rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

sábado, março 31, 2007

Simplesmente... Marília!



Marília, a eterna Marília...



Importuna Razão, não me persigas,
Cesse a ríspida voz que em vão murmura,
Se a lei de Amor, se a força da ternura,
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas.



Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.



É teu fim, teu projecto, encher de pejo,
Esta alma frágil, vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros braços vejo.



Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela.

Bocage

sexta-feira, março 30, 2007

PÓVOA DO MAR, ÉS TÃO BELA!




Cego do Maio, o lendário herói do mar poveiro, olhando com preocupação para os efeitos do..
aquecimento global!
PASSA POR MIM NA PRAÇA DO ALMADA!
À Póvoa tiro o chapéu!
Passa por mim no casino,
Bebemos um copo, um fino,
E vemos as bailarinas,
Aquilo é só coisas finas
Lindas mamocas ao léu!

Passa por mim no mercado
LOnde o trabaçhp é rei
Gente muito séria, eu sei,
Almas puras, cristalinas,
Onde as peixeiras ladinas
Apregoam o pescado!
Passa por mim no Varzim!
A multidão é vibrante
O jogo é emocionante
O golo... é sal, é pimenta,
O coração mal aguenta
Tanta luta e frenesim!
Passa por mim na Junqueira
O coração palpitante
Da Póvoa bem elegante,
Onde apetece comprar
Se estiver a abarrotar
De euros a nossa carteira...
E... na praça do Almada
Passa por mim e sorri...
Eça também o faz, vi,
Pois ele acha tanta graça
Ao "sinédrio" da trapaça
Onde há conversa afiada!...
Passa por mim na tourada
Onde um touro bem chifrudo
Contra todos, contra tudo,
Acusa de cobardia
E pouca democracia
Luta desequilibrada!
No Passeio Alegre passa
Por mim, também criatura...
Aquilo é só formosura!
Algum, arrastando a asa...
Encalhada... a ver se casa,
Ou se algum romance enlaça!
E... na avenida Mouzinho
Tão arborizada... outrora...
Só ladrões... vemos agora
Assaltos à mão armada,
É coisa vulgarizada
Mais parece um "inferninho"!...
Póvoa do Mar!... és tão bela!
Passa por mim lá no cais,
Ouve do mar os seus ais
Por isso fico infeliz
Quando ele chora e me diz
Que lhe lanças salmonelas!...
Rouxinol de Bernardim

quinta-feira, março 29, 2007

A Pompa, a Vaidade, a Jactância... versus... modéstia, simplicidade, humildade...

António Aleixo: a modéstia, a simplicidade...
Alberto J. Jardim: A Opulência, a Jactância, a Vaidade...
A moda não me escraviza
O poder não me seduz;
O tirano se ajuíza
Pela repressão que induz.
Libérrimas criaturas
Só seremos de verdade
Lá nas alvas sepulturas
Onde cessam as vaidades...
A pompa, o poder, a glória,
Em pó se vão transformar;
No vão de escada da história
Muito "barão" vai ficar.
Quanto pavão aí anda
Com poses de prostituta
Bebe do fino, mas manda
Ao povo beber cicuta!...
Nos interstícios da rocha
Brota o lírio popular
Essa incandescente tocha
Na noite-breu, sem luar...
A nossa história parece
Um cemitério infindável
Há gente que não se esquece
Merece ser memorável!
Outros, bem pelo contrário,
No olvido cairão;
O povo tem um sacrário
No sítio do coração.
Muita pompa e circunstância
Às vezes, só vacuidade;
De água benta e petulância
Anda cheia esta cidade!
Nesta minh'alma com asas
Vogando contra as marés
A modéstia, campas rasas,
Voa mais alto que as fés!
Penso cá co'os meus botões:
A modéstia é um tesouro
Que faz falta a alguns "barões"
Que luzem... mas não são ouro!...
rouxinol de Bernardim

quarta-feira, março 28, 2007

O PAPÃO













Atrás da porta, erecto e rígido, presente,

Ele espera-me! E por isso eu me atrapalho

E vou pisar, exactamente,

A sombra d'Ele no soalho!




__ "Senhor Papão!

(Gaguejo eu)

«Deixe-me ir dar a minha lição!

Sou professor no liceu...»




Mas o seu hálito

Marcou-me, frio como o frio duma espada.

