sexta-feira, março 02, 2007

MANUEL BENTO: mãos de ferro, coração de ouro!



Se o tempo levou o Bento,

Sua ampulheta expirou;

Foi um Homem-monumento

Expoente que findou!

Me curvo perante o exemplo

De brio e de abnegação

Mais que um homem foi um templo:

Templo de Fé, Devoção!

Devotado à causa pura

Do futebol-espectáculo,

Rendo-me à sua figura

Do fair-play um receptáculo...

Mãos de ferro, mas de ouro

O coração que o traíu;

Todos perdemos tesouro

Mas no céu... vaga se abriu!...

JOTEME

Nota: Não foi só o universo benfiquista a lamentar a perda; ele era "a nação", ele representava a mística lusa, o ir sempre mais alto, mais além; ele não morreu, pois nós, os que amamos o futebol, o iremos da "lei da morte" libertando!

Povo de saco cheio... Tubarões, de papo cheio...


O Zé Povinho alvejado de impostos... os algozes, de papo cheio!





Sacos azuis não tem a nossa gente,
No fim do mês, se sobram, são tostões;
O fisco tudo passa a fino pente,
Já perdemos, de Abril, as ilusões...


De saco cheio... está o nosso povo,
De papo cheio... estão os tubarões;
Cofres bem recheados, como um ovo,
E nós?!... Mais espremidos que limões.


Reformas, mordomias milionárias,
Deputados, gestores: marajás...
Sinecuras injustas, sumptuárias.


Tu, Zé Povinho, gordo é que não estás...
Gritam que o Estado é gordo, as alimárias,
Só comem coisas boas... tu, as más.

Rouxinol de Bernardim


Nota: Os que engordam à custa do Estado, dizem que ele é gordo! Daí, cravarem o Povo de impostos, como suporte da opulência.
Eles andam por aí, em bons carros, sorridentes, se calhar de cravo ao peito! Com bons tachos,
belas férias na estranja, à custa dos dinheiros de todos nós!

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

A VOZ DO REALISMO...

Navegando "em mar de contentamentos"...







Os bons vi sempre passar

No mundo graves tormentos;

E, pera mais espantar,

Os maus vi sempre nadar

Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assi

O bem tão mal ordenado,

Fui mau, mas fui castigado.

Assi que, só pera mi,

Anda o Mundo concertado.

Luiz Vaz de Camões

Nota: Se Camões conhecesse o deputado madeirense João Carlos Gouveia (e todos os membros da oposição ao monolítico regime local...),então, talvez lhes dedicasse esta trova de sabor tão actual.

A SUBTIL ARTE DA OCULTAÇÃO...

















A nudez forte da verdade...





Vós, que usais o poder com bom proveito,
Vós, que enricais de forma galopante,
À mentira prestais sempre bom preito,
A verdade, por fim, sai triunfante...



Vós cultivais a flor-cumplicidade,
Tendes olhos, ouvidos e narizes,
Vigiando o jardim-opacidade,
Cães de caça à procura de perdizes!...


Mas, de tanto ocultar, ou camuflar,
As suspeitas começam a surgir
E muitos cortinados ... a rasgar!


A verdade começa a reluzir,
Há biombos legais a respeitar,
Mas o prédio-mentira vai ruír...


Rouxinol de Bernardim

Versejar: o efémero e o intemporal.


Bocage: talvez o maior cultor do soneto...



Alguns versos sucumbem ao deus-tempo,
Outros, vão refulgindo, gloriosos,
Polidos pela lima do talento,
Ganham a eternidade, são famosos.


É ver a Natureza, contemplar
Árvores seculares, de tão belas,
Ninguém ousa pedir p'ra derrubar,
Mas, antes desfrutar o prazer delas! (1)


Versejar é também o preservar
O que é intemporal, o que é eterno,
É arte de palavras burilar.


É respeitar o antigo e o moderno,
É as palavras saber não ultrajar,
Tratando-as com carinho e afago terno.

Rouxinol de Bernardim

(1) Nem todos respeitam a natureza como ela merece; há gente com sensibilidade para enricar, para sugar recursos que são de toda a comunidade, em proveito próprio, redundando em prejuízo de toda a comunidade. São os sanguessugas. São eles que fazem deste lamaçal quotidiano, o "inverno do nosso descontentamento"...

O mundo é feito de mudança!... Dizia Camões!...

Há mudanças em quase tudo... mas, o Zé Povinho, ainda hoje é espezinhado por tiranetes que o vão calcando e... à sua custa vivendo...
já é tempo de mudar!...
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente, vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
NOTA: Luís de Camões, o imortal Épico, fala da mudança como coisa normal no mundo, na natureza, nos sentimentos, enfim na rotina do quotidiano.
Se perguntassem a Alberto João Jardim o que pensa do poema acima, talvez ironizasse: "Camões?! Esse pobre zarolho, esse "cubano" ressabiado não conhece este oásis de progresso e de opulência que é a Madeira desde que me instalei na Quinta da Vigia! Aqui, "valores mais altos se alevantam", portanto "mudança" é palavra que não entra no dicionário desta Ilha... Camões, ao escrever isto, vê-se mesmo que é contra a "Autonomia" e... talvez seja mais um dos "colaboracionistas" do Cont'nente! Deve estar à espera de alguma "tença" do Terreiro do Paço... enfim, esse Camões talvez seja um "velho do Restelo" sem coragem, sem audácia... Se viesse aqui à Madeira... talvez lhe incendiassem o carro...
Atenção: isto é pura imaginação do autor. AJJ não diria uma coisa destas; tem até o espírito de humor necessário para sorrir (talvez em tom amarelado...) desta charge...

domingo, fevereiro 25, 2007

HINO À REVOLUÇÃO!

