíveis?!
A pergunta ganha foros de verosimilhança quando, mais tarde, as análises aos fluidos encontrados no carro e no apartamento, mostram ( o ADN é muito fiável mas não totalmente fidedigno, assinale-se...) que esses fluidos serão de Maddie.
As explicações poderão ser várias. Há que não precipitar as conclusões. Há que ser frio e realista. Há que não embarcar em conjecturas precipitadas ou especulações primárias.
Contudo todos nós nos apercebemos que Portugal ficou ferido pela arrogância inglesa. Os bifes precisam de uma lição. Esperemos que surja um novo Mourinho (agora na PJ) para dar uma bofetada de luva branca na petulância e no snobismo estulto dos habitantes da Velha Albion...
Eles, de facto, julgam-se superiores, mas não conseguem digerir as sucessivas punições
que desde os tempos imemoriais de Os Magriços (quer os 12 de Inglaterra de Os Lusíadas, quer os 11 de Otto Glória...) vão sofrendo e são o correctivo mais adequado ao seu (por vezes grosseiro...) chauvinismo doentio...

O motor de uma traineira!...


Recentemente operado ao coração, Carlos do Carmo é talvez a estrela mais cintilante da ínclita constelação fadista. Oxalá recupere rapidamente e nos volte a encantar com a sua mestria.
Digno embaixador da alma lusa, paladino da lusofonia, é um dos pilares da causa fadista, património imaterial da humanidade.
Há cerca de duas décadas tive a honra de o receber e ainda guardo a memória da sua simplicidade, do seu fino trato e da nobreza de carácter. Não se punha no galarim, descia ao povo, cantava como só ele sabia, esse mesmo povo...
Ao Fadista da Liberdade, dedico estas singelas quadras, fazendo votos para que sejam estímulo para a recuperação.
Teu coração é motor
De uma já velha traineira
Mas trabalha com vigor
Não quebra assim à primeira!
E a traineira vai zarpando
No Tejo cor d'esperança
O temporal vai passando
Há-de surgir a bonança!
No cais lá vai atracando
Com gaivotas sempre à vista
Amigas a Deus rogando
Que... o motor sempre resista!
Gaivotas do Tejo são
Voz da solidariedade
Companheiras que te dão
A predilecta amizade...
Que o motor desta traineira
Trabalhe sempre bem forte
Que seja a rubra bandeira
Bandeira livre... e teu norte!
A traineira que é o Fado
Tem um motor sem idade
Carlos do Carmo é chamado
Fadista da Liberdade!

domingo, outubro 07, 2007

Se...

Se...



Discursas bem e fazes apelo ao diálogo e à participação crítica, mas, na prática és capaz de pôr esse diálogo entre parêntesis para contestar ou silenciar quem não alinhe pelo teu estreito diapasão...



Exaltas os valores da democracia mas de facto és um democrata não-praticante...


Fazes gala de elogiar o pluralismo, a multiplicidade analítica, mas na prática fomentas o monolitismo, o sectarismo, para impores a tua corrente e a visão estreita do teu grupo...


Aplaudes o espírito gregário, apelas à intervenção cívica, à cidadania, mas de facto só vês no teu mesquinho horizonte a tua própria vontade e o teu exclusivo interesse...


Falas em descentralizar, desburocratizar, mas na prática queres tudo sob o teu controlo, queres ser o big brother que tua espia, tudo espreita, devassando a vida dos outros...


Dizes que é sempre bem-vinda a opinião alheia, mas, se for diferente da tua, és capaz de lhe chamar disparate, devaneio, utopia, ou até insulto...


És apologista do diálogo e das virtualidades do intercâmbio de ideias, mas, na prática és adepto feroz do autismo puro e duro...


Então...

Podes muito bem ser aquele que todos nós bem conhecemos!...

Só pecou por tardia...


