rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

domingo, agosto 30, 2009

a formiga e o elefante...




No púlpito do JN, o padre Rui Osório, dando vazão a uma obsessão notória e doentia, vem zurzindo no nosso Saramago de forma persistente e continuada. Tudo lhe servc de pretexto. Ambos têm posições de princípio dignas e respeitáveis. Ambos olham a religião pelo seu próprio olhar. Um, cultua-a, de forma reverente e apologética, como apóstolo-advogado de uma causa que lhe está na razão de existir e de viver. Poucas vezes o ouvi pôr o dedo nas feridas, que existem e existiram no já longo trajecto da Igreja. Pouco amigo da autocrítica, da introspecção séria e lúcida, prefere optar pelo marketing apologético, mais típico de um vendedor
do que de um homem de letras aberto ao mundo e a uma realidade chamada pluralismo...
Saramago zurze também, à sua maneira, naquilo que a Igreja tem de criticável: o apego a valores
e a praxis pouco consentâneas com aquilo que ele considera mais adequado aos novos ventos civilizacionais...
Tivemos uma Igreja medieval com uma Inquisição terrível, impregnada de ódios e de intolerâncias sem conta que, por vezes, ainda emerge, censória e castradora, procurando impôr códigos ultra-moralistas onde o cheiro a ranço fundamentalista é evidente, por mais adocicadas que sejam as palavras usadas...
Rui Osório é por vezes um sub-produto desse ranço ideológico. Problemas como a fé e a ciência, o ecumenismo e o sectarismo, são susceptíveis de profunda meditação. Ao longo da História da civilização a Igreja Católica impô-se pela força das armas, muitas vezes violando direitos humanos fundamentais, catalogando a ciência de demoníaca, estigmatizando os livre-pensadores de forma ultrajante e hedionda. quando não levando-os à fogueira pseudopurificadora...
Como católico praticante, mas com muitas dúvidas (talvez mais do que as de Madre Teresa de Calcutá), respeito os agnósticos da mesma forma que os crentes. São posturas dignas, se coerentes e fruto de um exercício pensante lógico e coerente.
Assim, apelo ao padre Rui Osório, um pouco de introspecção, um pouco de moderação nessa campanha persecutória pífia, eivada de intolerância e de preconceito, mais parecendo uma formiguinha tonta, dando ferroadas na orelha do elefante, julgando já o ter derrubado, quando, de facto, o elefante nem sente as alfinetadas ...

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3 Comments:

Blogger Rafeiro Perfumado said...

Qualquer pessoa que defenda cegamente o seu ponto de vista está condenado a estar errado.

Abraço!

4:53 AM  
Blogger Osvaldo said...

Caro Rouxinol;

Não conheço o Pe Rui Osório mas conheço, ou antes conheci o José Saramago.

Não sei se o que leva o Pe a esses ataques ao escritor são de ordem religiosa ou política, mas... o que conheci de Saramago, leva-me a crer que o padre não se enganará muito.

Áh, em matéria de religiões, sou um leigo na matéria.

Um abraço caro amigo.
Osvaldo

11:16 PM  
Blogger pombamarela said...

Caro Rouxinol,

Antes de mais, obrigada pelo seu comentário no meu blog.
Quanto a Saramago só posso dizer que ele é brilhante na forma como retrata a igreja e tudo o que diz respeito à religião em geral, também é soberbo nos outros temas que aborda, mas não é disso que aqui fala. Quanto à igraja católica acho que ela provavelmente estará necessitada de um qualquer processo de desinfestação que lhes abra os olhinhos para o século XXI.

9:07 PM  

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