É urgente acabar com as "mamas"!!!



O CORRUTO... E EU...



Senhor político, eu sei,
que é assim em todo o lado,
por isso contribuirei
pra não ser ostracizado
o que pedir... eu darei!...


É assim em todo o lado
toda a vida subornei
só assim sou respeitado...
o partido eu ajudei
financiei o pecado...


É assim em todo o lado
e não há nada a fazer
é um "SISTEMA" danado
lógica do "tem que ser"!
ou... se é marginalizado!


Nas finanças, tribunais,
nas arbitragens... também!
câmaras municipais
é preciso ir além
dos "processos" triviais...


É assim em todo o lado
e quem assim não pensar
por louco pode ser dado
quem não quiser alinhar
tem logo o "caldo entornado"!...


Quem quiser subir na vida
no "esquema" tem que alinhar
a moral está corrompida
a ética anda a voar
a decência... está falida!...


É assim em todo o lado
é pagar e não bufar!...
o "SISTEMA" está montado
ninguém o vai desmontar
ou... é desacreditado!...


Jagunços vão contratar
coças são encomendadas
juízes vão controlar...
têm vidas devassadas
por fim... é chantagear!...


É assim em todo o lado
ai de quem não alinhar!
o "SISTEMA" bem oleado
com cifrões até fartar...
há que pagar... e calar!


As almas estão à venda
preços, podem variar:
umas, recebem comenda,
outras... talvez Jaguar!
p'ra todas há uma prenda!




MAS... EU PENSO ASSIM:
"SISTEMA" desnaturado
"jardim", só ervas daninhas!
Portugal acorrentado
a corrupções bem mesquinhas
é país sempre adiado
entregue aos furões e doninhas
é país abastardado
só intrigas e guerrinhas
um povo narcotizado
com Fátima... e "Fatinhas"...
um país colonizado
por reisetes e rainhas
é país alienado.
Por isso, estou revoltado!
triste, mas não derrotado...
quero ver o povo amado
deste chão... alevantado!!!
Rouxinol de Bernardim



NOTA: Isto pretende ser um grito de alerta contra o marasmo, a resignação, o fatalismo, "fados" tão enraizados na alma lusa, mas que há que ultrapassar sem demora. Cada um de nós, de per si, faça um esforço e não se renda ao "SISTEMA". O "monstro" vai ser derrotado. Basta cada um de nós ter pensamento positivo, não se deixar amordaçar. Quero homenagear o que há de são e puro neste Povo que Rafael Bordalo Pinheiro retratou com tanta mestria. Quero homenagear os juízes honestos e íntegros que não "alinham" no "SISTEMA". E... QUE A REVOLUÇÃO COMECE HOJE! QUE NINGUÉM SE DEIXE AMORDAÇAR PELO "MONSTRO"!!!

sábado, fevereiro 24, 2007

AURORA CUNHA: um hino ao atletismo!





Em Ronfe foi despontando
Qual aurora promissora...
Correndo, quase voando,
Esta atleta ganhadora.


Com fibra, com pundonor,
Com o "triunfo" casou,
E este tão grande amor
À fama a catapultou!


Portugal se revê nela
Com a raça e o estoicismo
Portugal correu com ela...
Sentiu seu portuguesismo.


Sua leveza se impunha
E a classe tão natural
Dir-se-ia que Aurora Cunha
Foi "aurora boreal"!...


Teu brilhante palmarés
Com vitórias de eleição
Diz-nos, Aurora, que és
Digna da nossa afeição!

JOTEME

ZECA AFONSO, 20 anos de saudade!...





A saudade também dói

É, da alma uma ferida,

Como um ácido, corrói,

Deixa marca bem sentida...

A morte, reles vampiro,

Desses, que tu detestavas,

Privou-te, com teu "retiro",

Da vida que tanto amavas.

Mas, a viver continuas,

No Povo, lá na garganta...

Quando se povoam ruas

E Grândola a gente canta!

Há que cantar Liberdade!

Coisa que faz sempre falta...

Há que animar a cidade

E fazer vibrar a malta!...

Vampiros, cada vez mais,

O Povo sugando vão,

Controlam os tribunais

Tidos por santos... já são!

Vampiros "dourados" passam

Por "santinhos" de respeito

No desporto só trapaçam

Atropelam tudo a eito...

Tem vasos comunicantes

Na Madeira, o vampirismo...

Passa de alguns governantes

P'ró venal clericalismo...

O vento da Liberdade

Já não sopra como outrora

No reino da opacidade

A censura sopra agora...

ZECA AFONSO, penso assim:

Portugal vampirizado

Por sanguessugas sem fim

É País sempre adiado...

