quarta-feira, julho 11, 2007

NO REINO DA IDIOTIA!!!




Eça de Queiroz e Rafael Bordalo Pinheiro dois ícones dois portugueses que fazem falta para zurzir estes costumes fascizantes!
Lobos com pele de cordeiro é o que há mais!!!

Manda o idiota-mor
Calar quem lhe fizer frente;
"Lei da rolha", faz favor,
O regime está doente!
Voltou a velha censura
Perita na castração
Em tudo, ela só procura
Delito de opinião!...
Refascização é moda
Cultuada em certas mentes
Tem perfídia, esta poda,
Vai podando os insurgentes!
Ter coluna vertebral
Não vergar, não lamber botas,
É pecado capital
Na mente dos... idiotas!...
Regressa Camilo!, vem!
Eça, traz-nos a chalaça!
Não vale reles vintém
A idiotice que grassa!
Camões, ó vate imortal,
Elmano Sadino!, ri!
Idiotas sem igual
Já mandam agora, aqui!!!

segunda-feira, julho 09, 2007

A RELÍQUIA - PARTE II

Antes de ser presidente da câmara ele fora bastante crítico em relação aos temas religiosos, dando uma imagem de ateu esclarecido e nada tendo de "rato de sacristia", muito pelo contrário, marxista-leninista convicto, dizia que a religião era um "ópio" e uma "muleta do poder" (sic).

Enfim, um ateu militante, e até capaz de gerar atritos familiares e situações desagradáveis para o resto da família, muito católica; contudo, depois de assumir a presidência da câmara, mudou radicalmente: tornou-se um vero "cristão-novo" na acepção mais hipócrita e farisaica do termo!...

Anda sempre rodeado de padres, sempre a consultá-los para isto e para aquilo, cheio de mesuras e de salamaleques, enfim, um nojo! Alguns, por ironia, já lhe chamam o "cónego" ou o "monsenhor!"...

O seu empenhamento nas coisas clericais é directamente proporcional ao empenhamento político-partidário de alguns padres, diga-se por elementar justiça. Amor com amor se paga...

Há uma cumplicidade, um conúbio flagrante e total. Às vezes, por piada, ele próprio ironiza:

__ Afinal andamos todos ao mesmo!__ diz ele depois de alguns copos, junto dos padres mais íntimos. __Vocês "capturam" almas para o redil sagrado, "pescam" as almas tal e qual o pescador no alto mar a pescar sardinha, no seu ganha-pão quotidiano; e eu, não faço mais que "pescar" votos, que "caçar coelhos votantes"...

Enfim, lá terá as suas razões. O certo é que os padres simpatizam com ele, sorriem, são cúmplices até ao limite do caricato. São "unha e carne" como soe dizer-se...

Como parte mais visível dessa cumplicidade são notórias as facilidades camarárias no que concerne a apoios a festividades religiosas, procissões e coisas similares. Elas assumem, quase sempre, um notório cunho político, fruto desse casamento de interesse, corolário dessa lógica de cumplicidade à outrance!

Há funcionários que são pagos (com horas extra) para colaborarem em assuntos paroquiais e recebem prebendas por essa dedicação. Os adros das igrejas, os cemitérios, tudo sempre impecável, tudo sempre um luxo!

O presidente passa graxa com profusão e, nas homilias dominicais e nos púlpitos, os padres-escova retribuem na mesma moeda. Enfim, dir-se-ia que ninguém dá ponto sem nó...

Nos períodos eleitorais vinha ao de cima essa notória promiscuidade, esse abuso ostensivo e quase chocante para as pessoas com respeito pelos valores da cidadania e da isenção. Padres com zelo político e políticos com zelo religioso, faz com que sejam "zelotes" na pior acepção da palavra. Enfim, dir-se-ia uma osmose perfeita entre os comissários políticos clericais e o afã religioso do autarca! Nunca tal se vira, em moldes tão exacerbados...


Até que um dia... desmoronou-se tudo, como um baralho de cartas levado pela fúria do vento.

Entrou em cena a fogosa Katia!

Afinal, chamava-se Gracinda Cardozo, era apenas uma "garota de programa" contratada por um conhecido "patrão" luso-brasileiro! Juizes, senadores, governadores de Estado, ela os seduzia a mando do referido "patrão", filmava os encontros sexuais e entregava a cassete ao seu mandante! Enfim, quando pensavam estar a seduzir uma ingénua donzela, cândida e pura, estavam a ser apanhados pelo "laço", estavam a ser "comidos" quando julgavam estar a "comer"... Paradoxos dignos de uma divina comédia!...

A cassete, a tal "relíquia", como dizia o tal "patrão", era uma espécie de "caução" que poderia ser usada como chantagem, como forma de submeter as vítimas aos seus caprichos corruptores, aos seus desígnios maquiavélicos.

Ora acontece que o autarca sempre cumpriu à risca (com zelo desmedido, até) as instruções do "patrão", diga-se em abono da verdade. Permitiu que fossem exorbitados certos parâmetros, como cérceas, e a volumetria disparou gerando lucros sem conta. Outras facilidades ("jeitos") foram concedidas sem que se vislumbrasse o motivo, sem razão aparente... Era a tal "relíquia" a funcionar, o tal elemento chantageador que poderia entrar em cena a qualquer momento. O autarca não sabia de toda a engrenagem mas começou a suspeitar quando tinha "dúvidas" no concernente a certas facilidades que demoravam a surgir e impacientavam o tal "patrão"...

Entrementes, oh ironia das ironias, a jovem Katia (Gracinda Cardozo), fartou-se de ser "pau-mandado" e, insatisfeita com os seus ganhos, comparados com os fabulosos lucros do seu mandante, resolveu trabalhar por conta própria. Tornou-se empresária... da chantagem!

Já fartinha de vender o corpo por 250 míseros reais, num rasgo de auto-estima, decidiu usar os duplicados das cassetes que ficaram em seu poder, e meteu pés ao caminho. Enveredou por ser empresária da chantagem!... Como dizia aos amigos, "agora quero fazer render os meus talentos"!

E assim foi. Juizes, políticos, empresários, começaram a ser assediados por gente sem escrúpulos que ameaçava divulgar cassetes de encontros íntimos! É claro que ela se rodeou da máxima segurança, tinha vários intermediários, normalmente advogados, que faziam o trabalho sujo. Ela, princesa das princesas, limitava-se a colher os frutos de tão laboriosa pescaria. Os políticos "pescavam" votos, ela..." pescava" patos!

Desde que veio para Portugal já fez alguns estragos. Mora actualmente na Suíça, vive com um ex-pugilista do F.C. do Porto. Em Lausanne, próximo do Museu Olímpico, montou o seu quartel-general. Os próximos capítulos prometem ser apaixonantes. Quando se aproximarem as campanhas eleitorais ela entrará em cena e... se não colher os frutos que pretende, vai oferecer os seus "méritos" às oposições...

A RELÍQUIA - I PARTE

«O sexo é poder e manipulação"

Soraia Chaves

A RELÍQUIA (conto moderno)

PARTE I


Ela parecia eufórica. Começou a despir-se com classe, de forma estudada, calculando o efeito provocado; o "strip-tease" era um dos seus trunfos na arte do engate; a pose sensual, os seus atributos naturais, as sua curvas explosivas, o seu talento, enfim...

E ele?! Nunca sonhara ter tanto êxito junto das mulheres, nunca pensara chegar tão longe na arte da sedução; era um mundo novo, uma sensação de triunfo mal contida; a sorte, essa megera que sempre o abandonara, passara-se definitivamente para o seu lado. Galanteador com provas dadas, enfim, o clímax!

E tudo se desenrolara tão vertiginosamente! Desde que fora eleito presidente de câmara, lá, numa terra litorânea do norte de Portugal! A roda da vida começara a rodar para o seu lado...

A vida, outrora cinzenta e triste, ganhara outras cores, outros horizontes, outras cambiantes. Agora era um "senhor"! O mundo olhava-o com outros olhos. O povo, o povão, o populacho, sabia que ali, dentro daquele físico insípido e sem encantos, morava um autarca, um homem capaz de decidir o futuro de pessoas, de empreendimentos, de gerar fortunas do pé prá mão!...