Dentre as energias renováveis as barragens são uma opção excelente.
Já há muito que se impunha esta decisão. Todos os estudos indiciavam a premência no recurso ao aproveitamento das potencialidades da nossa riqueza fluvial para a criação de novas barragens no sentido de fazer face ao cada vez mais elevado custo do petróleo.
Com a energia nuclear mais afastada dos horizontes (dada a periculosidade e os elevados custos no tocante aos resíduos) esta opção governamental (dez novas barragens) é de saudar e só se lamenta a morosidade.
Há muito se impunha esta medida. As energias renováveis são o futuro, sem dúvidas. Energias limpas e sem grande impacto ambiental (embora o tenham as barragens também) elas podem suprir o nosso défice energético no médio prazo.
Para fazer face à escalada de preços do petróleo e ao atraso na implementação da bioenergia, há que fazer opções. As energias eólicas e as de origem solar estão também na ordem do dia. Ainda bem que este governo tem sabido caminhar no sentido do progresso ecologicamente sustentado procurando com esta medida combater também os nefastos malefícios das cheias, que poderão agora ser minorados.
Criticar é dizem bem e dizer mal. Assim, há que tirar o chapéu ao governo por esta opção que no futuro só trará benefícios para os portugueses. A saúde pública, o bem estar das populações são vectores devidamente salvaguardados com esta excelente opção governamental.

sábado, outubro 06, 2007

A NUDEZ FORTE DA VERDADE: Marian Jones, o mea culpa!




Marian Jones a super-atleta norte-americana veio a público manifestar a sua vergonha por se ter dopado e ter mentido à comissão de investigação que a inquiriu sobre o uso de substâncias proibidas! Por baixo do manto diáfano da glória tantas vezes a verdade nua e crua é a fraude, a mentira, a ocultação de factos, a sonegação de informações!
O DESPORTO E A POLÍTICA SÃO AMIÚDE UMA ESCOLA DE VÍCIOS E DE FRAUDES...
Finalmente mais um caso que envolvia suspeição e forte presunção de fraude foi desvendado: Marian Jones a mediática atleta norte-americana várias vezes medalhada nos jogos olímpicos, laureada e idolatrada por todo um povo sempre cioso da sua superioridade a todo o transe, veio a público revelar a verdade! Ingeria substâncias proibidas para vencer! Defraudava as expectativas, atentava contra a verdade desportiva!
Mais um a juntar-se a todo um rol de confissões em que tem sido pródigo o desporto. Ciclistas de todos os países têm vindo a declarar-se culpados. Análises cada vez mais sofisticadas patenteiam com exuberância que muitos super-atletas o eram (ou são) graças ao doping, graças à fraude...
Isto já era de há muito previsível! Então no ténis as suspeitas têm sido enormes. No próprio futebol, depois da célebre confissão de Diego Maradona que afirmou só ter sido apanhado no controlo depois de se ter desavindo com a máfia, pois sempre se dopara e nunca fora acusado de nada, mostrando um pénis artificial que usava para esconder a realidade (está num museu na Argentina...), tudo isto mostra`a saciedade que vivemos num mundo cheio de artificialismos onde a inverdade impera, a fraude faz lei, os maiores corruptos e maiores batoteiros são incensados até à exaustão, mas, lá bem no fundo, sabem quão hipócrita é essa glória, esse afã mediático de ostentar vitórias...
Quem diz que isto sucede no desporto sabe bem que muito de similar se passa na esfera política. Todo o mundo viu aquela gigantesca fraude eleitoral no Iraque em que Saddam aparecia com quase cem por cento de votos. Toda a gente se apercebe que por detrás de muitas vitórias há tráficos de influências, mentiras e mais mentiras, manipulações de informação, compra de entidades que deveriam ser isentas e, em muitos casos, não o são!...
É triste verificar que quanto mais se proclama transparência, frontalidade, verdade, é cada vez mais frequente triunfar a mentira, a fraude, a corrupção de valores!
Quantos políticos há em Portugal que não passam de Marian Jones?!