Falar verdade não é

Virtude, mas sim defeito!...

Mentir, dá glórias até,

Preciso... é ter bom jeito!

Cada vez mais actual

ZECA, é a tua menagem,

Cada vez mais crucial

É mostrar tua coragem!

Matusalém

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

ALVES BARBOSA: 700.000 Km a pedalar...

Alves Barbosa, já veterano...


Na bicicleta montado
Em perfeita sintonia
Com o dorso bem curvado
Era assim que ele corria...

Inteligência e talento
Controlando a emoção
Estrela do firmamento
A brilhar no pelotão.

Elegância a pedalar
Com porte senhorial
Metas, sabia cortar,
Chamavam-lhe :"o canibal"!

"Devorava" a concorrência
Com raro virtuosismo
Fibra mais inteligência
Em perfeito sincronismo!

No contra-relógio, um rei,
A sprintar, um velocista,
Tão ecléctico, eu direi,
O mais completo ciclista.

No seu tempo dominava
O pelotão nacional
Águia que nos encantava
O maior ás do pedal!!!

Rouxinol de Bernardim

Nota: era um gentleman na verdadeira acepção do termo; venceu várias voltas a Portugal na década de cinquenta. Esteve na Volta a França e brilhou em Espanha.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Campanha eleitoral: amante com duas grandes tetas!...




Na campanha eleitoral
Tem duas tetas na mão:
Uma, é mama clerical
A outra, é a informação!

Cada qual mais bem nutrida
Com "silicone-cifrão"...
Cada qual mais atrevida
Alimentam multidão!

Os padrecos "comissários"
Sem um pingo de isenção
Do poder serventuários
Agradecem a "atenção"!...

Rendidos ao poder 'stão
Alguns, com grande cinismo,
Não sei se é só gratidão
Ou também oportunismo?

A teta do jornalismo
Do Estado chupa milhões...
Autêntico vampirismo
Esta praga de mamões!!!

A teta do Cont'nente
A Lei ousou controlar...
Era teta incontinente
Não parava de aleitar!

O "bezerro" não gostou
Do garrote-austeridade...
Vão-me capar, lá pensou,
E... toca de protestar!

A mama não larga, não!
Diz que vai continuar
As tetas são obsessão
Há-de morrer a mamar!

Que ilacção há que tirar
Desta mania-obsessão?!
O povo vai "receitar":
A "cura de oposição"!!!


JOTEME

NOTA: Dizem que o Estado está "gordo"! Vai daí toca de o sugar para engordar as tetas que hão-de suportar as mordomias de clientelismos... e outros ismos de igual teor! Já chega de "abastardar" a democracia! O povo tem que erguer a sua voz, tal como o Zé Povinho do imortal Rafael Bordalo Pinheiro e lançar ao chão aqueles que o calcam impunemente! É um fartar vilanagem!

domingo, fevereiro 18, 2007

O "Imprescindível" ameaça... mas falta-lhe coragem!





Farto do poder, farto do "sistema"!
Regurgito discursos, com prazer,
Já não sou solução... mas o problema,
Lapa agarrada à rocha do poder!


De síndrome insular estou a sofrer,
Sinto-me afogar neste mar de palmas!...
Sei bem que não p'ra mim... mas... ao poder...
Poder que tudo compra!, até as almas!


Prazo de validade terminou
Faço omoletas sim!, mas só com ovos!
Magia?! não farei... mago não sou!


Já é tempo de dar lugar aos novos
O Brasil é mais quente, p'ra lá vou!
Conhecer novos mundos, outros povos!...

Matusalém

sábado, fevereiro 17, 2007

MANUEL JOSÉ, o "faraó" português!




No país dos faraós
Manuel José venceu!
Foi "leão" bem feroz...
E o Egipto "enlouqueceu"...



Da pirâmide foi cume
Foi um sol abrasador
Foi a chama que deu lume
Facho galvanizador!


De Portugal é o rosto
Ao rio Nilo sorrindo...
Sorria sempre com gosto
Sempre subindo, subindo...


Estrela do futebol
Treinador de grande astral
Na alma usa o cachecol
Deste pátrio Portugal!


Te saudamos Manel
És espelho da Nação,
Sofremos, mas temos fé,
Que hás-de vir p'rá selecção!...


África já se rendeu
Ao teu futebol estético
Até Alá... compreendeu
Esse teu dom profético!


A Nau Lusitana espera
O teu regresso, eu sonho...
Há sempre uma primavera
Depois de inverno tristonho!...

Rouxinol de Bernardim


sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Mário Moniz Pereira: um ás gerador de ases!



Esta excelsa criatura

No pódio merece estar,

Do desporto é uma figura

De currículo exemplar!

Príncipe dos treinadores

Muito grande, entre os primeiros,

"Deu à luz" grandes valores

De talentos... é "parteiro"!...

O seu fado é a vitória

Só faz marchas triunfais!

Parente rico da glória

Seus hinos... são imortais!

Um "mago" do atletismo

Em Portugal fez escola...

E com raro virtuosismo

Tira ases da cartola!

O país tira o chapéu

A quem desposou a fama

Essa noiva sem ter véu

Que só veros heróis ama!!!

Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

PEDRO HISPANO: Português de dimensão universal.




Pedro Hispano foi papa-cientista,
Português ilustríssimo de então,
Nos legou a mensagem humanista
Símbolo de cultura e erudição.


Seu acendrado amor à medicina
Não impediu o amor à teologia;
Dois credos, mas também a mesma sina:
O mistério de Deus, sua magia!


Hoje em dia, penumbra da memória,
Coroamos a vil gente irrisória
Olvidando figuras de valor!...


Há tanta gente boa, meritória,
Que foi um facho ardendo em paz e amor
Devia ser motivo de louvor!

Rouxinol de Bernardim

MEALHADA! Santuário do leitão!




Mealhada é um santuário
Que nos faz peregrinar;
Leitão, prato sumptuário,
A terra... é quase um sacrário,
Todos lá vão... comungar!


Seu vinho, néctar divino,
Nos arrebata e seduz;
O leitão, porco-menino,
Da gastronomia um hino,
É um regalo, é de truz!


O D. Raimundo ofertou
Aos monges de Vilariça,
A terra desabrochou
E depressa se tornou
Alvo de toda a cobiça!


Paragem obrigatória
Nesta terra abençoada!
Terra de boa memória,
Que também tem sua glória
Na "pomada" da Bairrada!


O seu carnaval reflecte
Da gente o carácter forte!
Faz aquilo que promete
Gente de arrojo, topete,
Gente que conquista a sorte!



O São Cristóvão também,
Que me perdoe o abuso...
P'ra comer leitão cá vem!
O Menino ... aos ombros tem,
Mas... só bebe água do Luso!...

Rouxinol de Bernardim

terça-feira, fevereiro 13, 2007

CAVACO SILVA: "Desleal", "colaboracionista", ou, simplesmente ISENTO?!























Com solércia bem irada
O régulo subsecivo
Com empáfia e charutada
Num fartote discursivo
Deixa a turba extasiada...

Inquilino de Belém
Comeu "bolo eleitoral"...
Julgava-o seu refém...
Chama-lhe então "desleal"
Não lhe oculta o seu desdém!

O régulo subsecivo
Julga-se o Omnipotente!
Com ímpeto possessivo
Julga comprar toda a gente
Ter todo o mundo cativo!...

"Ofertório eleitoral"
Julgava ser passaporte
Predisposição mental,
Quiçá, um trevo da sorte,
Gazua potencial!...

Verdadeiro Presidente
Não é corporativista!
Não pode ser intendente
De algum clã regionalista
Ou de algum "capo" insolente!

Ser "colaboracionista"
Pejorativo labéu...
É luva perfeccionista
Que assenta ao preclaro ilhéu
Qual momice de revista!


Matusalém

sábado, fevereiro 10, 2007

Marinha Grande: coração de vidro, alma de cristal!



Marinha Grande, vidreira,
Terra-solidariedade...
O povo unido é trincheira
Trincheira de liberdade.

O vidro tem o condão
De ser um bom mensageiro
Da terra é já coração
Que bate no mundo inteiro!

Marinha Grande é cartaz
Lá fora, de Portugal,
Encher o ego nos faz
Esta terra que é vitral!

Paredes de vidro tem
O coração desta gente
Até a alma... também
É límpida e transparente!

Marinha Grande enobrece
O orgulho nacional
E justamente merece
O louvor de Portugal!

Rouxinol de Bernardim

Avatares no poder...

Dinheiro vivo comanda
Sussurra ordens, dá leis,
Os plutocratas são reis...
Democracia tresanda
Já fede a promiscuidade
No Reino da Opacidade!


Volumetria depende
Da carteira do freguês!
Podem ser dois... ou ser três...
Ou cinco ou seis, não surpreende...
Regras? Criam-se depois!
É o carro à frente dos bois!...

"Credíveis" até mais não!
Ai de quem tergiversar...
Querem p'ra si um altar!
São donos da procissão
Julgam-se a própria "Verdade"!
Dão-se ares de "santidade"!!!

Aspiram ao monopólio...
Querem todos alinhados
Aos seus desígnios curvados,
São "deuses" no Capitólio...
Quem diz "deuses" diz Jardim
Ou um avatar assim!...

Joteme



Este jardim à beira-mar plantado está cheio de "jardins"... alguns suspensos... nalguma babilónia pertio de si! Esteja atento!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Ao economista-Presidente, diga lá então à gente!...

Lamber botas ao poder
'stá na moda, dá milhões!...
Jornais, já não são p'ra ler
Às vezes servem p'ra erguer
Do poder os seus pendões!

Jornalistas-comissários
Ao serviço de um reizete
São meros serventuários
Às ordens de salafrários
Do poder são uns joguetes!

Na Madeira há um jornal
Que é dos mais subsidiados
Quatro milhões!!!, não está mal...
Encerrá-lo, era normal,
E... milhões eram poupados!...

Com essas pipas de massa
Era urgente uma outra opção...
Tanto desemprego grassa
Tanta gente fome passa
E ninguém faz contrição!...

O poder se perpetua
Com o dinheiro do povo...
Governo se auto-cultua,
Lança dinheiro à rua
É... Colombo, com seu ovo!...