Agora ali, naquele Brasil tão convidativo, cheio de encantos mil, naquela terra irmã, com aquela loura tão generosa, tão cativante, tão cheia de eroticidade, ele via-se num céu, num paraíso terreal sem similares!... Enfim, era a "cereja em cima do bolo", o êxito completo!!!

A esposa, essa ficara em casa a tomar conta dos filhos; talvez mais tarde a trouxesse, se não causasse problemas com este "affaire" tão delicioso, se não fosse um "empecilho"... Agora era preciso dar vazão àquela ânsia de conquista, àquele hedonismo tão arrebatador mais parecendo uma "dádiva dos deuses", um "presente do olimpo"! O seu ego inchou, inchou, parecia a rã da fábula!...

__ Querido, estás a gostar?__ disse Katia, sorridente, com olhar malicioso, lançando ao ar a última peça íntima que lhe tapava as "vergonhas"... Ele viu, então, com olhar esbugalhado, aqueles seios fartos e generosos, bem tostados pelo sol tropical e talvez recheados de algum silicone, mas com conta peso e medida...

__ Sim, boneca __ disse o presidente da câmara, ainda meio abalado pela visão tão exuberante e tão capitosa... __Tu és Vénus no seu apogeu! Eu sinto-me um simples mortal ainda mal refeito desta súbita entrada no paraíso!

O azul eléctrico da lingerie era uma coisa linda, deslumbrante, erotizante! Lembrava-lhe o glorioso F. C. do Porto que tantas noites de glória tinha dado, com vitórias dignas de um Marte dos relvados, de um esplendor inigualável!

Quando ela se despiu totalmente, ele constatou que era, de facto, um mulherão com M maiúsculo! Uma estátua grega moldada em mármore de Carrara, com a perícia de um deus!

Não se conteve e lançou-se no seu colo convidativo com a volúpuia de um leão sobre a gazela mais tenra da savana africana! Era um mar erógeno por ele nunca dantes navegado!!!

Aqueles mamilos rijos e carnudos, que ela tão habilmente fazia sobressaír, debaixo da túnica transparente (pois tivera o cuidado de perfurar o soutien, para isso mesmo...), eram agora o alvo predilecto da sua gulodice, da sua perdição, diria até, da sua alienação momentânea...

Enfim, o Brasil, esse sortilégio verde-e-amarelo, esse mundo novo, cheio de oportunidades, abria-se de par em par (tal como as pernas de Katia...) para um simples "portuga", um autarca ainda sem curriculum, no dealbar de uma carreira, sem cotação visível, sem carisma, sem perfil nem estatura intelectual que se visse...

O sexo, esse maná, essa vertigem quase alucinante, era (pensava ele...) o corolário lógico do seu trajecto vencedor! Mal tinha chegado ao Brasil, a convite de um empresário amigo, e logo aprisionara sob a asa sedutora do fascínio, aquela doce pantera, aquele naco açucarado com sabor a Eros... Sentia-se como o leão, abocanhando a zebra suculenta...

Ela, a fogosa Katia, parecia "derrerter-se" toda perante as suas investidas ingénuas. Voltou a repetir a dose musical com que dera início a este "tango" de volúpia e de arrebatamento: "Je t'aime, moi non plus" de Jane Birkin e Serge Gainsbourg. O seu efeito afrodisíaco comprovava-se mais uma vez, no terreno erógeno.Ela, perita no assunto, sabia-o bem...

A noitada prosseguiu, a um ritmo mais suave, pois a capacidade do autarca ia esmorecendo com o passar das horas. Ela, a capitosa Katia, de rosto angélico, níveas mãos, busto hiper-generoso, era como uma vela ardente no altar da volúpia, uma candeia acesa indicando o caminho de Eros ...

Ele, ingénuo e simplório, pasmado com aquele busto soberbo, com aquelas curvas tão exuberantes, aquele perfume tão arrebatador, julgava-se um Casanova, um galã de alto gabarito! Até quis dar-lhe uma prenda, mas ela, calculisticamente, recusou tudo! "Era só por amor, por paixão pura!" disse até, para melhor o convencer:

__ Meu doce maracotão, tu és um vesúvio, um Eros com lava incandescente, um diamante do mais puro quilate!!!

Ele replicou-lhe:

__Tu és a Vénus mais radiosa que já contemplei! O meu magma há-de ficar indelevelmente gravado no teu coração! O Amor puro ainda existe, graças a Deus!

(Fim da Parte I)


domingo, julho 08, 2007


O SUAVE MILAGRE - Conto moderno...
Não acredito em coisas do outro mundo nem em visões. Sou bastante céptico no tocante a aparições.
Lembram-se do chamado "milagre de Moure "(Barcelos) há alguns anos?!
Fui lá e presenciei tudo. Pessoas cantando hinos, rezando como que possuídas por frenesim divinal, como que em estado de êxtase, quase uma histeria colectiva.
Cá fora, no meio de um aglomerado de gente ávida de notícias, um pároco dizia abertamente:
_ Isto é uma prova da existência de Jesus na hóstia consagrada; ultimamente têm surgido assaltos a igrejas e os larápios vão deixando hóstias ao abandono; Cristo quer mostrar assim o Seu descontentamento por tamanha vilania!...
Eu lá consegui entrar, muito embora com dificuldade. Tive que usar a força e a argúcia. A pulso e com alguns encontrões à mistura lá me vi no meio daquele mar de gente (mais comprimida que sardinha enlatada) ávido de comunhão espiritual com o Senhor!
Embora tardiamente, a Igreja reconheceu o logro; era apenas um fenómeno resultante da refracção da luz solar... e nada mais do que isso.
Não era milagre, mas eu, sempre aberto ao sobrenatural, sempre ávido de conhecimento e de fé, continuei atento; a minha alma é e sempre será terreno fértil à espera que lá caia a semente sagrada, chão impregnado de húmus cultural propício ao desabrochar da planta miraculosa...
Estou sempre aguardando o taumaturgo! Oxalá apareça...
Há dias, vendo na TV a filha do Raúl Solnado falar sobre meditação transcendental e contactos com o Senhor (que ela diz manter com regularidade...), não resisti à tentação. Procurei a máxima concentração, num local recolhido do mundo, sem ruídos perturbadores, sem ninguém por perto. Acendi três velas encarnadas e ... esperei. A Bíblia Sagrada ao centro da mesa, lá fui meditando, meditando, meditando...
Já quase fatigado e sem esperança, eis que, vindo lá dos confins do Além, me surgiu na consciência uma figura enorme, com aura, e sorridente... "É o próprio Jesus Cristo!", pensei eu.
Era uma figura esguia, com ar trocista e de... cigarro na boca! Não usava barba ... mas apenas bigode... um bigode retorcido, irónico, diria até mordaz!!!
Devo ter entrado em estado de hipnose ou em transe profundo! A figura sorridente, toda candura e simpatia, falou assim:
__Não, não sou quem tu esperavas, caro Rouxinol. Sou outro, mas venho a mando d'Ele. Sou mensageiro da verdade, sou desmistificador, sou uma espécie de chicote satírico vindo com o propósito sadio de abalar consciências adormecidas, quebrar rotinas, avivar memórias, agitar corações... Sim, sou eu, o teu querido Eça de Queiroz, aquele que tu admiras e cujos ensinamentos procuras instilar no quotidiano como plataforma para um melhor entendimento, como lupa para melhor enxergares a realidade circundante. Cristo pediu para descer até junto de ti e tentar responder às tuas angústias, aos teus anseios mais profundos.
Fiquei perplexo! Como era possível? Eça de Queiroz um descrente, agora enviado como embaixador da Luz, como emissário do Além, como "anjo da guarda" da minha consciência?!
Não, não era possível!!!... Reagi assim:
__Mas... sois vós mesmo, o José Maria Eça de Queiroz? Já agora dizei-me: nascestes em Vila do Conde ou na Póvoa de Varzim?
__Que importa o local onde vi a luz do dia? O mais importante é que fui concebido emViana do Castelo... Aí sim, é que começou a engendra-se esta criatura de Deus... depois de uma tarde bem passada eu fui concebido, em pecado, como se dizia na época. Viana do Castelo é o vero local da minha ligação à existência terrena. Isso é que importa...
Já mais descontraído, ousei perguntar:
__Amigo Eça, que me trazeis de útil, neste momento? Dizei algo que possa ter interesse para toda a gente...
Ele, com tranquilidade, cofiou o bigode, soltou uma golfada de fumo e disparou:
__ Olha, tu moras no norte de Portugal. Há uma coisa nova que deves conhecer. Mais ninguém sabe ainda, mas tu deves começar a aprofundar esta "coisa".
Fiquei perplexo, de novo... Seria algo do género "segredo de Fáima"? Será que vai haver uma nova guerra ou um atentado ao papa? Será a Al Qaeda que se vai instalar em Portugal e fazer das suas?
__ Nada do que pensas__ sossegou-me ele, como que adivinhando o meu pensamento mais íntimo__, tão somente há uma nova sociedade que importa olhar com cuidado, no futuro. Ela reivindica-se de regeneradora da sociedade, tem pretensões a repensar o ordenamento legal vigente, aspira a ser mentora de élites, de ter ascendente sobre clérigos, políticos, cientistas. Intitula-se de "Clube Pensador", mas, de facto, não passa de um covil de víboras mediáticas; não vai além de uma ninhada de ratos palradores e petulantes mas, com apoios incríveis no sub-mundo. Aí é que está o grande mal. O "rosto" pensador encobre uma autêntica alcateia capaz de causar certos danos ao tecido moral, à estrutura legal, procurando bloquear (manipular?) as instituições. Aspira a corromper os pilares da justiça, que, quer se queira quer não, são os alicerces da própria democracia num estado de direito democrático.
__ Não estareis a dramatizar, caro Eça?__ sussurei eu, já mais tranquilo. __ Não será exagero essa preocupação? é que eu, sinceramente, tinha-os na conta de um insignificante "grupo da sueca" (como aquele que rodeou o prof Vieira de Carvalho, da Maia), ou talvez uns "vencidos da vida" a darem-se ares reformadores, sem qualquer capacidade interventiva, sem suporte de credibilidade indispensável ao impacto na opinião pública. Estarei errado?
__É mesmo grave, meu caro__ prosseguiu com ênfase. __ Aquilo são as piranhas de Lúcifer procurando arrebanhar consciências, capturando idiotas úteis que, a pretexto de serem oradores ou "convidados de honra" passam a ser "iniciados", com todos os malefícios da submissão aos seus desígnios ocultos. Aquilo pretende ser uma espécie de "comité central de padrinhos", de feição lusa... subjacente a uma face "pensadora" há uma matriz ocultista e de vocação "mafiosa" que tem um secreto fascínio pelo poder, uma obnubilação doentia pelo mando. Espera pelo "Day after" e verás!
__ "Day after"!__ fiquei de novo abismado. "Será que vai ser lançada uma bomba atómica?" disse eu cá com os meus botões de punho...
__ "Day after" é apenas uma metáfora. Espera pelo dia seguinte às eleições na câmara de Lisboa. O PSD como é natural vai perder. Quem irá colher dividendos dessa derrota? Então esvoaçarão os abutres, soltar-se-ão as piranhas, uma "nova ordem" irá ser criada! A serpente "pensadora" já está in ovo!...
E... de repente, como se se tivesse esgotado o "tempo de satélite", a imagem desapareceu, sem se ter despedido de mim do "suave milagre"..... Fiquei deveras preocupado. Tomei uns apontamentos do que acabara de presenciar para que não se apagasse da memória tão surpreendente contacto de "terceiro grau" e, escrevi História!"... O que aqui fica reproduzido é uma parte muito reduzida do "suave milagre"...

