sexta-feira, junho 20, 2008

Milagre! A Senhora falou!!!

A Senhora de Caravaggio mostra o seu azedume perante Scolari...


Mal chegou ao hotel recolheu-se em frente da imagem da Senhora de Caravaggio e desabafou assim:

«Senhora, como foi possível teres-me desamparado nesta hora difícil? Tanto tenho implorado, tanto tenho pedido a Vossa protecção e aconteceu aquilo? Uma equipa medíocre, só meia-bola-e-força, só altura e força bruta, a ganhar aos meus mininos, aos meus artistas, aos meus geniozinhos? Como foi possível o árbitro não ter visto aquele empurrão do Balack antes do terceiro golo, como foi possível o João Moutinho ter metido a coxa quando era de meter a cabeça, à peixe, para um golo sensacional? Como foi possível o Pepe ter metido a nuca e levado a bola a subir por cima da trave quando era tão simples fazer como eu lhe ensinei: uma testada de cima para baixo? Como foi possível o Ricardo ter saído daquela forma amalucada, com os olhos fechados, meio tonto, quando poderia estar quieto entre os postes e defender nas calmas? Onde estavas Vós, Virgem Santa?!»


As lamúrias, quase sempre sem resposta, desta vez fizeram com que a Senhora levantasse a cabeça e dissesse alto e bom som:

«Scolari já te dei muitas alegrias, muitas vitórias imerecidas, já te fiz muitos favores. Arranjei-te aquele contrato milionário com o Chelsea, tiveste contratos publicitários com diversos bancos, mordomias e sinecuras sem conta, ainda queres mais?! Tudo tem o seu limite. Basta de pedinchar, basta de te pendurares nas asas da minha prodigalidade. Olha, agora atendi o pedido do papa, que, coitado, quer aumentar a popularidade da religião católica na Alemanha onde os protestantes imperam. Ele acha que se a Alemanha ganhar o euro, a religião católica poderá ter
um novo élan, uma nova oportunidade, pelo menos foi o que me pediu. Fui eu que tolhi a visão ao Ricardo, fui eu que atrapalhei o Pepe e o João Moutinho quando o mais difícil era não marcar. Já estou farta de te dar empurrões para a fama e para a glória.»

Então, de repente, senti um empurrão e caí abaixo da cama. Era a minha esposa que acabara de ter mais um pesadelo. Esqueceu-se de tomar os soporíferos...

O Papa rende-se ao encanto de Portugal!


Meu caro rouxinol:
Antes de mais, os meus parabéns pela exibição de Portugal: foi pena ver perder uma equipa daquelas, o perfume do futebol na mais pura expressão artística!
A «minha» Alemanha não ganhou. Quem perdeu foi Scolari, que não respeitou as tuas instruções!
Já aquando do jogo com a Grécia aconteceu o mesmo: tu bem o avisaste mas o homem é teimoso. A perder por 3-1 e não colocou dois pontas-de-lança, manteve o mesmo 4-3-3 timorato e enfadonho.
Os avisos que tu fizeste ao guarda-redes (item 1 do teu articulado a Scolari) foram premonitórios: saír em falso duas vezes (no segundo e no terceiro golos) foi mau de mais para um guarda-redes de uma equipa como Portugal.
É incrível como com uma exibição tão pobrezinha a Alemanha conseguiu neutralizar os artistas portugueses! não, não foi a senhora de Caravaggio que falhou, foi Scolari!!!
Até os meus cabelos se puseram em pé!!!
Scolari não arrisca, é a mesma toada quer esteja a perder quer esteja a ganhar, aquele esquema táctico rígido e estereotipado nem com os brilhantismos individuais de alguns artistas da bola (reconheço que os portugueses o são, muito mais que os alemães), colhe resultados significativos.
Mas não fui eu, com a minha influência nas questões religiosas que contribuí para a «nossa» vitória, isso posso garantir! Foi Portugal que perdeu e não a Alemanha que ganhou!
Não, não sou especialista na matéria, mas sinceramente a Alemanha não ganhará à Holanda nem que se pinte de ouro!!!
Contigo ao leme, rouxinol, a coisa fiaria mais fino para «nós» alemães, é claro. Mas assim, com este espírito medricas, Portugal não podia ir mais longe. Mandai vir o «faraó» lá do Egipto, ou isto não ata nem desata!
Resta-me um consolo: houve desportivismno de parte a parte! Parabéns por isso, meu caro!