Em Belém há Presidente
Que não gosta de mentir!
Diga lá então à gente,
Se acha que isto é decente
Se é um exemoplo a seguir?!!!...

Se a moda alastra ao País
A ruína é geral:
É subsidiomeretriz
Carcinoma de raiz
Que... abastarda Portugal!!!

Rouxinol de Bernardim

Quando ao povo se pedem enormes sacrifícios, quando se critica o Estado por malbaratar recursos que seriam úteis noutras aplicações ( que é do conceito "custo de oportunidade"?), este e outros casos bradam aos céus!
Quem pode ficar indiferente ao esbanjamento de recursos? Quem põe um travão firme nesta inexorável queda rumo ao abismo? É isto "pluralismo"?!!!

domingo, fevereiro 04, 2007

O CRIME DO PADRE AMARO: o seu regresso...


Eça crucificou a falsidade
Da Igreja, que ao amor entoa um hino
Mas... coarcta-o, fá-lo clandestino...
Amputando aos padres a liberdade!


Surgem pedofilias, sub-produto
Aberrante, hediondo, miserável,
Degradação mais vil e abominável
De rude animal... em estado bruto!...


Mas, porquê proibir o amor carnal
Aos padres, filhos do amor bem maturo?
Quando irá caír este ignóbil muro?!


Padre Amaro!, regressa a Portugal!
Abre as portas à Igreja do futuro!
Até Deus dirá: «Isto é amor-puro!!!»

Joteme

Eça de Queiroz, quis certamente ironizar e, quiçá, fazer um livro-tese. Ele era contra a castidade forçada dos padres, e, com o seu romance, lançou aos quatro ventos, com classe, sublime ironia, uma hiperbólica sátira aos costumes; e não perde actualidade...
A sexualidade, essa dádiva divina, está cativa de preconceitos tolos, de estultos anacronismos que levam a Igreja ao descrédito. Rememorar Eça de Queiroz, neste momento, é lançar uma lufada de ar puro (quem diria, Eça?!) no ambiente enfadonho que grassa nesta Igreja católica onde a pedofilia e a homossexualidade vão ganhando terreno perante a sátira de uma sociedade que já não se revê neste status quo....

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Fado Alentejano





Alentejo, ai solidão,
Solidão, ao Alentejo,
Pátria que à força escolhi!
Quando cheguei, quis-te mal!
Alentejo-ai-solidão...
Julguei eu que te quis mal.
Chegava do temporal...
Tão cego que te nem vi!

Alentejo, ai solidão,
Solidão, ai Alentejo,
Adro da melancolia!
Tua tristeza me pesa,
Alentejo-ai-solidão...
Quanto, às vezes, me não pesa!
E ausente dessa tristeza
Pesa-me toda a alegria...

Alentejo, ai solidão,
Solidão, ao Alentejo,
Meu Norte-Sul-Este-Oeste!
Voltei ferido da guerra,
Alentejo, ai solidão...
Faminto voltei da guerra!
Mendiguei de terra em terra,
Esmola, só tu ma deste...

Alentejo, ai solidão,
Solidão, ai Alentejo,
Oceano de ondas de oiro!
Tinha um tesoiro perdido,
Alentejo-ai-solidão...
Que eu já dera por perdido!
Nos teus ermos escondido
Vim achar o meu tesoiro...

Alentejo, ai solidão,
Solidão, ai Alentejo,
Convento do céu aberto!
Nos teus claustros me fiz monge,
Alentejo-ai-solidão...
Em ti por ti me fiz monge.
Perdeu-se-me a terra ao longe,
Chegou-se-me o céu mais perto...

Alentejo, ai solidão,
Solidão, ai Alentejo,
Padre-nosso de infelizes!
Vim coberto de cadeias,
Alentejo-ai-solidão...
Coberto de vis cadeias!
Mas estas com que me enleias...
Deram-me asas e raízes!

José Régio

TORRES VEDRAS: carisma da terra, alma da gente...

Dona Brites, a Rainha
Seu retiro aqui fazia;
Era festa se aqui vinha
Muita gente ela trazia...
Terra da periferia
Tem águas medicinais
Os vinhos... são iguaria:
Beber!... e chorar por mais!
O ciclismo é uma paixão
Que a terra vai cultivar
Pedalar é dar vazão
Ao orgulho popular!
Aqui Joaquim Agostinho
Lendário ás dos pedais
Diz que também Zé Povinho
Pode ficar nos anais...
Torres Vedras nos fascina
Com seu carisma sem par
No Carnaval nos ensina:
Viver é também folgar...
Uma centelha de esperança
Liberta a alma do povo
Torres progride e avança
Rosto firme e sempre novo!
Rouxinol de Bernardim

terça-feira, janeiro 30, 2007











Oh!, linda terra vareira
Folgazã no carnaval
Mas sempre trabalhadeira
Sempre alegre e hospitaleira
Oh!, terra sensacional!


Aqui passei bons momentos
Espalhei sãs amizades
Oh!, sardinhas com pimentos!
Cozinha de mil talentos
Enguias-preciosidades!


Ovar se espraia na ria
Dá as mãos ao Furadouro
Ovar é festa, alegria,
A telúrica magia
Esta terra é... um tesouro!