DIA DA REPÚBLICA! DISCURSA O «ZÉ POVINHO»!




__ O que penso do «Zé Povinho»?!
Não passa de um despudorado maledicente, bota-abaixo, má-língua... vou pô-lo em Tribunal! Comigo não brinca!
SE O ZÉ POVINHO DE BORDALO FALASSE... TALVEZ DISSESSE:
Liberdade, transparência,
Mais voz, mais intervenção,
Pluralismo, convergência,
Direito de opinião!... (tudo tretas)
Como há tanta hipocrisia
Tanto afã paradoxal:
Quem cumprir cidadania
'inda vai a Tribunal!!!
Intervenção é negada
Opacidade faz lei!
Opinião castigada
Delito ou crime... bem sei!...
Democracia paupérrima!
Paraíso bem venal
A corrupção é libérrima
Lei?! ... Só a do "vil metal"!
Bem discursa frei Tomás
Conversa vaga, banal...
Corrupção faz e desfaz
É uma praga nacional!
Já chega de hipocrisia!
De alimentar marajás...
Esta «corruptocracia»
Tem a «justiça» por trás!!!

quinta-feira, outubro 04, 2007

FALAR VERDADE!

É ao Presidente da República que cabe o papel pedagógico e regenerador...


RACIONALIDADE ECONÓMICA, PRECISA-SE!


Hoje em dia fala-se em emagrecimento do Estado como se de uma panaceia universal, de uma banha de cobra capaz de curar todos os males, olvidando-se um aspecto importantíssimo, e por vezes escamoteado, que é a racionalidade económica.

Há que articular a máquina estatal de forma a ela ser mais eficaz, menos burocrática, mais leve e ágil. Contudo, isso poderá ir contra o vício instalado, pode ir contra uma clientelocracia que faz ganhar eleições e que é a imagem de marca desta partidocracia __ degenerescência da própria democracia __ que vemos por aí, impante de vaidade, mas balofa, esclerosada, enfim, gorda na plena acepção negativista do termo...

Políticos como Medina Carreira não podem fazer carreira política, pois são demasiado sérios!!!

São demasiado nobres e sábios para darem caução a esta clientelocracia que só visa a perpetuação no poder a todo o transe, e não, como deveria ser, a resolução pragmática deste nó górdio que é o pulular de entidades mais vocacionadas para servir a voracidade dos partidos do que para dinamizar a economia, em sentido lato.

Enfim, a democracia precisa de partidos, é óbvio, mas o interesse dos partidos pode (é o que acontece de facto) ser contrário ao interesse da própria democracia!

Institutos Públicos, empresas municipais, assessorias múltiplas, são a imagem de marca de uma idiossincrasia económica pouco dada à eficácia, mas voltada, isso sim, para saciar um clientelismo hipertrofiado que permite a perpetuação no poder, a alguns, à custa do sacrifício colectivo.

Este discurso, politicamente incorrecto __ como soe dizer-se __ tem que ser proferido por alguém (professores independentes, cientistas lúcidos e sem vínculos partidários, ou, em última instância, pelo próprio PR, no exercício da sua magistratura de influência) sob pena de se continuar a esbanjar recursos de forma escandalosa para saciar esse monstro despesista e clientelar que vive asfixiando a vitalidade económica, qual parasita gigantesco sugando avidamente o hospedeiro-Estado!

Há que ter a CORAGEM de regenerar esta democracia antes que ela se transforme numa ditadura encapotada, com reisinhos e reisetes a ditarem regras, contra as mais elementares regras da racionalidade económica, contra todas as evidências de um são e regular funcionamento das instituições democráticas.

Oração pela Birmânia, a ferro e fogo!...

A prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi é o rosto da resistência à feroz ditadura que oprime todo um povo farto de ser explorado pelos militares no poder.