Iberismo salutar




Esta jangada ibérica zarpando
Rumo ao porto de abrigo europeísta
Nova afectividade vai ganhando
Sob o impulso do vento futurista.



Não mais Aljubarrota ou Tordesilhas,
Não mais vis chauvinismos do passado,
Não mais impérios, nem reles partilhas,
Partilhemos progresso lado a lado.



Iberismo sadio, com respeito,
De laços ancestrais, igual matriz,
Dois rios caudalosos num só leito...



Saibamos prosseguir rumo feliz,
Cada qual ao seu ritmo, ao seu jeito,
Sendo o sucesso a vera directriz.

quinta-feira, junho 19, 2008

José Régio, à janela da saudade.


Entre Deus e o diabo poetaste
Genial criador vila-condense;
Ambivalente mar tu navegaste
E ousaste remar contra a corrente.
Poesia, romance, até ensaio
Tudo tu cultivaste com mestria;
Caíste, fulminante como um raio
Iluminaste a noite-hipocrisia.
Hoje, 'inda fazes falta, bem sabemos,
Faz falta a tua luz, a claridade,
Do teu sol-lucidez, sol da verdade.
No teu olhar sereno nós (re)lemos
Tua mensagem viva, e podemos
Contemplar o mar nobre da saudade...

Nasceu um santo: S. João do Apito Dourado!


S. João, ó santo amado,
Faz um favor à gente:
Vê se o «Apito dourado«
Acaba rapidamente.
Processos e mais processos
Mais ou menos virtuais
Andam todos já possessos
Por diabos-tribunais...
Há corrupção, nós sabemos,
Mas provas, dizem que não!
Mesmo se nós as obtemos
«Indícios» lhes chamarão.
Chamar «Apito final»
Nem ao demo lembrará
É algo paradoxal
Pois jamais terminará!
Enquanto o pau vai e vem
Muitas costas vão folgando,
A justiça anda refém
De quem a vai protelando.
S. João apita lá
Com teu apito sagrado,
Toda a gente acatará
Veredicto de bom grado...

quarta-feira, junho 18, 2008

O prometido é devido...

«Meu caro rouxinol, nem imaginas como as tuas dicas têm sido fundamentais para as nossas vitórias. Vou levar-te para o Chelsea pois o teu espírito de observação é uma mais-valia!»
Caro Scolari:
Com o devido respeito, há coisas que ainda merecem algum reparo.
Atenção, pois ao que segue:
1- Ricardo não pode socar bolas para a frente mas sim para os lados e para bem longe... Nos «cantos» não deve saír em falso, quando saír é para tocar na bola senão mais vale ficar entre os postes...
2- Quando Pepe avançar para ir à frente, alguém deve ficar a fazer a compensação: Petit, talvez...
3- Os cartões vermelhos podem ser uma grande surpresa: Paulo Fetrreira e Petit, sobretudo estes, que se cuidem...
4- A Alemanha convida ao afunilamento, há que refutar o «convite» abrindo pelas alas e indo à linha de fundo centrar atrasado...
5- Há que optar preferencialmente pelos automatismos (passa- e- repassa) no ataque, em detrimento do esforço individual, tantas vezes inglório...
6- Há quem abuse dos remates de meia-distância sem atingirem o alvo e destruindo jogadas de ataque (Petit, sobretudo tem a «alça» muito elevada...) quando o seu uso deve ser comedido.
7-Atenção aos remates de meia-distância de Balack, há que usar uma «cortina» eficaz...
8-A defesa alemã gosta de «adormecer» os adversários; há que a fazer saír da «toca» convidando-a a avançar no terreno e desguarnecendo os flancos, sobretudo...
9- Se estivermos a ganhar (oxalá isso possa acontecer cedo) há que fazer circular a bola para o desgaste psicológico fazendo vir ao de cima o nosso domínio de bola e a nossa matreitrice...
10- Se estivermos a perder (oxalá não aconteça) há que ter a coragem de adoptar dois pontas-de-lança pois um só, naquela floresta de pernas, é um martírio inútil.
11- Muita atenção às «bocas»: os árbitros agora começam também a sentir o «peso institucional»!... Há que ter comedimento pois uma expulsão pode ser a «morte do artista»...
12- Cuidado com o abuso do passe-longo. Deve ser usado só em determinadas circunstâncias e com grau de eficácia garantido ou muito provável, senão, mais vale o passe curto e certeiro, mas eficaz e garantindo a posse de bola...

terça-feira, junho 17, 2008

União Europeia: um elefante branco?!

