segunda-feira, julho 31, 2006

O rato político e... o político rato!



Às costas do povo poisa
Político que é rato
E só pensa numa coisa:
Dele fazer gato-sapato!
Às costas vai carregando
Este finório ratão
Que se vai banqueteando
Co'o orçamental quinhão!
O povo vai suportando
O chico-esperto ratinho
Gordo, lá vai devorando
O queijo que é do Povinho!
Neste rio que é a vida,
Há muita ratice à vista,
Há quem não pague a corrida
Ao Zé Povinho-taxista!
Olhar com olhar de ver
Pede-se à gente com tino...
Muitos ratos vão correr
P'rá sargeta do destino!!!
Matusalém, o domador

Há décadas no poder
Dizem que tenho obsessão!
Ele é duro de roer...
Mas não largo o osso, não!
Tenho tanto amor à terra
Ninguém pode imaginar
Eleições? São sempre guerra...
E o osso não vou largar!
Vivo à grande e à francesa
Tenho coleiras bem caras
A casota é uma riqueza
Com quadros e jóias raras...
Oposições? São carraças
Invejosas, despeitadas,
Invejam as minhas massas
Também queriam... coitadas!...
Ladro na rádio e jornais...
E vou às televisões
Mediático demais
Nos funerais... dou sermões!!!

Matusalém o domador

sexta-feira, julho 28, 2006

Amor à terra ou vício do poder?...



Quem critica o poder que é prepotente
Tem a paixão à terra no horizonte!...
Ninguém gosta de ver a sua gente
Subjugada por vil soba que a afronte!

"Aqui del'rei que há lobos na cidade!"
Grita o lobo com voz de cordeirinho...
"Eu amo a terra, sou todo bondade!...
Quem critica merece o pelourinho!"

Lógica de "jardins" e "salazares"...
Amor à terra? "Tacho!" diz a gente...
"Querem eternizar-se como czares!"

Amor à terra? É tão deprimente
Ver esta gente sempre com esgares
De apego ao poder, vício-dependente!

Rouxinol de Bernardim

segunda-feira, julho 24, 2006

Lusofonia, nova Pátria de valores...


Amplexo maternal agregador
Que nos irmana, atrai e faz sonhar...
Cimento cultural policolor
Água viva, paixão familiar!

Unindo credos, raças, continentes,
Criando laços fortes, solidários,
Dando voz e tornando omnipresentes
Vates lusos, da língua missionários...

Esta lusofonia, este ar tão puro,
Sem ditames papistas, sem tutores,
Sem dogmas, sem tabus e sem pastores...

Há-de ser realidade no futuro,
Há-de unir gerações, também auguro,
Que será uma Pátria dos valores!

Rouxinol de Bernardim

terça-feira, julho 18, 2006

Deus: Isenção Suprema!


Na vertigem beliscista
Convergem muitos factores:
Voragem expansionista
Culto de sacros valores
Num síndrome terrorista!

Estado-terror também
Se envolve nesta espiral
Culpa?, não é de ninguém!
Dizem que é o "Eixo do Mal"
"Eles"... são "Eixo do Bem"!...

Não tomo partido, não!
Ninguém é puro nem santo,
Ambos dão sua versão
Atacando tanto, tanto,
Mas... "vítimas de agressao"!...

Ódio sacro, sacrossanto,
Lança chamas na fogueira...
Deus?, assiste no seu canto
Sem mexer uma palheira
Deus... é isento, garanto!
Rouxinol de Bernardim

quinta-feira, julho 13, 2006

Filho e pai do Fado!



Do Fado és alma pura e cristalina
Como a água cantando na ribeira;
Teu canto, a amar Lisboa nos ensina
E a ver na liberdade uma bandeira!

O povo sempre exaltas com fervor
Nele te envolves, de alma e coração!
O Fado é frenesim, é pundonor,
É acendrado amor, grata paixão!

Carlos do Carmo és, filho do Fado,
Mas ousarei dizer que és pai também!...
Cumpriste a vida inteira a fazer bem!

Co'o povo andaste sempre, braço dado,
Filho sempre, mas sempre bem amado...
Filho do Fado... pai, como ninguém!

Rouxinol de Bernardim

!

Lisboa


Terreiro do Paço és...
Dizes que "o resto é paisagem"!
Tens o poder a teus pés
És do País a imagem!