Tirania tutelada
Por belicismo iracundo
A Birmânia amordaçada
Estende os braços ao mundo;
E grita por Liberdade
Quer soltar-se dos grilhões
Quer fugir à iniquidade
À demência dos falcões;
O mundo contempla, quedo,
Esta orgia sanguinária...
Campeia o terror, o medo,
A besta totalitária!
Os monges são perseguidos
Pois são vanguarda moral
Humilhados, oprimidos,
Pelo poder mais venal,
De civismo dão lição,
De coragem, pundonor,
Querem a libertação
Fartos do jugo opressor
Da castrense ditadura
Almejam democracia
Querem o fim da censura
Não querem noite... só dia!

segunda-feira, outubro 01, 2007

BARRIGANA: mãos de aço, guardião de Portugal

Guardião do F.C. do Porto (ao tempo do campo da Constituição) foi várias vezes internacional e ganhou cartel no seu tempo. A minha homenagem no dia do seu passamento.



Em tempos que a memória nunca apaga
Barrigana, lição de galhardia,
Brilhante guardião, épica saga,
Popular... mas com rara fidalguia...
Portugal defendeu condignamente
Tardes de glória deu à pátria amada
Do Porto foi um ícone, expoente,
Na selecção lutou, fé acendrada.
A morte o levará no seu regaço
Mas a imagem, perene, ficará;
Um gigante com mãos de puro aço,
No coração do povo reinará.
Nos curvamos num preito respeitoso,
Pois ao futebol deu arte e beleza;
Seu nome será sempre glorioso,
E legenda de glória à portuguesa!

sábado, setembro 29, 2007

O LIMPO BRAÇO DA LEI...

A intervenção do senhor PGR e da senhora procuradora geral-adjunta Dra Maria José Morgado têm credibilizado a imagem da Justiça.


Quando ainda há poucos dias o senhor PGR despachou no sentido de os procuradores do MP recorrerem sempre que a decisão do juiz não seja conforme ao espírito da Dra Maria José Morgado, não passou um atestado de menoridade aos procuradores - como alguns leviana e aligeiradamente quiseram fazer crer - mas tão-somente salvaguardou uma estratégia bem delineada e cumprida à risca pela equipa liderada por ela, de modo a que um juiz, quiçá íntegro e honesto, mas não dentro da problemática específica em apreço, possa derrubar todo um trabalho colectivo.

Sabe-se que alguns processos foram arquivados e posteriormente desarquivados. Isso não significa falta de escrúpulo ou falta de honestidade da parte de quem mandou arquivar; poderá significar isso sim falta de preparação e falta de conhecimentos específicos num domínio sensível,
volátil e demasiado escorregadio; só quem tem uma preparação e uma experiência muito grande neste domínio poderá actuar com eficácia e objectividade.

Um dos defeitos que se apontam aos srs juizes é a falta de preparação específica em certos domínios. A culpa não será só deles, mas também do esquema em que estão inseridos. Seria util uma maior acuidade neste sentido em ordem a salvaguardar eventuais falhas e faltas de conhecimento específico. Todos sabemos que há uma sofisticação enorme na técnica de evasão de capitais, usando-se paraísos fiscais e certos estratagemas para iludir o fisco e as autoridades judiciais. Dir-se-ia que em Portugal há autênticos David Copperfield na arte de esconder, sobretudo dinheiros. Veja-se o chamado caso-Mantorras que é paradigmático...

Há que ir ao fundo das questões. Há que salvaguardar a verdade desportiva, custe o que custar. O chamado apito dourado tem várias colorações ninguém o duvide. Não sejamos ingénuos ao pensar que é só um ou dois neste oceano de malabarismos; há muitos polvos e tubarões. São violentos e também manhosos: sabem lançar tintas para camuflar a sua presença e iludir a caça.

Uma coisa é certa: algo mudou e para melhor. A operação mãos limpas pode não erradicar toda a sujidade mas vai limpar muita coisa, isso vai.