O recente «Não!» da Irlanda vem chamar a atenção para a falta de agilidade das instituições europeias e para todo um conglomerado de factores que poderão dar azo a bloqueios e travões de toda a ordem.

Na Irlanda (e é crível que neste momento em Portugal se houvesse referendo ele seria negativo) há uma predisposição para encarar o Tratado de Lisboa como algo de maléfico e incompatível com a idiossincrasia indígena. Questões como o aborto, aparentemente irrelevantes, poderão estar na génese do «Não», bem assim como o actual panorama no tocante a subida de preço dos combustíveis e de bens alimentares.

Como descalçar esta «bota»?

De duas uma: ou a Irlanda faz novo referendo e vota «Sim» ou afasta-se da eurolândia.

Até lá há que meditar muito... Será que se vai esperar muito por uma decisão?!

segunda-feira, junho 16, 2008

António Vieira, um remador contra a corrente.



O padre António Vieira não foi apenas um grande escritor, um exímio cultor das letras, um burilador do verbo na mais elevada expressão. Foi também, e acima de tudo, um combatente da cidadania, um cultor dos valores cívicos, um expoente da libertação. Isso acarretou-lhe dissabores dentre os colonos exploradores da mão-de-obra escrava, isso trouxe-lhe perseguições políticas. A Inquisição, mais ao serviço de poderes terrenos do que da causa da fé, saíu-lhe ao encalço e procurou exterminá-lo. Não o conseguiu totalmente, mas tentou amordaçá-lo.

Hoje em dia quando vemos alguma Igreja (nem toda, há que o reconhecer) apostada em prestar culto aos poderes políticos (o caso da Madeira ultrapassa o mero servilismo e atinge o patamar da obscenidade), há que prestar homenagem a este Homem que soube ser firme e erecto num tempo em que custava bem caro, por vezes a própria vida.


ANTÓNIO VIEIRA UM SÍMBOLO DE INDEPENDÊNCIA CÌVICA




Olhando com olhar sério o passado
Mergulhando na era esclavagista
Vieira foi proscrito, censurado,
Mal-amado por ser um futurista.



Quem ousa ver futuro no presente,
Plasmando novos rumos no pensar,
Quem lança com coragem a semente
Futurista, um risco vai arcar.



E Vieira enfrentou a Inquisição
Braço indigno da Igreja prepotente,
Pecou por caminhar no tempo à frente.



Hoje, somos Vieira em embrião,
Enfrentando esta Igreja-Situação
Incapaz de lutar contra a corrente.

A Era Fernando Pessoa começou há 120 anos...



Vem ver agora o meu país que já
não tem Camões nem Índias para achar
só tem Pessoa e o império que não há
sentado à mesa como em alto mar.



A viagem que faz é só por dentro
e escreviver-se a única aventura.
No pensamento é que lhe dá o vento
ele é sozinho uma literatura.


Eis a vida vidinha cega e surda
ditadura do não só do pouco.
Ser homem (diz Pessoa) é ser-se louco.


Heteronimismo de si na hora absurda
viajando no sentir escreve sentado.
E é Pessoa: "futuro do passado".


Nota: Homenagem de Manuel Alegre ao poeta dos heterónimos.

domingo, junho 15, 2008

Inês de Portugal!


Dos olhos corre a água do Mondego
os cabelos parecem os choupais.
Inês! Inês! Rainha sem sossego
dum rei que por amor não pode mais.
Amor imenso que também é cego
amor que torna os homens imortais.
Inês! Inês! distância a que não chego
morta tão cedo por viver demais.
Os teus gestos são verdes, os teus braços
são gaivotas poisadas no regaço
dum mar azul turqueza intemporal.
As andorinhas seguem os teus passos
e tu morrendo com os olhos baços
Inês! Inês! Inês de Portugal.
Nota: homenagem de José Carlos Ary dos Santos a Inês de Castro.

sábado, junho 14, 2008

Eça de Queiroz sempre actual...