sábado, julho 07, 2007

A "Choldra" continua: o "vista grossa" anda por aí!




Fazer "vista grossa" acontece muito. Os excessos também
são frequentes: castiga-se o "justo" para ilibar o "pecador"...
Tantas vezes o vil metal, ou a amizade, ou a cunha, estão na base destas
injustiças que não são mais que partes emersas do icebergue corruptor...
Sejamos honestos: ela sempre andou por cá! Transitou do regime do "28 de Maio" com armas e bagagens para o de "25 de Abril"... Continuou, bastas vezes, no podium do poder.
Ela pode ter várias caras, assumir variegadas posturas, pode até nem ter rosto...
quantas vezes a vemos no campo de futebol, estimulada por "dopings" que nem imaginámos (seja a pueril "fruta", sejam as férias no Brasil, seja o apartamento na Póvoa... seja o agigantar repentino da conta bancária da esposa, ou do filho deficiente...), quantas vezes a observámos nos tribunais (é o senhor Delegado que não mão investigar como deveria pois pode comprometer o amigo X, ou causar danos colaterais ao empresário Y, ou atingir o presidente Z; é o senhor juíz que passa ao lado de factos relevantes subalternizando-os injustificadamente, ou a testemunha A que deixa de ser credível de um momento para o outro...); é o fiscal da obra que é amigo do empreiteiro Fulano de Tal e "esquece" aquilo que noutro lado, com outro interveniente (doutra cor partidária) dá azo a pesada multa; ele é o senhor polícia que multa os carros de forma selectiva... enfim, a coisa é o pão-nosso-de-cada-dia...
Mas esta "vista grossa" tem apetites profundos e gula interminável. Pode estar anichada na CMVM, ou na Càmara municipal. Tanto pode estar no Tribunal Administratrivo, como no Tribunal do Trabalho. Ela ("vista grossa") pode ser "pivot" de uma TV ou ser médica no Centro de Saúde. Pode ser árbitro de futebol ou juíz no Tribunal de Família. Pode ser director de um jornal ou deputado da república.
Enfim, nesta promiscuidade tão enraizada no tecido social, ela pode estar na própria Igreja, pode ser o cónego alfa ou o bispo beta; ninguém fica imune, todos nós podemos (e devemos) meter a mão na consciência, pois, já fizemos "vista grossa". Quem nunca o fez que atire a primeira pedra!... Errar é humano, prosseguir no erro já é patologia. E todas as patologias precisam de tratamento.

Eu, "O BICHO", me confesso...




Jorge Costa, o "outro Bicho",
um símbolo de raça e de
pundonor, na defesa do F.C. do Porto - um dos meus jogadores preferidos.
Ao lado direito, o outro "Bicho"
quando prestava serviço militar.
Só jogava futebol de salão mas dava sempre o "litro", como o Jorge Costa sempre fazia dentro do campo.
Tinha eu dezasseis anos e fui treinar ao Varzim . Era ainda início da temporada e estava-se em fase de pré-selecção. Treinava lá o Justino, ex-guarda-redes.
Os treinos eram no antigo hipódromo e no campo anexo ao estádio (pelado).
Tempos difíceis aqueles. Eu morava na aldeia, a cerca de oito quilómetros, ia e vinha de bicicleta. Dava para um bom aquecimento...
Recordo com saudade o seccionista: o senhor Mesquita, sempre sorridente, sempre bom companheiro, um "pai" para todos nós. Ainda me lembro quando fui tirar as medidas para as chuteiras à sapataria Mesquita.
- Calças quarenta e quatro?! É quase tanto como o Hoss Cartwright (o bom gigante da Série Bonanza, então em voga na TV)!
Quanto ao treinador, o Justino, confesso que me surpreendeu pela positiva. Embora sendio guarda-redes (de origem), percebia da poda. Até na preparação física dava cartas. Gostei imenso. Colocou-me a "quarto-defesa", ao lado do defesa central. Com 1m:80 e 60 Kg de peso, era uma "vara" muito flexível e cheio de força. Ia à frente e por vezes fazia golos...
Calharam-me uns calções muito largos, de um defesa chamado "Bicho"; tinha esse nome bordado da parte da frente dos calções e era sempre esses que eu escolhia. Como era da aldeia e pouco conhecido dos "craques", tratavam-me simplesmente por "Bicho", e eu gostava do epíteto...
Ainda recordo um golo que marquei naqueles tempos de juventude. O treino já estava quase no fim. Senti-me inspirado, vi terreno livre e arranquei por ali fora. Tudo se afastava à minha passagem, driblei meio-mundo e centrei para o extremo-esquerdo. Este viu-me em boa posição e retribuíu o passe. De costas para a baliza enviei um pontapé-de-bicicleta monumental e ... foi um golão!!!
"Mister" Justino, estupefacto, gritou:
- Grande Bicho! como esse nem o Di Stéfano!
A malta sorriu e até bateu palmas! O treino já estava no fim, e eu, modesto e tímido, boiando dentro daqueles calções enormes, senti algo de estranho cá dentro...
Não pude prosseguir. O meu pai não me autorizou. O estudo (no Porto) estava em primeiro lugar. Mas, ainda hoje, recordo com saudade esse curto período de "estágio" na "cantera varzinista"... Ao "mister" Justino e ao senhor Mesquita que guardo ainda no coração, o meu obrigado!

sexta-feira, julho 06, 2007

O ódio, inimigo da lucidez!