E eu saio pálido,

Com a garganta fechada.




Perguntam-me, lá fora: __ «Estás doente?»

__«Não! (grito-lhes)... porquê?! » E falo e rio, divertindo-me.

Ora o pior é que há palavras em que eu páro, de repente,

E que me doem, doem, doem, prolongando-se e ferindo-me...




Então, no ar,

Levitando-se, enorme, e subvertendo tudo,

Ele faz frio e lua como um luar...

E eu ouço-lhe o riso mudo!




__«Senhor Papão!

(Gaguejo eu) por quem é,

Deixe-me estar aqui, nesta reunião,

Sentadinho, a tomar o meu café!...»


José Régio

domingo, março 25, 2007

O FADO, O DESTINO, A VIDA...


Mariza esse expoente do Fado, que, tal como todos os nossos fadistas, nos faz sonhar!...
A guitarra, essa eterna "viúva" de Carlos Paredes, atinge o clímax...
És a voz cristalina
pura vela ardente
chama refulgente
alma diamantina
que acende o luar
a noite ilumina
e até nos ensina
a ter outro olhar
sobre a gente e o mundo
sobre o fado e a vida
página não lida
de um livro profundo
chamado destino
que fala de todos
surpresas a rodos
um poço sem fundo
um mar de emoções
com sabor a sal
um sonho real
rio de afeições
onde mergulhamos
p'rá alma lavar
sensações pescar
e quando voltamos
o fado-destino
entoa o seu hino
e nós constatamos
que a vida é um ai
um sonho que voa
um "ai que mal soa"
depressa se esvai...
JOTEME

sábado, março 24, 2007

AMAI A NATUREZA!

















Ao princípio era a pureza, a transparência totais...


Depois, surgiu a poluição, as salmonelas... e o preconceito, o "pecado"...

Deus, não tem preconceitos: Ele é o Caminho, a Verdade ("nua e crua") e a Vida!



Morena, morena

Dos olhos castanhos

Quem te deu, morena

Encantos tamanhos?



Encantos tamanhos

Não vi nunca assim

Morena, morena

Tem pena de mim



Morena, morena

Dos olhos rasgados

Teus olhos, morena

São os meus pecados



São os meus pecados

Um olhar assim

Morena, morena

Tem pena de mim



Morena, morena

Dos olhos galantes

Teus olhos, morena

São dois diamantes



São dois diamantes

Olhando-me assim

Morena, morena

Tem pena de mim



Morena, morena

Dos olhos morenos

O olhar desses olhos

Concede-me ao menos



Concede-me ao menos

Não sejas assim

Morena, morena

Tem pena de mim


Júlio Dinis


NOTA: Joaquim Guilherme Gomes Coelho, o nome do médico que deu alma ao pseudónimo Júlio Dinis. Retratou a vida rural com mestria. Os seus romances foram autênticos prosopoemas: A Morgadinha dos Canaviais, Os Fidalgos da Casa Mourisca. Embora um poeta menor, na simplicidade tinha o seu encanto e a sua singeleza.

sexta-feira, março 23, 2007

LAUNDOS, TERRA PEQUENA...


O monte de S. Félix e a Estalagem
Laundos terra pequena
Mas de grande humanidade
O Brasil... ao longe acena
Mar de sal... e de saudade...
Emigrar, valeu a pena,
Diz a gente, com vaidade...
Fortuna grande ou pequena
Sempre traz prosperidade...
Uma família emigrante
No bronze imortalizada
Prova de fé militante
Na terra e na gente amada!
Em Laundos a saudade
Se alpendra no coração
Gente de fraternidade
Um povo de estimação!
O povo é quem mais ordena!
Tem alma, tem amizade,
Laundos, terra pequena
Mas de enorme dignidade!
rouxinol de Bernardim

quinta-feira, março 22, 2007

Elogio da poesia, segundo Bush...