O Sexo dos anjos!



A bola já foi chão que deu uvas... Maria José Morgado & Cia vão provar isso mesmo! A ver vamos!



Usualmente utiliza-se a expressão discutir o sexo dos anjos para criticar polémicas estéreis ou assuntos de lana caprina que assumem foros de grande envergadura. Este tema que abordo afigura-se-me importante e digno de meditação para o futuro.
Tem-se verificado com frequência jantares de políticos só com mulheres. Qual o objectivo?
Mostrar que os candidatos além dos predicados normais que estão em equação nestes domínios, também têm sex-apeal, são capazes de atraír o voto pela imagem, pela aparência, pelo visual. Ou seja: o produto vende-se não só pelo valor em si mesmo, mas também pela embalagem...
Vem a talhe de foice recordar aquele célebre jantar de Santana Lopes só com mulheres em que ele dizia que o outro candidato preferia outros colinhos. Insinuando subrepticiamente que Sócrates seria homossexual como se cochichava então. Muitos cidadãos não socialistas acharam tão nojenta a boutade que só por isso passaram a odiar Santana Lopes. Foi o princípio do seu fim.
A exibição de encantos de índole fotogénica não me diz nada. Em política eles ou elas valem pelo que dizem, pelo que fazem, pelas ideias, e não pela forma como vestem, pelo impacto do seu bronzeado ou pela fotogenia. Qualquer cidadão inteligente pensa como eu. Admito que haja excepções: pessoas que votam no candidato/a que tem a pele mais macia, o visual mais atraente, a casa mais luxuosa, o carro mais bombástico. Eu não.
Sem ambições políticas resta-me um objectivo: abrir os olhos às pessoas sobre os logros e as mecânicas de marketing que ofuscam a frieza de análise, que obnubilam os espíritos, que embotam o espírito crítico.
Que me interessa a mim se fulano vai muitas vezes à missa, se está sempre presente no futebol, se vai a muitos jantares de sociedade, se ele não respeita a legalidade, se ele só protege os amigalhaços, se ele vende a alma ao diabo por um punhado de dólares ?!
Que me interessa que o político (a política...) X tenha boa imagem, tenha uma forma de vestir estilo Armani ou Yves Saint Laurent, se é deselegante na linguagem, se afronta os humildes, se insulta a oposição, se só dá guarida aos da sua laia?!
Infelizmente a imagem (a aragem) é que conta para certos pacóvios (pacóvias).
Tristemente há aspectos secundários que são empolados até à exaustão para enaltecerem certas cavalgaduras, enquanto os verdadeiros políticos, sem histerias, sem berreiros mediatizados, são subalternizados artificialmente.
Que me interessa que o político (política ) X seja de baixa estatura, seja gordo, seja dono de um carro modesto, se ele tem carácter, se ele tem estofo de estadista, se ele não vem para a praça pública armar-se em vítima de coisas que nem existem, apenas estão engendradas na sua mente doentia para colher efeitos do coitadinhismo que ostenta por todos os poros?
Lembram-se de Odorico Paraguaçu, personagem imorredoira, figura imperdível do universo imagético de Jorge Amado?
Ele prometia casamento a todas as donzelas e a todas as encalhadas com o objectivo de angariar a sua fidelidade e a sua capacidade de captar votos. Depois, ao ganhar as eleições, foi confrontado com o problema de ter que satisfazer tantos compromissos... foi uma vitória pírrica por esse habilidoso estratagema. Santana Lopes, com o seu cortejo de santanetes (que já faz parte do anedotário e do imaginário nacional) foi um pouco um Odorico de feição lusitana...
Agora aparece um outro. Ou me engano muito ou o seu estilo vai caír em desuso. Os portugueses estão fartos de vitimizações hipertrofiadas, de coitadinhismos pacóvios, de galãs de revista que não passam de galos de aviário ou capões tonitroantes e palavrosos sem conteúdo intrínseco, sem tutano moral e cívico, enfim, sem estaleca de estadista...
Por eles os sinos dobrarão, sem remissão!...
Vila do Conde, sexta-feira, dia 28 de Agosto de 2007

sexta-feira, setembro 28, 2007

Coimbra, santuário do Fado...