Ele anda por aí! Acusando os adversários (possíveis e imaginários) de serem doentes, de terem taras, de serem invejosos...

Está de novo em crise. Precisa de ser avaliado e medicado.

Não, não me refiro a ninguém em especial. Refiro-me a um sentimento: o ódio.
Ele cresce, qual erva daninha, no jardim da democracia. Usa o vitupério, a calúnia gratuita, o ataque pessoal, a esmo.

Há que ter contenção. Há que ir à génese das coisas. Quando o poder se sente acossado, passa ao ataque, é o chamado "salto em frente". Estilo, «chama-lhe "ladrão" antes que ele te chame a ti». É a estratégia de antecipação, como disse um dia (aliás, escreveu num célebre papelinho que entregou a um subdirector de um jornal, na Madeira) um conhecido governante muito amante da autonomia...

A lucidez é uma chama viva e incandescente na mente da verdade. Só ela pode ser o garante da democracia e da transparência. Isto de chamar "f.d.p." a torto e a direito, seja ao primeiro-ministro, seja à ministra da educação, seja ao ministro da saúde ou ao cidadão comum, é baixo, aviltante, repugnante. Se alguém cometeu um crime, sim senhor, puna-se e chame-se à justiça para pagar as suas culpas. Agora andar de punhal na mão, sempre a esburacar (estilo "Jack o estripador") é de uma cobardia imensa, de uma cretinice gratuita, de um cinismo repugnante, de uma canalhice pegada!

Se um vereador da oposição errou, diga-se onde e como errou, não se insulte de "esquizofrénico", "paranóico", de ter "obsessão mediática", de querer "protagonismo"... isso é ataque pessoal gratuito, isso é linchamento verbal, é nojento e indigno. Distorcer a verdade (para auto-defesa) e depois vir a público chamar "capcioso" a quem tem por companhia a verdade, a quem tem por lema a transparência, é de uma ignomínia sem nome, de um achincalhamento a todos os títulos condenável.

O ódio é mau, o ódio é desprezível, o ódio é nojento.

Quem se sente lesado recorre à justiça e pede uma indemnização. Agora andar a fazer queixinhas, andar na praça pública recorrendo aos media com profusão, apresentando "sinais exteriores de violência", como aquelas mulheres que inventam ter sido agredidas para legitimarem compaixão (ou algo mais) é indigno de um democrata, é indigno de um homem que se preze. O "coitadinhismo" já foi chão que deu uvas! O povo abriu os olhos e já viu que o "rei vai nu"!...

quinta-feira, julho 05, 2007


O calhambeque do irmão do senhor vereador...
Ele vivia em dificuldades evidentes. O seu Peugeot 206, cheio de varizes, com catarro no arranque, exalando um fétido odor a CO2, era a sua imagem de marca, o seu cartão de visita.
Mas era feliz. Vivia tranquilo, sem ambições desmedidas, com a consciência limpa e sono sempre em dia.
Pelo contrário, o irmão, casado com a ambição e amante da luxúria e da venalidade tinha no "padrinho" (tráfico de influências...) um suporte excepcional. Começou a enriquecer de forma inesperada e faustosa desde que passou a vereador de um conhecido executivo camarário...
As "prendas" começaram a surgir em catadupas; o seu caudal era bem mais ostensivo e volumoso que o das famosas cataratas do Niagara...
Vai daí, pensou lá com os seus botões: "qualquer dia tenho o fisco à perna... terei que dar um jeito para arrumar tanta benesse caída do céu aos trambolhões..."
Eis senão quando, em conversa amena com o pai, uma ideia luminosa lhe surgiu. Este, embora não conhecesse a fundo a origem de tanta fortuna repentinamente adquirida pelo filho, prestou-se ao favorseco: "lavar" aqueles bens, de tal sorte que não desse nas vistas e ninguém sonhasse a sua duvidosa proveniência.
A tal câmara era como um íman gigantesco, atraindo vil metal, capturando apoios nos diversos pilares da administração, aglutinando interesses e gerando de forma ininterrupta situações de grande "criatividade monetária"... Era um verdadeiro maná!... Ele, sem grandes escrúpulos diga-se em abono da verdade, sentia-se como um croupier de casino com o rodo da ambição!...
Nunca pensara que o cargo de vereador gerasse tanta fortuna e houvesse tantos beneméritos a troco de uns meros "jeitos"...
Entrementes, o pai, discretamente, lá conseguiu pôr a salvo alguns valores, colocando em campo uma estratégia de dispersão geográfica bem delineada de modo a não espantar a caça... Ele sabia que era tudo do filho vereador mas nunca revelou nada ao filho do Peugeot cheio de varizes...
Contudo, a morte, essa ceifeira cruel e inesperada, veio fazer das suas, e levou-o no seu regaço protector. Foi uma calamidade!
O filho vereador mais do que a morte do pai, chorava a perda de metade de património tão arduamente conquistado, tão subtilmente adquirido com a volúpia de uma meretriz de alta roda, de um vampiro de voracidade extrema...
Era uma pena. Assim, de uma forma tão abrupta, sem tir-te nem guar-te!!!
O mano do vereador, esse, ficou boquiaberto. Recebeu uma opípara herança sem ter feito nada por ela. O vereador bem replicou, que era tudo dele, estava em nome do pai por estratégia ocultista, mas nada feito. A sua capacidade persuasora, tão eficaz junto de alguns empreiteiros, não o foi, perante o próprio irmão.
O dono do velhinho calhambeque, do Peugeot já caquético, com rugas no motor e varizes na pintura, ficou rico de um momento para o outro! Deus escreveu direito por linhas tortas!
Afinal, Ele, nem sempre dorme...

quarta-feira, julho 04, 2007

O AFÃ corruptor...

