rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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segunda-feira, agosto 19, 2013

Eça de Queiroz falou-me... e disse...


Fui ao Grupótico, na Praça do Almada, na Póvoa de Varzim,  mudar as lentes dos meus óculos e aproveitei para dar dois dedos de conversa com o mestre da língua portuguesa. Esse mesmo, o Eça, o que preconizava a mudança de fraldas e de políticos... pelos mesmos motivos...

Para a posteridade, aqui fica o diálogo, na íntegra:

__Mestre, o que achais desta polémica de os políticos com três mandatos consecutivos irem driblar a lei e candidatar-se a outro município?
__Não me chames mestre, podes tratar-me por tu, isto dos mestrados anda tão aviltado, depois do processo de Bolonha, que nem sei  o que dizer.  Contudo, no tocante a esse particular assunto, que dizem vai ser dirimido em última instância no Tribunal Constitucional, eu não tenho dúvidas...

__ Então?!
__A questão de fundo é sempre a mesma: ao fim de algum tempo no lugar, começam a criar-se teias, raízes, enfim, aquelas patologias que todos conhecemos: clientelismos, nepotismos, porreirismos de todos os matizes, que, só cortando o mal pela raiz...

__ Mas, se eles (autarcas) forem para outro local, não ficam tão expostos aos vícios...
__Estamos na ALDEIA GLOBAL, meu caro, tudo são vasos comunicantes, tudo são contactos, tudo são teias, não há volta a dar, o espírito da lei, se se quiser ser íntegro, honesto, impoluto, é iniludível, insofismável. Seja em que localidade for, o autarca está contaminado pelos vícios, está exposto às pressões,enfim, o cheiro do vil metal sente-se, em todo o lado...

Vai daí tirou um papel da algibeira e, começou a ler-mo perante o espanto dos populares que iam chegando, incrédulos:

Tantas fraldas p'ra mudar
Mas que cheiro pestilento
Alguns, fartos de bostar,
Mais bosta querem obrar
Num perpétuo corrimento!

Fraldas sujas, tão borradas,
A precisar de barrelas;
Almas rotas, tão coçadas
De vil metal conspurcadas
Almas tais: rua com elas!!!

Fraldas sujas, nem lavadas,
Noutro rio, noutro mar,
Estão sempre contaminadas
Narinas imaculadas
Poderão contaminar...

As fraldas erradicar
É justo, é pertinente,
Noutro rio as ir lavar
O cheiro vai mitigar
Mas... inquinava... a corrente!

Fui outra vez mudar de lentes ao Grupótico...