«Meus caros, sei que nunca fui um politicamente correcto. Grangeei antipatias, azedumes sem conta; no meu tempo era a "choldra" que mandava, agora chamam-lhe "sistema"!...
Para minorar os seus efeitos (não acredito na erradicação definitiva), a receita é a mesma de sempre: os políticos e as fraldas devem mudar-se com frequência e a motivação é a mesma..."»

Petróleo, novo-deus no horizonte?!


Petróleo, porque sobes sem parar
De forma brutal, irreversível?!
O povo tu deves respeitar
Mantendo um preço baixo e acessível.
És um deus caprichoso e prepotente
És droga imprescindível no momento,
Provocas dependência em toda a gente
Devemos procurar um... tratamento...
Criar alternativas mais saudáveis
Mais baratas, menos poluentes,
Adoptar energias mais fiáveis
É das prioridades mais urgentes.
É preciso erigir um novo mundo
Ecologicamente mais saudável,
Assim, é o descalabro mais profundo,
E o mundo ficará ingovernável!

quinta-feira, junho 12, 2008

Portugal:alicerces do passado, horizontes do f uturo

Portugal país do sol
de gastronomia boa
do castelo de Almourol
das colinas de Lisboa
do Marão e do Gerês
da Madeira e dos Açores
Portugal será talvez
memorial de valores
santuário de heroísmos
um retiro de fadistas
onde imperam fatalismos
sopram ventos saudosistas
mas há crença no futuro
há crianças sorridentes
que são Portugal mais puro
promessas tão refulgentes
de progresso inovador
de sã criatividade
afã regenerador
humana maturidade
capaz de nos elevar
ao sonho da perfeição
ao esperado patamar
digno da nossa ambição
um Portugal progressivo
respirando liberdade
um Portugal construtivo
com asas-modernidade!

Mãe

Esta vida,este poema,
que me ensinaste a escrever
só terá valido a pena
se te souber merecer.


No teu regaço aprendi
a palavra humildade
por isso sempre fugi
da ostentação da vaidade.


No teu olhar há bonança
e brilha a força da fé
cais onde se esconde a esperança
ao abrigo da maré.


O sentimento mais nobre
que de ti, por certo, herdei
foi tratar o rico e o pobre
como a ti sempre tratei.

quarta-feira, junho 11, 2008

Entrevista com Camões...