Vila Cabanones era
Com Vila Ovar, embrião...
Retrato de uma outra era;
Agora o povo só espera
Ter Ovar... no coração!


Nas asas do vento voa
Nas do progresso também
Hino ao futuro ela entoa
O vareiro é gente boa
É feliz... como ninguém!...



Rouxinol de Bernardim

A SENSACIONAL "RAÇA" VAREIRA...

domingo, janeiro 28, 2007

Jerónimos e Batalha: Maravilhas de Portugal!




















A s pedras também são poesia
M aravilhas de Portugal
A s pedras falam de alegrias
R eclamam p'ra si honrarias
A ssumem estatuto real!
V ibramos de esperança ou de fé
I mpantes de orgulho, nós vemos
L evantar moral à ralé
H oje em dia, direi até,
A s jóias mais belas que temos!
D ignas heranças da Nação
E mblemas eternos da história
P erene, lítica paixão
O des intemporais, que são
R elíquias de reversa glória
T estemunhos de gratidão!
U m sinal à posteridade
G erado em nobre coração
A spirando à perpetuação
L igando o povo à eternidade!

Rouxinol de Bernardim

sábado, janeiro 27, 2007

BARCELOS: o barro é um embaixador...










Barcelos o barro tem
Como seu embaixador
A rubra crista é também
A viril marca de quem
Se sente galo cantor!
Rosa Ramalho, princesa
Barrista com mãos de fada
Tinha do barro a pureza
Por isso tenho a certeza
Será p'ra sempre lembrada!
As "Cruzes" são ponto alto
Barcelos fica imponente
Ruas tomadas de assalto
Eu, quase nunca falto,
Me afogo no mar de gente...
O Cávado serpenteia
Ora lento, ora veloz
Sorri ... ao passar na aldeia
E... tenho cá uma ideia
Que tem uma amante: a foz!
Rouxinol de Bernardim

Pegar o touro pelos cornos!...







Pátria minha, gentil, que te afundaste
Nesse vil labirinto corruptor;
Num ponto sem retorno já entraste
Ou do chão vais erguer-te com vigor?


Há que regenerar, repudiando
Práticas obsoletas, prepotentes;
Os jovens motivar, incrementando
Métodos mais sadios, transparentes!


Este poder local é sorvedouro
É alfobre de vis clientelismos
Montra vaidosa de vãos nepotismos!


Vai-se delapidando o nosso ouro,
Há que pegar p'los cornos este touro,
Touro corrupto, touro-populismo!

Rouxinol de Bernardim

sexta-feira, janeiro 26, 2007

ANA GOMES: o rosto da legalidade!



Ana Gomes: o rosto da lei Bush: o rosto da barbárie


Bushismo decretou morte ao Direito
Internacional; rude golpe deu
E disse ao mundo inteiro: "a Lei sou eu"!
Terror contra terror, só há um jeito!

O império da Lei tem que voltar
Ao concerto dos povos, das nações;
A barbárie jamais dará lições
O terror... só terror pode gerar!

Pena de Talião já marcou era
Fez do homem a besta, a cruel fera...
Contra o terror ergamos nossas vozes!

Ainda hoje a lei da selva impera
E colhe adeptos vis e bem ferozes
São tristes humanóides... são algozes!

Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Quem são os "terroristas"?!








Ai padre Max, mártir da Igreja
lias o evangelho pela esquerda
sentias o povo
a sua alma
o seu fadário...

Eras o homem novo
libertário
solidário
a Igreja do povo!...

Eles? Os abutres fariseus,
invejavam o seres jovem,
o seres simples,
o seres humano!...

Eras um alvo a abater
eles, os terroristas da sotaina e do cabeção
viram que já eras "estátua"
tinhas o povo no coração!

E eles, os terroristas,
os suportrs do fascismo,
os vendilhões do templo,
os abortos do nazismo,
precisavam do teu sangue
do teu martírio...do teu heroismo...

Agora, aí estão de novo,
eles, os abortos,
chamando terroristas
a quem lê os evangelhos
pelo lado esquerdo da vida,
a quem pensa que a liberdade
é plural
é multifacetada
é um arco-íris
é policromada...

Tu, o nosso Óscar Romero
cordeiro imolado
ao ódio fero...

Tu, padre Max, Maximino,
mártir ainda menino
podes chamar terroristas
aos teus algozes...

Tu, sim, és estátua perene
no coração do povo
na alma da gente!...

Vítima de um ódio infrene
do terror mais inclemente
dos pulhas
que se arvoram em paladinos da pudícia
mas que são... casos de polícia!

Rouxinol de Bernardim

domingo, janeiro 21, 2007

No seio da Liberdade um gato abusador entrou...

O bichano atrevidote arranhando a liberdade... de expressão, claro!