É claro que isto é ficção. Bush seria incapaz de fazer um poema...
Mas há muitos "Bush" por aí, com a sua perfídia, o seu maquiavelismo!
E tu, ó rouxinol de Bernardim
Que vais parindo versos pacifistas,
Que ganhas tu com isso? Quanto a mim
Nada! A poesia é coisa ruim,
Vai espalhando "venenos" moralistas!
O lucro faz girar o mundo inteiro,
Do êxito é a chave, é a semente,
Poesia dá lucro, dá dinheiro?
Nada! O seu carácter verdadeiro
Faz pensar, desmotiva o combatente!
A poesia é coisa sem valor,
Os bancos não a aceitam p'ra depósito!
De sucesso e poder não é factor,
Por isso, dela nunca fui cultor,
Lê-la nunca será o meu propósito.
Poetas eu odeio, podem crer,
Não seguem o meu lema de vitória:
"Vale tudo, mas tudo, p'ra vencer!"
Rimalhetes poetas hão-de ter
O lugar mais obscuro da História!
Poesia é doença bem letal,
Às vezes, epidemia sem cura,
Pode ser pandemia mundial,
Sem ter regras, nem leis, irracional,
É doença global, contra-cultura!...
Rouxinol de Bernardim

segunda-feira, março 19, 2007

Os "Pais" da Nação: o Rei... e o Roque!




Ao leme da Nau Lusitana o piloto Sócrates assessorado pelo Anjo da Guarda que o adverte dos perigos, o avisa dos escolhos, o alerta para os adamastores...
Enfim, a Nau segue o rumo certo, mas o mar é tão proceloso que o porto seguro poderá ainda estar longe. Até lá, confiemos, e que o benefício da dúvida, seja um passaporte para a felicidade colectiva e não um beneplácito para o naufrágio...
DELES DIREI, SÃO OS "PAIS" DA GREI....
A gregos e a troianos
Não é fácil de agradar
Algures, já ouvi isto...
Era assim, não haja enganos,
Se estivesse a governar
Ele mesmo: Jesus Cristo!
«O défice adamastor
É preciso combater,
É urgente erradicar!»
Grita o anjo Protector
Supra-sumo do saber
Guardião do céu e mar!
Ao leme da Lusa-nau
Cenho carregado, sente,
Quão difícil é mandar!
Tem mesmo cara de pau,
A companha é previdente
Mas é proceloso... o mar!
Com "rei e com roque" está
O barco-governação,
Canta, em coro, quem governa...
«Sem rei nem roque»!, dirá,
Noutro barco, a oposição,
Cantilena sempiterna!
Rouxinol de Bernardim

sexta-feira, março 16, 2007

O SOL INDICA O RUMO CERTO A PORTUGAL!






Energia eólica, solar, hídrica ... e até as ondas do mar são energias renováveis limpas e de valor incalculável...
Não as aproveitar é perder o comboio do progresso!
ENERGIAS RENOVÁVEIS, O FUTURO!
Energias renováveis,
Solução alternativa,
São recursos infindáveis
São a fonte produtiva
Mais sã, menos poluidora;
Sol e vento, que riqueza!
Solução libertadora,
Dádiva da natureza
Mesmo à mão de semear...
Está na hora da mudança!
Urge diversificar,
Petróleo é já negra herança
De custos incalculáveis...
Barragens há que criar...
As cheias mais controláveis,
Males irão minorar...
E até o mar nos trará
Energia em abundância,
Outro galo cantará,
Direi, sem exorbitância,
Que esta energia será
A cura do nosso mal!
Até o sol sorrirá...
Bendizendo Portugal!...
Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, março 14, 2007

O CIFRÃO E... A LIBERDADE!

O senhor avaliando a escrava...

Esta cena, da antiguidade, ainda se repete, hoje em dia...


Liberdade, liberdade,
Quantos morreram por ti?!
Alguns, com impunidade,
Querem-na só para si!


Há, mesmo em democracia,
Quem se tenha por seu dono...
O Povo dorme... eu diria:
Anda cheiinho de sono!...


Nesta feira da cidade
Compra-se tudo, com calma:
A alguns, a dignidade,
A outros, a própria alma!


Alguns olham o cifrão
Com devoção, sentimentos...
"Padrinho", na comunhão
E até... em casamentos!...


O cifrão está na moda...
Usa carro de "respeito",
Só frequenta a alta roda,
É livre, mas ao seu jeito...


O cifrão e a liberdade
Têm prismas bem desiguais:
Ela, quer mais igualdade
Ele, entende que... é demais!

Rouxinol de Bernardim

terça-feira, março 13, 2007

MINDELO: o cântico dos cânticos!...



Em Mindelo a fotografia é
uma tentação!... ninguém lhe resiste!