«Ó rouxinol, eu sou zarolho mas vejo melhor que alguns que se julgam luminárias do saber e da cultura...»
R. de B. - Meu caro Camões, que tem a dizer sobre este dia 10 de Junho?
Camões- Tenho-te a dizer que até me sinto mal com tal pompa. O país a atravessar uma crise, as pessoas em dificuldades, e tanta conversa de treta até me repugna...
RB.- Mas não achais bem?
Camões- Olha, eu fui tão mal tratado em vida, fui ostracizado, humilhado, tratado com se de um marginal anti-social. A igreja achava-me um libertino, não compreendia aquela minha referência aos deuses, o poder achava-me um pobre coitado. De facto eu não acreditava nos deuses, mas quis pô-los na minha obra por uma questão de moda literária, de grandiloquência, de respeito para com as civilizações que me precederam...
R.B- - Então para si Vénus e Marte são pura imaginação?
Camões_ Claro que sim, eu nunca acreditei neles. Dava jeito incluí-los por modismo literário puro e simples, nada mais. Já fui acusado de ser apologista do colonialismo português, logo após o 25 de Abril, e se calhar com alguma dose de razão. Eu nunca fui capaz de analisar em profundidade a vertente humana. Era um pouco maniqueísta: Jesus era o Bem, Mafoma era o Mal. Nunca tive uma visão muito profunda de conceitos como escravatura, exploração do homem pelo homem, enfim, era comum nessa época ser-se assim...
RB- Hoje sente-se modificado?
C- Hoje não escreveria um livro como «Os Lusíadas». Acharia pura perda de tempo. Talvez me aventurasse a fazer um filme erótico sobre «A ilha dos amores»...
RB - Então porquê?
C- Porque aquilo que quis dizer nesse tempo não me deixaram. Tive que cortar vários capítulos, corrigir cenas mais ousadas, retirar aquilo que achava mais digno de passar para a posteridade: a essência feminina no esplendor cultural, a sensualidade como mola propulsora da cultura e da civilização! A censura era feroz, medonha, castradora. Nem sei como consegui fazer passar aquele episódio da «Ilha dos amores», talvez tenha sido influência do Rei... que também era dado às musas...
RB - Hoje acha que teria problemas com a censura?
C- Talvez, anda para aí uma nova seita de detentores da moral e da verdade pura que mais parecem Torquemadas da nova vaga. Saramago sabe do que falo, pois já sentiu na própria pele a repressão censória...
RB- Mas estamos em tempo de liberdade, de respeito pelos Direitos Humanos, de respeito pela diferença...
C- Não me parece muito. Veja o que se passa no Zimbawe, na China (Tibete), em Myanmar, em Darfur. Cá em Portugal ponha os olhos na Madeira, em Gondomar, em Felgueiras... enfim, há pequenas bolsas totalitárias que envergonham o 25 de Abril...
R.B- Sois assim tão devoto do 25 de Abril?
C - Eu sou pela liberdade, pelo respeito pela diferença, sou adepto de uma visão plural em termos ideológicos, em termos culturais e religiosos. Mas sinceramente acho que uma nova inquisição está latente em muitos obstáculos que amiúde vão surgindo à livre expressão do pensamento. O islamismo, então, retrocedeu, aviltou-se, degenerou. Tenho o meu nome nalgumas ruas do norte de África, mas, sinceramente não me revejo no pensar dominante, nos teocracismos belicistas que por aí vão eclodindo...
R.B. Sois contra Marte?
C- Marte, o Marte puro do meu tempo já não existe. Agora há mercenários interessados em vender armamento servindo-se das religiões para atiçarem ódios repugnantes. Mercenários há-os na China e na América, em Moscovo ou em Berlim, há-os para todos os gostos e para todas as sensibilidades... Eu hoje seria um pacifista atento e esclarecido. Não sou pela guerra mas pela paz entre os povos. Hoje escreveria sobre a fraternidade universal com Cristo a idealizou, e não como a Opus Dei ou a Inquisição a transformaram. A Igreja deverá ser um fio condutor capaz de regenerar esta sociedade hipócrita. Mas sinceramente também ela está cheia de compromissos com os poderes que talvez esteja incapaz de cumprir essa missão. Talvez os pedagogos e os intelectuais livres possam substituír esse múnus benfazejo...
R.B.- Uma mensagemn para o mundo, quereis deixar?
Camões- Talvez o mundo não precise de mensagens. É preciso é começar a repensar esta hipocrisia reunida à volta da ONU e optar por outra coisa, mais interventiva, mais eficaz, mais capaz de erradicar os belicismos tolos que vão dando cabo da civilização actual...

segunda-feira, junho 09, 2008

Camões, as musas e os tempos...

«Sou filha de Nereu e de Dóris vivo no fundo do oceano, venho à superfície para incendiar paixões, inspirar os vates, alimentar a chama do sonho e da beleza. O estro poético precisa de mim, sou o combustível, que aliado ao comburente inspiração provoca a ignição e deflagra paixões».
«Nós os poetas vivemos uma relação biunívoca com as ninfas. Há uma interacção dialéctica permanente entre o amante e o objecto amado. Tágides ou nereides (1) com o seu sortilégio e o seu fascínio lá andam à nossa volta como borboletas entontecidas. Sempre foi assim e assim será. Vede esse poeta dos relvados (Cristiano Ronaldo) a criar sonetos perfeitos, odes magníficas, hinos épicos de galvanização nacional... lá estão as nereides com a sua galhardia a fazer atiçar ainda mais a tocha da genialidade.»
Todo o universo é feito de mudança
A vida é permanente convulsão
Novos tempos o tempo já alcança
O presente é passado... em embrião...



Às ninfas quero e voto o meu afecto
Tantas nereides enchem o meu ser,
Meu ego marciano está repleto
De tágides, de Vénus, podem crer!


Mas Portugal me inflama o coração
Me veste de coragem e moral,
A alma carregada de emoção!



Ninfas, nereides, «doping» sem igual,
Frenesim, pundonor, motivação,
Enfim, todo o esplendor de Portugal!!!




1) Tágides, ninfas do Tejo; nereides, ninfas do oceano, filhas de Nereu e de Dóris.

sábado, junho 07, 2008

Ó Senhora de Caravaggio!!!