Há tanto lobo a querer fazer-se passar por cordeiro, que até faz pena...
O AFÃ corruptor: a teia dos "vendidos ao sistema"...
Qual metástase que assume contornos cada vez mais arrevesados, que se intromete no tecido económico e na textura familiar por excelência, procurando tornar cúmplices todos os que directa ou indirectamente com ela interagem, ela é, de facto, a pandemia social mais vergonhosa dos dias que vão correndo...
Estando na génese de muitas injustiças sociais (de índole familiar, por vezes), ela cria monstros que, por vezes, também devora, considerando-os já descartáveis quando desnecessários (ou pouco importantes) para o seu processo expansionista.
Há que saber, definitivamente, quem está ao lado dela, ou, pelo contrário, está disposto a denunciá-la e combatê-la. Não é admissível (e há tantos assim) estar com um pé dentro do esquema e o outro, de fora, a verberá-lo publicamente. Esta duplicidade é criminosa e condenável a todos os títulos!
Al Capone, nos seus tempos áureos, era o protótipo deste espécime. Tanto fazia caridadezinha, como estava a mandar subornar e a mandar matar. De um maquiavelismo sádico e hipócrita gostava de se fazer passar por benemérito, de amigo dos órfãos e desamparados, de pio adorador de Deus e de todos os santos e santas, quando era de facto, um crápula do piorio... Enfim, essa caridadezinha era a esponja com que procurava limpar as outras nódoas : assaltos, roubos, assassinatos, subornos...
Quantos vemos ainda hoje dizendo-se vítimas de perseguições (às vezes auto-induzidas...) para legitimarem ataques hediondos, cobardes agressões, miseráveis atentados à integridade física, moral e cívica de cidadãos impolutos que, só por não pactuarem com o "sistema", são logo apodados de anti-sociais, alvos a abater ?! Usam um peçonhento "coitadinhismo" manhoso e canhestro para se arvorarem em vítimas, para poderem legitimar façanhas onde a loucura é usada como arma de arremesso e/ou como "escudo protector", se o caso der para o torto...
É vê-los a mendigarem a atenção de "padrinhos" com dedicatórias cheias de "alma e coração",
onde são colocadas no altar-mor todas as fibras do seu ser, prontas a serem imoladas no sacrifício ao seu "deus" do momento presente... "Servos da gleba", "cães perdidos sem coleira", "ratos do esgoto mais imundo"... Dentre esta fauna há de tudo: jornalistas (diria antes, reles plumitivos), escritores (diria mais especificamente, gangsters das letras...), professores( diria melhor, agentes de instrução, carregados de pulgas no cérebro...), e tudo bem "oleado" com o vil metal ou a promessa de uma sinecura qualquer!
Até famílias são usadas como arma de arremesso! Chega-se a pedir ao "pai" para não falar com o "filho X" enquanto ele não alinhar, enquanto não vergar ao esquema diabólico em que a família se deixou enredar. O dinheiro, o escarro de Midas, a tentar condicionar os íntegros, os impolutos, os que não vergam, não lambem o pó doirado! Retaliações e chantagens são feitas sem escrúpulos... Pessoas aparentemente de bem, são usadas como engodo, dando-lhes um prato de lentilhas para os domesticar: são "simpatias a captar", "sensibilidades a capturar", ou, pelo contrário, ódios de estimação a estimular...
O tecido social está impregnado desta doença até ao mais obscuro dos seus interstícios!...Basta olhar com olhos de ver, interrogar famílias e ouvir queixumes de pessoas lesadas por estas "máfias" de pacotilha, por estes Capones de trazer por casa!...
Quem quiser pôr o dedo na ferida, ou cauterizá-la mesmo, é logo apodado de "doente", de "capcioso", de ter "tentação mediática"... Os verdadeiros "doentes" ou mentores da própria doença, procuram gerar confusão nos espíritos, como se se tratasse de um ladrão a chamar carteirista ao polícia que o quer prender por flagrante delito!
O assalto ao poder dá nisto! E, quando o "osso está bem filado", o "cão raivoso" lança impropérios e se preciso for chama "danado" a quem quer apenas a terapia adequada!...
O AFÃ corruptor é tal que contagia entidades que à partida nada teriam a ver com o processoem si mesmo .E essa franja é a mais perigosa. Nem chega a aperceber-se do real papel desempenhado: ser fiel guardião do "status quo", guardador inconsciente de uma autêntica alcateia de lobos esfaimados e enraivecidos, de feras liberticidas, pensando tratar-se de cordeirinhos imaculados e dignos de protecção!

terça-feira, julho 03, 2007

O "Coronel" Dourado no "sertão" futeboleiro...



Os diálogos que se seguem são pura ficção. Por favor, não confundir com a realidade. Esta, dizem os entendidos, é muito pior...

_ Meu caro coronel Dourado então que manda?

-Meu caro, mando-lhe saúde e boa disposição. Que o diabo seja surdo, mas a saúde é o que mais importa. Como vai a família, tudo bem?

-Felizmente bem, graças a Deus. O meu filho mais velho lá acabou a licenciatura, deu jeito aquele empurraozinho do meu coronel... Mandou aquela cadeira que faltava por fax e acabou o curso...

-O fax é muito democrático. Serve para todos. Desde o fax de Macau até ao fax cá do coronel, isto é trigo limpo farinha amparo!... Deus nos dê saudinha amigo Já Não Sinto... Olhe é para lhe dizer que foi nomeado para o tal grande encontro, com a gajada de Lisboa...

- Mas, eu não quero ser usado outra vez, sabe como é, dá nas vistas...

-Lembra-se daquilo do verão passado?!

-Claro que lembro, foi formidável! Pronto, esqueça o que disse, dê ordens patrão!

-Eu quero pelo menos o empate, ouviu! Use a estratágia M e deixe-nos actuar com o plano S!...

-Estratégia M e plano S? Já não recordo...

-Não se faça de tanso! eu estou aqui na tasca do Zé da Aldeia não há perigo de os esbirros da judite andarem por aí... O plano M é o "mergulho na piscina", carago!! Os nossos andam ali perto da área, atiram-se para a piscina e truca! há aquelas faltas cirúrgicas que, de tanto acontecerem, dão golo... Na nossa área nada, claro! Só umas faltinhas inofensivas no meio-campo, até pode ser contra nós, só pra despistar... Mas na deles, é preciso muitas e perigosas... tantas vezes vai o cântaro à fonte... que, numa delas, pode ser golo!

- E o plano S, qual é?!

-Ó pá você não tem ido àquelas reuniões lá no Barco de Camaveses, carago? Não sabe que depois do golo obtido há que dar Sarrafada, e você (e toda a malta do esquema, claro) faz vista grossa, senão... eu quero aquela gajada de Lisboa toda de joelhos perante a Torre dos Clérigos, já passou o tempo em que íamos a Lisboa lamber as botas ao Marquês de Pombal!

-Essa não percebi!

-Você ainda tem nessa caximónia aquela ideia nortista, aquele bairrismo que se entranha cá na mioleira e nunca mais sai, até a terra comer as ossadas. Toda a gente tem carago: polícias, juízes (excepto aquele ingénuo de Gondarém...), professores, árbitros, empresários; a gajada de Lisboa só é boa com os pés prá cova! São uns sulistas, elitistas, sei lá, uns gosmistas, querem tudo para o Terreiro do Paço e nada para os Clérigos. Isto agora mudou, ouviu?

- Conte comigo, meu coronel! e não se esqueça dos "pimentinhos"...

-Não esqueço não! Se a malta ganhar àquela gajada de Lisboa dobro a parada, ouviu?

-Você manda, coronel! Já agora também um pedido: quero ser internacional, veja lá... dê um empurraozinho na classificação, arranje-me sempre bons obseradores...aqueles que só dão notas altas, fixes! Olhe, o meu cunhado, o Escova, aquele empreiteiro que comprou aquele terreno... espera que para o ano já lá possa construír...

-Sim, pá! Estou a dar umas dicas a uns gajos para aquilo andar depressa, eu também tenho interesse nisso, a minha comissão também virá com a autorização.Mas já andei depressa demais aqui num caso recente e deu muito nas vistas... é preciso dar tempo ao tempo...

-Então combinado, meu coronel! A gajada de Lisboa vai levar naquelas ventas que nem sabe onde fica o Marquês!

-Gosto disso, pá... no verão, já sabes, conta comigo outra vez...

Cai o pano. O coronel é beijado sofregamente por uma senhora muito bem apetrechada em termos lácteos e não só... é a D. Judite, do Porto, claro!...

segunda-feira, julho 02, 2007

O "Cristão-novo"!

Nem sempre fui bem sucedido na vida. Tive problemas e acidentes de percurso que me marcaram. Nunca gostei de me vergar a prepotências nem aceitar de bom grado situações que me angustiavam ou causavam mal-estar em termos cívicos, em questões de ética.

Era tenente-miliciano e estava numa unidade militar no período ante-25 de Abril.
Ali pontificava um "senhor" oficial do quadro permanente chamado Matono Cóias. Era irascível, colérico, um tiranete de primeira. Nas reuniões de oficiais mostrava-se sempre muito afecto ao regime, citava um manual que lhe fora imposto nos Altos Estudos (estilo "sebenta universitária") dizendo cobras e lagartos da chamada "oposição interna" ao regime.

Um belo dia, estava eu de oficial de dia, fui chamado ao seu gabinete. De rompante disse-me:
- Quero falar com esse indivíduo que se infiltrou cá dentro. Pode ser um terrorista.
De facto houve um turista francês que entrara inadvertidamente na unidade, seguindo a orla costeira e não se apercebendo que era ali um aquartelamento militar. Não violara nenhum sinal de proibição pois não existia nenhum!
Revistei-o e só encontrei uma latas de sardinha em conserva e uns maços de tabaco "gaulloise".
-Esse indivíduo - disse eu com prudência - está prestes a saír da unidade, está junto à porta de armas. Não me parece que tenha cometido crime algum...

Telefonou de imediato. Mandou prender o dito cujo. E, coisa aberrante, mandou chamar a Pide/DGS!!!

Enfim, um tirano com a perfídia no grau mais elevado.

Noutra ocasião mandou-me chamar ao seu gabinete, disse-me que havia um soldado que se encontrava em regime de prisão mas que habitualmente ia trabalhar para as oficinas. Tinha um regime de certa liberdade pelo facto de trabalhar. Parece que se recusava agora ao trabalho. Mandou-me investigar.