Os chilreios são aviso
Alarme premonitório:
Preservem o paraíso
Não criem um purgatório...
A reserva ornitológica
Presisa de protecção;
Dar as mãos, é a mais lógica
Arma anti-destruição!
Natureza tem razões
Que a construção bem conhece,
A ambição... não tem travões
E o acidente acontece!...
Mindelo nos arrebata
Com paisagem sedutora,
Tem força, tem alma a mata...
Com passarada canora...
Temos que, na consciência,
De todo o bom cidadão,
Meter a mão da prudência
E... tirar a conclusão!
Há que usar pedagogia
Impor o império da lei...
Palavra democracia
Seja a vontade da Grei!
É milenar tradição
Virem cá nidificar
As aves de arribação
Será "crime"!... isto "abortar"!
Destruír a Natureza
Património divinal
É pecado, com certeza,
E... pecado bem mortal!...
Rouxinol de Bernardim
Nota: homenagem aos ambientalistas de Mindelo e ao Prof Santos Júnior, criador da R.O.M.

O sortilégio desse mundo que é o Douro!







O Douro é turismo, é sol, é vindima... é sável, é lampreia...
O Douro tem mais encanto na hora de vindimar!...
O Douro é rio, é cultura,
Sortilégio intemporal...
O cheiro a uva madura,
É passeio fluvial!...
O Douro é vinho do Porto,
É terra quente, paixão!
É pomar, é vinha, é horto,
É... frémito de emoção;
É o sável e a lampreia,
É Fado e os seus desafios...
É, de sonhos, a mão cheia...
É a Régua, é Entre-os-Rios!
É Porto!, é Gaia também!
É gente laboriosa,
Que ama como ninguém...
Tem orgulho e é vaidosa!
O Douro tem mais encanto
Quando a vindima chegar
O rio... entoa o seu canto
E se ouve ... lá no lagar!
Rouxinol de Bernardim

segunda-feira, março 12, 2007

Penedo da Saudade... Também vou por aí!


Penedo da saudade...
Quantas amizades, quantos sonhos, quanta amargura também...
"Amigos de Peniche" quem os não tem?!
Labirinto da saudade
Lancinante... o fado ecoa...
Rosto de tranquilidade
Rosto feliz... de Lisboa...
Amizade salutar
À sombra do mar, da lua,
Uma guitarra a vibrar
A liberdade flutua!...
No Penedo da saudade
Quantas promessas e juras...
O cheirinho da amizade
De coisas sãs e tão puras!
Labirinto da saudade
Às vezes... vou por aí!...
A retroactividade
Fala por mim... e por ti!
Liberdade, liberdade...
Viaja sem passaporte
No comboio da saudade
O sonho apita bem forte!
Nos braços da nostalgia
O vigor é bem patente
Agarra com alegria...
O passado... e o presente!
Rouxinol de Bernardim

domingo, março 11, 2007

DISCURSO DO SOL!!!

algures... no mar da ousadia...





Os quadros são da autoria de
"avomilu"
O discurso do sol...
O sol abriu os seus braços
Mostrou o melhor sorriso
E disse:
Da rotina solta os laços
Ganha tino, ganha siso,
Toma o barco da ousadia
E zarpa rumo ao futuro...
Onde há noite, vai ser dia,
Olhar forte, rosto duro,
Sorriso vestindo esperança
À bolina navegando,
Tens o leme da mudança
Na alma... o sonho brilhante,
O mar, é todo bonança,
Vai, e não olhes p'ra trás...
És a coragem que avança
Porto seguro verás,
E... saciado o desejo,
Ancora no meu olhar
Bem doce... te dou um beijo
E... em ti... vou mergulhar!...
Rouxinol de Bernardim

PEDRO E INÊS! Um para o outro Deus os fez!...


As pétalas da rosa chorando por ela...



Inês de Castro
(peça teatral)
Inês de Castro no mármore imortalizada
Esta grande portuguesa
Que viu a morte opressora
Paira acima da torpeza
Exala grande pureza
E foi musa inspiradora
De poetas afamados;
Sua paixão nos deixou
Os corações destroçados,
Carrascos desnaturados
A ignomínia os marcou!
Inês de Castro!, donzela,
Ao amor martirizada,
O povo chorou por ela,
Amante, princesa bela,
E... rainha entronizada!...
Cada algoz, o coração
Viu brutalmente arrancado;
À raiva o rei deu vazão
E, com sua própria mão
O ódio foi saciado!
O mundo guarda a memória
Da paixão com triste sorte...
Página negra da História,
Mas... o amor cantou vitória
Perdurando além da morte!
Rouxinol de Bernardim

sábado, março 10, 2007

O Salazarismo sai da toca...