No seio da Liberdade
Foi entrando um reles gato
Tresandando a falsidade
Seu nome é: "Anonimato"!
Foi entrando de mansinho
Subtil... e até brincalhão
Mas, cuidado co'o gatinho
Pode fazer arranhão...
No seio da liberdade
Julga-se impune... o bicho,
Mas... findou a impunidade
E vai ser lançado ao lixo...
Felino bem atrevido
Faz o "mal e a caramunha"!
Na ordem vai ser metido
Fica sem garra nem unha...
A Liberdade tem leis
Há regras para cumprir
Na cadeia sabereis
Quanto custa assim agir!...
Ó gatinho mentiroso
Que arranhas a Liberdade
Teu aspecto é tão jocoso
Que provoca hilariedade!...
Matusalém

Sermão da "Pretinha" ao desumano Homo sapiens!


eu sou a "Pretinha"


Falo p'ra ti, ó humano!
Abandonas animais
À sua bem triste sorte
És um monstro, não me engano,
Com esse abandono vais
Condená-los a vil morte...
O "pecado" de existir
Vê lá quem o cometeu
Pensa bem e depois fala!
Tu, és fruto de um parir,
A vida foi Deus que a deu
Só Ele deve tirá-la!
Sou a "Pretinha", conheces?
Preferi a castração
A condenar inocentes...
Era bom que tu soubesses,
A vil electrocussão
Por humanos tão dementes...

Castração ou o aborto,
É remédio mais humano
Que a condenação à morte!
Não gosto de ver um morto
À alma me faz um dano
Que a ninguém desejo a sorte!

Homo sapiens, eu te peço,
Sê mais racional, mais são,
Respeita o fiel amigo!
Tens ética, não me esqueço,
Numa outra encarnação
Podes ser cão, eu to digo...
Planeamento é preciso,
Até entre os animais
Morte não!, outros processos...
Castração é de bom siso,
Se há população demais
Há que evitar os excessos
...

Matusalém

Fonte inspiradora: artigo de Rui Reininho, hoje (2007.01.20) no JN

sexta-feira, janeiro 19, 2007

EÇA, regressa, a tribo da política precisa do teu olhar...



Excelso criador, burilador
Exímio da palavra, do sentir,
Campeão da ironia, do sorrir,
Da chacota 'inda és pai, rei e senhor!

Na tua Póvoa reina a petulância,
Peneiras... sem ter rede... cultural,
'stão bem rotas as velas da moral
Metem água as barcaças da arrogância!...

Neste mar tão sombrio e traiçoeiro
Já se afundou a lancha-transparência
Céu plúmbeo... era denso o nevoeiro...

Teu acerado olhar-clarividência
Faz cá falta, ilustríssimo poveiro,
Soba sofre... verbal incontinência!...

Rouxinol de Bernardim


Quando a pesporrência assenta arraiais e a embófia sobe ao trono há que zurzir o chicote da sátira, há que lancetar com o bisturi da crítica o tumor do ridículo!!!

FERNANDA, vais formosa e vais segura...


Rainha da maratona
Vais formosa e tão segura
Esse ar de vestal tão pura
Tens a classe sempre à tona...
Fernanda, lá em Novelas
O teu pódio é o coração
De toda a população...
És bandeira das donzelas!
Tens o ceptro de rainha
O teu reino é o atletismo
Teu sorriso é simbolismo
Da Pátria que te acarinha!...
Vais formosa e vais segura
Linda Fernanda Ribeiro
Atleta de corpo inteiro
És Portugal... jóia pura!
Grande Portuguesa, então,
À Pátria sempre fiel,
Musa de Penafiel
Do Desporto és um brazão!
Rendidos ao teu encanto
Ontem, hoje e amanhã
Teu rosto sempre será
Nobre e rubro-verde manto!
Rouxinol de Bernardim
Os rouxinóis não votam, mas se votassem entre Salazar e Fernanda Ribeiro eles não hesitariam...

domingo, janeiro 14, 2007

A CULPA É DO SISTEMA!...

O "sistema" alimentando os "amarrados"...





Tem que ser!, é assim em todo o lado,
Andar, chapéu na mão, a pedinchar...
É assim este nosso triste fado
Até que alguém comece a ripostar!

Uma prendinha aqui, o trivial...
As comissões, também são aceitáveis,
Por vezes, é favor sexual,
Ou luvas... há quem pague aos "intocáveis"!

Toda a gente conhece este "Sistema"
Toda a gente se agacha, tão servil,
Leva coça, quem for falar do tema!...

Quem quiser ser carneiro num redil
Que o seja então; eu sigo este meu lema:
Há que morder!, não, lamber rabos mil!...

Rouxinol de Bernardim


O Fado português, este fatalismo atávico, está na génese da corrupção e do nepotismo; há que ter a coragem de cortar as amarras, não vergar aos sobas que nos querem seus vassalos. Quem colaborar é mais um "rato" que na sargeta do medo vai permitindo a sobrevivência da corja...

A porca da política lá vai levando a água ao seu moinho...

sábado, janeiro 13, 2007

SER JUIZ: Isenção, coragem pundonor!


















Ser juiz é ter alma desprendida
Não olhar ao poder, nem condição,
P'la verdade ter ânsia desmedida
Não ceder, nem caír em tentação!

Amante da verdade tem que ser!
Pôr de lado os afectos e paixões
Ter sempre um só querer!, um só parecer!
Preconceitos não ter, nem emoções!

Um juiz nunca pode ter temor!
À chantagem mesquinha deve opôr
A couraça bem forte do desprezo!