Fado de Coimbra, património da portugalidade e da humanidade...




Coimbra, musa do Fado,
Minerva feita cidade,
Um rincão imaculado
Ó terra da liberdade!
Sempre jovem, sempre airosa,
Coimbra, sempre menina
Musical, melodiosa
Fada de capa e batina!...
Quando o manto da saudade
Nos envolve o pensamento
Voltamos p'rá mocidade
E criamos novo alento.
Na alma desta cidade
A alma do Fado 'stá,
Aspira à perenidade
Ontem, hoje e amanhã!
De raiz intemporal
O Fado tem um condão:
Ser matriz de Portugal
Ser a alma e o coração!
Na tradição coimbrã
Reza um velhinho ditado,
Lugar no céu só terá
Quem souber cantar o Fado!
Quem não o souber cantar
Por não ter ouvido ou voz
Ao inferno irá parar
Ó destino mais atroz!

quarta-feira, setembro 26, 2007

Dissertações sobre a génese do populismo.

Eu já li Ernest Hemingway e John Steinbeck, por isso não sou populista!

Esta afirmação, proferida há dias por um candidato a líder partidário, é de um simplismo tão primário que de per si, nada abona sobre quem a profere; há palavras que definem comportamentos; contudo elas poderão ser redutoras, poderão ser demasiado ambíguas (ambivalentes?), gerando nos espíritos perplexidades sem conta.

"Diz-me o que lês dir-te-ei quem és", este adágio popular é de uma pobreza constrangedora e susceptível de mil-e-uma interpretações. Há quem leia a bíblia e o corão (quiçá diariamente) e não se coiba de cometer os maiores latrocínios e barbaridades.

Os livros podem ajudar a formar o carácter, a moldar estilos ou plasmar personalidades, mas há outros factores a influenciar a praxis quotidiana: factores genéticos, pressões do meio ambiente (lóbis), circunstâncias várias poderão moldar uma idiossincrasia; há quem leia com espírito crítico os livros mais hediondos e fique vacinado contra a ideologia por eles propalada, não se deixando assediar pelo autor, não comungando dos princípios programáticos.

Que importa ler As Vinhas da Ira, A Leste do Paraíso, O Velho e o Mar, se se tem comportamentos nada consentâneos com princípios de democraticidade pura?

Isto de pagar quotas em massa, faz lembrar a oferta de electrodomésticos... no fundo há a mesma apetência por um voto a troco de...

Antigamente os lavradores com ambições políticas ofereciam um garrafão de vinho, agora a sofisticação é maior: há quem convide a ir a casa comer marisco e beber umas cervejas.

Há quem use as festas religiosas para fins políticos (até na escolha dos membros dessas comissões...); há quem faça homenagens por- dá- cá- aquela- palha, mais para colher dividendos políticos dessa homenagem do que para honrar quem é visado; há quem ande a pagar bebidas pelos cafés (se calhar com dinheiros vindos do erário público...) com intuitos de obter favores eleitorais...

O populismo e o futebol são dois irmãos gémeos. Há quem seja apoiante de um clube (o clube de coração) mas não se importe de vender a alma a um clube rival (clube de interesse ... clube que dá votos...), desde que isso traga prebendas eleitorais efectivas.

Há quem esteja no futebol só para colher dividendos políticos eleitorais (e até algo mais...), para ter os banhos de multidão necessários a limpar eventuais sombras ou manchas de outra índole.

