rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

quarta-feira, setembro 26, 2007

Dissertações sobre a génese do populismo.

Eu já li Ernest Hemingway e John Steinbeck, por isso não sou populista!

Esta afirmação, proferida há dias por um candidato a líder partidário, é de um simplismo tão primário que de per si, nada abona sobre quem a profere; há palavras que definem comportamentos; contudo elas poderão ser redutoras, poderão ser demasiado ambíguas (ambivalentes?), gerando nos espíritos perplexidades sem conta.

"Diz-me o que lês dir-te-ei quem és", este adágio popular é de uma pobreza constrangedora e susceptível de mil-e-uma interpretações. Há quem leia a bíblia e o corão (quiçá diariamente) e não se coiba de cometer os maiores latrocínios e barbaridades.

Os livros podem ajudar a formar o carácter, a moldar estilos ou plasmar personalidades, mas há outros factores a influenciar a praxis quotidiana: factores genéticos, pressões do meio ambiente (lóbis), circunstâncias várias poderão moldar uma idiossincrasia; há quem leia com espírito crítico os livros mais hediondos e fique vacinado contra a ideologia por eles propalada, não se deixando assediar pelo autor, não comungando dos princípios programáticos.

Que importa ler As Vinhas da Ira, A Leste do Paraíso, O Velho e o Mar, se se tem comportamentos nada consentâneos com princípios de democraticidade pura?

Isto de pagar quotas em massa, faz lembrar a oferta de electrodomésticos... no fundo há a mesma apetência por um voto a troco de...

Antigamente os lavradores com ambições políticas ofereciam um garrafão de vinho, agora a sofisticação é maior: há quem convide a ir a casa comer marisco e beber umas cervejas.

Há quem use as festas religiosas para fins políticos (até na escolha dos membros dessas comissões...); há quem faça homenagens por- dá- cá- aquela- palha, mais para colher dividendos políticos dessa homenagem do que para honrar quem é visado; há quem ande a pagar bebidas pelos cafés (se calhar com dinheiros vindos do erário público...) com intuitos de obter favores eleitorais...

O populismo e o futebol são dois irmãos gémeos. Há quem seja apoiante de um clube (o clube de coração) mas não se importe de vender a alma a um clube rival (clube de interesse ... clube que dá votos...), desde que isso traga prebendas eleitorais efectivas.

Há quem esteja no futebol só para colher dividendos políticos eleitorais (e até algo mais...), para ter os banhos de multidão necessários a limpar eventuais sombras ou manchas de outra índole.

O populista não é o que lê isto ou aquilo, é o que age de forma calculista, usando a paixão popular (`as vezes cega e ingénua) para se envolver no meio e extraír proveitos pessoais.

Há quem goste de música pimba e tenha erudição. A música clássica não é incompatível com falta de classe ou carácter ignominioso: consta que Hitler e Pinochet eram fervorosos amantes de música clássica... tantos ditadores se arvoram em mecenas de artes só para colherem dividendos ou popularidade fácil . Enfim, o tema daria pano para muitas mangas. O sermão não é para ninguém em particular mas o meu púlpito é o país em geral...

Honi soit qui mal y pense!

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