Lá fui e trouxe a resposta do soldado. Não gostou. Proibiu-o de saír da prisão e de frequentar o bar conforme era hábito. Mandou-me exarar essa ordem no livro do oficial de dia para que todos cumprissem à risca essa instrução.

Entretanto surgiu o "25 de Abril"! O tal oficial do quadro permanente colocou-se em bicos de pés e disse que pertencia ao movimento, que assistiu a reuniões secretas, etc. Todos os oficiais milicianos lá foram ao "beija-mão" menos eu. Expliquei que era a favor de "25 de Abril" mas não me revia nesse oficial como um ideal de liberdade, mas sim era símbolo de opressão e de ditadura.

Foi uma fera para comigo. Um dia o capelão falou-lhe no caso do soldado que continuava proibido de ir ao bar. Negou categoricamnete ter dado a ordem. Eu não me contive e chamei-lhe metiroso na messe de oficiais. Ele incapaz de me dar réplica, mandou-me pôr em sentido e calar!

Tão caricato era que, aquando de um festival desportivo (Torneio de Futebol de Salão), sendo eu eleito o melhor marcador do Torneio (entre oficiais, sargentos e praças), ele comentou para o oficial da secção desportiva:
- Este gajo, o melhor marcador? Mas ele não joga puto!!!
Eu não sendo muito tecnicista era aplicado, corajoso, batalhador e com elevado sentido táctico. Muito activo, embora defesa, ia à frente e aplicava uns tiros certeiros que punham em estado de pânico os guarda-redes... a rematar de "bico" era uma "fera"... Ainda hoje faço uma "perninha" e dou bem conta do recado.

Era assim o ódio do "cristão novo". Muito embora tivesse tirado dois cursos de elevado grau de dificuldade (fui o primeiro num e o segundo, no outro, entre dezenas de oficias) nunca consegui caír nas suas boas graças. Não dava "graxa", não "lambia as botas", não "vergava", logo, era uma nulidade!!!

Em Abril continuam a proliferar injustiças mil, ninguém tenha dúvidas...

E "cristãos-novos" é o que há mais, nas autarquias, na justiça, nos empregos públicos... até nas paróquias...

O "ESCOVA"...


Vi-o há dias no Porto. Quando o conheci ainda era sargento-ajudante. Agora, já oficial, não passa cartão, julga pertencer a uma oligarquia, a uma casta especial. Tal e qual aquele de Braga que tinha um talho e, depois de muita graxa ao Lenine, hoje possui um império... Enfim, está na moda dar "graxa"...
São estas pessoas que, escovando, escovando, fazendo trabalhos sujos, às vezes pela calada da noite (alguns agarrados ao computador 24 horas...) quais "alpinistas" da treta, lá vão, subindo, subindo... Até ao topo!
Continuam a ser ratos de esgoto, latrinários da mais baixa estirpe, mas... a sua conta bancária cresce, o seu carro topo de gama procura esconder a hediondez da sua condição, a real sordidez da escalada, o grau máximo de putrefacção moral a que chegaram..
Ele é o empresário chico-esperto que fundou firmas fictícias para enveredar por engenharias financeiras corruptoras e corruptíveis, defraudando o fisco, roubando subtilmente o património colectivo; facturas falsas, falências fraudulentas, tudo são esquemas para enricar rapidamente e poder patentear uma prosperidade económico-financeira inversamente proporcional ao "status" moral, ao calibre cívico, à estatura ética... Há escovas para todos os gostos...
Ele é o profissional por conta de outrem que convida sempre o chefe para o seu aniversário, o seu casamento, (onde será sempre padrinho...), lhe envia religiosamente a caixa de charutos no dia do aniversário, só para caír nas suas boas graças e ser mais facilmente promovido, deixando para trás o que não pactua com estes esquemas, por mais puro e honesto que sempre tenha sido... o escova é sabujo, oportunista, muda de partido com frequência para ter sempre o vento do seu lado...
Ele é também o presidente de junta que não falha o dia de aniversário do presidente de câmara, bem sabendo que é um acto de índole privada, de carácter familiar e íntimo... mas ele quer impressionar, nem se importa de lançar umas alfinetadas ao líder do partido que o ajudou a ser eleito (adversário do presidente...)... e o presidente, sorrindo com esta devoção canina, aceita de bom grado a "vassalagem", na mira de ter ali mais um "homem-de-mão" capaz de vender a alma ao diabo só para manter o tacho...
É que ele, presidente, aspira a ter debaixo da sua "bota cardada" (qual Hitler conquistador do universo...) todos os presidentes, para ser o sempiterno soba local, a quem todos terão de ir beijar a mão, lamber os dedos, agradecer as "dádivas"... Sente-se como um "menino Jesus" a quem os "reis magos" vão levar o incenso, o ouro, a mirra... e sorri de gozo, com fidelidades tão caninas, com genuflexões tão canhestras, com lambidelas de botas tão rastejantes...
Ele é também o escova-empreiteiro que já escovou o cacique anterior (se calhar de outro partido...) e que, para caír nas boas graças vilipendia e critica de forma acerba e cobarde... a este também dará o mesmo relógio de ouro que trouxe da Suíça, num ritual de vassalagem que envergonha quem se apercebe destas mesquinhezes, destas faltas de carácter, destes pecadilhos...
Enfim, "graxas," há tantos e de tantos matizes que seria fácil escrever um livro inteiro a desbobinar este tema.Dir-se-ia já uma prática institucional, nesta choldra que é o Portugal profundo...
E quem não for assim?
É marginalizado, considerado anti-social, quase vítima de alguma patologia social grave... nunca será promovido, não terá hipótese de subir na hierarquia como ela está estandardizada actualmente.

sábado, junho 30, 2007

Sua Excelência o Narciso... anda por aí!

Madre Teresa a anti-narcisos...


Ele anda por aí! Amiúde vêmo-lo na TV, ar sorridente, dedos espetados no ar, ar convincente, sorriso largo, gabando-se de forma quase infantil, atribuindo-se méritos e capacidades só ao alcance dos predestinados, qual semi-deus da era moderna.

É vê-lo na assembleia da república, ar pomposo e enfatuado, debitando discursatas gongóricas, é vê-lo nas jantaradas de homenagem que lhe são prodigalizadas por ser dirigente do clube, é vê-lo junto das comunidades de emigrantes aquando da celebração de algum evento, é vê-lo a dar suculentas entrevistas aos jornais desportivos (onde tem lugar sempre cativo), às rádios, às TV's.

Que de majestade, que de imaculada fisionomia, que de linguagem rebuscada cheia de esoterismos e de neologismos plenos de originalidade e de graça!...

É vê-lo também nos púlpitos, arrebatando com uma arenga estudada meticulosamente, as massas ingénuas, subtilmente embasbacadas pela sua litania de Frei Tomás, com odor quase santificado; é vê-lo e ouvi-lo nos cafés, sempre rodeado de súbditos atentos e veneradores, sorrindo forçadamente a todos os seus ditos; é vê-lo a cirandar pelos corredores dos ministérios, com gravatas e perfumes berrantes para contrastarem com o cinzentismo moral, com o negrume do carácter.

Ele anda por aí. Diz-se envolvido por pedidos irrecusáveis para aceitar a tal estátua, o tal busto, a tal pintura na cripta onde se perpetuará "ad infinitum", qual supra-sumo das virtualidades humanas... Coitado, não poderia recusar, seria ofender essas pessoas tão amigas, tão seguidoras do seu trajecto humanistico, tão carentes de amparo espiritual...

É igual a si próprio quando, com falsa humildade, distribui louros e prebendas por outrem, dando a entender que só o faz por... comiseração, por pena do séquito de acríticos e amorfos acólitos que o rodeiam.

É ele também o líder doirado, o integérrimo condutor de almas, o pastor de um redil amorfo e pardacento que cultua a sua imagem com o fervor de um zelote; é o centro do mundo, o sol, a quinta-essência; quanto aos outros, se luzem, é só por estarem sob a sua órbita... É, não raro, imbuído daquela presunção estulta que o faz pavonear qualidades em tudo o que participa; tem-se na conta de figura admirável, paradigma moral por excelência, enfim, dir-se-ia que o país, este pequeno país, este povo ignaro e inculto, não o merecem... ele é doutra estirpe, doutra galáxia! Ademais, é também um incompreendido...