O populista não é o que lê isto ou aquilo, é o que age de forma calculista, usando a paixão popular (`as vezes cega e ingénua) para se envolver no meio e extraír proveitos pessoais.

Há quem goste de música pimba e tenha erudição. A música clássica não é incompatível com falta de classe ou carácter ignominioso: consta que Hitler e Pinochet eram fervorosos amantes de música clássica... tantos ditadores se arvoram em mecenas de artes só para colherem dividendos ou popularidade fácil . Enfim, o tema daria pano para muitas mangas. O sermão não é para ninguém em particular mas o meu púlpito é o país em geral...

Honi soit qui mal y pense!

terça-feira, setembro 25, 2007

A Terra é Santa...


Muito embora sem aquele gesto característico do Seu antecessou João Paulo II, beijando a terra no local onde poisava, como prova de respeito, este papa tem assumido um papel muito interventivo na defesa do ambiente. Certamente ainda não chegou ao ponto de considerar um pecado o atentado contra o meio-ambiente mas não demorará muito.
De facto, assistimos a um insano ataque ao meio-ambiente nos nossos dias. Além da falta de cuidado no tratamento de efluentes (aqui as autarquias têm um papel muito pedagógico) há que atentar na emissão de gases que vão paulatinamente deixando a atmosfera em estado catastrófico (nalguns locais) provocando o chamado efeito de estufa, que é sem dúvida um malefício com efeitos multifacetados (alguns se calhar ainda não explorados ou detectados em profundidade); a camada de ozono está danificada e não filtra os raios ultra-violeta, nem protege os animais e plantas dos efeitos nocivos do sol. O degelo dos glaciares poderá, a médio e longo prazos, ser uma tragédia de efeitos ainda não totalmente previsíveis.
Que Sua Santidade se assuma como paladino nesta área tão sensível é de enaltecer e de louvar, pois todos os esforços serão bem-vindos neste domínio. O património que herdámos dos nossos antepassados precisa de ser preservado. Ser ecologista já não é uma mania (ou tara como alguns ainda alegam) mas um dever de cidadania, uma missão que se deve transmitir a todos com a minúcia e até o carinho indispensáveis para que o planeta se conserve saudável (e nos conserve igualmente saudáveis) por muitos anos.
Parabéns a Bento XVI por este seu empenhamento. Era bom que se despoluíssem também as mentalidades, sobretudo as fundamentalistas, de todos os matizes e de todos os credos. Mas isso é tarefa bem mais difícil. O que mais vemos é fundamentalismos idiotas a poluír o ambiente e o convívio saudável. Mas idiotas sempre hão-de existir... não se podem capturar como as borboletas...

Angela Merkel: a dignidade e o aprumo.