Salazar e Franco duas faces da mesma moeda: a ditadura.
O salazarismo à solta
Traz a sebenta na mão
Incita o povo à revolta
Ruge Santa Comba Dão!
Alguns, nunca conheceram
Velhacarias de antanho...
Há pouco tempo nasceram
Vão ... engrossando o rebanho...
Estão no barco-liberdade
E querem mandá-lo ao fundo;
Ingratidão, falsidade,
No rosto vil, iracundo...
Democracia contém
Anticorpos e defesas
Há que expurgar com desdém
As iníquas impurezas...
Santa Comba, santuário,
Do fascismo sem pudor,
Coutado do torcionário
E clerical-ditador!
A censura e repressão
Filhas do salazarismo
Regressaram à nação
Adoram protagonismo.
Há que estar vigilante
E ao fascismo dizer "Não!"
Zé!, não sejas figurante
No redil ... dos "figurões!"...
Rouxinol de Bernardim
NOTA: O "MANHOLAS" tinha artes de se fazer de vítima. Gritava contra o "lobo" e todos acudiam. Faz-me lembrar um tique do Sr Alberto João, também sempre a gritar: "cuidado, vem aí um lobo do continente e quer-me roubar a autonomia!" Os parolos da Madeira (ainda há lá alguns... que se deixam caír no estratagema... do lobo mau!), continuam a alimentar o vírus da censura, da repressão e do nepotismo mais desenfreado. À boa maneira do "MANHOLAS"!
Enfim, Salazar deixou um "clone"!...

quinta-feira, março 08, 2007

MULHER, no horizonte igualdade!




Mulher: quadro de Paula Rego, uma mulher que aos problemas da mulher tem dado o corpo e a alma!
Mulher: a árvore da vida! a mãe-natureza! respeitar a natureza é também respeitar a mulher!
DIA MUNDIAL DA MULHER : 8 de Março
Mulher-mãe, mulher-poema,
Mãe-natureza, mãe-fé,
Mulher!, oh glória suprema
Palavra divina é!
Mulher que pensa e sorri
Mulher que sente paixões
Mulher... que anda por aí
Dando amor... dando lições!
Mulher tão discriminada
Só preconceito e tabu!
Ao ostracismo votada,
Oh mulher forte... que és tu!
Mulher-mãe de grande prole
Mulher-balada-ternura...
Mulher-lírio, mulher-sol,
Mulher-gaivota, tão pura!
No horizonte igualdade!
Tantas metas a alcançar...
Feminina liberdade,
O mundo vai transformar!
Rouxinol de Bernardim
NOTA: Mulher! Palavra que pode mudar o mundo. Tal como revolução, ela contém o gérmen da revolta, da mudança, da viragem. Mulher! a fonte, a alavanca capaz de gerar novas mentalidades, novas formas de sentir e de pensar! A minha homenagem, o meu aplauso, a minha vénia!

quarta-feira, março 07, 2007

Zé Povo: até quando vais permitir o "TRIUNFO DOS PORCOS"?

Vampiros: a fauna indesejável que sangra o povo. Até quando?







Muitos que nós conhecemos
Chamam porco ao Zé Povo;
De porcaria, sabemos,
Estão cheios que nem ovo!



As mãos limpas julgam ter
Vampiros-camaleões
O verniz é p'ra esconder
Que têm unhas de ladrões!



O Zé na lama labora
Pode ter lama na mão;
Pior, digo eu agora,
É ... lama... no coração!!!



De sangue estão bem cobertas
As mãos de alguns sanguinários!
Essas mãos assim abertas
Fecham-se... e roubam salários!



Circulam na alta roda
Notas sujas, com fartura,
Limpar o povo é já moda
E moda de alta costura!



Se o Povo abrir as janelas
Da alma, de par em par...
Melhor verá as gamelas
E porcos a chafurdar!...

Rouxinol de Bernardim

terça-feira, março 06, 2007

AGUARELAS DE LISBOA...