Ele, narciso, não admite erros, falhas, incongruências, hipotéticas contradições.

Repete bastas vezes: "se fosse hoje, faria tudo na mesma, tudo sem alterar uma palha!" dando a entender que o seu trajecto foi delineado no olimpo por deuses tutelares de quem é um sub-produto, uma emanação.

Não sabe conviver com a crítica. Críticas? São tudo disparates pegados de invejosos, de ressabiados, de quixotescos adversários que não chegam aos seus calcanhares, seriam indignos de lhe apertaram os cordões dos sapatos, quanto mais esgrimirem com ele, o douto, o sábio, o dono da verdade... Se calhar queriam o seu lugar, " mas falta-lhes a sua estatura intelectual, o seu cabedal cívico, a sua honorabilidade, a sua credibilidade", desabafa, petulante, entre amigos e confidentes...

Quando atinge algum destaque _ e acontece isso, com desusada frequência neste jardim de ingénuos úteis, à beira-mar plantados... _ ei-lo que se rodeia de "nepos", de "paus-mandados", "criados-para-todo-o-serviço", cultuando a imagem do "caudilho" na mira de poderem abocanhar todas as migalhas que caiam da mesa orçamental. Enfim, fidelidades (e voracidades) caninas; a par de um seguidismo acrítico e acéfalo há um interesseirismo de piranha, um apetite inversamente proporcional aos escrúpulos...

O narciso abomina lugares subalternos; quer sempre a primeira fila, o destaque que dê dividendos mediáticos, o pedestal, o galarim mais parolo...

Ele é bom em tudo (ou melhor, tem-se na conta de o ser..), excepto em... modéstia... E, mesmo quando habilidosamente despe a casaca do egocentrismo(querendo aparentar certa "normalidade"), fá-lo de tal sorte que fique a pairar no espírito de todos certa magnanimidade, certa condescendência, estilo: "até jogo uma sueca lá no café da Guida, ou o dominó no salão do meu bairro"...

Não dá ponto sem nó. Os outros são "vaidosos", ele não, tem autoestima! Os outros são aperaltados, ele não, ele veste bem! A teimosia é para os outros, nele tem o nome de perseverança!

Enfim, D. Narciso pode ser um simples cónego, um presidente de câmara, um deputado, um ministro, um presidente de um clube de futebol, um empresário.

Ele anda por aí!

Quando o virem, lembrem-se deste diagnóstico e ... com ironia, atirem-lhe esta:

__ Então como tem passado, senhor Narciso?! E, como vai a sua esposa, D. Empáfia?!

quarta-feira, junho 27, 2007

O INFERNO EXISTE! ELA FOI LÁ E... REGRESOU!...


Boticeli, a Divina Comédia
Foto extraída algures na internet
Ir à lua e regressar já é algo de corriqueiro e banal; assume foros de naturalidade. Contudo, ir ao inferno, ao terrível império de Lúcifer, e regressar, até hoje ninguém se podia gabar disso...
Mas ela, a Dra Maria José, foi lá e... regressou! vivinha da Silva!
Eu conto...
Muito dada às coisas da Igreja, talvez tenha sido essa a causa do milagre; talvez Deus se tenha servido dela para alertar a humanidade. Deus é bom e avisa-nos.
Sim, de facto, a humanidade, escravizada a um crescente agnosticismo, hostilizando (ridicularizando mesmo) o sacro e virando-se para o profano, para a luxúria, para o pecado, a tentação da carne, precisava de um alerta vermelho!
Foi-o de facto. A humanidade vai criando infernos atrás de infernos, mas o verdadeiro, o legítimo, o de Satã, é algo de pavoroso, de horrível, de dantesco!...
Estava dividido em pavilhões enormes. Um vento demoníaco fazia com que as labaredas atingissem alturas descomunais. Cá fora, legiões de diabos carregavam sacos de carvão. Pareciam gigantescos SS's dos campos de concentração nazis. Aliás, podia ler-se à entrada, em letras garrafais: "IMPÉRIO DE SATÃ"
Mais abaixo, em caracteres menores, a seguinte legenda: "só o trabalho liberta!"
De facto, o que mais se via era trabalho. Para manter acesa aquela fornalha demoníaca, todos os dias chegavam toneladas e toneladas de carvão. Maria José, muito aflita e agoniada, reparou que o carvão tinha rostos humanos!... Eram almas condenadas ao eterno castigo!...
Um diabo-cicerone fê-la flutuar por cima das chamas para poder observar melhor aquele panorama horrível, aquele caudal de sofrimento acompanhado de gritos lancinantes. De fazer sangrar a alma mais rude!... Maria José lembrou-se nesse momento daquela voz tonitroante de Artur Albarran a apresentar um conhecido programa de TV: "o horror, o drama, a tragédia!!!"
Enfim, muito pior do que alguma vez imaginara!
Foram passando à sua frente os rostos de Pol Pot, Hitler, Mussolini, Estaline, Mao, Al Capone, Jack o estripador,enfim, um filme histórico de estarrecer!
Numa galeria lá nas profundezas, gritando até não mais poder, gritos lancinantes, ouvia-se a voz de Nero, o imperador romano que mandou incendiar a cidade. Átila, Gengis Khan e tantos outros foram perpassando num desfile impressionante! Era infernal tal visão! Era atroz! Aterrador!
Enfim, um mar imenso de almas esturricadas por um fogo interminável, intenso,
a fúria divina, no seu expoente máximo!
Mas, surpresa das surpresas! Havia lá um pavilhão onde o sofrimento era menor, mas... imaginem... contendo a alma de pessoas que ainda circulavam na terra!
Era o pavilhão dos mortos-vivos! Enfim, todos nós somos cadáveres-adiados, quer se queira admitir ou não... Mas, para Maria José, vê-los ali, foi algo de inesperado, de terrível, de fantasmático!!!
Bush, ele próprio, o presidente dos USA! Trazia a bandeira americana a flutuar sobre aquele mar de fogo. E gritava: "vamos cumprir o protocolo de Quioto! Vamos abandonar o Iraque!"
Foi triste vê-lo assim, roto, chamuscado, sujo que nem pneu velho... O seu espírito amargurado era uma pena! Via-se também que estava impotente e atado de pés e mãos! era uma serpente enorme... chamada capitalismo selvagem!
E também portugueses, neste pavilhão dos mortos-vivos!
Seria possível?!! Maria José julgava vislumbrar o rosto sorridente, mas aqui muito carregado, do major Valentim Loureiro! Ostentava um cartaz a avisar: "eu não sou o Bin Laden do futebol português!"
Maria José ficou mais petrificada ainda! Já ouvira falar naquilo, há muitos anos. Fora o agricultor de Palmela (Octávio Machado) que, por vezes ,faz umas incursões no reino do futebol indígena, que lançara o alerta, mas nunca ousara especificar! Estava ali, com toda a evidência, o verdadeiro, o tal... contudo, Maria José assestou melhor o olhar, perturbado pelo calor e pelas faúlhas sempre saltitando a ritmo infernal, e verificou que era apenas o inconfundível Ricardo Araújo Pereira, o popular Gato Fedorento, com uma barba postiça!!!
Quem sobressaía, num plano destacado, era o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates! Mas esse usava um fato de amianto protector... devia ser uma visita, pensou Maria José... trazia um cartaz onde se podia ler:" engenharia sanitária ao serviço da comunidade infernal!"
Na outra mão, procurando evitar que as chamas alterosas o devorassem, via-se um diploma. Ele gritava: "aqui no inferno há algum fax?"
Maria José não parava de se surpreender! é que num rio de chamas muito intenso, viu flutuando com aparente tranquilidade rodeado de cachorros, o conhecido Pinto da Costa. Gritava aos sete ventos: "Estou tranquilo! Estou tranquilo! Estou tranquilo!"
Trazia um enorme saco às costas. Era fruta. Quando passava algum diabinho mais solícito, mais "flexível", ele subornava-o com uma peça de fruta e recebia um balde de água fria!... Até no inferno este homem não deixava os seus créditos por mãos alheias. É de lhe tirar o chapéu!
Ao seu lado, como não podia deixar de ser, qual ironia do destino, o árbitro Calabote. Gritava muito: "eu sou Inocêncio! sou Inocêncio!"... Parece que de facto ainda é...
Pedia algumas peças de fruta ao Pinto da Costa. Este recusava e explicava: " vai mas é pedir fruta ao tipo dos pneus! esse sim, pode pagar bem! agora até vai ter um banco! se o Berardo estiver pelos ajustes..."
Impagável!, a mesma ironia de sempre, o mesmo sorriso sarcástico, o mesmo
à-vontade perante as turbulências, perante os factos mais gravosos. Mesmo no inferno, a tranquilidade absoluta. Cinco estrelas!
Enfim, um mar de surpresas, neste mar de chamas incontroláveis.
Quem se via lá ao fundo?! Nem mais nem menos que o dr José Luís Sandanha Sanches... esse mesmo, o "grande educador da classe operária"!... Trazia às costas uma rede carregada de seres vestidos de negro. Seriam árbitros corruptos? Não, pareciam juízes ou magistrados... Um letreiro dizia apenas: "Os capturados pelo poder local!"
Mais além, um autarca conhecido. De bigode todo queimado, sorriso contrafeito, ar espantado e descontrolado, era um homem caído em desgraça. Gritava muito: "Aqui há democracia a mais! não quero tanta!" "Não há 'apito dourado' na Póvoa!" "É tudo imaginação delirante de uma oposição maledicente!"
Era o dr Macedo Vieira, da Póvoa de Varzim. Trazia uma arma de caça. Alguns cães de guarda faziam-lhe companhia.
Maria José não chegou a compreender... E, de repente, um choque maior ainda!
Eis senão quando, emergindo daquele oceano de chamas encapelado, surgiu um rosto que lhe era muito querido! "é ele, é ele!" Gritou desesperada...
Nada mais nada menos que Paulo Portas! Num fato todo enfarruscado, cheio de lama até ao pescoço, um chapéu roto na cabeça, uma gravata toda queimada até metade, um caozinho de estimação a seu lado e... um cartaz rezando assim: "Jacinto Leite Capelo Rego!"
A Dra Maria José Nogueira Pinto não podia suportar mais! Libertou-se do fato protector, deu um salto e...
Caíu abaixo da cama. Acabara-se mais um pesadelo...