Angela Merkel deu uma lição! Em Portugal a fobia chinesa imperou e o líder do governo (e da Europa, no momento actual) receou receber o Dalai Lama. Ela, sem medos, sem constrangimentos, deu uma bofetada de luva branca a alguns homens. Recebeu o Dalai Lama.
Quando hoje em dia se fala sobre Direitos Humanos vem à memória a forma como se instalou o nazismo, na Alemanha de Hitler. Várias personalidades confessaram a sua lealdade e simpatia ao regime totalitário (ainda agora um guarda-costas de Hitler, de nome Mish, acaba de escrever um livro mostrando com naturalidade a admiração que nutria pelo regime) e deixam vislumbrar, pela sua postura desassombrada, que aquele populismo era atractivo e sedutor.
Paralelamente a um entusiasmo irracional, havia também um sentimento de alheamento no pensar, de embotamento moral e cívico; foi esse caldo de cultura que gerou o nacional-socialismo com todo o cortejo de malfeitorias que culminaram num belicismo patológico, exacerbado pelo culto da raça (ariana); os totalitarismos nascem quase sempre com forte adesão popular, uma adesão acéfala e baseada em factores galvanizantes, aparentemente insusceptíveis de reparo. Os descamisados de Péron são um exemplo típico destes paradoxos. Os desprotegidos da sorte foram bandeira que catapultou o Peronismo ao poder, mas depois, ele extravazou e passou a defender a clique oligárquica que se colou a ele. Adeus democracia.
O pior é quando a par desse exacerbado culto de personalidade ao chefe (caudilho, detentor de todas as virtudes), surgem sinais de corrupção na justiça, na administração pública, até no ensino... é o princípio do fim; a pretexto da defesa do pensamento do chefe, tudo se permite, tudo se derruba para ele passar na passadeira vermelha (a cor do sangue derramado...), nada se discute com medo de ser desleal ao líder carismático. E quem diz o chefe, pode dizer o clube de futebol da terra, que normalmente funciona como capa protectora para todos os excessos, como porta de entrada para todos os arbítrios, como salvo-conduto para o enriquecimento de alguns que estão no topo da estratégia e gerem a seu bel-prazer o cambalacho instalado!
Na cena internacional vemos a China a querer assumir-se como dono de consciências, sugerindo que não se receba o Dalai Lama (este nem sequer pretende a independência do Tibete, apenas um mínimo de respeito pela identidade cultural de um povo que está a ser vilipendiado por um regime colonizador) sob pena de retaliações de ordem material (económico-financeira).
Angela Merkel não cedeu às pressões. Não vendeu a sua consciência, não colocou o prato de lentilhas chinês acima da sua dignidade. Será que irá sofrer alguma reprimenda?
Que este pequeno exemplo sirva para abrir os olhos a este nosso povo que se deixa narcotizar com facilidade por caudilhos de pacotilha que usando habilmente a bandeira do futebol ou certos discursos eivados de frenesim pseudopopular nos querem impor uma mordaça ou um modo de pensar ou sentir uniformes. Claudicar em termos de princípios é abrir as portas ao totalitarismo, é a antecâmara da anti-democracia.
Esta mulher de coragem que sirva de exemplo. O gigante chinês precisa de lições, precisa de ser ensinado a respeitar as liberdades, precisa de saber o que é uma convivência democrática autêntica. Quem claudicar nessa tarefa, quem vergar, estará a alimentar o monstro em ascensão, pactuará com um potencial imperialismo in ovo...

segunda-feira, setembro 24, 2007

Aquilino Ribeiro regressa! Uma nova monarquia se estadeia!

Aquilino Ribeiro foi acusado (quiçá injustamente) de estar envolvido no regicídio. Agora, no Panteão Nacional (justamente), era bom que o seu espírito brilhante e luminoso derramasse um pouco de clarividência sobre esta populaça entontecida por populismos com sabor monarquizante. Alguns reisetes, acolitados por uma justiça devassa e permissiva para uns e estranhamente punitiva para outros, vão gerindo a coisa pública de forma pouco transparente, ostentando sinais inequívocos de fartura, que são, de facto, a parte visível do cancro que vai sugando de forma irreversível, a vitalidade, a salubridade e a pujança de uma República que Abril quis que fosse transparente, popular, impoluta. Mas que de facto não o é.


OS CAPTURADOS



Se os lobos recomeçam a uivar
Semeando o terror nos povoados
E a Justiça se deixa capturar
Há que denunciar os capturados.

Regressa Malhadinhas-Aquilino
Fustiga a corrupção omnipresente
Desanca este poder luciferino
Com ar angelical... mas indecente.

A Justiça tem face tenebrosa
É Jardim das Tormentas para o pobre;
Terra do Demo, sílfide escabrosa,
Com manto de perfídia se recobre.

Aquilino Ribeiro, esta República
É Via Sinuosa da ambição;
Há reisinhos gerindo a coisa pública
Há autarcas-monarcas, que abjecção!


Nós, os republicanos democratas,
Vemos oligarquias populistas...
Uns tesos se transformam em plutocratas
Enquanto o mafarrico esfrega as vistas!