Lisboa, bela e perigosa
Mocinha namoradeira
Fica ainda mais airosa
Quando estou à sua beira!

Gaivotas no Tejo, rindo,
Quando passa a Madragoa
Também elas estão sentindo
Como é linda esta Lisboa!

As ondas do Tejo dançam
Ao ritmo do nosso amor...
Também querem ver se alcançam
O clímax com mais sabor!

No castelo solto o olhar...
Beijo a paisagem, à toa
Subo ao céu, fico a pensar:
Como é bom amar Lisboa!!!

Rouxinol de Bernardim

terça-feira, julho 11, 2006

Preconceito!




É racista a cem por cento,
"A Mulher é na cozinha!"
É "fino" que nem jumento
Pensamento de galinha!

Mulher que fume, é megera...
Vomita ódio sem jeito
Feroz que nem uma fera
Toda a gente tem defeito!

Olhe lá, ó Preconceito,
Tenha contenção na voz
Não julgue que é um defeito
O ser diferente de nós!

Ser diferente é um direito
E nunca patologia...
Devemos ter mais respeito
Pois isso é Democracia!!!

Rouxinol de Bernardim

domingo, julho 09, 2006

Inverdade Desportiva



Debochada e já sem cura,
Sempre, sempre a dar ao rabo
Pelas ruas da amargura
Vendendo a alma ao diabo...

Mafiosa e trapaceira
Quer vitória a todo o custo
Tem "juízes" na algibeira
Chama tolo a quem é justo!

Em Itália ou Portugal
Apitos doirados há...
E quem está no pedestal
Suas máculas terá...

Tapar o sol co'a peneira
Faz a justiça e a moral
Querer mudar, há quem queira,
Mas ... quem manda é o vil metal!...

Rouxinol de Bernardim

sexta-feira, julho 07, 2006

Portugal ganhou orgulho eterno!

Cessem do pátrio ego os grandes feitos,
Os vãos incensos, reles, vis comendas,
Calem-se alguns tiranos, mesmo eleitos,
Tendo o poder na mão julgam-se lendas;
Que eu canto um diplomata com defeitos
Enfrentando ordens vis "salazarendas"
De entrega de judeus ao holocausto,
Morte horrenda, destino tão infausto!

Porque eu canto Aristides Sousa Mendes
Português indomável, resistente!
E se algumas reservas 'inda tendes,
Perguntai à judia e escrava gente
Quem foi este Aristides Sousa Mendes ?...
Dir-te-ão que ele foi o sol-nascente!
Quando a treva nazi nos inundou
A onda gigantesca ele travou!

Rouxinol de Bernardim

terça-feira, julho 04, 2006

Bocage: valores versus lentilhas!...


Oh! Elmano Sadino, excelso vate,
Costumes desnudaste com mestria
Moral e hipocrisia, que combate
Travaste com denodo e galhardia!

Teu estro tão libérrimo foi rei!
Hoje, as penas até fazem ter pena...
Curvadas ao poder, temendo a lei,
Na mira da comenda mais obscena!...

Poetas? Cortesãos bajuladores
Aceitando a mordaça da censura
A troco de prebenda ou sinecura!

Um cargo aqui, ali alguns favores,
Preferem as lentilhas... aos valores!
Ai!, Bocage, que infecta esta cultura!!!

Rouxinol de Bernardim

domingo, julho 02, 2006

Mãe! Poema sublime!


Esta vida, este poema,
Que me ensinaste a escrever
Só terá valido a pena
Se te souber merecer!

No teu regaço aprendi
A palavra humildade
Por isso sempre fugi
Da ostentação da vaidade...

No teu olhar há bonança
E brilha a força da fé
Cais onde se esconde a esperança
Ao abrigo da maré!

O sentimentio mais nobre
Que de ti, por ceto, herdei,
Foi tratar o rico e o pobre
Como a ti sempre tratei!

quarta-feira, junho 28, 2006

Economia paralela, essa pecadora!...



Irmã da promiscuidade
E prima da corrupção
É mãe da calamidade
Se no fisco há evasão!

Leva a vida num virote
Diz:"Corrupção compensa!"
Se tem água no capote
Diz:"Não é o que você pensa!"