EUSÉBIO E CRISTIANO RONALDO... DUAS FACES DE UMA MOEDA



Imagens colhidas na internet
Eusébio, o "abono de família"
Cristiano Ronaldo, o "quebra-corações"...

A sociologia ainda não se debruçou sobre este fenómeno; a economia, essa ciência que estuda a multiplicidade de aplicações de recursos susceptíveis de uso alternativo, adentro dos diversos "habitats" chamados mercados, ainda não criou leis, ainda não abordou com cuidados científicos, estas coisas, mas há que ter a coragem de ser pioneiro, de dar o"pontapé de saída"...

Há que começar a observar este novo mundo, esta nova economia, esta nova sociologia, à lupa; o futebol criou uma "tribo", uma nova "fauna", um novo paradigma.

Recordam-se de chamarem "abono de família" ao Eusébio, o imorredouro pantera negra, o maior embaixador desportivo de Portugal nos anos sessenta e setenta? Portugal, por força da sua acção galvanizante a nível mediático, também passou a surgir em mares nunca dantes navegados, em parte à sua custa, graças
à sua motricidade excepcional, ao seu faro pelo golo e pelas cavalgadas heróicas por entre florestas de pernas adversárias culminando em remates portentosos à baliza de aterrorizados "goleiros" semi-hipnotisados pela sua perfomance...

Foi, de facto, um "abono de família" para o plantel benfiquista de então.

Contudo, um outro fenómeno surge, agora, a merecer a nossa atenção.

Trata-se de Cristiano Ronaldo. Um portento dentro dos relvados e um coleccionador de "romances" digno de nota. Certas mulheres colam-se a ele na ânsia de cobertura mediática, de subida de cotação nesta "bolsa" de vaidades que é o jet-set.

Quando se atrelam a ele a sua vida muda radicalmente. Passam a ser alvo dos "paparazzi", têm o nome e foto em tudo o que é revista ou coluna social cor-de-rosa. Passam a cobrar "cachets" pela presença ou por sessões de autógrafos. São requisitadas para passagens de modelos, inaugurações, lançamentos de livros, campanhas publicitárias, coberturas de candidatos a cargos públicos, enfim, um novo mundo, uma nova atmosfera carregada de incenso mediático!

Tal como na Bolsa de acções, estas criaturas sobem de cotação quando estão sob a "protecção" do "astro" como se de uma OPA se tratasse! o seu "luzimento" atinge foros de coisa de outra galáxia, de fenómeno sobrenatural...

Até os políticos procuram a sua repentina "luminosidade" para se pavonearem a seu lado, para que a sua cotação (tantas vezes em baixa por motivos de linguagem desbragda, corrupção mal escondida, ilicitudes medrando paredes-meias com mentiras 'protectoras'...) possa subir junto das massas, elas próprias pasmadas e embasbacadas com as "luminárias" mediáticas!

Que de entusiasmo, que de deslumbramento, que de glamour!

Tudo sobe nas suas redondezas. Há quem lhes chame de "viagra" ou "abono de família" dos "paparazzi"... à sua volta tudo reluz, tudo brilha, tudo adquire contornos mágicos, conotações auríferas... o fogo da fama crepita e lança chamas incandescentes!...

Enfim, há que estar atento a este fenómeno. Há que não menosprezar as suas potencialidades. É Midas com nova aragem...

Qualquer dia temo que seja motivo para novas licenciaturas...

rouxinol



II PARTE

O TEMPO E O MODO
Este novo espaço pretende abordar de forma informal temas e assuntos de interesse colectivo de uma forma original.
Não é a História, com aquele ar sacrossanto e enfadonho, mas sim uma peregrinação simples e despretensiosa aos novos "santuários" da Era Moderna...

domingo, maio 06, 2007

AMOR DE MÃE, AMOR PRÉ-DIVINAL!...





Ser Mãe é ter que enfrentar
As ondas mais alterosas,
As procelas deste mar;
Ser Mãe, não é mar de rosas...
É ensinar a voar,
É cumprir com devoção
Um mandamento de amor,
É nunca desesperar
Quando chegar a provação
Ser forte, mesmo na dor!...



Ser Mãe, pátria também é!
É cumprir um nobre fado,
É escrever a História, até;
É ritual tão sagrado
Que o mundo tem assistido
A cenas galvanizantes,
Em que o amor maternal
É tão vivo, tão sentido,
Faz-nos pensar, por instantes,
No amor... pré-divinal!

rouxinol de Bernardim

Se...


Se...
Entendes que a liberdade também tem limites...
Consideras o poder um instrumento para satisfação de necessidades colectivas, e não, com às vezes se constata, mero trampolim para satisfazer ambições pessoais ou de grupo...
Medes o sucesso como corolário de um serviço e não como somatório de bens arrecadados...
Cultivas a humildade como a flor mais preciosa no jardim das virtudes.
Respeitas o adversário e lhe dás oportunidade de usar os mesmos meios de que dispões, não abusando deles para te impores...
Não exibes, com estulta ostentação, os teus feitos, esperando que sejam outros a fazê-lo...
Não te pões em bicos de pés para sobressaír, aguardando simplesmente que o tempo e a força da razão o façam.
Dás a César o que é de César e a Deus o que é de Deus...
Não procuras tapar o sol da evidência com a peneira da mentira ou da meia-verdade...
Não usas roupagens ricas para camuflar a pobreza de espírito...
Julgas que não é só pela aragem que se vê o carácter de quem vai na carruagem...
Consegues vislumbrar por detrás de um hábito pomposo, um monge cheio de mentiras...
Sabes ser perseverante, mesmo na adversidade, até ao triunfo da tua verdade.
Não andas na praça pública a exibir feitos, na maior parte das vezes, executados por outrem...
ENTÃO,
Respiras o ar puro de Abril, do verdadeiro Abril, o tal que ainda está para chegar a algumas terras. És um precursor, na verdadeira acepção da palavra.
Quando outros enchem a boca de Abril, constatamos que são, pela sua praxis, pelo seu modus operandi, filhos do vetusto 28 de Maio...
Vós, que pensais da mesma forma que eu, conservai, ao longo da vida, a pureza de um ideal que, mais tarde ou mais cedo, há-de surgir ...
rouxinol de Bernardim