Lisboa: O sortilégio dos seus monumentos e das suas paixões!...







Queria ser como a gaivota

Que de manhã sobrevoa

Toda feliz e sem rota

As colinas de Lisboa.

Queria ser como um ardina

Cuja voz bem cedo entoa
A imprensa matutina
Pelas ruas de Lisboa.


Queria ser como a varina
Que sua venda apregoa
Sempre lesta e libertina

Pelos bairros de Lisboa.

Eu queria ser marinheiro

P'ra, bem firme, junto à proa
A bordo dum cacilheiro
Ver as docas de Lisboa.


Queria ser o Cristo Rei

Que lá no alto abençoa

Como patrono da grei
O céu da nossa Lisboa!

Queria ser como a guitarra
Para à noite acompanhar
O fado com toda a garra

Por quem o sabe cantar.



Euclides Cavaco



A voz da lusofonia









CARMEN MIRANDA: Dupla embaixatriz...

Carmen Miranda: a lusofonia... ainda em embrião!...
Do Marco de Canaveses para o mundo!







Daqui partiu, roída de saudade,
Aquela que foi diva mundial;
O Brasil dela fez celebridade,
A adoptou, com carinho paternal...



Carmen Miranda, ícone, talento,
Que foi lusofonia, da mais bela;
Do Marco foi emblema e monumento
Imorredoiro, bem ao jeito dela...




Do mundo cidadã, universal,
Filha da pátria-música... também;
Mulher tão feminina!, tão plural!




Sua voz fez de ponte... e fez tão bem,
Conectando o Brasil a Portugal!
Foi dupla embaixatriz... como ninguém!

Rouxinol de Bernardim

FERNANDO PESSOA: Português de dimensão universal.












Fernando Pessoa, um génio intemporal...








Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.


Deus quis que a terra fosse toda una,


Que o mar unisse já não separasse.


Sagrou-te e foi devorando a espuma.


E a orla branca foi de ilha em continente.


Clareou, cresceu até ao fim do mundo,


E viu-se a terra inteira de repente,


Surgiu, redonda, do azul profundo.


Fernando Pessoa






Nota. O Poeta da Mensagem foi talvez o mais completo e complexo do Homem Universal.Com os seus heterónimos (forma de dar forma ao seu ecletismo...) criou um universo próprio,uma idiossincrasia literária fascinante. O seu esoterismo e o ocultismo que cultivou, deram azo a especulações filosóficas e elocubrações metafísicas. Enfim um homem fora do seu tempo...

domingo, março 04, 2007

LISBOA, monte de Vénus...




Com a crise à porta, esta donzela (Lisboa?) pensa em como há-de comprar roupas! ai, custo de vida a quanto obrigas...
Noutros tempos dizia-se que o país estava "de tanga"... agora...
Lisboa, linda donzela,
Teus seios são as colinas,
Teu olhar são as boninas,
Perfume: cravo e canela!...
Namoras um marinheiro
Que anda doidinho por ti...
Amor assim, nunca vi,
Tão sereno e verdadeiro.
Amas o Tejo também,
Esse amante tão bonito!
Que te adora, eu acredito,
Pois a teus pés... se mantém!
Sei que adoras as gaivotas
Tens-lhes amor maternal...
Parecem tuas filhotas
Fruto de amor temporal...
Lisboa, linda donzela,
Filha do mar e da lua
Gosto de ver-te assim nua
Moira encantada... à janela!...
Eu te beijo com ternura,
Quando regresso, saudoso,
O teu beijo é tão gostoso,
É mar calmo... só doçura...
Castelo, de Vénus monte,
Sentinela intemporal,
Teu reduto sensual
De Parnaso também fonte!
JOTEME

CATARINA FURTADO: o busto da RTP!

Um busto que vale milhões. Estará seguro?
Com a ladroagem que para aí campeia...
O busto da RTP
É Catarina Furtado,
Dizem-nos, bem sei porquê:
Peito em mármore talhado!
Neste olimpo lusitano
É nossa Vénus, eu penso!
De moreno bem cigano,
De um fascínio... tão intenso!
Será que o busto é talento?
Não é!, mas ajuda imenso...
Um busto é um monumento
À contemplação propenso!
Ter neurónios já não é
Indicador a preceito;
Até pode ser um pé
P'ra "arrumar" quem não tem peito!
Rouxinol de Bernardim