rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

sábado, agosto 24, 2013

Entrevista com...

Debaixo de fogo ele é mais genuino, mais natural, mais autêntico. Fui visitá-lo e fazer-lhe perguntas incómodas. Ele, Luís Filipe Videira, presidente dos «Diabos Vermelhos», não teve medo e disse o que lhe ia na alma:

__O que pensa do futebol?
__Julgo que a melhor definição é aquela que os ingleses usam quando se referem ao estádio do Manchester United, «Teatro de Sonhos». Eu acrescentaria mais: pode ser também ,nas  tardes e noites negras, um «Teatro de Pesadelos»...
__Acha que o futebol é alienante, uma forma de ocultar os reais problemas da sociedade?
__Para alguns, poderá ser. Para a grande maioria creio que não. Gostam do futebol, como se aprecia a música, a literatura, a arte em sentido amplo. A arte é alienante? Claro que não. Contudo reconheço que em certas circunstâncias, algumas pessoas poderão refugiar-se no futebol, como se fosse uma evasão, um alheamento temporário da realidade. Sobretudo quando a realidade é dura e tristonha...
__Qual a sua relação com a Verdade Desportiva?
__Tenho uma excelente relação com ela. Às vezes ouço algumas escutas telefónicas de um processo que ficou famoso e fico perplexo como é que essas pessoas ainda andam neste universo. «Lembra-se do que fizemos por si no verão passado?», isto  dito  por um dirigente a um árbitro é digno de um romance. O que estará por trás daquilo é de uma dimensão tão tenebrosa que me coibo de fazer mais comentários. E aquela:«eles não conseguiam sequer chegar à área,  o que é que eu podia fazer?!», isto dito por um árbitro que não conseguiu dar o tal «jeito» ambicionado pelo outro interlocutor-  Enfim, a Verdade Desportiva anda tão vilipendiada por alguns que não compreendo como é que ainda se permitem emitir juizos de valor sobre outros, dar-se ares de árbitros de elegâncias morais, de paladinos da verdade e da justiça...
__Acha que essas pessoas deviam ter sido sancionadas?
__É óbvio que sim. Até pelo senso comum, pela própria imprensa séria e íntegra, que deveria ser porta voz desse senso comum. Contudo, o que se nota, é um calculado e calculista desprezo pela verdade, um apagamento cúmplice dessa realidade podre, promovendo-se até quem elogia  esses comportamentos e essas pessoas. Há quem seja a favor da corrupção e justifique tudo isso dizendo que é a moeda corrente neste país!
__Acha que é verdade a corrupção inundar quase todos os segmentos da sociedade? Não acha legítimo aceitar e pactuar com ela como forma de sobrevivência?
__Respeito e dou valor à ética, aos valores da honra, da verdade, do escrúpulo, embora me possam achar fora de moda. Mas usar métodos  diabólicos (como fazer depósitos nas contas de árbitros para os incriminar...) não é com os «Diabos Vermelhos»... Nós somos diabólicos no sentido lírico do termo: infernizamos os adversários em campo, no relvado, na luta frontal e honesta, nunca na secretaria, nos bastidores, no submundo da arbitragem...