rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

quinta-feira, agosto 01, 2013

CAPITULO II



Quem está fora do país talvez tenha uma  acuidade mais apurada para sentir o pulsar da Nação em todas as vertentes. Há dias conversando com um emigrante regressado do Canadá, ele dizia-me que até sentia nojo por alguns programas de televisão que nós apresentamos como se fosse o suprassumo, e não passam de lixo, lixo mediático, na sua própria versão. Exalta-se o que há de mais pindérico e reles que existe na natureza humana como se fosse   algo de transcendente, elevado, superior...

Não vale a pena indicar alguns programas para não ofender ninguém, contudo, se firzermos um exame de consciência,  havemos de reconhecer que a pretexto de alguma informalidade, de algum cunho popularucho se enveredou por caminhos aviltantes, pouco compatíveis com a nossa cultura, a nossa idiossincrasia, as nossas tradições...

Dizia-me ele, isto é o «pão e circo»  ao nível mais rasca, e vai desaguar, não tardará muito, no «pão e água»... Da miséria moral e ética cairemos na miséria civilizacional...

O pauperismo intelectual é óbvio, sente-se até nos programas de humor, onde aquela capa cultural envolvente se rasgou definitivamente e surge um humor rasca, burlesco, piroso, degradante...

O povo ao fim de um dia de trabalho, já exausto,  sente-se aprisionado pelas garras daquela mistela  sensaborona  onde  o nivelamento por baixo é tão baixo que se pode atingir o chamado bas fond...

Batemos no fundo em tudo! E só quem está ausente, desligado do meio por algum tempo, tem a noção exata do nosso subdesenvolvimento plasmado em coisas tão simples e comezinhas como estas. Não há um apelo à inteligência, ao espírito crítico, a sensibilidade das populações vai-se embotando no pantanal da sordidez, no charco da ordinarice, no lodaçal da promiscuidade.

Sabem-se verdades,  contudo,  algumas muito encobertas pelo manto obscuro de uma justiça ávida de prebendas à custa dessa sua especialidade: obstruír, encobrir, diferir no tempo, branquear...

O  orgulho, a honradez, a credibilidade,  são pagas a peso de ouro e consegue-se tudo através dos tribunais. Ali o preto é branco se o vil metal ou a sinecura política servirem de alavanca oportuna, na hora certa, no momento exato. Através de uma comunicação social que vive subjugada ao império da publicidade também se conseguem altares e santificações milagrosas. Há até quem seja especialista em chantagens neste específico domínio... Depois, graças a este dom,  chegam a ministros, deputados europeus, mas nunca passarão daquilo que realmente são: mafiosos, escroques, pulhas...

Portugal vive no pantanal da corrupção, há excepções à regra, mas são tão poucas que o próprio sistema se encarrega de as fazer submergir para que não destoem da paisagem...