Amante da boa vida
E de luxos sumptuários
Impostos?, coisa banida
Dos seus hábitos diários!

Paga o justo, e paga bem!
P'rá pecadora gozar...
Culpa?, não é de ninguém...
É o sistema a funcionar!...

Rouxinol de Bernardim

sábado, junho 24, 2006

O Rei-Sol no Universo madeirense...


No micro-universo da Madeira
Há coisas que dão muito que falar,
O poder é um rei-sol de escandaleira
A justiça é satélite exemplar!

Há girassóis servis e obedientes
Olhando o sol-poder com dependência
Há cometas e estrelas bem cadentes
Julgando ser os sóis da omnisciência!

Nesta gravittação universal
Há uma heliocêntrica postura:
À volta de um rei-sol irracional...

Vai girando uma amorfa conjuntura,
Patogénicos corpos sem moral
Luazinhas asnáticas, sem cura!

quinta-feira, junho 22, 2006

A crise é geral!...



Está em crise procriar...
É demais!, nunca vi tal!
Se a coisa continuar
Pode acabar Portugal!

O preservativo impera,
E frena a fecundação
O governo delibera
Bónus à procriação!

São incentivos fiscais
E a vida facilitada...
Agora quem parir mais
Pode ser condecorada!...

E quem nunca procriar
Deve ter muito cuidado...
Se o governo decretar
Pode mesmo ser capado!...

terça-feira, junho 20, 2006

É pecado! (Bento xvi dixit)



"Vinte anos tem o pecado"!...
Cantava aquela canção...
Agora, fico pasmado,
Num lar, ver televisão,
É pecado endiabrado
Infernal, vil tentação!!!

Internet nos inferniza
E nos leva à perdição...
Na cama, quem agoniza,
Se quiser ter distracção
Leia a bíblia!, que só visa
Da alma a libertação!

Ler o jornal também está
Nos pecados capitais!...
E, de facto, alguns há,
Que são tormentos mentais
Com erros ao deus-dará
E gralhas piramidais!!!

Rouxinol de Bernardim

sábado, junho 17, 2006

O olhar de uma criança é...


O olhar de uma criança
É Deus sorrindo p'rá gente!
É o futuro, é a esperança
Num mundo bem diferente!

O olhar de uma criança
São estrelas reluzentes...
São o mar, é a bonança,
São faróis omniscientes!

O olhar de uma criança
É luz e sabedoria...
É Jesus que nos alcança
Dando paz e alegria!

O olhar de uma criança
É sortilégio bendito!
É uma boa aventurança
É o Amor no infinito!...

Rouxinol de Bernardim

Morrer na estrada...


As estradas portuguesas
São cemitérios terríveis
A vida e a morte estão presas
Por fios quase invisíveis!

Por vezes, é a imprudência,
Mal do acelerador...
A morte não tem clemência
Leva o justo e o pecador!

Ao volante há que ter calma
Não confiar só na sorte
Num instante perde a alma
Quem abraça a própria morte!

Morrer assim... faz pensar...
Há quem a morte persiga...
A morte pode matar...
A calma é melhor amiga!...

Rouxinol de Bernardim

sexta-feira, junho 16, 2006

Emigrar...

Partir, no cais da saudade,
Neste mar-emigração É lema da nossa idade
Sina desta geração...
Na aventura de emigrar
Há uma certa ironia:
Partir, é sempre chegar
A chegada... é uma partida!
Emigrar é uma aventura
Que deixa a alma a sangrar
E o mal é que só tem cura
Na hora de regressar!...
A vida é um cais permanente
Com barcos sempre a zarpar
Há tanta lágrima ardente
Nesse mar triste do olhar!
Quem parte, saudades tem,
Da família tão chorada...
Quem fica, não fica bem,
Sem ter novas da chegada.
Pelo mundo retalhada
Vejo a alma lusitana
Cepa boa e afamada
Velha casta soberana!
Lusíadas emigrados
Símbolos de raça e fé!
Gente de quatro costados
Remando contra a maré!
Ei-los que partem, sofrendo
A nostalgia dos seus!
Lágrimas quentes correndo
Na comoção do adeus!
Saudades, quem as não tem,
Da sua terra natal?
É uma dor que sabe bem...
É o amor de Portugal!

Rouxinol de Bernardim