Ser juiz é também ter pundonor
Saber analisar o justo peso
Das versões quer do rico, quer do teso!

Rouxinol de Bernardim



GONDOMAR: áurea terra e áurea gente!












Áurea terra e áurea gente,
Auríferas tradições
Um passado refulgente
Desagua num presente
Incrustado de ambições...

Escola de Gondomar
Quanta nobreza ela encerra!
A perícia lapidar
Destes artistas sem par
É um ex-libris da terra!

Em S. Cosme ou em Valbom
Fânzeres ou Rio Tinto
Ser ourives é paixão
Muito mais que profissão:
Um sacerdócio, eu sinto!

Martim Fernandes viveu
No Paço de Gondomar
Gente ilustre aqui cresceu
Esta terra engrandeceu
E ajudou a honrar!

S. Pedro da Cova é mina,
Escola de cidadãos;
Esta gente nos ensina
Que uma flor aqui germina
Perpassa de mãos em mãos!

Essa flor-democracia
Anseia por liberdade!
Não gosta da tirania
E à daninha hipocrisia
Vai... ceifá-la, sem piedade!...

Rouxinol de Bernardim

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Ele também subiu ao podium...












Alves dos Reis foi "musa inspiradora"
Foi mestre na mentira e na trapaça!
Ainda hoje é, digo-o sem chalaça,
Tem sósias... na proeza corruptora!

Ele anda aí à solta, eu bem o vejo,
Neste "apito dourado" tem lá gente
Com perfil similar... e só desejo
Que a Verdade se apure... finalmente!

Nalgumas autarquias também há
Alves dos Reis, eu sei, em profusão,
Levam vida de rei ou marajá...

Compram tudo!... até almas em leilão!
Alves dos Reis para sempre ficará
Como paradigmático burlão!

Rouxinol de Bernardim

quinta-feira, janeiro 11, 2007

AMOR


Amor é fogo intenso em combustão
são altas labaredas que não vejo
mas sinto; é tortura do desejo
recalcado, febril, feito paixão...

é doença que mata e não tem cura,
é um queimar sem fim, eternamente,
é fogo que devora a nossa mente
é mal que sabe bem, nunca satura...

é um penar sem fim, de fazer pena,
é um sofrer de mais, quase inumano,
é ânsia que consome e não serena...

é dor que mortifica e causa dano,
é ferida d'alma, quase uma gangrena,
que nos corrói, sem dó, ano após ano!

Rouxinol de Bernardim

terça-feira, janeiro 09, 2007

PORTALEGRE: o encanto do interior...

















Portalegre é um rincão
De qualidade exemplar
E esta gente faz questão
De mais bela 'inda a tornar...

Aqui, Régio foi plasmando
Seu criticismo prudente
Seus Cristos coleccionando
Amando esta terra e a gente.

Bela interioridade
Com o ar puro bem casada
O verão esquenta a cidade
No inverno é bem gelada...

Portalegre tem a graça
De um património sem par
Toda a gente que lá passa
Tem ânsias de regressar.

Se a paisagem nos cativa
Esta gente hospitaleira,
A visitá-la incentiva
E nos conquista... à primeira!

Rouxinol de Bernardim

sábado, janeiro 06, 2007

O PAVÃO DA FÉ, ESSA COISA RUIM!





És só presunção e água benta
Usas a fé como um trampolim...
Um "isco" eleitoral, mas enfim,
A fé pratica-se, não se ostenta!

Ai Pinochet, tu tens seguidores
Gente que persegue, até tortura,
À sombra da fé vai à loucura...
Comete crimes, semeia horrores.

Só Te Deums, magnas procissões,
Sinais exteriores de fé
Branqueando aos olhos da ralé
Safadezas e vis corrupções...

O mundo é só fundamentalismo
Autênticos facínoras são
Mas, sob a capa-religião
Passam por santos!, só fanatismo!

Em Bagdad, Tikrit, ou até Meca
A gente vê esta hipocrisia
Fé destas, prefiro a apostasia!
Pergunto a Deus, quem é que mais peca?!

Quem vai a Fátima branquear
Imagens corrompidas, venais,
Levando atrás TV's e jornais
Já não consegue o povo enganar!

Respeito aqueles que lá vão, sim!
Humildes, anónimos, rezar...
Sem ostentação, só meditar...
Não pavão da fé, coisa ruim!...

A fé pratica-se, não se ostenta!
Deus não quer vaidades ou empáfias
Transformar religiões em máfias
É o mal do mundo, sua tormenta!

Pavão da fé!, o povo cresceu!
Já não vai no engodo, não, não!
Já não vale a pena ser pavão
Fé de mais!!!... foi chão... que uvas já deu!

O mundo anda em tolos belicismos
Afogado; há que pôr travão!
Há que subir ao trono a razão
Apeando os fundamentalismos!!!

Rouxinol de Bernardim


Estamos ao nível da Idade Média neste dealbar do séc XXI e todos somos culpados. A religião, seja ela qual for, não pode asfixiar todas as formas de cultura e de cidadania; é uma questão do foro íntimo e não uma questão de Estado; os totalitarismos religiosos são a lepra deste início de século. Por isso cada vez mais a laicidade está a fazer falta como suporte civilizacional.