«Rouxinol, deixa-te de beatices, a Senhora de Caravaggio sabe muito bem que a Alemanha é o coração da Europa! Nós, alemães, seremos vencedores, graças à minha influência, ao meu carisma, ao meu empenho ecuménico»



De Caravaggio, Senhora,
Ó Excelsa Criatura!
O povo crente te implora
Orações belas decora
Reza com fé, com fervura!


Será fervura demais?!
Tenho medo do fracasso
Vós, que por nós bem cuidais,
Senhora, vede os jornais:
Só triunfalismo crasso!!!


Vão flasfemando p'raí
Que «até Deus é português!»
Tal loucura jamais vi,
Deus dirá de Si para Si:
«Imbecil embriaguês!»


É um escape o futebol!
A crise nos mata e esfola!
Governo é conversa mole
Julga que nos tapa o sol
Com a «peneira» da bola!!!


terça-feira, junho 03, 2008

Petróleo a duzentos dólares o barril...

Imagine-se (por hipotese académica) que fruto da espiral especulativa e estimulado por outros factores (de feição política) o petróleo chega aos duzentos dólares o barril.

Vamos continuar a dizer: é o mercado! há que aguentar!

Imagine-se os pescadores condicionados por tantos factores aleatórios (estado do tempo, abundância ou escassez de peixe) a serem ainda mais fustigados pela subida em flecha deste factor de produção. Os salários, os juros, ainda vá que não vá, lá vão oscilando adentro de parâmetros mais ou menos racionais, contudo o petróleo é algo de incontrolável, de imprevisível, de mirabolante.

Há que pensar nesta problemática em termos europeus. A Europa tem que encarar a situação como se de uma catástrofe, de uma calamidade se tratasse. Há factores que de tão imponderáveis, de tão aleatórios, de tão aberrantes, que só uma solução de emergência e de excepcionalidade é admissível.

Dizer-se que «é o mercado a funcionar» é algo de redutor, de pouco profundo, de ridículo.
Há que encarar a sério e de forma excepcional esta situação. Mesmo a descida do imposto sobre os produtos petrolíferos poderá não ser o único expediente; a Europa terá que encarar esta situação de forma extrordinária e pragmática. Exige-o o mais elementar sentimento europeista.

domingo, junho 01, 2008

A ONU e o direito de veto.

Uma das causas de um belicismo descontrolado é o direito de veto exercido por alguns países na ONU. De facto, ao usarem esse direito, alguns países poderosos (e fornecedores de armamento) podem lesar interesses humanitários legítimos e evidentes para salvaguardarem os seus negócios armamentistas.

Vimos ainda agora em Nyanmar a China usar esse direito para impedir a entrada de forças humanitárias aquando da catástrofe recente. No Zimbawe, ao que vão noticiando os jornais, a China está a fornecer armamento que visará (tudo o indica) intimidar a oposição na segunda volta das eleições presidenciais perdidas por Robert Mugabe, dando azo a que, se for necessária uma intervenção humanitária (se a situação degenerar) talvez a China use o seu direito de veto para proteger o aliado.

Com o Iraque, a Rússia usou esse direito, gerando situações pouco transparentes e quase «legitimando» a invasão por parte dos americanos, à revelia do direito internacional.

A continuar assim, o direito de veto torna-se um factor de belicismo e de falta de democraticidade notório. Há que substituír este mecanismo sob pena de continuarem as atrocidades perpetradas pelos vendedores de armamentos.

A SENHORA DA HORA!


«Eu, a Senhora da Hora?! Por amor de Deus, rouxinol, eu espero ser a Senhora da Década, não sou um foguete entontecido como foi o Dr Menezes ou um cometa cor-de-rosa como foi aqui o D. Juan, Santana
Minha Senhora da Hora
Perdei comigo um minuto:
Há que agir já, sem demora,
Pois o tempo é diminuto!
Há cicatrizes demais
Bem difíceis de curar
Democratas-sociais,
Párem de se guerrear!
Uns, são arqui-elitistas,
Ou delfins do baronato,
Outros, são rascas basistas
Sem nível para o... estrelato!
Minha Senhora da Hora
As hostes terá de unir!
Quando a anarquia vigora
Tudo começa a ruír!...
Não pertenço a essa guerra,
Tenho uma visão mais sã:
Há que pôr os pés na terra...
Ou ela... vos cobrirá!...